GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

FIM DO DESERTO, INÍCIO DA PICADA

Subimos a última duna, chegamos onde o cume refresca por uma brisa vinda de longe.

Olhamos ansiosos e não era miragem: torres e mais torres de telefonia anunciando o fim do deserto e a chegada à civilização.

Mais do que de água, eu tinha sede de notícias!

Corri aos tropeços pela areia quente e parei quando meu celular deu sinal de que o wi-fi da MacDonald’s tinha entrado automaticamente!

Ah, salve a rede mundial de sandubas!

Sim, salve, apesar de ser a responsável por grande parte da mortandade de peixes, galinhas, bois e minhocas do planeta! Encontrá-la justo ao fim do deserto escaldante não poderia ser mais providencial.

Abri correndo nas notícias e… o que vejo?! O Lula semi-inocentado pelo Superior Tribunal de Justiça!

Verifico que as redes sociais gravam verdadeira batalha em torno disso:

Os que olham Lula com simpatia garantem que a diminuição da pena demonstra que as duas instâncias inferiores estavam com muito má-vontade para com o ex-presidente.

Os que o odeiam afirmam que o STJ fez foi confirmar que Lula é ladrão e lavador de dinheiro e consideram que a diminuição da pena foi mínima.

Mínima, na verdade, não foi: a pena foi reduzida em cerca de 1.170 dias! Creio que quem está preso sente com peso mais 1.170 dias… três anos e alguma coisa, de encarceramento!

Para quem está solto, três anos de cadeia é pinto…

É bem verdade que o STJ manteve as condenações por corrupção e lavagem, e isso os inimigos do Lula acentuam.

Entretanto, pode-se compreender que os exageros praticados por Moro e pelo TRF da 4ª Região reforçam a tese de animosidade contra Lula, o que é bastante grave em um julgamento de um ex-presidente da república com todas as circunstâncias políticas e sociais que o envolvem.

Os exageros que o STJ reduziu não param na redução da pena em mais de três anos, prosseguem na redução da multa que as instâncias inferiores fixaram em mais de 31 milhões de reais!

Pois, o STJ cortou uns 29 milhões dessa multa! Isso é mais do que assombroso!

A multa passou de mais de trinta e um milhões de reais para dois milhões e quatrocentos mil reais.

Se isso não é pesar a mão, me diga quem acha que não: – O que lhes significam R$ 29.000.000,00?

Vou lhes dar uma idéia: – Vinte e nove milhões de reais significam que quem tiver essa grana pode montar uma frota de uns setecentos automóveis e pôr para circularem nesses serviços de transporte por aplicativo: 700 automóveis!

O STJ tirou da pena do Lula mais de três anos e setecentos automóveis e há quem ache que Moro e a trinca do TRF/4 foram supimpas e que os apoiadores do Lula estão festejando uma derrota.

Pois sim.

É o início da picada.

Lula está com um pé fora da prisão.

E o outro em 2022.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

HELENA NEGROMONTE SANTOS – OLINDA-PE

Meu irmão, Roberto Negromonte Santos era fã desse jornal.

Infelizmente ele nos deixou no dia 05 de janeiro de 2018.

E agora estou vendo vocês do jornal.

Atenciosamente,

R. Meu sincero lamento pela perda do seu irmão, nosso estimado leitor Roberto Negromonte. Só agora fiquei sabendo.

Como disse Guimarães Rosa, “As pessoas não morrem: ficam encantadas“.

Roberto encantou-se mas estará sempre presente por aqui através de você.

Faça as vezes dele e continue lendo o nosso jornal.

Saiba que foi com muita satisfação que recebi sua mensagem.

Abraços e um excelente domingo.

A PALAVRA DO EDITOR

UMA GRANDE HONRA

Semana passada tive um alegre surpresa.

Fui bloqueado no Twitter da “jornalista” global Monica Waldvogel.

Uma honra inexcedível.

Vai pro meu currículo.

