DEU NO JORNAL

A DIPLOMACIA VOLÁTIL E O “CARINHO” DE LULA COM MADURO

Editorial Gazeta do Povo

Nicolás Maduro, ditador da Venezuela

Em pouco mais de 20 dias à frente da Presidência da República, Lula já deu mostras suficientes de que vai ressuscitar a mesma posição de seus governos anteriores, onde ditaduras de esquerda foram tratadas como aliadas estratégicas, recebendo, no mínimo, a mesma deferência devida a nações alinhadas com a defesa da democracia. Um dos exemplos mais evidentes dessa mudança na política externa brasileira é o pronto reconhecimento de Nicolás Maduro como presidente legítimo da Venezuela e a intenção – que já começou a ser colocada em prática – de restabelecer relações diplomáticas com o país.

Isso significa uma guinada importante na política externa brasileira dos últimos anos –, infelizmente, em direção oposta ao desejável. Em 2018, a comunidade internacional não reconheceu o resultado das eleições venezuelanas, marcadas por denúncias de fraude e compra de votos – Maduro chegou a prometer um prêmio de 13 dólares, mais de 10 vezes o salário-mínimo venezuelano, para quem votasse nele.

Na ausência de um mandatário legítimo, a Constituição venezuelana atribui o cargo de forma interina ao presidente da Assembleia Nacional, no caso, Juan Guaidó, que, seguindo a Constituição, proclamou-se presidente interino do país, sendo imediatamente reconhecido pelos Estados Unidos, pela União Europeia, pelo Brasil e por entidades como a Organização dos Estados Americanos (OEA). Na sequência, o Brasil também se retirou da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), que insistiu em manter entre seus membros a Venezuela e Cuba, e fechou a embaixada brasileira em Caracas, externando que o Brasil não apoiaria mais a ditadura venezuelana. Mas bastou a finalização das eleições brasileiras para que Lula, histórico apoiador de Maduro – e anteriormente de Hugo Chávez – começasse a articular o restabelecimento das ações diplomáticas com o país.

Que Lula mantém relações de amizade e proximidade com líderes autoritários de esquerda é fato conhecido – embora o próprio Lula tenha tentado esconder essas amizades durante a época de campanha –, mas chama a atenção o pouco apreço do presidente à diplomacia de Estado. Muito mais do que dobrar-se às vontades do mandatário de plantão, moldando-se conforme as afinidades ideológicas do presidente, as relações exteriores de um país devem ser calcadas em bases sólidas, que evidenciem os valores e preocupações da nação.

Quando o Brasil finalmente rompeu com a Venezuela – e outras ditaduras, como Cuba – em 2019, estava refletindo sua adesão a valores democráticos, repelindo veementemente os regimes autoritários e opressores. Agora, num estalar de dedos, por vontade de Lula, o país volta a compactuar com os ditadores, que, como disse o próprio Lula, passarão a ser “tratados com carinho” pelo Brasil. Tal volatilidade de posições enfraquece o Brasil no mundo diplomático, com reflexos, inclusive, na perspectiva econômica. Como confiar em um país cujos posicionamentos mudam conforme a lua, balançando ao sabor do vento de quem está no poder?

É evidente que o chefe do Executivo é o responsável por definir as linhas mestras que serão seguidas pela diplomacia do país, mas é lamentável que Lula o faça tão prontamente, e ainda adotando princípios tão contrários aos defendidos pelo Brasil, fragilizando nossa diplomacia.

No caso de ser indispensável estabelecer relações comerciais e institucionais com países que não compartilham valores democráticos, essas jamais podem levar ao endosso ou apoio irrestrito às violações e ilegalidades contra as populações, como faz Lula ao enaltecer ditadores e insistir que a Venezuela é um regime democrático. Os milhares de refugiados que fogem todos os anos da ditadura de Maduro que o digam.

Os valores do presidente – seja ele quem for – não podem se confundir com os do Estado. O Brasil, com ou sem Lula, é uma nação que escolheu o caminho da democracia, que preza pela defesa dos direitos fundamentais. Como bem pontuou Juan Guaidó, em entrevista ao jornal O Globo, Lula presta um grande desserviço à democracia ao não se contrapor ao regime de Nicolás Maduro e às violações de direitos humanos no país. E mais: Lula ofende os próprios brasileiros, que jamais compactuariam com ditadores.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Hermilo Borba Filho

Hermilo Borba Filho nasceu em 8/7/1917, em Palmares, PE. Advogado, crítico literário, escritor, jornalista, tradutor, dramaturgo e diretor teatral. Ingressou no Teatro de Amadores de Pernambuco junto com Ariano Suassuna, com o qual fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco e mais tarde criou o Teatro Popular Nordeste e o Teatro de Arena do Recife. Um expoente destacado no Teatro Brasileiro, na Literatura e na pesquisa da cultura nordestina.

