Meu cordel lançado na FLIP – Feira Literária Internacional de Paraty
Lá na ilha da Gigóia Uma figura marcante, Certo dia apareceu. A roupa era extravagante, Mas o sorriso no olhar, Chegava para encantar, Era doce seu semblante.
Era o Velho da Lagoa! Não assustava criança, Era um contador de história, Que difundia esperança. Quando o velho aparecia A criançada sorria Imaginando a festança.
Sua missão nessa terra Era com toda certeza Repassar para os mais novos O valor da natureza Vivia a perambular Sempre disposto a falar Da nossa maior riqueza.
Ele queria plantar A semente da mudança Alinhavava seu sonho Direcionado a criança E rogava inspiração Para entrar logo em ação Com fé e muita esperança.
Ministro da Agricultura durante o governo Dilma, o deputado Neri Geller voltará à pasta no governo de Luiz Inácio Lula da Silva como secretário de Políticas Agrícolas. A posse no novo cargo deve ocorrer em fevereiro.
No passado, ele chegou a ser preso pela Polícia Federal. Além disso, a Justiça Eleitoral negou sua candidatura ao Senado, em 2022.
Em 2018, a Polícia Federal prendeu Geller, na órbita da Operação Capitu – um desdobramento da Lava Jato. Dois dias depois, ele foi solto por determinação do Superior Tribunal de Justiça.
A Operação Capitu investigava um esquema de propinas no Ministério da Agricultura em que políticos do MDB recebiam dinheiro em troca de benefícios ao grupo JBS.
O político assumiu uma vaga como deputado federal por Mato Grosso, em 2019. A campanha para a Câmara foi alvo de denúncias, que levaram o Tribunal Superior Eleitoral a cassar o mandato do parlamentar, em 2022, por abuso de poder econômico.
Ainda assim, o parlamentar não pôde concorrer a uma vaga ao Senado nas eleições passadas. Na disputa, Geller recebeu o apoio de Lula.
Neri Geller, aliado do Lula e integrante do seu governo
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Esse não tem currículo: tem prontuário criminal.
Precisa acrescentar alguma coisa?
Nada. Nada mais.
Tá tudo dito.
Um corrupto, que chegou a ser preso por ladroagem, nomeado ministro no governo do Ladrão.
Consultórios médicos, como sabemos, são o inferno em vida de um paciente que reclama os incômodos de hemorroidas. A cirurgia nem é tão infernizante porque a anestesia evita dores. Porém o pós-operatório é lasca.
Certa feita fui acompanhar o amigo Marcelino que estava nervosíssimo diante do “bicho” que se fazia sobre a aplicação de um medicamento conhecido como “Nitrato de Prata”, destinado a limpeza da ferida hemorroidal após as cirurgias.
Tive o cuidado de lhe transmitir certos detalhes, para dar a entender que era coisa parecida com um supositório de glicerina, desses que usamos na infância para resolver prisão de ventre.
Mas, no caso, eu sabia tratar-se de um cauterizante químico que acelera a cicatrização e tenta evitar defeitos nas feridas, possibilitando retardamento na solução da enfermidade.
Quando o boato correu na rua em que ele mora, e ficou sabendo que iria ser medicado com “Nitrato de Prata”, tremeu mais do que vara verde.
Alias, pelo pouco que sabia, enquanto aguardávamos na sala de espera a chamada para o atendimento, lhe informei alguma coisa sobre o medicamento, porque ele teria sido informado que o produto ardia muito.
Disse-lhe que sua composição era simples. Tudo para tranquilizá-lo.
O farmacêutico havia me falado que se preparava a fórmula com certa dose de prata metálica em ácido nítrico concentrado e a medicação já estaria pronta. Mas foi apavorante.
– Ácido? Tô lascado. Vai comer minhas entranhas!
Deixei que ele se acalmasse e puxei conversa com um senhor moreno, corpulento, que estava com os olhos arregalados e ouvidos atentos à nossa conversa. E de seus lábios vieram as perguntas:
– É a primeira vez dele? Dizem que arde um bocado! E quando o ácido entra neguinho estribucha na maca. Fui estivador quase 20 anos, enfrentei sacos de cimento nas costas e nunca senti dor, mas essa tal de hemorroida está sendo meu inferno. Vou ter que enfrentar e mostrar que sou homem, agora.
Para acalmá-lo naquele instante em que parecia que ele também iria para a forca, argumentei:
Arde tanto não! Isso é “bicho de sete cabeças” que fazem de um medicamento simples. É só uma pomadinha, duas ou três vezes introduzida no seu ânus e pronto.
O cidadão seria atendido antes de Marcílio. Notamos sua inquietude, coitado. Tão corpulento e tão frouxo.
A gentil enfermeira, com ar angelical, chamou:
– Seu Severino, venha!
O morenão de repente ficou branco. Notei que ele entrou na sala com palidez cadavérica. Um momento Impressionante.
Algum tempo depois, ao sair da “sala-de-suplício”, indagamos como teria sido a aplicação.