E os desocupados que quiserem me seguir é só anotar:

@luizbertofilho

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

LIMITES DO AMOR – Affonso Romano de Sant’Anna

Condenado estou a te amar
nos meus limites
até que exausta e mais querendo
um amor total, livre das cercas,
te despeça de mim, sofrida,
na direção de outro amor
que pensas ser total e total será
nos seus limites da vida.

O amor não se mede
pela liberdade de se expor nas praças
e bares, sem empecilho.
É claro que isto é bom e, às vezes,
sublime.
Mas se ama também de outra forma, incerta,
e este o mistério:

– ilimitado o amor às vezes se limita,
proibido é que o amor às vezes se liberta.

Colaboração de Pedro Malta

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O CHEIRO DO SARRO DE CACHIMBO

Um pequeno cantil ajudava encher os tonéis

Com certeza, eu sou um dos poucos netos entre alguns criados pela Avó, que não viraram baitolas ou contraíram os vermes da idiotice. Sempre gostei dos paparicos, mas, quando ela os fazia em mim, logo desencaminhava qualquer sintoma de viadagem.

Hoje, ser baitola, gay, frango, xibungo é a coisa mais normal e está virando moda. Os assumidos, quando isso acontece, dizem que saíram do armário. E tudo começa em casa. É ali, com o apoio velado de alguns pais (pai/mãe) que a semente da viadagem brota e cresce.

Nunca ninguém vai me convencer que, “queimar rosca” pode levar alguém a sentir prazer. Tem quem goste, sei disso.

Pois, no auge da vovozagem (esta palavra estou inventando agora e quero dar o mesmo sentido de paparicagem), eu sentia sim, prazer em deitar a cabeça na perna esquerda dela, ambos sentados no chão da latada na frente da casa, sentindo aquele cheiro maravilhoso do sarro do cachimbo de barro que ela carregava sempre no bolso esquerdo do vestido. Eu até adormecia ali tomando cafunés.

Mas, logo que eu terminava de tomar o desjejum, escutava aquela voz de comando vinda da cozinha:

– Fiii, cherôso, vá buscar um camin d´água prumode eu lavá a lôça, vá!

A “lôça” (louça) nada mais era que, alguns poucos pratos de barro, uma panela também de barro, uma panela velha de alumínio toda amassada, umas colheres que, de tão velhas e usadas pareciam espátulas, e umas duas ou três canecas de alumínio que usávamos para beber água do pote.

Na verdade, o “camin d´água” era, trazer do açude, que ficava distante da cassa uns 2 mil metros, três tonéis cheios. Para isso, eu precisava preparar o jumento “Beiçudo”, colocando os cambitos – o que acabaria inviabilizando a montaria e me obrigando a ir caminhando pela boa distância – para facilitar o transporte do líquido.

E lá vinha outro comando, em alto e bom som:

– Minino, cuide! Espie, vô cuspir no chão, visse!

Aquele código que poucos conhecem, “cuspir no chão”, nada mais era que uma ameaça, do uso da correia pendurada no armador da rede, se o “cuspe do chão” secasse e eu não tivesse voltado. Santa correia, elemento servil que ajudou a me tirar do caminho das maldades.

Arre égua!

Enquanto o jumento terminava de beber água no açude, nu como vim ao mundo, eu dava meus “ligeiros” mergulhos na água, um bom banho, brincava de galinha d´água, vestia de novo as calças de suspensórios, pegava as rédeas do animal e, lépido e fagueiro voltava à casa.

A PALAVRA DO EDITOR

CACHAÇA NA CADEIA

O proprietário do PT, cumprindo uma pena por corrupção e lavagem de dinheiro – confirmada em três instâncias, nunca é demais ressaltar -, já fala merda que só a porra nos raros momentos em que está sóbrio.

Imaginem quando enche o cu de cana.

Aí é que caga mesmo pela boca!