Criado numa tradicional família de usineiros no Engenho Verde na Zona da Mata, teve os primeiros estudos em Palmares e logo mudou-se para o Recife, para estudar na Faculdade de Direito. Tornou-se advogado, mas nunca exerceu a profissão. Já na faculdade tomou gosto pelo teatro e passou a atuar junto com os amigos Valdemar de Oliveira, Ariano Suassuna e Samuel Campelo. Em 1947 iniciou como crítico de teatro com a coluna “Fora de Cena”, publicada na Folha da Manhã, do Recife. Em seguida, mudou-se para São Paulo, onde viveu 5 anos e manteve a crítica teatral nos jornais Última Hora, Correio Paulistano e na revista Visão, além de integrar a Comissão Estadual de Teatro.

Em 1957 foi premiado pela APCT-Associação Paulista de Críticos Teatrais como diretor revelação, com a peça Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. De volta ao Recife, em 1958, passou a lecionar na Universidade do Recife (atual UFPE) e fundou o TPN-Teatro Popular do Nordeste, em 1960, junto com Ariano Suassuna e outros amigos. Pouco depois criou o Teatro de Arena do Recife junto com Alfredo de Oliveira, trabalhando ao lado de Gastão de Holanda, Capiba, José Carlos Cavalcanti Borges, Aldomar Conrado e Leda Alves. Neste ano encenou peças de Augusto Boal, Gianfrancesco Guarnieri, Dias Gomes, Osman Lins, Gogol, Ibsen e Max Frish, bem como sua peça O cabo Fanfarrão.

Sua companhia teatral acumulou um déficit permanente, fazendo-o atrair operários e estudantes e manter convênios com entidades do comércio e indústria. Mas não consegue liquidar as dívidas e fecha o teatro de 90 lugares. Numa entrevista, questionado se algum dia ganhou dinheiro com teatro, ele cita a montagem de Dercy Gonçalves para sua versão de A Dama das Camélias como exemplo único, e acrescenta: “mas, de repente, verifiquei que a prostituição era muito pesada, e parei”. No período 1959-1968 foi premiado diversas vezes pela Associação dos Críticos Teatrais de Pernambuco e em 1969 recebeu o título de Chevalier de L’Ordre des Arts et Letres, do governo francês. Por esta época fundou o MCP-Movimento de Cultura Popular junto com Paulo Freire e Ariano Suassuna, entre outros simpatizantes do Partido Comunista, vindo a sofrer perseguição política. Foi autor de 18 peças teatrais e 11 livros entre romances e contos.

Seu primeiro romance – Os caminhos da Solidão – saiu em 1957, pela Editora José Olympio. Como dedicava-se mais ao Teatro, o segundo – Sol das Almas – só veio sair em 1964 pela Ed. Civilização Brasileira. Em 1966 empreendeu a escrita de uma tetralogia – Um Cavalheiro da Segunda Decadência -, publicada pela mesma editora e ficou conhecido em âmbito nacional: (1) Margem das Lembranças (1966); (2) A Porteira do Mundo (1967); (3) O cavalo da Noite (1968); (4) Deus no Pasto (1972). O volume 3 discorre sobre um intelectual nordestino em São Paulo, na década de 1950, numa atribulada vida boêmia. Um livro de cunho memorialístico e autobiográfico, que suscitou uma comparação entre o autor e seu dramaturgo predileto Henry Miller.

Seu legado na área teatral vai além da direção e autoria de peças. Publicou Teatro, arte do povo e reflexões sobre a mise en scène (1947), resultado de 2 palestras; História do Teatro (1950), o primeiro manual de história do teatro editado no Brasil; Teoria e Prática do Teatro (1960); Diálogo do Encenador (1964); Espetáculos Populares do Nordeste e Fisionomia e Espírito do Mamulengo (1966) e nova edição da História do Teatro, com o título História do Espetáculo, em 1968. Seu objetivo foi colocar em prática a fusão ente o popular e o erudito, o mesmo objetivo palmilhado por Ariano Suassuna, com o surgimento do “Movimento Armorial”, em 1970.

