CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SCHIRLEY – CURITIBA-PR

Correio Elegante

Para : Arthur Tavares
Endereço : Jornal da Besta Fubana

Caro Arthur,

Domingo você em um comentário nos contou sua idade e o momento pelo qual vem passando.

Fiquei “perdida”, sem saber o que e como dizer.

Continuo perdida porém, já recomposta, gostaria de dizer-te algumas palavras:

. Tu és sublime e humano;
. Seja um ladrão (eu e muitos outros te autorizamos) e roube um milagre;
. Eu te empresto meus sonhos pra você poder brincar.

Um abraço repleto de carinho.

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

CRÔNICA DE SEGUNDA-FEIRA: QUEM NÃO DEVE, NÃO TEME?

Nesses tempos em que governos de muitos países anunciam a criação de instrumentos legais para (supostamente) combater as tais “fake news”, velhas mentiras continuam ocupando o imaginário popular como se verdades fossem.

Digo isso a propósito de uma frase que ouvi diversas vezes esta semana, tanto nas redes sociais como de viva voz: “Quem não deve, não teme”.

Como é possível que uma frase tão sem sentido venha sendo repetida ao longo dos anos, como se fosse um axioma, geralmente em tom de desafio ou provocação?

Se quem deve teme, mais motivos para temer tem aquele que não deve. Afinal, se um pode ser obrigado a pagar o que deve, o outro pode acabar sendo obrigado a pagar o que não deve. Terrível possibilidade!

Apesar disso, ainda ontem, vi alguém usar esse argumento, ao questionar o direito de um investigado ficar em silêncio:

– Se quis ficar em silêncio já é um sinal que tem alguma coisa a esconder. Quem não deve, não teme!

É fácil pensar assim, quando não se está sendo interrogado, sabendo que cada tentativa de explicar os fatos pode ser interpretada como uma autoincriminação. Nos tempos atuais, ainda há o risco (alto!) de que cada frase pronunciada esteja, no mesmo dia, sendo escrutinada por milhares de pessoas em redes sociais. Com a costumeira má vontade da maioria dos internautas.

Por coincidência, iniciei, neste fim de semana, a leitura do livro “Nos Campos de Concentração Soviéticos”, de Vladimir Tchernavim. Após narrar a prisão dos seus colegas de trabalho pelo GPU (polícia secreta da URSS), o autor desabafa:

Não tenho palavras para descrever o que senti depois da prisão dos meus colegas de trabalho. Eu sabia que estava em um beco sem saída e que não havia nada que eu pudesse fazer. Era por puro acaso que eu ainda continuava livre, e a única explicação para isso era a ineficiência por parte do GPU, que não tinha o meu nome em suas listas apenas porque eu havia acabado de chegar a Moscou vindo das províncias.

Vladimir Tchernavim acabou sendo preso dias depois, apesar da sua inocência.

Esse é um exemplo extremo. Porém real. De todo modo, é preciso reconhecer que mesmo o mais justo dos juízes corre o risco de condenar um inocente. Pode ser induzido a erro por argumentos falaciosos, por um processo mal instruído ou simplesmente pelo enviesamento ideológico da sua própria formação moral, cultural ou intelectual.

Quando se fala em “devido processo legal”, “ampla defesa” e coisas assim, a ideia é exatamente a de evitar que alguém seja condenado ou preso injustamente. Porque, como costumam dizer os juristas, é preferível absolver um culpado que condenar um inocente.

É por isso que existe a expressão latina “in dubio pro reo”, a nos lembrar que, na dúvida, o juiz deve decidir em favor do réu.

O certo é que, seja pelo risco da condenação injusta, seja pela possibilidade de, ainda que absolvido, ficar mal visto socialmente, quem deve tem motivos de sobra para temer.

Aliás, acredito que não seja por coincidência que, nos últimos dias, cada vez que ouvi a frase “quem não deve, não teme”, ela foi pronunciada por alguém que demonstrava interesse em condenações.

Considerado tom de voz e a expressão corporal, o sentimento manifestado era de vingança, e não de Justiça.

Tudo isso me leva à mesma conclusão: quem não deve é quem mais teme; ou deveria temer.

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ALEXANDRE GARCIA

LULA ESTÁ ASSUSTANDO O MERCADO COM POPULISMO

Pra não dizerem que não foram avisados. O ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, numa entrevista, de uma página e meia, no Correio Braziliense, disse que Lula ainda não se deu conta do desafio que tem pela frente. Desafio da economia. Que o que ele está fazendo na verdade é assustando os investidores, assustando o mercado, frustrando a expectativa dos economistas que apostaram nele, porque achavam que o Lula três seria igual ao Lula 1; mas o Lula três está sendo igual ao Dilma.

Segundo Maílson, o governo está com um olhar enviesado sobre o uso das estatais, do dinheiro público, do dinheiro do tesouro nacional, do BNDES, e mais do que isso, uma percepção equivocada sobre o Brasil de hoje, pensando que é o Brasil dos anos 1970 ou 1980. Diz por exemplo, que o Lula falou na posse que não é aceitável ele importar a plataforma de petróleo, aeronave, microcomputador, microprocessador, e aí ele lembra que a plataforma de petróleo foi foco de corrupção, microprocessador é volta da política de informática do governo militar, que foi desastrosa. E achar que o Brasil é competitivo em aeronave, é pensar que a Embraer pode fazer avião do tamanho de um Airbus ou Boeing; a gente faz aviões ainda pra cento e cinquenta lugares, então é um pouquinho fora da realidade.

* * *

Insegurança jurídica

E esse é um temor que a gente está vendo junto com a insegurança jurídica. Todo mundo olha para o Brasil de hoje e vê juiz mandando em tudo, não tem devido processo legal. No caso do escândalo das lojas Americanas, uma pedalada de R$ 20 bilhões, um dos credores, BTG Pactual, vai lá e retira um R$1,9 bilhão, e um juiz dá uma liminar dizendo que não pode retirar e tem que devolver. Aí BTG diz que nunca viu a Justiça beneficiar o fraudador em prejuízo do credor inocente. Essa decisão pegou muito mal.

Vejam só o grupo Guararapes acaba de fechar uma fábrica de roupa em Fortaleza, vai ficar só com a fábrica de Natal, dois mil empregos a menos. Até tentou ajudar os empregados, as máquinas de costura foram dadas para as costureira levarem e ter seu ganha pão, mas, enfim, é um sinal de que mercados, investidores, os produtores, os empregadores estão recebendo com muita estranheza.

* * *

Não tem nada de herança maldita

O governo não fala em equilíbrio fiscal, ao contrário, fala em gastança, em uso das estatais como antes, como lembra Maílson da Nóbrega, e aí sai por essa desculpa de herança maldita, não é. Saíram agora os números da balança comercial, recorde de 62,3 bilhões de dólares no ano passado, a própria inflação, 5,39%, é menor que a inflação americana, que a inflação da Alemanha no ano de 2022.

Então não é uma herança maldita. Essas declarações de política misturando economia e populismo, no Brasil de hoje não tem mais nada a ver. É preciso que o novo governo tenha uma atualização, tem de se atualizar principalmente na parte econômica e também na parte política, sabendo que pelo resultado da eleição, o Brasil está dividido ao meio.

DEU NO JORNAL

LEI NÃO PREVÊ TERRORISMO POR MOTIVAÇÃO POLÍTICA

Leandro Ruschel

A lei brasileira define terrorismo como “a prática por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz ou a incolumidade pública”.

A lei deixa ainda mais claro que o terrorismo “não se aplica à conduta individual ou coletiva de pessoas em manifestações políticas”.

Ironicamente, o terrorismo exclui motivação política na lei brasileira por pressão da esquerda, para defender seus grupos violentos, como o MST.

Se o Supremo fizer um triplo carpado jurídico para enquadrar a violência do dia 8 como “terrorismo”, é preciso entrar com denúncias de terrorismo por TODOS os atos violentos promovidos pela esquerda nos últimos vários anos. As provas são vastas.

Juristas e militantes de redação SABEM que os atos do dia 08 não podem ser enquadrados por terrorismo pela lei brasileira, mas o fazem pelo propósito de causar maior impacto midiático na criminalização de TODA A DIREITA. Nunca usaram o termo contra grupos de esquerda.

Mais grave ainda é a defesa da prisão em massa de pessoas que simplesmente estavam na frente do QG do Exército em Brasília, incluindo aí idosos e crianças, além de pessoas que chegaram ao local no dia seguinte aos atos de violência.

Num país em que traficantes e até homicidas não são presos, é absurdo prender pessoas por estarem protestando em frente a um quartel. Perceba que a ordem foi para prender TODOS os manifestantes do país em condição análoga, mas a ordem foi cumprida apenas em Brasília.

Seguiram as cenas dantescas de centenas de pessoas presas num ginásio, um local que não oferece as condições para receber presos, tanto é que dezenas passam mal e tiveram que ser levados a hospitais.

O problema se alastra, já que os presídios que receberam essas pessoas não têm espaço para acomodá-las. Para completar o desrespeito aos direitos fundamentais, os juízes que fazem as audiências de custódia não tem poder para determinar a soltura dos presos…

Se chegou ao ponto de propor a soltura de criminosos já condenados para dar espaço a esses presos provisórios, cujo “grave crime” foi estar em frente a um quartel.

É o comportamento típico de regimes de exceção, com claro perfil persecutório contra dissidentes políticos.

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J.R. GUZZO

O NOVO REGIME NÃO TOLERA DIVERGÊNCIA POLÍTICA

Nada prospera melhor no Brasil de hoje do que o mercado da intolerância – resultado inevitável do ataque que se faz há anos contra as liberdades, tanto na arena política como nos mais altos degraus do poder judiciário. A liberdade, dia após dia, foi sendo transformada num mal em si. Ela serve apenas à “direita”, segundo foi decretado pelos que mandam na vida pública do país. Deixou de ser uma virtude; hoje as almas progressistas, em vez de defenderem a liberdade, querem que ela seja eliminada. Vai-se embora, nessa ofensiva, a capacidade de ouvir uma opinião contrária e de aceitar que pontos de vista divergentes convivam no ambiente público. A divergência, conforme o lado da cerca, não é mais um direito constitucional do cidadão; virou um caso de polícia. O cidadão que diverge deixou de ser um adversário de debates; passou a ser alvo de processo penal, por crimes contra “a democracia”.

A frase mais popular entre as estrelas da esquerda brasileira, hoje, é: “Não vamos tolerar”. Seja lá o que for, o mandamento é não aceitar nada que venha do outro lado – não se tolera manifestação de rua, a livre palavra nas redes sociais, o porte da bandeira nacional em público, as críticas às ilegalidades em massa que não param de ser cometidas, a posse legal de armas de fogo e por aí afora. Acima de tudo, não se tolerem os “atos antidemocráticos”, que hoje funcionam no Brasil como os “atos contrarrevolucionários” de Cuba ou da Rússia comunista – ou seja, servem como ferramenta para reprimir quem não obedece ao regime. Os “atos antidemocráticos”, salvo em episódios doentios como a invasão dos edifícios dos Três Poderes em Brasília, não têm nada a ver com ataques à democracia; exatamente ao contrário, não há nada que separa melhor as democracias das ditaduras do que a possibilidade de ir à praça pública para exprimir opiniões políticas ou de qualquer outro tipo. Aqui virou crime.

Essa visão deformada é aceita como religião oficial do novo regime que começa a se formar no Brasil – e nada deixa isso tão claro quanto à adoção, por parte da mídia, do mundo político e das classes intelectuais das mesmas palavras, exatamente as mesmas, para descrever os brasileiros que fazem protestos de rua. Todos são chamados, sistematicamente, de “golpistas”, ou de “bolsonaristas”, ou de “fascistas”, ou de autores de “atos antidemocráticos” e até mesmo, agora, de “terroristas”. Não importa o que tenham feito no plano das realidades concretas; todo o cidadão que vai hoje para a rua vestido de verde amarelo, ou levanta uma faixa dizendo “Fora Lula”, é acusado, julgado e automaticamente condenado no noticiário como “golpista”. Em relação a ele, o dever democrático do governo e do seu sistema de apoio é, acima de tudo, não procurar o diálogo e muito menos estender a mão. O pensamento único é: “Tolerância Zero”.

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