A recomendação de Jair Messias deveria ser seguida à risca:

Tem que proibir bebida na cadeia.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Paulo Vanzolini

Paulo Emílio Vanzolini nasceu em São Paulo, em 25/4/1924. Cientista (zoólogo) e compositor (sambista) dos mais renomados nas duas áreas. Uma combinação peculiar, inusitada e, talvez, única no mundo, se considerarmos o talento e suas contribuições em tão distintas atividades. Seu nome consta em 15 denominações científicas de répteis e anfíbios. Compôs clássicos da música popular brasileira, como Ronda, Volta por cima, Juízo final, Praça Clóvis, Na boca da noite entre outras. Nunca gostou de ir à escola e já confessou que em toda sua vida de estudante “para ser mais sincero, nos quatro anos de primário, cinco de ginásio, dois de pré-médico, seis de medicina e três de Harvard, nunca assisti às aulas com gosto”. Já pensou, se gostasse!

Mesmo assim, impulsionado pelos subornos com presentes dados pelo pai, o engenheiro e professor da Escola Politécnica da USP, Carlos Alberto Vanzolini, concluiu o curso primário no Colégio Rio Branco e o ginásio em escola pública. Se entrasse aí com uma boa colocação, ganharia uma bicicleta. Ganhou e, aos 10 anos, no primeiro passeio, foi até o Instituto Butantan. Ficou apaixonado pelos bichos e alí decidiu o que queria ser quando crescesse. Aos 14 anos, conseguiu um estágio no Instituto Biológico e deu início a profissão de zoólogo. Não queria ser médico, mas o amigo de seu pai, André Dreyfus, criador da genética no Brasil, disse-lhe: “Olhe, se você quiser fazer zoologia de vertebrados, vá para a Faculdade de Medicina onde vai estudar anatomia, histologia, embriologia e fisiologia num curso básico de primeiro nível. O resto você rola com a barriga”.

Em 1942 ingressou na Faculdade de Medicina da USP. Na mesma época sua vida tomou um caminho que não indicava, de modo algum, o futuro cientista. Passou a frequentar as rodas boêmias com os amigos universitários e compor os primeiros sambas. Dois anos após, deixou a casa dos pais, mudou-se para um apartamento no Prédio Martinelli e foi trabalhar com o primo, Henrique Lobo, na Rádio América, num programa comandado por Cacilda Becker. Pouco depois foi convocado para o Exército, interrompeu os estudos, retomou o curso de medicina após dois anos, foi lecionar no Colégio Bandeirantes e começou a trabalhar no Museu de Zoologia. Como se vê, o artista surgiu primeiro que o cientista, que tomou um impulso logo em seguida. Em 1947 foi diplomado médico e, no ano seguinte, casou-se com Ilse, secretária da Reitoria da USP. Mais um ano e o casal embarca para os EUA, onde concluiu o doutorado em Zoologia pela Universidade de Harvard.

Uma vez pronto o cientista, é hora de dar vazão ao artista. Começando pela poesia e por insistência do amigo Geraldo Vidigal, publicou o livro Lira de Paulo Vanzolini, em 1951, pelo Clube de Poesia, reduto boêmio e literário de São Paulo. No mesmo ano compôs o samba-canção Ronda, considerado sua obra-prima musical, que veio a ser gravada, por acaso, em 1953, por Inezita Barroso. Ele e a esposa eram amigos da cantora e acompanharam-na até a o estúdio da RCA Vitor, para realizar sua primeira gravação: “Marvada pinga”. Como ela não tinha escolhido outra música para o lado B do disco de 78 rpm, optou por Ronda naquele instante. O estrondoso sucesso do lado A deixou a samba-canção na penumbra e só veio a ficar conhecido, de fato, e fazer sucesso anos depois na voz da cantora Márcia. Em 1953 foi trabalhar na TV Record, produzindo programas musicais, como o de Araci de Almeida. Fez amizade com muitos cantores e compositores, entre eles Adoniran Barbosa, bom de papo e copo. Os dois planejaram uma parceria musical que nunca aconteceu. Quase sempre compunha sozinho, mas chegou a formar parceria com Toquinho em meados dos anos 1960, pouco antes dele se juntar a Vinicius de Moraes. Frequentador assíduo da casa dos Buarque de Holanda, quando esta família residia no bairro de Pinheiros, foi um dos primeiros a conhecer o compositor Chico Buarque ainda jovem, quando compôs Pedro Pedreiro. Ouviu o samba, observou a letra e exclamou, dirigindo-se à Sergio, seu pai: “Esse menino é um gênio!”.