Num artigo publicado no Diário de Pernambuco, Benjamin Santos, ex-integrante do TPN, relata algumas características do teatro de Hermilo e conclui: “Mais importante, porém, que todos esses aspectos encontrados é a concretização de uma estética do espetáculo. […] Em resumo, seria um teatro com o canto, a dança, a máscara, o boneco, o bicho… uma recriação do espírito popular nordestino […]; o homem brasileiro posto no palco com toda a sua luta, o sofrimento, a derrota, a insistência, a vitória; um teatro de intensidade emocional e crítica, um teatro vivo, aberto, sem a ilusão da quarta parede, permitindo ao público a compreensão maior de sua própria história. O teatro como um ato político e religioso a um só tempo. Esta é a busca de Hermilo”.

Em meados da década de 1970 teve um abalo na saúde e telefonou para seu amigo José Paulo Cavalcanti Filho, em 26/5/1976. Disse-lhe que iria morrer dentro de uma semana e que precisava falar com ele. José Paulo foi até sua casa e tiveram uma conversa antológica, que deverá ser publicada em livro. A conversa ocorreu numa 4ª feira e Hermilo faleceu na 4ª feira seguinte, em 2/6/1976. José Paulo concluiu que seu amigo “era um homem de palavra”. A Prefeitura de Palmares deu seu nome à Fundação Casa de Cultura da cidade, em 1983. Em seguida a Prefeitura do Recife criou o Centro de Formação das Artes Cênicas Apolo-Hermilo, formado pelo Teatro Hermilo Borba Filho e o Teatro Apolo, em 1988. Uma coletânea de 12 de suas peças foi reeditada e incluída na Coleção Teatro Selecionado, editada pela FUNARTE. Em 2018, no centenário de seu nascimento, o Governo do Estado mudou o nome do “Prêmio Pernambuco de Literatura” para “Prêmio Hermilo Borba Filho de Literatura”.

Sua obra foi analisada no livro Hermilo Borba Filho: fisionomia e espírito de uma literatura, de Sônia Maria Van Dijck Lima, publicado pela Ed. Atual em 1986. Outra oportuna análise sobre o autor e obra encontra-se no livro Hermilo Borba Filho: memória de resistência e resistência da história, publicado por Geralda Medeiros Nóbrega pela Ed. da Universidade Estadual da Paraíba, em 2015.

DEU NO JORNAL

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

UM TIPO INESQUECÍVEL

Desde o meu primeiro ano de Universidade Católica de Pernambuco, Curso de Economia, uma figura de jesuíta me impressionava, pelas discussões que proporcionava nos encontros temáticos que se efetivavam em nossa vida acadêmica daquela época, 1963, recheada de muitos eflúvios intelectuais advindos do governo de então, Sudene, ISEB, Padre Melo e Francisco Julião, Celso Furtado, Sudene, Vaticano II, JEC e JUC, Paulo Freire, conspirações golpistas e Universidade de Brasília: Teilhard de Chardin, de nome completo Pierre Marie Joseph Teilhard de Chardin, falecido em 1955. Um teólogo considerado um dos maiores gênios do século XX, cuja obra, depois de sua morte, deixou a semiclandestinidade dos textos policopiados, e passou a ser editada pelas Éditions du Seuil. No Brasil, sendo publicado os primeiros textos dez anos depois.

Ouvi algumas discussões e, estudante primeiranista de Economia sem muita coisa de ciências humanas na cachola, confesso que quase nada, ou nada mesmo, entendia do transmitido pelos especialistas, muito embora o entusiasmo pró Chardin de alguns participantes tenha penetrado em meu interior de ainda quase adolescente semi-alienado. Menos pelos apartes contundentes emitidos por pessoas vinculadas a ontens que não mais retornariam, mais pela personalidade daquele jesuíta, que muito marcou meu interior de cristão à época muito negativamente acordeirado.

Li O Fenômeno Humano, 1966, editado pela Cultrix, ficando quase na mesma, muito embora já percebendo que os de mente mais abertas aplaudiam o pensar daquele que tivera seus livros retirados das bibliotecas e instituições religiosas, também proibidos de exposição nas livrarias católicas, por decreto do Santo Ofício, em dezembro de 1957, felizmente quase nunca obedecido. Uma desobediência inspirada, certamente, que muito favoreceu, quando do centenário de nascimento de Chardin, em 1981.

