DEU NO JORNAL

A AGONIA DOS PRESOS NA POLÍCIA FEDERAL EM BRASÍLIA

Revista Oeste

Manifestantes que estavam em frente ao QG de Brasília estão sendo mantidos presos pela PF

Falta de informação sobre a tipificação dos crimes cometidos, prisões em flagrante, crianças no pátio, idosos com problemas de saúde, alimentação precária. É esse o cenário descrito por advogados que visitaram as milhares de pessoas presas no ginásio da Polícia Federal, em Brasília, depois das manifestações no fim de semana – que degeneraram em vandalismo. As prisões foram determinadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. A reportagem de Oeste esteve no local nesta terça-feira, 10, e recolheu depoimentos.

Cerca de 700 pessoas ainda estão detidas na Academia Nacional da Polícia Federal. A maioria estava acampada em frente ao quartel-general do Exército havia dois meses e foi retirada do local ontem.

Segundo o advogado Claudio Caivano, os idosos com mais de 60 anos com comorbidades foram liberados nesta manhã depois de prestar depoimentos. As crianças foram entregues ontem à noite aos responsáveis da família ou para o Conselho Tutelar.

“Os agentes realizam uma triagem com perguntas que chegaram do STF”, disse Caivano. “Os demais, abaixo de 60 anos, estão sendo enquadrados no Inquérito 4.879, dos atos antidemocráticos. Eles também devem assinar uma nota de culpa que vem do Supremo. Em seguida, são levados para o Presídio da Papuda ou da Colmeia, que é o feminino.”

De acordo com Caivano, juridicamente, a situação é desesperadora. “Não há individualização de conduta. Não tem justiça no Brasil”, afirmou. “Isso aqui é o ápice. Não estamos mais em 1800. As pessoas de depredaram patrimônio público devem ter suas condutas individualizadas, mas as pessoas que não tiveram nada a ver com isso devem ser liberadas.”

“Está acontecendo um auto de prisão em flagrante”, declarou o advogado Everton Santana, contratado por familiares de alguns detidos. “A PF está identificando todos, e, depois, eles são encaminhados para os presídios.”

O senador Marcos do Val (Podemos-ES) foi ao ginásio hoje. “Não quero tensionar mais a situação dessas pessoas com o Supremo Tribunal Federal (STF) ou com a polícia”, disse. “Os agentes trouxeram colchões das próprias casas e permitiram que o pessoal armasse as barracas.”

Celulares recolhidos

Os detidos estavam com os celulares nas mãos e conseguiam fazer fotos e vídeos do local até a noite de segunda-feira, quando os aparelhos foram apreendidos. “Isso é quebra de sigilo, de individualidade e da própria honra”, diz o advogado Caviano. “Para quem vamos recorrer se esse inquérito está nas mãos do STF?”

O advogado ainda afirmou que não havia nenhum representante dos Direitos Humanos ou da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no local. “Estamos aqui voluntariamente para dar algum alento para aquelas pessoas. É desesperadora a situação delas.”

Segundo Caivano, as autoridades locais sabiam dos atos de vandalismo que iriam acontecer na Esplanada. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) enviou avisos ao governo do Distrito Federal e ao ministro Flávio Dino, da Justiça e Segurança Pública, informando sobre os riscos de vandalismo que o distrito corria.

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COMENTÁRIOS SELECIONADOS

PERDEMOS TODOS NÓS, MANÉS!

Comentário sobre a postagem JÁ É UMA DITADURA

Mauro Pereira:

Por primeiro, quero afirmar que enquanto não provarem, com provas robustas, que as cenas lamentáveis ocorridas domingo último em Brasília foram planejadas e executadas por pessoas acampadas em frente ao QG do Exército, me dou o direito de desconfiar que houve algum tipo de interferência externa ao movimento totalmente pacífico até aquela data.

No entanto, se ficar comprovado que realmente toda a ação infeliz foi urdida entre os pseudos patriotas, só me restará a opção de presenteá-los com a “SELO FAZUELI DE QUALIDADE”. Seria idiotia coletiva plena. Lula iria sentir-se lisonjeado.

Dito isso, quero registrar, também, o modo canalha, hipócrita e parcial como autoridades federais e a imprensa vêm tratando o ocorrido.

Boulos condenando a quebra de vidros na invasão foi o ápice da hipocrisia conceitual; (se é que existe isso), Lula afirmando que esse tipo de conduta nunca foi apoiado pelo PT, foi só mais uma mentira daquele que mente mais do que respira.

O PT pavimentou sua chegada ao poder recorrendo a todo tipo de violência. Inicialmente com a CUT e seus cães de guerra que sequestraram as ruas e, a partir dali, fez o Brasil de refém por décadas.