Em 1963 foi nomeado diretor do Museu de Zoologia e lançou outro grande sucesso: Volta por cima, gravado por Noite Ilustrada. A música já era conhecida nas boates paulistanas como “o samba do Vanzolini”. Ficou tão conhecida e caiu no gosto do público de tal modo, que a expressão “dar a volta por cima” passou a ser utilizada por todos como “superar uma situação difícil”. Em fins de 1967, Luís Carlos Paraná, compositor e dono da boate “Jogral”, e Marcus Pereira, publicitário e depois dono de uma gravadora, resolveram produzir seu primeiro LP com suas músicas inéditas, conhecidas apenas pelos amigos: “Paulo Vanzolini: onze sambas e uma capoeira”, interpretadas por diversos cantores, entre os quais Chico Buarque. “Jogral” era um celeiro de sambistas em São Paulo, tendo lançado grandes nomes, como Jorge Ben e Martinho da Vila. Como se não bastasse, foi também cantor. Em 1981, o Estúdio Eldorado lançou o LP “Paulo Vanzolini por ele mesmo”

Até aqui tudo bem, mas cadê o cientista? Bem, não é à toa que seu nome denomina 15 espécies de bichos. Ralou bastante para merecer tais homenagens. Além disso, ajudou na criação da FAPESP-Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, em 1962, na condição de membro do Conselho Superior. Enquanto diretor do Museu de Zoologia, aumentou a coleção de répteis de 1,2 mil para 230 mil exemplares. Em termos científicos p.p. dito, adaptou a “Teoria dos Refúgios” a partir de um trabalho em conjunto com o prof. Aziz Ab’Saber e com o norte-americano Ernest Williams. “Refúgio” foi o nome dado ao fenômeno detectado nas suas expedições pela Amazônia, quando o clima chega ao extremo de liquidar com uma formação vegetal, reduzindo-a a pequenas porções. Assim formam-se espaços vazios no meio da mata fechada. Quando se aposentou em 1993, continuou trabalhando no Museu de Zoologia até pouco antes de falecer. Recusou-se a deixar o trabalho: “É a única coisa de que gosto, a única coisa que sei fazer”. Só parou em 28/4/2013, quando veio a falecer.

As “Escolas de Samba” foram as primeiras a homenageá-lo ainda em vida. A “Mocidade Independente de Padre Miguel” desfilou em 1985 com o tema “Ziriguidum 2001, um carnaval nas estrelas” sobre um imaginário corso de sambistas no espaço sideral, e Vanzolini estava lá. Foi enredo da “Mocidade Alegre”, em 1988, onde foi exaltada sua dupla personalidade de cientista e poeta do samba. Em 2005, foi a vez da “Vai-Vai”, com o enredo “Eu também sou imortal” discorrendo sobre sua atuação no samba e na boêmia de São Paulo. Em 2013, quando soube de seu falecimento, a “Mocidade Alegre”, anunciou seu enredo para o carnaval de 2014, com um tema referente aos 90 anos do boêmio paulista. Foi premiado pela Fundação Guggenheim, em Nova Iorque (2008); condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico e promovido a Grande Oficial da Ordem do Ipiranga (2010). Em março de 2013, recebeu o Prêmio APCA-Associação Paulista de Críticos de Arte, pelo conjunto da obra. Sua vida foi retratada no cinema em três documentários, dirigidos por Ricardo Dias. Dois sobre o zoólogo e um sobre o sambista: Um homem de moral, lançado em 2009 no 13º Cine Pernambuco.