Para quem, além da leitura do livro, desejar se aprofundar em outros escritos chardinianos, duas boas direções: o Centro de Documentação Teilhard – Caixa Posta 9112, CEP 01051, São Paulo, SP – e a Biblioteca Teilhard de Chardin da Associação Palas Athena – Rua Leôncio de Carvalho, 99, CEP 04003, São Paulo, SP.

Uma reflexão de estudioso para um princípio de leitura: “Que tal começarmos por uma boa revisão de nós mesmos, sem pré-conceitos e no estilo positivo de quem, objetiva e diretamente, olha e procura ver com base nos fatos e na experiência? Que tal nos encararmos a nós mesmos, ao ser humano que somos, como um fenômeno?”

Embora muitos dos escritos de Teilhard tenham sido censurados pela então bem mais conservadora Igreja Católica durante seu tempo de vida, por causa de seus pontos de vista sobre o pecado original, o trabalho de Teilhard foi reconhecido postumamente por esta. Teólogos proeminentes e líderes da Igreja, incluindo os papas João Paulo II e Bento XVI, escreveram positivamente a respeito das ideias de Chardin e seus ensinamentos teológicos foram citados pelo Papa Francisco na encíclica de 2015, “Laudato si”.

Lendo O Meio Divino de Chardin, percebe-se sua notável intuição. Quanto maior for o ser humano, mais a humanidade será unida, consciente e mestra de sua força; igualmente, quanto mais a criação for bela, mais perfeita será a adoração, mais o Cristo encontrará, para as extensões místicas, um corpo digno de eterna iluminação.

Teilhard de Chardin faleceu em 10 de abril de 1955, num domingo de Páscoa, em Nova York, aos 73 anos. No campo científico deixou uma obra vasta: cerca de quatrocentos trabalhos em vinte revistas científicas.

PENINHA - DICA MUSICAL

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

AH! MERCADO

Nos últimos vinte e oito dias aqui em Pindorama, neste ano de 447 d. S. (depois de Sardinha) tenho assuntado as fofocas mais quentes que os arariboias de plantão e o bando de caciques falam sobre a Taba grande. É cada despautério que às vezes penso que bebi cauim demais, ou fumei casca de jequitibá, em vez de fumo de corda. O mais interessante nessas conversas sem futuro é que, quanto menos se entende de um assunto, mais opinião com profundidade se dá sobre ele. Profundidade que quase chega a molhar a sola do pé, mas com uma ênfase que chega a encher os olhos de lágrimas e de ufanismo o curiboca nacional.

O assunto mais em pauta, que eu acompanhei, pratrasmente de duas semanas foi o tal Mercado. Ah!, que o Mercado é mal, só pensa em arrancar dinheiro dos pobres, que é impatriota, que investe na miséria de quem veve de comer calangro e farinha de puba, que só tem interesse no lucro, sem se importar com os 120 milhões de famintos que existem em Pindorama.

Mas, afinal de contas, o que é esse Mercado draculesco? Para um desavisado pode parecer a reencarnação do senhor Hide, o mesmo o monstro do doutor Frankstein que se levantou das trevas, com seu olhar cúpido sobre os caraminguás que tupinambás ainda guardam em seus picuás e bocós amarrados na cintura. Maurício Assuero, grande Potiguara que é versado em numerários, contas, finanças e dinheiros, acredito eu, fica até com urticária quando um pseudo pajé vem falar sobre esse tal Mercado e não entende “niente” do que está falando.

Adam Smith, com uma paciência de Jó tentou explicar aos habitantes da grande taba chamada planeta Terra o que vem a ser esse tal de Mercado e como as nações se enriquecem, tentando apontar o seu dedo para as causas e as origens da riqueza das nações. Obviamente, depois de mais de duzentos anos, os conceitos evoluíram, mas o cerne continua o mesmo. Mas, ainda não nem cheguei a dizer que diabos é esse tal Mercado.

Primeiro ponto. Mercado é e não é aquele lugar onde a indiaiada vai fazer compras todos os dias, toda a semana e todos os meses. Digo que não é, porque seria reduzir muito o conceito a apenas algo palpável. Mas também é, já que é uma engrenagem de uma máquina com milhões de outras engrenagens que percisam se movimentar em conjunto para que a sociedade funcione.