Por seu lado, o MST nada mais foi, e continua sendo, a versão campesina da CUT urbana. A UNE, financiada por verbas públicas, fez dos centros acadêmicos, diretórios acadêmicos e Diretórios Centrais dos Estudantes universitários a maior concentração de parasitas por centímetro quadrado e a mais chula extensão do lulopetismo.

A criação do MSTS de boulos, o mais puro democrata de Nárnia, foi a cereja do boulo (eca!) desse desfile de horrores.

Domingo último tivemos a oportunidade de assistirmos o enfrentamento entre o Capitólio à brasileira (como a imprensa rotulou o fato) e o Estado à cubana (como o governo federal tratou, e está tratando os manifestantes).

Diante do oportunismo desavergonhado de autoridades governamentais, órgãos de imprensa, políticos, fica fácil constatar que quem mais perdeu foi a democracia.

Se ela perdeu, perdemos todos nós, manés!

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PERCIVAL PUGGINA

OS INGÊNUOS E OS MAL-INTENCIONADOS

Cada vez que a elite política e intelectual que domina o Brasil usa a palavra democracia, meu aparelho digestivo reage com engulhos. Numa democracia, senhores, existe respeito a lei e limites ao uso que as autoridades fazem de seus poderes. Nesses bem-aventurados países, vive-se uma realidade posterior ao absolutismo e nenhuma cabeça, coroada ou não, age como se não houvesse lei, nem Justiça, nem humanidade. Neles, o bom exemplo vem de cima e as motivações pessoais do lobo não submetem os cordeiros.

Os reprováveis e lamentáveis acontecimentos do dia 8 têm seus motivos, mas motivos não são razões da razão. Assim também, não são razões da razão as que levaram nosso país à dura realidade de termos um campo de concentração funcionando na Capital Federal onde seres humanos capturados com rede de arrastão foram conduzidos de modo imprudente e indiscriminado. A quantos dias estamos de tresloucada e arrogante versão brasileira de um gueto para opositores?

Quando idosos arrebanhados, rotulados com a pecha de terroristas são submetidos às degradantes condições que vemos eu me pergunto: quem, realmente está promovendo o terror; quem se dedica a criar medo na população? Serão, realmente, aquelas pessoas enroladas na bandeira do Brasil? Em quem suas orações e seu devotado amor à pátria causam pânico?

Lembrou-me alguém que “os filhos das trevas são mais espertos que os filhos da luz”. Quem não foi esperto, eu sei. Quem não foi esperto cometeu o que qualifiquei e continuo qualificando como um erro descomunal. Quem foi esperto disse que mané perdeu. Quem foi esperto extrairá do dia 8 todo proveito possível e boa dose do proveito impossível.

O ministro Alexandre de Moraes tem agora o enredo que lhe faltava para a sigilosa novela que, há anos, vinha tentando escrever. Até prova em contrário, continua sendo mero script. Nada me convence de que a ideia da tal invasão de Brasília nos dias 6, 7 e 8, convocada num vídeo que assisti, já não fosse 100% infiltração. Mas, vá saber!

Caros leitores, perante os fatos, de nada vale esbofeteá-los ou injuriá-los. Não é assim que eles mudam. Fora da política não há salvação. Quem não crê no trabalho político está admitindo não haver salvação. E está deixando todo o trabalho para quem crê. Como escrevi há muitos anos: “Os ingênuos estão na cadeia alimentar dos mal-intencionados”.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ADONIS OLIVEIRA – RECIFE-PE

Caro Berto,

Dá uma olhada no e-mail que mandei ao site de denúncias que criaram no Ministério da Justiça.

Veja se dá para publicar, ao mesmo tempo em que sugiro que todos os leitores façam o mesmo: enviar uma mensagem dizendo aos crápulas o que estamos achando da situação.

Vai ser LINDO!!! ver milhares de mensagens entupindo aquele valhacouto de ratos. ahahahahahahah

* * *

Prezados senhores,

Caso estejam mesmo interessados em saber quem são os vândalos que estão destruindo todo o arcabouço moral, econômico, jurídico e governamental em nosso país, segue uma relação com os cabeças da imensa horda que nos infelicita:

1. Onze fantoche, disfarçados de juízes e encastelados no STF e no STE, juntamente com uma imensa turba de subservientes acólitos e apaniguados. Foram estes pela imensa fraude praticada nas últimas eleições, quem guindou um líder de facção criminosa à presidência da república e, com isto, provocou a imensa revolta de toda nossa população.

2. Quinhentos e tantos facínoras encastelados no nosso congresso nacional que acoitaram pacificamente todos os arbítrios que estão sendo praticados diuturnamente, sempre em troca de polpudas verbas para chamarem de seu e cargos governamentais com vastas possibilidades de roubalheiras e ladroagens.