No seu legado encontram-se, também, uma valiosa contribuição à ciência no livro An annoted bibliography of the land and fresh-water reptiles of South America (1758-1975), em dois volumes, lançado em 1975-77 pelo Museu de Zoologia. Outro legado substancial foi a doação de sua biblioteca com mais de 25 mil livros ao Museu, em 2008. Uma de suas últimas aparições no palco, se deu no Rio de Janeiro em 2003, quando foi lançada sua antologia de 52 sambas numa caixa com quatro CD’s: “Acerto de contas”. As músicas tiveram como intérpretes quase todos seus amigos mais próximos: Paulinho da Viola, Chico Buarque, Elton Medeiros, Carlinhos Vergueiro etc. Na ocasião, seu amigo Ricardo Cravo Albin, elaborou uma série de quatro programas radiofônicos, transmitidos pela Rádio MEC para todo o Brasil, além de uma longa entrevista. Numa de suas últimas entrevistas, foi-lhe perguntado que conselho daria aos novos cientistas. Sua resposta foi concisa: “O primeiro conselho é que não sigam os conselhos de ninguém e que se apliquem e façam bem feito e com amor o seu serviço”.

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

BANDIDOS PERDERAM A BOQUINHA

Comentário sobre a postagem ASSESSORAMENTO DE ALTÍSSIMO NÍVEL

Rosângela Amorim:

Pois é, caro editor!

A propósito dessa foto aí, eu me lembrei de uma dúvida que vem cozinhando meu juízo há alguns dias.

Gostaria que alguém me esclarecesse:

Bolsonaro já fez a reforma agraria?

Estou perguntando porque não tenho visto o MST atrapalhando a vida das pessoas com queima de pneus, nem invasão de terra.

* * *

Nota da Editoria:

A propósito do comentário da leitora Rosângela, cliquem na imagem abaixo para ler uma matéria sobre o assunto.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ADAIL AUGUSTO AGOSTINI – ALEGRETE-RS

Dom Luiz Berto:

STF lança edital para comprar R$ 1,1 milhão em comidas e vinhos de altíssima qualidade para seus ministros.

O edital se refere à contratação de um fornecedor para as refeições servidas na Corte (e bota CORTE nisso!!!).

Os ministros do STF – que pelo visto estão lá só para “encher a pança e tomar seus porres” – EXIGEM serviços de café da manhã, passando pelo “brunch“, almoço, jantar e coquetel.

A lista, abaixo, dos (perceba-se o deboche do nome!!!) “serviços de fornecimento de refeições institucionais“, custará uma “merrequinha” de só R$ 1,134 milhãozinho, ou seja, apenaszinho a “mixariazinha” de R$ 103.090, 90 – ou sejam, a bagatelazinha de só 104 salários-minimos!!! – por cada um(a dos 11 que freqüentam (às vezes) o $TF.

Com vemos, são só uns petisquinhos fornecíveis por qualquer boteco-de-periferia:

Bobô de camarão,
bacalhau a Gomes de Sá,
frigideira de siri,
moqueca (capixaba e baiana),
camarão à baiana,
medalhões” de lagosta com molho de manteiga queimada,
arroz de pato,
vitela assada,
codornas assadas,
carré” de cordeiro,
medalhões de filé
e “tournedos de filé“, com molho de mostarda, pimenta e castanha de caju com gengibre.

Mais uns vinhozinhos quaisquer, para auxiliar na digestão e criar o clima de confraternização:

Vinho tinto fino seco (Tannat ou Assemblage, safra igual ou posterior a 2010 e que “tenha ganhado pelo menos 4 (quatro) premiações internacionais”).

O vinho, em sua totalidade, deve ter sido envelhecido em barril de carvalho francês, americano ou ambos, de primeiro uso, por período mínimo de 12 (doze) meses.

“Se a uva for tipo Merlot, só serão aceitas as garrafas de safra igual ou posterior a 2011.”

Vinhos brancos, “uva tipo Chardonnay, de safra igual ou posterior a 2013, com no mínimo quatro premiações internacionais.”

E umas outras bebidinhas, para abrir o apetite e/ou relaxar :

A caipirinha deve ser feita com “cachaça de alta qualidade”, leia-se: “cachaças envelhecidas em barris de madeira nobre por 1 (um) ou 3 (três) anos.”

