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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

A INCONSTÂNCIA DOS BENS DO MUNDO – Gregório de Matos

Nasce o Sol e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

Gregório de Matos, Salvador-BA, (1636-1696)

GUSTAVO GAYER

DEU NO JORNAL

PERCIVAL PUGGINA

ESTRANHAS AÇÕES E MISTERIOSAS OMISSÕES

A ordem para entregar todas as pessoas presentes no acampamento instalado junto ao QG do Exército foi emitida por alguém que deixou no armário o senso de humanidade. Lá se foram embarcadas pessoas idosas, pessoas enfermas, crianças e suas mães. Você não precisa pensar muito para perceber que isso está errado. Não creio que algo assim já tenha sido feito em cracolândias, para apreensão de drogas e traficantes.

Era inevitável que a multidão detida evocasse a imagem nefasta de um “campo de concentração”. O erro, que desencadeou uma série de problemas operacionais – e humanos – foi considerar criminoso o simples fato de estar alguém acampado diante de uma instalação militar em protesto contra a sequência de ações cujo produto final foi a eleição de Lula.

É excesso de autoestima e perda do senso de medida indignar-se e reagir de modo punitivo a essa prolongada irresignação inativa. Por que, raios, vociferar tanto contra a visibilidade proporcionada pela simples presença passiva, semana após semana?

Vê-los me fazia lembrar de Mahatma Ghandi ou Martin Luther King, que estão longe de ser maus exemplos. Indignar-se e reagir a eles é desprezar a autonomia do ser humano. Quem assim procede tem excesso de estima por si mesmo e escassa estima pela humanidade.

As pessoas devem ser livres para protestar pacifica e eternamente, se quiserem. É o que fizeram, sempre sob repressão do Estado, as Mães da Praça de Maio na Argentina durante 30 anos entre 1976 e 2006 e há 20 anos fazem as Damas de Branco em Cuba, enquanto marcham, juntas, silenciosas, para a missa. Há exemplos para a esquerda e para a direita.

É inútil colocar uma rolha e selar com o lacre da autoridade as opiniões divergentes. Ao peso e custo de sanções, perguntas sem resposta podem não ser verbalizadas, mas persistirão nas mentes e ecoarão na história. Vale o mesmo para as perguntas que hoje são feitas sobre as misteriosas omissões das autoridades na proteção da Esplanada dos Ministérios.

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BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

SERÁ O PRINCÍPIO DO FIM?

Desde o resultado da eleição de outubro passado que deixei de fazer publicações no facebook. Entendi que meus comentários, meus alertas, etc. não foram suficientes para convencer os leitores, e eleitores, que a volta de Lula ao governo seria o caos absoluto para o país. Limitei minhas publicações a curtidas em comentários alheios, quando concordo e não sei por quanto tempo ficarei assim. A maioria dos eleitores, precisamente 50,9% deles, disseram sim a Lula e eu vivo pensando em estratégias de sobrevivência. Democracia é isso: uma maioria toma uma decisão que vai de encontro aos interesses da minoria, mesmo quando esta está coberta de razão.

Não é de agora que critico a atuação do STF. Fiz vários comentários no facebook, cheguei a nominar tal corte como “cabaré de Nita” em referência um famoso caberá da minha cidade, falei sobre violações constitucionais dos “guardiões da democracia” como no caso dos direitos políticos, não cassados, de Dilma, falei sobre o vergonhoso voto de Gilmar para manter nos cargos Rodrigo Maia e Alcolumbre numa flagrante violação constitucional (o cara foi capaz de escrever que “mesmo ao arrepio da lei” era possível prorrogar os mandatos dessa dupla de cafajeste nas mesas diretoras do congresso) e de outras prerrogativas mais. Usei meu direito de expressão porque tinha a sensação que era uma garantia constitucional. Fiquei chocado em ouvir professores universitários proclamarem que “direito de expressão tem limite”, não no contexto de que tal limite seria a própria lei baseada na tipificação de crimes de injúria, calúnia e difamação, mas na interpretação de um juiz, ou seja, cabe ao juiz definir o que é e o que não é direito de expressão. Francamente, nunca vi isso em nenhuma democracia.

Diz, e muitas vezes, que criaram um novo Tratado de Tordesilhas. Dividiram o Brasil em dois grupos: democrático e antidemocrático. O primeiro é eleitor da esquerda que nunca levantou a voz contra a ingerência do STF nos demais poderes. Que prega democracia, mas que apoia Maduro, Ortega, Evo Morales e que é visto pelo Papa Francisco como a reencarnação do Verbo que se fez carne e habitou entre nós. O segundo grupo é composto por pessoas que se cansaram da roubalheira democrática e da proteção da justiça a políticos desgraçadamente corruptos.

