CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

A DEUSA DA ENCRUZILHADA

Para Alcione Souza, cuja beleza vai além dessas notas taquigráficas

Todas as vezes que ela passa no Lago da Encruzilhada balançando as ancas protuberantes, sensuais, cobertas por um vestido de helanca dourado, transparente, colado à bunda hígida, um admirador lhe observa com olhar de desejos e sentimento de posse, imaginando-a toda nua nos seus braços fazendo amor com ela sob a luz da lamparina.

Ela é uma balzaquiana de folhas de ouro ou de outro metal precioso que, na Roma antiga, era oferecida às grandes atrizes de beleza ímpar, in natura, como reconhecimento e celebração de seus atributos corporais.

– “Meu Deus! Quanta beleza, formosura, rebolado, gingado nos quadris daquela morena de bunda e pele banhada de morenidade – sem protetor solar!” – observa, sempre, o sessentão do outro lado da praça, sentado no tamborete do bar “O Apreciador”, degustando-a de desejos com a libido a flor da pela e o órgão genital intumescido dentro da cueca!

Certo dia, ela de passagem pela Praça da Encruzilhada, de repente um vento macho levanta-lhe a saia que ela tenta segurar com as mãos delicadas aquilo que o observador, à distância, já havia notado em suas andanças nuas, o que havia intimamente escondido dentro do vestido de helanca: Uma calcinha cor de rosa protegendo a sensualidade que enlouqueceu o apreciador.

Daquele dia em diante nunca mais ele conseguiu desvencilhar-se dela. A Deusa da Encruzilhada, fez morada na sua lascívia e o transformou num vassalo, escravo daquela beleza que só a Natureza é capaz de florescer nas fêmeas para os machos. Ela não precisou fazer mais nada para conquistar o coração do observador, apenas utilizar seus artifícios sensuais enigmáticos tal qual Capitu de Machado de Assis para Bentinho, com o olhar.

Ela sabe da existência dele. Sabe o quanto ele a tem como paradigma de beleza e sensualidade. Sua cor, sua pele, seu corpo trigueiro, seus olhos negros penetrantes e sexuados fazem com ele a considere a mina dos seus olhos e dos seus desejos, mas falta ela saber a falta que ela faz a ele.

Será que um dia ela vai perceber a emoção que ele sente por ela quando a ver, o coração batendo acelerado? Ou será que ela já sabe e disfarça que não para manter o segredo como idolatria?

Enquanto ela não descobre essa obsessão dele por ela ele vai vivendo de sonho porque sonhar é realizar os desejos da vontade e senti-los verdadeiros.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

XICO COM X, BIZERRA COM I

O FILHO DA FILHA DE DONA DULCE

O não-arrulhar dos mais gentis pombos e o ausente zunir de abelhas aflitas pelo excesso de mel levam para Bernardo o silêncio de um belo sino a não-badalar na mais antiga das igrejas do meu povoado. E o filho da filha de dona Dulce, no sigilo misterioso que se contém no bater de asas de uma nuvem colorida de borboletas, olha para mim, ainda sem saber falar, mas já balbuciando a palavra Amor, deixando escapar na ternura de seus olhos a canção de Paz por que tanto lutei. E depois, no calor de um grão de chuva, neblina pouca em uma manhã de sol, sinto na pele o amanhecer do dia ao preparar os meus melhores colos e abraços para recebê-lo, enquanto começam a surgir as notas da canção que pensei para ele criar e que o desassossego da vida só permitiu os primeiros acordes. Mariana dança. Sua mãe sorri. Bernardo agora dorme o sono do ano um, enternecendo minha tarde de domingo. Era 2014, outubro.

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A PALAVRA DO EDITOR

GENERAL BOTA NO FURICO DE DOTÔ BABACA

Nem no istranjeiro os tabacudos militantes se afastam da idiotice.

Nem mesmo se formando dotô PhD em Harvard!!!

Vejam só a pajaraca de grosso calibre que o vice presidente do Brasil, General Hamilton Mourão, enfiou no olho do furico de um descerebrado zisquerdóide (desculpem a redundância):

ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

ENVELHECER COM SABEDORIA

O envelhecimento é um processo que traz diversas modificações no corpo como diminuição da mobilidade, da força e da agilidade, o que interfere na autonomia da vida diária. Muitas dessas alterações moderam a capacidade de locomoção do idoso, entretanto é possível amenizar os efeitos com atividades físicas.