Destilados, como uísques de malte, de grão ou sua mistura, “têm que ser envelhecidos por 12, 15 ou 18 anos”.

“As bebidas deverão ser perfeitamente harmonizadas com os alimentos”, descreve o edital.

Interessante é que – a não ser que hajam toneladas pessoais e reservadas nos freezers do $TF ou estejam de regimes severos para emagrecer ou por recomendações médicas – esqueceram das sobremesas.

Também pode ser por esquecimento devido as naturais preocupações funcionais, as inúmeras viagens, aos convites variados, etc….

O Tofodido afirma que esse modestíssimo e limitadíssimo cardápio de barzinho-de-esquina, do tipo “bife-sujo”, foi exaustivamente estudado (junto com seus pares) para não dar motivo de nenhuma reclamatória da elite brasileira que ganha a exorbitância de 1 (um) salário-minimo, e que – por pessimamente sustentá-los e pagar uma “mixaria” de um salário-de-fome para eles e para elas – vive diuturna e sadicamente reclamando de seus minguados proventos, de algum que outro beneficiozinho, apesar de seus exemplares desempenhos.

Afinal, eles são ou não são – e proclamam isso, sempre, aos quatro-ventos, no mais alto e bom som – os ínclitos e divinos Gurdiões da Consituição (artigo 102)?

Como diz o historiador Marco Antônio Villa – cronista do programa matinal “Jornal da Manhã” da Jovem Pan, autor do vídeo e do texto abaixo – parodiando o belo hino do Santos Futebol Clube:

“Nascer, viver e no STF morrer, é um privilégio que nem todos podem ter.”

E para estragar totalmente o fim-de-semana dos leitores fubânicos vejamos alguns inacreditáveis gastos, algumas injustificáveis justificativas e algumas despudoradas mordomias dos “urubus-de-toga” do $TF (“Só Tem Filhos-da-putas” ou “Supremos Trapaceiros Fedidos”), no seu vídeo:

E – para ficarem mais irritados e furiosos ainda – mais informações, detalhes e números escabrosos, no seu texto “Os privilégios do STF” cliquem aqui

“O maior inimigo da autoridade é o desprezo e a maneira mais segura de solapá-la é o riso.” (Hannah Arendt 1906-1975)

Um baita abraço,

Desde o Alegrete – RS,

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

NOTAS

O turismo é um santo remédio contra o atraso geral. Quando o turismo acontece, energiza a economia, alegra o ambiente, planta sementes germinativas na hotelaria, gastronomia, transportes, agricultura, recursos culturais. Fortalece, enfim, a economia de forma generalizada porque, segundo especialistas, a lista de áreas favorecidas pelo turismo é de 52 atividades.

O turista é louco por natureza, sol, praia com água transparente, falésias e biodiversidade. As riquezas turísticas do Brasil, somadas, chegam a 100 destinos selecionados no capricho. Quem procura parques, cachoeiras, dunas, lagoas, cidades históricas, monumentos famosos, acha. Tanto no Norte, quanto no Sul do país. Embora seja uma atividade crescente, no entanto o Brasil precisa acelerar a recepção de turistas.

Afinal, no continente americano, o Brasil ocupa a terceira posição em opções turísticas, depois do Canadá e Estados Unidos. Em 2018, por causa da presença de 7 milhões de visitantes, o turismo injetou US$ 5,92 bilhões na economia brasileira. Só que, comparado à cidade de Nova York, que recebeu 65 milhões de turistas em 2018, o Brasil é insignificante na atividade turística. Não passa de um aprendiz no ramo de atrair estrangeiros para visitas. Alguns motivo afugentam o tursita do Brasil. Recessão, fraca promoção no exterior, incontrolável violência, constantes assaltos a bancos e pessoas, incertezas políticas.

*
O Produto Interno Bruto é a riqueza do país. Consiste na soma dos produtos que a economia produz durante determinado período na indústria, agropecuária e serviços. É evidente que quanto maior a produção, mais alto é o consumo e os investimentos, melhor é o ciclo produtivo e comercial. Vai desde a fabricação do pão na padaria, como a montagem do carro nas montadoras, quando se trata de bens e produto finais. Lógico que os bens utilizados na produção de outros bens finais, não entram no somatório. Na parte de serviços, entenda-se os serviços executados pelos bancos e as diaristas em nossas casas.