A interferência do STF no executivo, por exemplo, levou às ruas, em diversas ocasiões (primeiro de maio, sete de setembro, etc) milhares de pessoas no Brasil inteiro e de forma absolutamente ordeira e com a participação de idosos e crianças. Em todos os momentos estas pessoas foram tratadas pela mídia, e pela justiça, como antidemocráticos. Todos os atos eram tratados como antidemocráticos, como se o desejo de cada – mesmo que fosse pelo fechamento do STF ou do congresso – não pudesse ser externado! É aqui que entra o paradoxo com a liberdade de expressão. Qualquer um tem o direito de falar o que quer, mas sabendo que há direito de resposta com pena proporcional ao dano. É isto que diz a porra da constituição brasileira.

Um dos maiores casos de liberdade de expressão que conheço se refere a David Irving. Esse inglês publicou vários livros negando o holocausto – vejam que tema sensível – e processou uma editora que publicou um livro de uma escritora americana chamada Deborah Lipstadt, uma historiadora do holocausto. Esse caso foi retratado no filme Negação, de 2016, e é interessante olhar o debate. Irving perdeu a causa, teve que pagar multa e a corte entendeu que a teoria constante nos seus livros era equivocada e por isso não deveria ser propagada. Deu-se a ele o amplo direito de defesa. Suas ideias foram rechaçadas, mas ele teve o direito de expor seus argumentos sem um julgamento prévio e sem parcialidade por parte dos julgadores.

Eu vejo o Brasil num cenário diametralmente oposto. Ao longo da campanha foi proibido chamar Lula de ladrão. As cortes mais altas desse país chegaram ao ridículo de considerar que mesmo que tudo tenha sido dito com base em inquéritos da Polícia Federal, o uso poderia influenciar o eleitor. É nunca vi isso em toda minha vida, exceto em ditaduras.

O encadeamento de tantas ações chegou a ponto crítico que basta um peteleco para explodir e no meu entendimento a culpa é, única e exclusivamente, do ELEITOR. Esse cara vota em pessoas cacheadas por processos de diversas gravidades. Elegeram Helder Barbalho, Renan Calheiros, Flávio Dino, Fátima Bezerra, etc. Elegeram um congresso incapaz, moralmente, de se impor diante do judiciário e com isso permitiu que as cartas fossem ditadas por pessoas que não representam os anseios da população porque não foram votadas. Estão ali por pura indicação e interesse político.

Como já referido, achei muito estranho que essa depredação do congresso e STF tenha sido feito por pessoas que passaram 4 anos indo às ruas de forma ordeira. Cada concentração via-se o resultado: nenhum pneu queimado, nenhuma bandeira queimada, nenhuma vidraça quebrada, nenhum muro pichado. De repente, uma fúria animalesca tomou conta de jovens, velhos e crianças acampadas e eles partiram para essa dimensão de violência. Nas redes sociais surgiram vídeos de pessoas presas pelos próprios “terroristas” que são chamados de “infiltrados” ou “desbotados”. Eu vi a reprodução do diálogo entre o secretário de segurança em exercício do Distrito Federal com o governador. As palavras mostram que se tratava de uma manifestação pacífica. Eu sou favorável a que se investigue. Punir sem investigar como está sendo feito, só lança mais dúvida sobre o estado democrático.

Uma das coisas que falei também foi sobre o fato de termos um presidente que só pode se reunir com plateias escolhidas. Lula não tem a menor capacidade de enfrentar a população, pois onde quer que vá, será sempre chamado de ladrão. Resta saber se uma pessoa que considera Lula ladrão é terrorista porque se for, a melhor alternativa a quem pensa assim é procurar a delegacia mais próxima da polícia federal e se entregar, voluntariamente. Alexandre de Morais disse que havia ainda muita gente para prender, então eu acredito que a melhor forma de protesto é todo mundo indo, calmamente, para se entregar. Ao invés de acampar na frente dos quarteis, que se ocupem os pátios das delegacias da PF. Passaremos a chamar Alexandre de Morais de POVO para que se justifique o preceito constitucional de que “todo poder emana do POVO”.

Finalmente, com a vitória de Lula veio consequências econômicas que todos nós sabíamos que iria acontecer. A decisão de desrespeitar o teto dos gastos vai levar o país a uma encruzilhada: aumentar impostos para cobrir os gastos, aumentar a a taxa de juros para atrair recursos e rolar a dívida “ad infinitum” porque o país não tem de onde tirar grana para pagar a investidores. O governo atual recebeu o país com superávit nas contas públicas, dívida pública reduzida, inflação na casa dos 5% ao ano, taxa de desemprego em 8,4% e lucro nas empresas estatais. Eu duvido muito que consigam manter esse cenário. Se não for o princípio do fim, acredito que começamos a dar nossos passos nessa direção.