O conceito da palavra Mercado, infelizmente está deturpada em Pindorama. Quando se ouve agentes do governo falarem em mercado, botam no chifre dessa palavra o adjetivo financeiro. Assim, para o leitor pouco coisa menos bidu, seria mercado apenas um grupo seleto de pessoas engravatadas, nos desvão de bancos, de empresas de investimentos, de corretoras, com garfos e facas nas mãos, e pagando latagões a serviço da bolacha, para afastar os demais caetés e eles ficarem com as melhores partes do Sardinha, e não querendo deixar nem os ossos e cartilagens para os demais.

Essa visão emburrecedora e safadista foi criada e amamentada nos desvãos de universidades e escolas de economia e martelada nas escolas de educação básica a fim de que o Bororo nacional tivesse ojeriza a essa palavra e a tudo o que ela significa, enquanto aqueles que sabem o seu real significado ficam ricos e bamburram operando nesse tal Mercado.

Pare e pense, meu caro curiboca nesse tal mercado, e se questione: você faz parte desse Mercado? Sem necessidade de titubear eu te respondo: Sim. Você faz parte dele. Pense assim comigo. Dona Januária, lá do interior da Paraíba, ou mesmo Nhá Velina, socada no interior do Pantanal, sem energia, sem água encanada, sem televisão, sem telefone celular, mas ambas têm um gosto em comum. Ambas gostam de naquear um pedaço de tabaco todos os dias, o popular mascar fumo. Todo mês elas vão até um armazém e compram um pedaço de meio metro de fumo de corda e vão para as suas casas. Pode parecer um gesto simples, quase desimportante. Mas, o fato é que não é.

Pense que aquele pedaço de fumo precisou ser plantado em algum lugar. Quem o plantou precisou arar a terra, adubar, semear o tabaco, cuidar do seu crescimento, aplicar os defensivos – o que os aiatolinhos do politicamente correto chamam de agrotóxicos -, colher, secar, enviar para a indústria de transformação, que por sua vez também faz movimentar outras engrenagens como a fornecedora de energia, da água, dos insumos aplicados no beneficiamento daquela folha de fumo. Depois a distribuição que movimenta outras engrenagens como transporte, combustíveis, a indústria alimentar, até chegar no buteco onde dona Januária, ou Nhá Velina compraram seu pedaço de fumo para mascar durante o mês.

Isso apenas em um pedaço de fumo de corda. Agora pense em uma criança que gosta de jujuba e os pais lhe dão um saquinho toda a semana. Como será que aquela guloseima chegou até às mãos daquela criança. Pensem onde ela se originou, quais as indústrias que participaram direta e indiretamente na confecção daquele doce. Eu sei, parece coisa de maluco, mas é assim que esse tal Mercado funciona.

Agora volte ao mercadinho do bairro e pense em cada produto que está exposto ali. Quantas outras indústrias, produtores, atravessadores, atacadistas, transporte, armazenamento, controle de qualidade e sanidade foram movimentados para que você, meu caro caeté pudesse chegar e pegar um pacote de biscoito na prateleira e saísse comendo despreocupadamente.

Mas esse exemplo é apenas uma faceta desse tal Mercado. Agora pense. Tudo o que você faz. O coletivo que você pega, o tanque de seu carro que você abastece, a roupa que você compra, o dinheiro vadio no seu bolso e que você resolve depositar em um banco, o seu FGTS, essa estrovenga malandra criada para tomar na mão grande o seu dinheiro, a sua poupança, o dinheiro que você pede emprestado em um banco, o empréstimo que você faz a um parente, ou a um amigo, a reforma de sua casa, o material escolar que todo ano você compra para seus filhos. Tudo isso faz parte do que se chama mercado, pois essas ações movimentam engrenagens que possibilitam que esses bens cheguem às suas mãos.

Mas e o Estado não seria parte desse Mercado? A resposta mais límpida possível é NÃO. Estado não produz, não gera riqueza. Ele apenas toma a riqueza de quem produz. E como Pindorama possui um Estado inchado, cada vez mais ele precisa tomar riqueza de quem produz. Veja que em Pindorama 97% do orçamento público vai para despesas como pagamento de aposentadorias, de bolsas, de salário de funcionários. Obviamente que, lá na ponta esses aposentados e assalariados do Estado também vão movimentar as engrenagens do Mercado, mas o dito momentum de maior força das engrenagens já se dissipou.