Uma das grandes preocupações em relação à velhice é ser dependente de outras pessoas. Todavia, existem diferenças entre independência e autonomia. Independência refere-se à capacidade de realizar atividades cotidianas sem auxílio. Autonomia é a competência de gerir a própria vida e de tomar decisões.

Devemo focar nos ganhos que surgirão com a idade: amadurecimento, experiência, capacidade de perceber detalhes que os mais jovens não conseguem, e a liberdade que vem com o envelhecer. Aproveitar o tempo, vivendo sem a angústia do futuro, constitui uma qualidade de vida de quem investiu no autoconhecimento.

Durante toda a vida, não devemos ter receio de continuar a amar, desenvolver a gratidão e respeitar quem está ao nosso lado. O poeta pernambucano Bastos Tigre (1982-1957) nos ensina em sábios versos a importância de envelhecer bem:

ENVELHECER

Entra pela velhice com cuidado,
Pé ante pé, sem provocar rumores
Que despertem lembranças do passado,
Sonhos de glória, ilusões de amores.

Do que tiveres no pomar plantado,
Apanha os frutos e recolhe as flores
Mas lavra ainda e planta o teu eirado
Que outros irão colher quando te fores.

Não te seja a velhice enfermidade!
Alimenta no espírito a saúde!
Luta contra as tibiezas da vontade!

Que a neve caia! o teu ardor não mude!
Mantem-te jovem, pouca importa a idade!
Tem cada idade a sua juventude.

A PALAVRA DO EDITOR

A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO

Prestes a terminar o Século XX, uma das obras cinematográficas mais polêmicas de todos os tempos estava por vir das mãos de Martin Scorsese. Trata-se de um livro lido por ele intitulado de A Última Tentação de Cristo, de Nikos Kazantzakis (1883-1957). SCORSESE, que durante sua juventude chegou a ser seminarista, leu com muito interesse a obra do escritor grego, que ao morrer, não pôde ser enterrado em solo sagrado pela Igreja Ortodoxa Grega. E após concluir a leitura, não demorou para que Scorsese pudesse fazer um filme saído do romance de Kazantzakis (que para quem não sabe, também escreveu ZORBA, O GREGO, levado para o cinema com Anthony Quinn).

Há quem diga que A Última Tentação de Cristo é um dos melhores filmes já feitos sobre Jesus Cristo e um dos poucos a ir além do que está nos textos sagrados. É o que podemos chamar de um trabalho magistral que humaniza Jesus (em uma atuação primorosa e apaixonada do ator Willem Dafoe), que apenas exalta a mensagem da importância do sacrifício que ele tem que fazer pela humanidade. Ao não seguir fielmente a Bíblia e adaptar o romance homônimo, SCORSESE tece um estudo sobre a fé e sobre sacrifícios. História visualmente inventiva e deslumbrante. um dos melhores e mais corajosos filmes do diretor Martin Scorsese. Genial!!!

Conforme reza a sinopse, JESUS (Willem Dafoe) é um carpinteiro que vive um grande dilema, pois é quem faz as cruzes com as quais os romanos crucificam seus oponentes. Resumindo, Jesus se sente como um judeu que mata judeus. Vivendo um terrível conflito interior ele decide ir para o deserto, mas antes pede perdão a Maria Madalena (Barbara Hershey), que se irrita com Jesus, pois não se comporta como uma prostituta e sim como uma mulher que quer sentir um homem ao seu lado. Ao retornar, Jesus volta convencido de que é o filho de Deus e logo salva Maria Madalena de ser apedrejada e morta. Então reúne doze discípulos à sua volta e prega o amor, mas seus ensinamentos SÃO ENCARADOS COMO ALGO AMEAÇADOR, então é preso e condenado a morrer na cruz. Já crucificado, é tentado a imaginar como teria sido sua vida se fosse uma pessoa comum.