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ALEXANDRE GARCIA

AS PRISÕES NÃO PARAM, MAS A REPERCUSSÃO JÁ FEZ LULA MUDAR O DISCURSO

Pelas regras do visto norte-americano, quem entra nos EUA com passaporte diplomático, como foi o caso do ex-presidente Bolsonaro, e depois perde o direito a esse passaporte diplomático porque já não exerce mais a função pública só pode ficar no país por mais 30 dias. Isso quer dizer que seu visto diplomático vence antes do fim de janeiro; se quiser permanecer nos EUA depois disso, Bolsonaro precisará de outro visto, como um de turista.

A última informação que tenho é a de que ele já está saindo do hospital, pois teve uma melhora. Mas ele tem de tomar cuidado com os excessos gastronômicos, porque seus intestinos têm aderências, como resultado de sete cirurgias, além da facada. Mexeram demais nos intestinos dele e Bolsonaro vai carregar isso para o resto da vida: a sequela da facada de um seguidor do PSol, que dizem ter agido sozinho, o que é impossível, já que naquele dia o nome de Adélio Bispo estava na Câmara, algum deputado autorizou uma entrada fictícia para servir de álibi; depois ainda apareceram advogados que certamente alguém chamou.

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Prisão generalizada não está pegando bem e já virou notícia no exterior

Alexandre de Moraes continua prendendo. Agora, prendeu um ex-comandante da PM, um coronel, e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres – que não tinha nem reassumido a Secretaria de Segurança do Distrito Federal –, como se fosse responsável pelo que aconteceu. Enquanto isso, senadores estão se unindo para convocar o ministro da Justiça, para que ele explique por que não houve reação, uma vez que todos os órgãos de segurança pública tinham a informação sobre o que haveria no domingo.

Em consequência dos acontecimentos de domingo, houve prisão preventiva de quatro pessoas; muitos dos manifestantes pacíficos já apontavam um homem e uma mulher como principais organizadores da facção extremista que queria arrombar e quebrar tudo – queria e conseguiu, porque teve uns 300 seguidores. Na hora em que fiz essa gravação havia 277 presos, e houve prisão indiscriminada de famílias, idosos, crianças e mães que estavam desmanchando o acampamento na frente do QG do Exército. Botaram todo mundo em ônibus, como lá na Alemanha se punha judeu em vagão, e levaram para um campo de concentração, que foi o ginásio da Academia da Polícia Federal. Eram 1,5 mil pessoas lá dentro, imagine se alguém lá tem Covid… Pessoas reclamando de falta d’água, de comida e outros inconvenientes. Gente passando mal, tendo pouca assistência médica, mas eu não vi aparecer o ministro de Direitos Humanos. Depois, foram liberadas 599 pessoas por serem idosos ou mães de crianças pequenas; para vermos como tinha muita gente desse perfil. Mas ainda ficaram lá detidos outros 527, decerto à espera de alguma triagem. Mais 277 estão presos temporariamente, além desses quatro com prisão preventiva, para preservar a ordem pública.

As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, mas caíram no colo do presidente Lula. Ele pegou o limão de domingo, fez uma limonada na segunda-feira com esse encontro com governadores, chefes de poder político e ministros do Supremo, mas ficou algo muito grave, que é esse campo de concentração. Na terça-feira, ele fez uma declaração em que se podia ver que ele sentiu o impacto, pois isso é notícia que está no exterior e falam até da Convenção de Genebra, que se aplica a prisioneiros de guerra. Lula disse que certamente a maioria dos manifestantes de direita é de pessoas pacíficas, de boa consciência, de boa índole, que não devem ter concordado com os extremistas que fizeram as invasões, o quebra-quebra, etc.

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Domingo não houve terrorismo, houve baderna

O nome disso que aconteceu é baderna; eu ensinaria aos meus alunos de Jornalismo, no tempo que eu lecionei, que terrorismo é outra coisa, não é o que a mídia está dizendo. Eu cobri terrorismo no Líbano, em Paris, no Chile, na Argentina, em Angola e na África do Sul; sei que é terrorismo, e domingo não houve terrorismo. O que houve foi baderna, causada por bardeneiros extremistas como aqueles que já quebraram tudo na Câmara em 2006, ou os que jogaram bombas que acabaram matando um cinegrafista da Band. Isso é baderna, e é preciso descobrir aqueles que promoveram a baderna e puni-los exemplarmente. O problema é que os outros, que não tiveram nada a ver com isso e queriam fazer apenas uma manifestação lá na frente da Praça dos Três Poderes, acabaram envolvidos.