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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

VENDO-A SORRIR – Guerra Junqueiro

A minha filha

Filha, quando sorris, iluminas a casa
Dum celeste esplendor.
A alegria é na infância o que na ave é asa
E perfume na flor.

Ó doirada alegria, ó virgindade santa
Do sorriso infantil!
Quando o teu lábio ri, filha, a minha alma canta
Todo o poema de Abril.

Ao ver esse sorriso, ó filha, se concentro
Em ti o meu olhar,
Engolfa-se-me o céu azul pela alma dentro
Com pombas a voar.

Sou o Sol que agoniza, e tu, meu anjo loiro,
És o Sol que se eleva.
Inunda-me de luz, sorri, polvilha de oiro
O meu manto de treva!

Abílio Manuel Guerra Junqueiro, Portugal, (1850-1923)

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ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

“PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES”

Pindorama, 18 de janeiro de 477 d.S (depois de Sardinha), busco iniciar esta peroração (para você Violante) com esse mote tolo de Geraldo Vandré, mas não para falar do futuro, mas sim do passado e do presente, presente. Não sou historiador, mas curioso na História, e, como curioso tenho a capacidade de criar uma enciclopédia sobre o passado, mas não consigo enxergar o que está a um segundo à frente do meu nariz.

E, analisando pratrasmente a situação atual de Pindorama faz-se necessário construir alguns castelos de vento para entender a algaravia (essa vão ter que procurar no dicionário do botocundês castiço) do dia de hoje. O Rei morreu! Longa vida ao rei proclama-se nas monarquias, inclusive na britânica que perdeu uma rainha considerada quase imortal e se entronizou um velho minhoqueiro com um mau gosto que dói até em mendigo que papa moças desajustadas.

Dia sombrio esse nosso hoje, com pessoas dizendo que hoje está menos pior do que amanhã, e bem menos pior que a semana que vem. Vamos ver. Como disse, não consigo enxergar um palmo diante do meu nariz no futuro. Mas, eu vejo com bastante interesse o que aconteceu ontem. E, confesso, decepcionado!

Para aqueles que têm memória um pouco mais atilada que a minha, já dizia em uns textos atrás que desconfiava do governo Bolsonaro. Achava os seus discursos e suas falas apenas jogo de palavras, muita saliva e pouca ação. Não que ele não tenha sido um presidente honesto, focado nos interesses do país. Não é essa a minha animosidade. Ela está em outro lugar. Vinho de odre velho, já eu pensava comigo mesmo.

Depois de 30/10 o país virou uma “nau dos insensatos”. Sem comando, sem leme, sem um capitão que organizasse os sessenta dias restantes de governo. Malandramente, Jair Bolsonaro jabutizou-se. Saindo de sua carapaça para fazer declarações estapafúrdias, enquanto aqueles que acreditavam ainda em milagres faziam as interpretações mais esdrúxulas possíveis daquela fala. Eu sempre dizia, tanto no JBF quanto no grupo de Zap do Cabaré que nada iria acontecer. Nada iria frear essa nau chamada Pindorama que estava se debatendo entre ventos de diferentes direções.

Jair Bolsonaro, apesar de todo o seu discurso de “jogar dentro das quatro linhas da Constituição” traiu a sua própria convicção. Em um único ato perdeu a chance de se tornar estadista e se contentou em ser apenas mais um político que rasteja na insignificância. Saiu pela porta dos fundos da História. Ato vergonhoso, abandonou o país nos últimos dias de seu governo. Não fez parte de um processo de transição, ainda que a raiva petelha e o desejo de vingança sejam notórios. A gana de enjaular o ex-presidente era evidente. O discurso de que o combatente cai no campo de batalha é válido, para os outros. Não para ele.

Ainda que muitos de quem me lem possam discordar e até mesmo lançar anátemas contra mim, o que é factual é aquilo que todo mundo viu, sentiu e percebeu. Jair Bolsonaro tornou-se um anão político. Na verdade, deixou de governar na noite do dia 30 de outubro. Ainda que se pese toda a oposição do STF – Supremos Toletes Federais – e do TSE – Tribunal da Sacanagem Eleitoral -, até as 23 horas, 59 minutos e 59 segundos do dia 31 de dezembro, ele ainda era o Chefe Supremo da Nação. Mas, Jair Bolsonaro renunciou a isso também, o que o coloca na mesma categoria do fujão João Belchior Marques Goulart.