O filme apresenta uma narrativa muito boa em um roteiro honesto e cativante. Willem Dafoe fantástico, em uma atuação absolutamente perfeita. Diálogos interessantes e uma abordagem convincente e digna, mostrando JESUS como, antes de qualquer coisa, um homem com suas dúvidas e receios, e ao mesmo tempo ciente de sua importância. O elenco no geral está muito bem e coeso com a proposta. O filme às vezes fica um tanto teatral e conceitual, mas no conjunto é uma excelente projeção cinematográfica que vale ser conferida independente de crenças religiosas, pois levanta questões humanas muito significativas.

O historiador de cinema Ivanildo Pereira nos mostra o seu conceito com a seguinte teoria: Filmar o livro “A ÚLTIMA TENTAÇÃO DE CRISTO” de Nikos Kazantzakis foi um projeto dos sonhos do diretor Martin Scorsese por muitos anos. Ele finalmente conseguiu realizá-lo por uma ninharia e o apoio surpreendente do estúdio Universal, que já se preparava para a controvérsia. O livro mostrava um retrato mais humano – e porque não, mais plausível – de Jesus Cristo. Um Cristo com dúvidas, reticente e relutante do seu papel como salvador, e tentado pelo amor terreno por Maria Madalena. Durante a crucificação, ele tem um sonho de como seria sua vida caso não cometesse o sacrifício supremo pela humanidade.

O filme conta com as participações especialíssimas do rockstar David Bowie, como PÔNCIO PILATOS, e o excelente Harry Dean como o APÓSTOLO PAULO. Destaque para a direção primorosa de SCORCESE, indicada ao Oscar da categoria, Willem Dafoe como o conflituoso e atormentado Cristo e Barbara Hershey como uma ardente e apaixonada Maria Madalena {indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante}. A espetacular trilha sonora de Peter Gabriel, indicada a um Globo de Ouro da categoria, é um show à parte e contribui enormemente ao conjunto da obra, em um dos poucos casos, em matéria de cinema contemporâneo, onde música e imagem se complementam de forma única e não parecem descoladas uma da outra.

Em suas pesquisas o cinéfilo Paulo Telles encontrou e nos conta que, antes mesmo do seu lançamento em várias partes do mundo, já havia protestos. Tudo porque a obra de Kazantzakis não apresenta a figura de Cristo como um “REI DOS REIS” de acordo com os Evangelhos Oficiais da Igreja, mas sim, como um homem simples que tem a missão de carregar seu destino de semideus, quando manifesta como qualquer outro mortal seus desejos e fraquezas, inclusive o seu desejo de se apaixonar.

Vários grupos religiosos rejeitaram o filme. No ano de 1988, um grupo fundamentalista cristão francês lançou coquetéis molotov no interior do teatro Saint Michel, que estava exibido o longa. Treze pessoas ficaram feridas, quatro das quais foram severamente queimadas. Já o teatro foi muito danificado, só sendo reaberto 3 anos depois. Em alguns países, como a Turquia, México, Chile e Argentina, o filme foi proibido ou censurado por vários anos. Até julho de 2010, o filme continuou a ser proibida nas Filipinas e Singapura.

Ao assistir essa película, nos vem à mente a figura feminina de Maria Madalena, pois de todas as personagens Bíblicas, talvez seja àquela mais deturpada, encoberta por inverdades divulgadas ao longo dos séculos pela Igreja, pelos textos Bíblicos e por errôneas interpretações. Paralelamente às inverdades, uma outra história tem sido contada de modo sublinear pela arte ao longo de mais de dois mil anos de história Cristã e, também, pelos textos apócrifos. Quem quiser se aprofundar na figura enigmática de MARIA MADALENA aconselho dar de garra do livro O CÓDIGO DA VINCI, de Dan Brown. Livro este, que percorreu o mundo, sendo lido por milhões de pessoas. Em meio a uma história de suspense, o autor insere algumas das verdades, que ao longo do tempo, estavam sendo ocultas. VALE A PENA LÊ-LO!!!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

RUBENS DA CRUZ – BELO HORIZONTE-MG

Caro Editor

Acho que esta cacetada certeira deve ser publicada no JBF.

Foi na moleira!!!

Encontrei no Twitter e repassei para todos os meus amigos.

Veja aí.

Saudações das Alterosas!

PENINHA - DICA MUSICAL