3. Milhares de psicopatas, analfabetos e fanatizados, todos seguidores do demiurgo de Garanhuns que, tal qual um Flautista de Hamelin, encantou todos os ratos de nossa nação para segui-lo em suas andanças e gatunagens, e que passaram a ocupar todas as posições de comando deste nosso malfadado país, inclusive o vosso ministério.

Creio que só esta minha modesta denúncia já dará trabalho para a realização de um enema de proporções bíblicas em nosso país.

Mão à obra e Passar bem.

Adônis Oliveira

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

AUTORRETRATO – Bocage

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno;

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor que à ternura;
Bebendo em níveas mãos, por taça escura,
De zelos infernais letal veneno;

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades,

Eis Bocage em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades,
Num dia em que se achou mais pachorrento.

Manuel Maria Barbosa du Bocage, Setubal, Portugal (1765-1805)

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSENILTON ANDRADE DE MATTOS – GOIÂNIA-GO

Diletos amigos.

Estou com vergonha, muita vergonha.

Nunca pensei que chegaríamos a esta situação absurda, sem qualquer atitude do meu Exército, aquele do “braço forte, mão amiga”.

Francamente, estou com vergonha da farda que vesti com tanto amor e orgulho.

Decepção grande. Muita decepção. 

ALEXANDRE GARCIA

DE MAL A PIOR

Domingo, 8 de janeiro, é um dia que ainda não terminou. E não parece que vá acabar bem. O que não começa bem em geral não acaba bem. Foi o desbordar de quase 70 dias de emoções contidas, que esquentam cabeças. Em 47 anos de Brasília, vi muitas invasões de prédios públicos, ministérios e Congresso, com fogo e depredações, sempre de esquerda e apelidados de “movimentos sociais”. Nunca vi a invasão simultânea das sedes dos três poderes, e pela direita, com depredações. Desatendidos da busca da tutela militar, tomaram a iniciativa como se estivessem realizando um sonho. Talvez tenham acordado quando o estrago já estava feito. Assemelharam-se aos extremismos anteriores, com a diferença de que foram chamados de “terroristas”, não de “movimentos sociais”.

O ministro Alexandre de Moraes, no despacho que determinou a remoção dos acampamentos, a detenção dos ônibus e o afastamento do governador Ibaneis, comparou a situação com os primórdios da Segunda Guerra, em que Chamberlain cedeu a Hitler em nome da pacificação. “A democracia brasileira não irá aceitar mais a ignóbil política de apaziguamento”. Foi uma declaração de guerra, como a que já havia anunciado no seu discurso de posse na presidência do TSE. A brisa do apaziguamento, que soprava tênue na passagem de governo, com falas contra a revanche e outras bem revanchistas, mais o ânimo de reverter o resultado das eleições, já vinha sendo combustível na fogueira que aquece os ânimos. A invasão de domingo foi equivalente à entrada dos alemães na Polônia, pela comparação do ministro Moraes. Parece declarada a guerra, com o mundo brasileiro dividido em duas metades. Ânimos à flor da pele, a ponto de o presidente querer mencionar “nazistas” e pronunciar “stalinistas”, num ato falho. Extremos se assemelham nos métodos.

Acirram-se os ânimos dos dois lados, com mais velocidade que em 1930. Aqueles eram tempos de trem, navio, telegrama, jornal impresso. Hoje, o mundo digital torna tudo instantâneo. O que vai ser? Deputados e senadores, o presidente da República, os ministros do Supremo já sabem que não estão seguros em seus prédios. Que o povo, seja de que lado for, origem do poder, pode entrar lá e sentar em suas cadeiras. Com um pouco de humildade, que é a mais inteligente das virtudes, podem se convencer de que não são os donos do país nem das pessoas, mas servidores dos brasileiros. Defendam a democracia, sobretudo praticando-a, com respeito ao eleitor que os elege e ao contribuinte que os sustenta. E, sobretudo, mantenham olhos e ouvidos bem abertos para entenderem o que seu povo, seus mandantes querem. Liberdade e ordem são essenciais para esse exercício.

O domingo mostrou como o controle escapa fácil. Foram feitas 1,2 mil prisões e o auditório da Academia da Polícia Federal foi depositário de presos como foi o Estádio Nacional do Chile, quando Pinochet derrubou Allende. O ministro Moraes reagiu tirando o governador de Brasília e enquadrando todo mundo em crimes contra o Estado de Direito, por pedir intervenção das Forças Armadas. Pobre Estado de Direito, já tão combalido pela ausência do devido processo legal e pelo desrespeito a liberdades fundamentais listadas no artigo 5.º da Constituição. O domingo, na verdade, começou em março de 2019, quando o presidente do STF Dias Toffoli criou um inquérito que cabe numa ficção de Orwell. Começou mal; será que termina bem?