No entanto, um fator preocupante relaciona-se com o crescimento da dívida pública. Neste aspecto, o Brasil vai mal das pernas. Cambaleia. Segundo estimativas do governo federal na proposta orçamentária de 2019 enviada ao Congresso, focando a realidade nacional, consta que a grosso modo a coisa tá ruim de verdade. A causa da preocupação é a dívida pública crescente. Encontra-se acima do quadro apresentado pelos demais componentes do Brics (Rússia, Índia, China e África) e da América Latina.

Enquanto os membros do Brics fecharam o ano de 2017 batendo a dívida pública na casa de 54,4% do PIB, o Brasil tem uma dívida pública beirando os 83,9% do PIB. Alta demais. Neste ponto, o medo é a necessidade de o Brasil ter de aumentar a taxa básica de juros para conter as pressões inflacionárias. O que vem acontecendo de verdade, jogando por água abaixo os projetos para baixar os juros. A dívida pública brasileira aumentou no passado em função justamente da alta da taxa Selic, que em 1999, registrou o pico de 45%.

*
Faz um ano que a Holanda inaugurou uma ponte de concreto protendido, projetada por uma impressora 3D na Universidade de Tecnologia de Eindhoven. Inicialmente, a ponte de pequenas dimensões, foi destinada aos ciclistas. Na construção, a ponte recebeu apenas o concreto necessário. Sem perder a segurança, mas, reforçada para receber a imensa quantidade de bicicletas que circulam entre duas importantes estradas do país.

Resistente, os construtores calculam que a ponte, além de durar mais de trina anos de uso, tem estrutura para suportar peso de até cinco toneladas. A construção que demorou somente três meses fica na cidade de Gemert. Dessa forma, a Holanda se integra aos EUA e à China no grupo de países que substituem a mão de obra pela máquina.

A tecnologia tem um dom. Despreza as formas tradicionais de construção e através da automação, implanta o trabalho automático, utilizando máquinas inteligentes e equipamentos autossuficientes. A técnica da robótica faz o computador, munido de conceitos fundamentais, facilitar o trabalho das pessoas, enquanto aumenta a produtividade. O lado negativo é o desemprego, com a redução de postos de trabalho. Mas, em país desenvolvido, o desemprego não preocupa. Emprego tem demais, oferecendo ótimo salário.

*
No passado, devido ao atraso do país, hospital público só prestava atendimento médico a quem tinha carteira assinada. Era contribuinte da Previdência Social. Quem não se enquadrava nesta situação, sobrava. O Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social-Inamps, órgão oficial da saúde pública, não atendia trabalhador que não fosse classificado. Mas, apesar da discriminação, havia respeito e consideração com a população.

O SUS-Sistema Único de Saúde só apareceu em 1988. Como é obrigação da União atender o povo nas doenças, mas, devido à quantidade de pacientes, presta péssimo serviço a 80% da população. Em função da precariedade, o SUS é criticado por mais de 166 milhões de pessoas que não tem plano de saúde. Porém, mesmo censurado, o SUS é tido como um dos programas de assistência pública no mundo, em eficiência.

Para um país pobre, custear um serviço público tremendamente caro, é dose para o Brasil. Ainda mais quando é mal administrado. Obrigado a prestar assistência a pessoas de reduzido poder aquisitivo que envelhecem rapidamente. Para 2019, a Lei Orçamentária Anual reserva R$ 128 bilhões para a saúde pública, quantia considerada insuficiente para o custeio do SUS. Faz 30 anos, os gestores classificam a saúde como despesa, embora seja investimento para os entendidos na matéria. Daí a redução da contribuição dos municípios cair para 3% e do governo federal despencar para apenas 40% dos investimentos. Com isso, quem sofre é o povo que se sente, com razão, desassistido.