E o Estado toma o dinheiro de quem produz e faz a engrenagem do Mercado se movimentar de duas formas: através de impostos, contribuições e tributos, ou através da emissão de título de dívida pública. Como Pindorama é uma taba em que se gasta mais do que se arrecada, o Estado veve lançando títulos da dívida pública com juros cada vez maiores para que alguém tenha interesse em comprá-los. Só que esse dinheiro não vai para a produção. Ele não vira uma força motriz que movimenta essas engrenagens. Mas, como oferece gordos retornos, então o dinheiro é sugado dessa movimentação e vai para outros fins, não descontando o desvio, a safadagem, a roubalheira e outros etcéteras. Afinal ninguém é burro para deixar dinheiro vadio no fundo do gavetão, quando se pode ganhar outros tantos, sem fazer absolutamente nada. Apenas esperando o Estado devolver o que pegou de você mais os juros.

Quando eu ouço falar em mercado, sempre com o adjetivo “financeiro” atarrachado nos cornos dele eu tenho um pensamento pendular: ou essa gente é muito burra e fala daquilo que não sabe, ou e esperta demais e fala muito bem daquilo que sabe e está tentando enganar a patuleia. Como não sou de me deixar enganar por papel pintado, sempre vou na segunda opção. São pessoas que sabem muito bem o que estão falando, mas estão dando um passa moleque na taba toda para lucrar e muito.

Assim, meu caro caeté, quando você ouvir qualquer curiboca falando sobre mercado, faça igual a mim. Fico pubo por dentro, fofo igual a lá de carneiro. Deixo o indivíduo falar, afinal isso é de seu ofício e depois vou cuidar de minha vida, dando uma banana para o falastrão que veio tentar me engrupir.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

FAMÍLIA QUE MAMA UNIDA, PERMANCE UNIDA

A professora Ana Estela Haddad, mulher do ministro da Economia, Fernando Haddad, ganhou um cargo no governo federal e vai assumir a Secretaria de Informação e Saúde Digital, vinculada ao Ministério da Saúde.

A nomeação de Ana Estela foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União de quinta-feira 26, e assinada pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa.

A secretaria foi criada pelo governo Lula e é voltada à tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS). 

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Mais um biquinho pro casal mamar, com muito amor e carinho.

Eles sabem fazer o “L” !!!

Ana Estela e Fernando Haddad, durante a campanha eleitoral de 2022

DEU NO JORNAL

FRAUDADOR FABRICANDO NOSSO DINHEIRO

Indicado do PT para Casa da Moeda foi alvo de operação por suspeita de fraude.

Márcio Luís Gonçalves Dias, funcionário da Casa da Moeda, é acusado de peculato e de fraude a licitação em contrato referente ao Sistema de Controle da Produção de Bebidas em troca de propina.

A denúncia foi apresentada em outubro do ano passado, após ele ter sido alvo da Operação Vícios, da PF, em 2015.

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Um fraudador em posto importante no governo do Ladrão, comandando a Casa da Moeda e imprimindo nosso dinheiro.

Está no lugar certo, no governo certo!

Agora, finalmente, teremos a satírica nota falsa de 3 reais.

DEU NO JORNAL

UMA PARELHA LADROATÍFERA

A visita de Lula à Argentina criou uma situação embaraçosa para a diplomacia de ambos os países, após o esforço do presidente brasileiro para se livrar de encontro com a “amiga” Cristina Kirchner, atual vice-presidente e, como ele, condenada por corrupção.

O petista cumpriu pena e acabou “descondenado”, enquanto a Justiça argentina ainda vai definir o momento em que a ex-presidente cumprirá pena por ladroagem. Lula não queria aparecer ao lado dela em uma de “pose de condenados”.

Lula prometera visitar Cristina em seu gabinete no Senado.

O objetivo dela era capitalizar a popularidade de Lula na atrasada esquerda local.

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Essa nota aí de cima termina com a expressão “atrasada esquerda local”, se referindo às antas argentinas.

Pergunto: existe algum lugar neste mundo onde a esquerda não seja atrasada?

Me arrespondam-me, por favor.

Bom, o fato é que o ladrão Lula não quis se encontrar com a ladra Cristina lá na terra dela.

Pois aqui no JBF a gente vai registrar o encontro dessas duas horrendas figuras.

Vejam que parelha de corruptos da porra: