CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

RENATO VASCONCELOS – CARUARU-PE

Nobre Editor Berto:

Ser presidente não deve ser fácil.

Eu, em uma situação dessa, de ter que cumprir protocolo e receber dois canalhas iguais a esses dois, sinceramente, faria vomito em cima da mesa.

Meu estômago é fraco na frente de hipócritas.

Abração!

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GRANDES MOTES, GRANDE GLOSAS

Cantador Valdir Teles, um dos maiores nomes da poesia nordestina na atualidade

* * *

Valdir Teles glosando o mote:

Quando chega o inverno Deus coloca
Mais fartura na mesa do roceiro.

A matuta faz fogo de graveto
Ferve o leite que tem no caldeirão
Bota sal na panela do feijão
E assa um taco de bode num espeto
Onde a música do sapo é um soneto
Mais bonito da beira de um barreiro
Não precisa zabumba nem pandeiro
Que o compasso da música é Deus que toca.
Quando chega o inverno Deus coloca
Mais fartura na mesa do roceiro.

* * *

Júnior Adelino glosando o mote:

Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

No ramo da construção
Faço ponte, creche e praça
Com tijolo, cal e massa
Eu ergo qualquer mansão
Levanto em cima do chão
Parede bem grossa ou fina
Torre que não se inclina
Que não se quebra nem dobra
Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

Com o prumo e a colher
Lápis ,régua, espátula e rolo
Cimento, areia e tijolo
Faço o que o dono quiser
Sobrado, muro ou chalé
Do tamanho de uma colina
Ser pedreiro é minha sina
Tenho talento de sobra
Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

Nasci com a vocação
E aprendi de longa data
Que o alicerce e a sapata
São partes da fundação
Numa grande construção
As ferragens predomina
Que a faculdade divina
Me dá aula e nada cobra
Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

Eu sei dizer que o concreto
É quem garante o sustento
Com pedra, areia e cimento
Começo qualquer projeto
Nunca fui um arquiteto
Nada disso me domina
Construo com disciplina
Qualquer coisa com manobra
Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

* * *

Pedro Ernesto Filho glosando o mote:

Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

O pequeno sanfoneiro
Com arte desafinada
Que de calçada em calçada
Vive a ganhar seu dinheiro,
Não é Alcimar Monteiro
Nem Gonzagão, nem Roberto,
Porém deixou boquiaberto
O povo do interior.
Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

O sertanejo frustrado
Vítima da sociedade,
Somente vai à cidade
Quando se vê obrigado,
Falando pouco e errado
Porque vive no deserto,
Mas se houvesse escola perto
Talvez que fosse um doutor.
Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

A prostituta de bar
Tem na consciência um farne,
Negocia a própria carne
A fim de se alimentar,
O bom conceito de um lar
Foi pela sorte encoberto,
Talvez que até desse certo
Se tivesse havido amor.
Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

O bom vaqueiro voraz
No mato faz reboliço,
Desenvolvendo um serviço
Que acadêmico não faz;
Coveiro é útil demais
Quando um túmulo está aberto
Rico não se torna esperto
Para fazer o favor.
Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

* * *

Louro Branco e Zé Cardoso glosando o mote

Não existe mais respeito
Nos namoros de hoje em dia.

Louro Branco

Rapaz que tem companheira
Não leva Salve Rainha
Mas leva uma camisinha
Escondida na carteira
Tira a roupa da parceira
Mama chega o peito esfria
Chupa na língua macia
Como quem chupa confeito
Não existe mais respeito
Nos namoros de hoje em dia.

Zé Cardoso

Vi um casal na calçada
Ela com ele abraçado
Ele na boca colado
Ela na língua enganchada
Uma velha admirada
Dizia: “Vixe Maria!”
E com tristeza dizia:
“Eu nunca fiz desse jeito”
Não existe mais respeito
Nos namoros de hoje em dia.

* * *

Mariana Teles glosando o mote:

Um café com pão quente às cinco e meia
Deixa a casa cheirando a poesia.

Quando o sol se despede da campina
E a textura da nuvem muda a cor
O alpendre recebe o morador
Regressando da luta campesina
Entre os ecos da casa sem cortina
Corre um grito chamando por Maria…
E da cozinha pra sala a boca esfria
O mormaço da xícara quase cheia
Um café com pão quente às cinco e meia
Deixa a casa cheirando a poesia.

Meia hora antecede a hora santa
Às seis horas da virgem concebida
E o cálice que serve de bebida
Desce quente nas veias da garganta
Já o trigo depois que sai da planta
Faz o pão quando a massa fica fria
E o tempero da cor do fim do dia
Tem mistura de terço, fé e ceia
Um café com pão quente às cinco e meia
Deixa a casa cheirando a poesia.

A PALAVRA DO EDITOR

UMA ENTIDADE DE RESPEITO

Os números no quadro aí embaixo estão no Twitter da UNE, a União Nacional dos Estudantes. (Sim, ela ainda existe!!!)

Uma instituição muito séria, que é mais conhecida pela sigla UNE-QNE – União Nacional dos Estudantes Que Não Estudam.

Vejam só o que eles postaram:

São números de indicam a quantidade de vagabundos estudantis que participaram da zona realizada nas ruas de algumas cidades no dia de ontem.

Dos 5.570 municípios do Brasil, um expressivo percentual, bem uns 13, levou a efeito movimentadas e alegres puxações de fumo ao ar livre.

Como a UNE é uma entidade respeitável e de alta confiabilidade, comandada e dirigida por intelequituais zisquerdistas, vocês podem acreditar nas centenas de milhares que estão na tuitada do órgão.

Eles só erraram no que se refere aqui ao Recife.

Calcularam uma passeata com 100 mil desocupados.

Mas o Departamento da Estatísticas do JBF estimou em mais de 3 milhões de desordeiros a turba que impedia o transito no final da tarde e atanazava a vida das pessoas que queriam voltar pra casa depois de um dia de trabalho.

DEU NO JORNAL

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

APRENDA GRAMÁTICA ACESSANDO ESTA GAZETA ESCROTA

Comentário sobre a postagem ACHARAM POUCO

Roque Nunes:

Sua Santidade Fubânica Papa Berto, o único.

Concordo com o jornaleco…. Fora Bolsonaro!

Escrito desse jeito, têm-se um um pedido para que Bolsonaro fique, já que esse “fora” aí colocado, sem o uso de uma vírgula que o transformaria em um vocativo, torna-se um advérbio.

A leitura correta então seria, “com exceção de Bolsonaro”.

Agora se os analfabetos que produziram esse arremedo de papel higiênico quisessem dizer que eles querem Bolsonaro fora do governo, deveriam ter escrito FORA, Bolsonaro! com uma vírgula após a locução verbal e uma exclamação após o substantivo.

Mas isso é complexo demais para esse povo que só tem um neurônio impregnado das sandices dito pelo santo de bordel que eles veneram: o Luladrão.

DEU NO JORNAL

A PALAVRA DO EDITOR

ESCOLAS NA RUA

Duas excelentes escolas, conhecidas por sua dedicação ao ensino e à didática, estavam presentes na zorra estudantil de ontem.

Estas duas instituições de ensino, a CUT e o MST, fornecem diplomas de idiotice.

Elas deram apoio aos alunos que desfilaram com cartazes de “Lula Livre“.

Só com Lula fora da cadeia a “educassão” neste país vai pra frente.

Ontem, na cidade baiana de Uauá, a estudante desfilou com um cartaz que mostra o quanto a “educassão” no Brasil precisa de verbas.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

TÁ DIMINUINDO

* * *

Esta notícia aí de cima é sobre a zona estudantóide-zisquerdal levada a efeito ontem, aqui no Recife.

Uma zorra organizada no dia certo para matar aulas na quinta e emendar a vagabundagem com a sexta. Véspera do final de semana.

Da zona anterior pra zona de ontem, o número de desocupados foi “menos expressivo“.

Num fui eu que escrevi isto.

Foi o redator da Folha.

Ele está certíssimo.

Podes crer, amizade!