Porém, era interessante que toda a semana ele ia para as redes sociais, para aquelas conversinhas fiadas com jornalistas dizendo que podiam esperar, que ia haver reviravolta. A vantagem de ser cético é que estou sempre aberto a possibilidades, mas sem esperar nada. E, como sempre dizia, nada aconteceu. O país foi entregue a uma quadrilha de alta periculosidade, com gatunos “più grassos” e ligeiros na arte de transformar o público em privado, sempre em seus benefícios.

Jair Bolsonaro foi curtir seu “dolce far niente” sendo vizinho do meu grande amigo Magnovaldo, deixando para trás uma parte da nação que se sentiu órfã e traída em seus desejos e anseios. Evidentemente as Frouxas Armadas não iriam se aventurar em ações intervencionistas. Esse tipo de atitude não cabe mais na atualidade. A menos que elas quisessem jogar o país na anarquia e na guerra civil. Ainda havia o peso do isolamento absoluto do país por outras nações contaminadas com o câncer do esquerdismo, caso houvesse a dita intervenção. Mas, isso são apenas elucubrações sobre o passado. Nada sobre o futuro.

Mas, inaugurando 2023, eis que chega o “governo do amor”, da picanha, da cervejinha com churrasco com dois dedos de gordurinha em cima, trazendo de volta o Paraíso Perdido proustiano que foi arrancado do curiboca nacional. Lembro-me que o jornalista José Maria Trindade vaticinou que o governo do amor não viria para organizar o país, mas para se vingar, porque o chefe de toda a malta estava mergulhando em um poço de ódio e rancor contra todos aqueles que não foram dar bom dia lá em Curitiba, e não acreditavam em sua inocência.

Atirei no que vi e acertei no que não vi. Ainda no passado, já havia, em um texto aqui no JBF feito a “Anatomia de um Esquerdista”. Podem procurar na minha seção que acharão. A ligeireza em destruir, a cupidez em tomar o que é do alheio, os olhos gananciosos. A primeira ação, fechar os registros e desligar as bombas que levam as águas do São Francisco para o interior do semi-árido. Água encanada para que? Nordestino veve muito bem com carro pipa e água salobra! Viveu séculos assim. Para que esse luxo todo?

E a destruição ainda ocorreu na educação com o veto das aulas de tecnologia e robótica, derrubada da sacralidade da vida, abrindo as portas do inferno para uma matança generalizada de fetos. E tem Nhambiquara que acredita piamente que o “genocida” era o capitão boquirroto. Atulhou ministérios, autarquias, fundações com cargos inúteis, só para garantir uma boquinha a gente inepta, burra e sem o menor compromisso com a população, ganhando tubos de dinheiros, achando que este cresce igual a tiririca depois da chuva.

A sanha de quem entrou e a irresponsabilidade de quem saiu revela toda a nossa irracionalidade caeté, nossa anticivilização, nosso amor ao atraso, à mendicância estatal, à frouxidão moral e cívica. Dia desses invadiram a sede dos três poderes e fizeram um quebra-quebra. Aí se deu o milagre da pecha de golpistas, terroristas, taxistas, machistas, flamenguistas. Pois olhem, meus caros caetés. Achei foi pouco. Se eu tivesse um lança-chamas e fosse mais novo botaria fogo em tudo aquilo.

Explico-me: temos um legislativo que não legisla e não representa a sociedade. O mandatário não está conectado com o mandante. Um Executivo que desde 30/10/22 não executa porcaria nenhuma. Apenas boia malandramente em palavras desconexas e vingança. Um judiciário que não judica a justiça, mas faz aquilo que bem entende e manda calar a boca de qualquer um que ousar divergir. Então, para quê aquela monumentalidade? Aquela ode à ladroeira, à ligeireza e ao desperdício encravado como um despacho a Exu da Encruzilhada sugando os recursos da taba?

Mas são coisas do passado. O futuro? Não sei o que vai ocorrer daqui a um segundo. Como disse, posso falar muito sobre o passado, mas nada sobre o presente, ou mesmo o futuro. Ah…. racionem as partes do Sardinha. Amanhã será bem pior que hoje, eu acho!

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RODRIGO CONSTANTINO

IDEOLOGIA X MERCADO

Outro dia me senti o próprio escritor americano que vemos nos filmes. Fui ao Starbucks com meu laptop, comprei um frapuccino, e pus-me a escrever minha breve autobiografia. O Starbucks é uma rede “lacradora”, com viés “progressista”. Não curto essa postura ideológica, mas curto seu café e seu ambiente.

Sou também um grande comprador da Amazon Prime. Fico até impressionado: compro minhas cápsulas da Nespresso e chegam no mesmo dia! Sem sair de casa, no conforto do meu escritório, a um preço acessível e competitivo, a mercadoria é deixada na minha porta. Jeff Bezos, o dono da Amazon, é um democrata “progressista” de quem discordo bastante.

Menciono esses casos para reforçar a ideia de que o grande valor do mercado está em sua impessoalidade. Oferta procura atender a demanda da forma mais eficiente possível, deixando de fora quesitos ideológicos. Não entro no restaurante questionando qual foi o último voto do seu proprietário.

Esse mecanismo “frio” do mercado é seu maior atributo, e por isso mesmo economistas como Thomas Sowell e Walter Williams, ambos negros, enxergaram nesse modelo o maior combate ao racismo. Se as empresas forem racistas, perderão clientes e também funcionários que podem agregar valor. Quem vê cara não vê resultado!

Compreendendo isso fica mais claro por que é temerário um ministro da Economia pregar o boicote de empresas do próprio país por fatores ideológicos ou partidários. O capitalismo é eficiente por ignorar essas coisas. Quem age assim quer dar um tiro no pé da própria economia. Também, o que esperar de quem confessou nada entender do assunto pois “colava” nas provas?!

O editorial da Gazeta do Povo, publicado hoje no JBF, fala sobre como o novo governo atrapalha as expectativas econômicas, e não é para menos. As falas desastradas de Haddad e sua equipe apenas jogam lenha na fogueira. A turma de “mercado” que “fez o L” já está arrependida e percebendo a lambança que vem por aí. Diz o jornal:

Infelizmente, o Brasil já abusou demais do desperdício de tempo e, considerando o envelhecimento da população e a perda do bônus demográfico, não há mais muito tempo que possa ser perdido, sob pena de jamais tornar-se um país desenvolvido. Apesar disso, a última eleição talvez tenha sido o pleito eleitoral mais precário dos últimos tempos quanto à clareza, por parte dos candidatos, de quais eram suas ideias para a sociedade. A chapa vencedora do pleito presidencial nem mesmo chegou a protocolar plano de governo detalhado. A formação de expectativa econômica no plano nacional tornou-se exercício ao acaso, pois não há elementos de certeza razoável necessários para profecias minimamente críveis. Os primeiros dias do novo governo já demonstraram para onde Lula e o PT querem levar o país, dando marcha a ré em avanços importantes como marcos regulatórios, reforma da Previdência e reforma trabalhista, e apresentando um pacote de contenção do déficit que aposta fortemente no aumento da arrecadação, com minúsculos cortes de gastos. No entanto, ainda é preciso saber que tamanho terá a base aliada no Congresso e se ela será capaz de concretizar ou de barrar os planos petistas. Enquanto isso, expectativas econômicas sérias e bem embasadas estão na coluna de “suspenso”.

Reforço aqui a análise que já fiz antes: com esse pessoal no comando da economia, não corremos o menor risco de dar certo. Mas à medida que o país envelhece, sem criar riquezas, o caldeirão social aquece mais e mais, até o ponto de ebulição. É extremamente preocupante acompanhar a trajetória dos nossos dados sócio-econômicos e vislumbrar o descaso do atual governo para com as boas teorias sobre o assunto. Salve-se quem puder!

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

VANDERLEI ZANETTI – SÃO PAULO-SP

Caro Luiz Berto,

Deputado alemão recebe críticas por começar os seus discursos com “senhoras e senhores” … e não contemplar o terceiro sexo.

Então, tendo tomado a palavra, veja como ficou a saudação depois das críticas…

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