– Aguentei porque sou macho! Mas esse tal de Nitrato de Prata arde que só a peste. Nunca mais voltarei aqui! Deixar que metam ácido nítrico em meu forever, nunca mais! Foi o mesmo que sentir fogo no rabo!…
Através de Berto, Palmares transfigurou-se na nossa Macondo.
Só que com mais charme e safadeza típica nordestina.
Não é a toa que é sucesso de público e de crítica desde o seu lançamento.
Dele surgiram vários estudos e valeu uma dissertação de mestrado, que foi publicada pela Editora Bagaço.
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Capa do livro “Festa, Utopia e Revolução no Interior do Nordeste“, Tese de Mestrado da Professora Ilane Ferreira Cavalcanti, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, sobre O Romance da Besta Fubana
Capa da quarta edição do Romance da Besta Fubana,Editora Bagaço
O cearense Geraldo Amâncio e o paraibano Severino Feitosa, dois dos maiores nomes da cantoria nordestina na atualidade
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Geraldo Amâncio e Severino Feitosa glosando o mote:
Se eu fosse Jesus, o Nazareno, não matava o poeta cantador.
Geraldo Amâncio
Vem Geraldo que eu tenho muita fé, me pediu que eu fizesse esses arranjos, conterrâneo de Augusto dos Anjos, que é nascido na terra de Sapé, vem dizer o poeta como é, é pra ele um eterno sonhador, um artista de invejável valor, comunica seu dom nesse terreno. Se eu fosse Jesus, o Nazareno, não matava o poeta cantador.
Severino Feitosa
Se eu tivesse o poder do soberano, não tirava da terra um Oliveira, um Geraldo, um Valdir e um Bandeira, Moacir, nem Raimundo Caetano, Sebastião nem João Paraibano, e muitos outros que têm tanto valor, não tirava a garganta de tenor de quem tem esse seu direito pleno. Se eu fosse Jesus, o Nazareno, não matava o poeta cantador.
Geraldo Amâncio
Sei que um carro virou numa ladeira, já passei para o mundo essa mensagem, pois eu ia também nessa viagem que a morte levou nosso Ferreira, eu me vi na viagem derradeira, eu gritei por sentir a grande dor, foi a morte que fez esse terror, de levar nosso astro, esse moreno. Se eu fosse Jesus, o Nazareno, não matava o poeta cantador.
Severino Feitosa
Se Xudu decantou o santo hino, da maneira que foi Zezé Lulu, não esqueço Louro do Pajeú, Rio Grande, recorda Severino, Pernambuco, também, José Faustino, que foi um repentista de valor, Paraíba não esquece Serrador e Santa Cruz não esquece de Heleno. Se eu fosse Jesus, o Nazareno, não matava o poeta cantador.
Geraldo Amâncio
Quem já foi Juvenal Evangelista, um encanto pra o nosso Ceará, mas morreu encostado ao Amapá e se encontra com os irmãos Batista, desse povo que tem na minha lista, Pinto velho pra mim foi um terror, eu não posso esquecer um Beija-Flor, e Pajeú inda lembra Zé Pequeno. Se eu fosse Jesus, o Nazareno, não matava o poeta cantador.
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Roberto Macena e Zé Vicente glosando o mote:
Velhice, um prêmio divino Que Deus oferece à gente
Roberto Macena
Eu perdi minha beleza, Mas não vou fugir da ética. Que eu mudei a minha estética Por conta da natureza. Mesmo assim, não há tristeza, Que eu não fico decadente: Tô mais é experiente Que com isso, não amofino. Velhice, um prêmio divino Que Deus oferece à gente.
Zé Vicente
Vovô muito me encanta, É meu verdadeiro mestre. Morando em área silvestre, Mas sempre me acalanta. Se eu sofrer da garganta, Ainda canto repente. Meu avô estando presente, Ele é meu otorrino. Velhice, um prêmio divino Que Deus oferece à gente.
Roberto Macena
Não adianta fazer prece Nem usar agilidade, Que, quando passa a idade, Tudo de ruim acontece O que é de nervo amolece, Fica tudo diferente: Dói a perna, dói o dente E o cabra fica mofino. Velhice é um prêmio divino Que Deus oferece à gente.
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Sebastião Dias e Zé Viola glosando o mote:
Existe um dicionário Na mente do cantador
Sebastião Dias
Existe um Deus que controla A mente de um repentista Que nasceu pra ser artista Do oitão da fazendola É o homem da viola Nascido no interior Nem precisa professor Pra ser extraordinário Existe um dicionário Na mente do cantador
Zé Viola
Acumulo cada ano Cantando mares e terra Paz, conflito, briga e guerra Peixe, céu e oceano A viola é o piano O povo é meu instrutor O palco me traz calor E o cachê é meu salário Existe um dicionário Na mente do cantador
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AS HERDEIRAS DE MARIA – Dalinha Catunda
Começa assim a história Do folheto feminino: A mulher com sua manha, Território o nordestino, Com patriarcado vil, Montou-se então um ardil, Pra traçar nosso destino.
Lá pra mil e novecentos, E trinta e oito asseguro, Foi que a mulher editou, E plantou para o futuro, O folheto feminino, Com o nome masculino, Que hoje aqui emolduro.