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

O EMPREGO

– Às vezes me dá vontade de trair o Zeferino. Sinto uma dor no peito, raiva, pela moleza de meu marido. Tenho vontade de sair por aí, transar, sou a mulher mais carente e idiota do mundo. Confessava Eugênia à amiga Gabriela.

– Até que entendo sua vontade, mas esse negócio de trair, na maioria das vezes dá o arrependimento, piora a depressão. Faça as coisas que o coração mandar, porém, tenha calma, reflita para depois não se arrepender. Aconselhou Gabriela.

– Você condena essa vontade de eu trair?

– Quem sou eu para julgar? Para condenar alguém. Como amiga posso dar uma opinião, apenas isso. É uma situação passageira, por isso aconselho pensar, o travesseiro noturno ou uma volta na orla contemplando o mar, refletindo, acalma o coração, faz bem a depressão.

– Gabriela, o problema maior é o meu desprezo pelo Zeferino, nunca pensei, ele é um cara fraco, perdedor, desde que foi despedido do emprego há mais de sete meses, vive dentro de casa, esperando um trabalho cair do céu. Todo dia é uma desculpa ou uma mentira de promessa de emprego, culpando o governo. Eu sustento a casa, comida, água, luz, telefone, o colégio do Carlinhos, tudo com o trabalho de cabeleireira no meu salão de beleza. Não tenho descanso nem aos domingos, para sustentar a casa. O Zeferino nem aí, só sai para o botequim, chega na hora do jantar, o português da bodega já não vende fiado. É uma tristeza. Minha única reação é não transar quando ele se achega querendo coisas. Uma noite me pegou a pulso, não sei mais o que fazer. Que ele merece um chifre, merece. Tenho um cliente, coroa alinhado, elegante, faz cabelo e unhas toda semana, olha demais para mim, conversamos muito, eu deixo meu decote bem aberto ele fica contemplando, mas é um homem sério. Da última vez que ele foi ao salão, estava lendo numa revista uma reportagem sobre mulheres e sexo. Eu sorri perguntando se ele gostava da fruta. O coroa deu uma gargalhada, respondeu-me na hora: “gosto e é bom.” Apesar de ele ter chegado aos sessenta anos, tenho certeza, se eu quiser, sai comigo.

– Eugênia veja o que vai fazer. A melhor solução para briga ou desentendimento é o diálogo. Faça uma força, fale francamente, com o Zeferino, diga tudo que pensa, pressione para ele arranjar um emprego, nem que seja de varredor, não é desonra alguma.

Eugênia foi para casa, tirou o fim-de-semana para refletir. Sábado ao entardecer foi contemplar o mar azul-esverdeado da praia de Jatiúca. Pensou bastante nas palavras da amiga Gabriela, psicóloga. Consultou seu coração e à mente, pensou no Zeferino, no Carlinhos e no sessentão cheiroso. Quando retornou em casa teve uma conversa franca com o marido naquela noite.

– Que ares de felicidades são esses? Perguntou- lhe Gabriela, dias depois. Vejo que resolveu seus problemas, gostei dessa transformação jovial, acabou-se a tristeza, a depressão, voltou sua alegria.

– Minha amiga, tudo começou com o contemplar do belo verde mar, me senti bem, pensei no que meu coração queria. A primeira decisão foi ter uma conversa aberta com o Zeferino, disse que estava a fim de me separar, fui franca, critiquei as grossuras dele comigo, a preguiça de arranjar trabalho. Finalmente acertamos outra chance no casamento, eu ajudaria a procurar-lhe emprego. As coisas foram se arrumando, estamos vivendo melhor, ele agora tem um emprego arranjado por mim, ajuda no sustento da casa e sua autoestima melhorou.

– Ainda bem que você apagou a ideia, a vontade de trair com o coroa elegante. Disse Gabriela sorrindo.

– É o que você pensa. O coroa elegante chama-se Francisco, com ele arranjei um trabalho de almoxarife para o Zeferino. O Doutor é engenheiro, tem uma construtora. Homem generoso e discreto. Aqui para nós, satisfiz minha vontade. Apesar da idade, o coroa ainda é ótimo, suas invencionices na cama me deixam louca.