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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

NACINHA – CUIABÁ-MT

Valha-me Deus!

A eleição fraudada foi coroada hoje com a posse do Nine.

A ditadura dele com Xandão está totalmente instalada.

Que os Céus se apiedem da nossa pátria!!!

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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

RECEITA DE ANO NOVO – Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegrama?).

Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade, Itabira-MG, (1902-1987)

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

PELÉ, O REI DO SOFT POWER

Leonardo Coutinho

Pelé na Casa Branca em 28 de junho de 1975. À esquerda, o então presidente dos EUA, Gerald Ford, à direita, embaixador João Augusto de Araújo Castro e outros

Presidentes passam, enquanto os reis ficam. Uma busca com a palavra Pelé nos Arquivos Nacionais dos Estados Unidos ajuda a entender isso. Pelé foi à Casa Branca cinco vezes. Foi fotografado ao lado de Richard Nixon, em 1973; Gerald Ford, em 1975; Jimmy Carter; em 1977; e Ronald Reagan, em 1982 e 1986. Ele também se encontrou no Brasil com Bill Clinton, em 1997; e com Barack Obama, em 2019. Se ampliados por outros países a lista de líderes que posaram ao lado dele se estenderia por linhas e linhas. Basta lembrar que quando Pelé ganhou a primeira Copa para o Brasil, em 1958, o presidente era Juscelino Kubitschek. Depois dele vieram outros quinze. Edson Arantes do Nascimento, que morreu no penúltimo dia deste ano de 2022, seguiu e segue sendo Pelé, o rei do Futebol.

O rei Pelé foi um grande diplomata. Ou se preferirem um grande instrumento de diplomacia. Seja ela formal ou do esporte. Pelé fez parte do processo – talvez sendo o principal agente – da transformação do futebol em um negócio de dimensões universais, mas também em um poderoso instrumento de soft power.

A coletânea de fotos dele na Casa Branca em momentos distintos e com presidentes diferentes mostra como ele representou não só o soccer, como os americanos teimam em chamar o esporte, mas também o Brasil. Pelé chegou a jogar nos Estados Unidos, estrelou filmes e soube carregar o peso da camisa da Seleção Brasileira que virou símbolo de um país inteiro. Fonte de afeto e respeito a todos nós brasileiros.

Não é exagero dizer que não há canto no mundo onde Pelé não tenha chegado. Seu nome e a admiração que todos sentem por ele trouxeram amenidade para momentos críticos que este colunista viveu com “problemas legais” inventados por policiais corruptos no Suriname e Bolívia. Foi tema de bate papo com plantadores de coca na selva colombiana e um belo quebra-gelo com contrabandistas do Hezbollah, no Panamá. Todos amavam Pelé.

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado conta que estava no que se pode chamar de fim do mundo. Mais precisamente em um ermo entre a fronteira de Ruanda e a Tanzânia, quando aquela parte do mundo foi palco de uma das mais terríveis atrocidades da história recente da humanidade: um genocídio que resultou na morte de mais de 800.000 pessoas em um intervalo de cem dias, entre abril e julho de 1994.

Naquela parte do mundo matar e morrer havia se tornado algo banal. E foi nesse ambiente que Salgado seguia de carro de um campo de refugiados em solo ruandês rumo à fronteira com a Tanzânia, para onde milhares de pessoas estavam fugindo da carnificina.

Cercado por refugiados da minoria tutsi, que estava sendo exterminada pelo grupo étnico rival, os hutus, Salgado esteve na iminência de ser fatiado pelos facões que homens e mulheres carregavam em suas mãos e era a principal (e muitas vezes a única) arma de combate entre os grupos em disputa.

Por se comunicar em francês com seu fixer e intérprete, o fotógrafo foi confundido pelos tutsis que pensavam que ele era da França, país aliado dos hutus. Com a temperatura elevando-se, ele puxou o passaporte do bolso e mostrou gritando “Sou do Brasil”. Mas o que funcionou mesmo foi dizer a palavra mágica “Pelé”.

“Pelé salvou a minha vida”, disse-me Salgado.

E não só a de Salgado. Em uma conversa com um diplomata sobre esse episódio em Ruanda, ele contou de um professor inglês, que deu aulas para ele na The London School Of Economics And Political Science, que carregava camisas da Seleção Brasileira na mala para resolver qualquer tipo de problema que aparecia em suas pesquisas que campo no Irã e em outros países do entorno. Não são raros os relatos de outros jornalistas, fotógrafos e profissionais que se salvaram ao evocar o nome do rei do futebol, seja em situações críticas na Líbia, Somália, Síria e Iraque, por exemplo.

A diplomacia de Pelé deu à camisa amarela da Seleção um status de “passaporte diplomático”. Também valia ouro, quando o respeito não era o suficiente e a corrupção era a única forma de se livrar de um apuro ou da morte.

Na prática, o Brasil não se aproveitou bem do poder que poderia ter tido por meio de Pelé. De como ele poderia ter nos promovido ajudando-nos a mostrar o que tínhamos de melhor. Do que tínhamos, pois muita coisa que Pelé representava se perdeu. Foram substituídas por divisão e sectarismo identitário que não merece ser discutido aqui, pois o tema é Pelé.

Os argentinos, por exemplo, são muito mais habilidosos em explorar a imagem de Maradona e agora de Messi. Mostram para o mundo o orgulho que eles têm de seus craques. Mas no Brasil sempre tem o “mas”. A conjunção adversativa que nos faz ser a pátria do gol contra.

Pelé foi um craque cujo reinado se tornou universal e atemporal. As reações à sua morte, que vêm de fora do Brasil, mostram que para o mundo não existe “mas” algum. Pelé é rei.

DEU NO JORNAL

QUE ALEGRIA

O PT de Pernambuco, terra do presidente eleito Lula, virou um pote até aqui de mágoas.

Não emplacou ninguém na Esplanada, frustrando, por exemplo, o senador Humberto Costa, que queria ser Ministro da Saúde.

* * *

Como bom pernambucano, essa notícia me deu uma alegria enorme!!!!

Saber que Humcerto Bosta está puto com o Ladrão é uma coisa pra levantar o astral da gente.

O Drácula da lista de propinas da Odebrecht terá um péssimo início de ano.

E isto é uma coisa maravilhosa pra qualquer cidadão decente!!!

DEU NO JORNAL

COMO ALCANÇAR SEUS OBJETIVOS DE ANO NOVO?

Deltan Dallagnol

Você já preparou seus planos, resoluções ou objetivos de ano novo? Talvez queira ser mais saudável, fazer exercícios, comer melhor, reunir economias ou fazer trabalho voluntário? Será que faz sentido estabelecer metas no ano novo? E como tirá-las do papel?

Marcos temporais como um novo dia, semana, mês ou ano, um aniversário ou um novo trabalho são uma boa oportunidade para fazermos nas nossas vidas mudanças que queremos há tempo, mas procrastinamos. Falta aquele empurrãozinho, aquele momento propício para romper com o passado e construir um futuro diferente.

Pesquisadores apontam que o início de ciclos são marcos temporais que geram um efeito do novo começo, o “fresh start effect”. É como se recebêssemos mais uma página do livro da nossa história para começar a escrever um novo capítulo. Temos uma motivação renovada para iniciar novos planos e estabelecer objetivos.

O ano novo é o rito de passagem por excelência ao qual atribuímos um significado compartilhado de sonhar e traçar planos e metas. Isso, mais do que uma tradição de ano novo, é uma excelente oportunidade para mover a vida na direção dos nossos propósitos.

Muita gente embarca na tradição de formular objetivos do ano novo – nos Estados Unidos, perto de metade dos participantes de pesquisas repetidas ao longo de três anos. As metas mais frequentes se relacionam com saúde física e mental, perda de peso, mudanças de hábitos alimentares e crescimento pessoal.

Contudo, um outro estudo mostrou que dentre os 41% dos americanos que, naquela pesquisa, estabeleceram metas de ano novo, apenas 9% se sentiram bem-sucedidos em alcançá-las, e a taxa é baixa assim mesmo quando metade das pessoas se sentem confiantes de que as alcançarão.

No mesmo sentido, uma pesquisa feita pelo YouGov com cerca de 1.200 americanos em 2018 apontou que apenas 12% cumpriram todas ou a maioria de suas resoluções. Levantamento similar feito em 2019 indicou que 7% cumpriram todas as resoluções e 19% cumpriram algumas delas.

O cumprimento dos compromissos de ano novo cai bastante rápido. Segundo um estudo de Norcross e Vangarelli, que acompanhou 200 pessoas, só 55% mantinham suas resoluções depois de um mês, 43% depois de três meses e apenas 19% após dois anos.

Dentre as razões do fracasso, estão a escolha de objetivos poucos realistas ou de muitos objetivos, não registrar metas e o progresso, abandonar tudo diante das primeiras escorregadas e não considerar as rotinas e as exigências do dia a dia.

Então, como aproveitar este momento para fazer mudanças com sucesso? Não há receita única, mas aqui vão as cinco melhores sugestões que encontrei, tiradas de uma pesquisa ampla sobre resoluções de ano novo publicada na revista Plos One e do livro Get it Done de Ayelet Fishbach.

Primeiro, estabeleça objetivos orientados a “fazer algo”, como fazer exercícios três vezes por semana, em vez de “não fazer algo”, como deixar de ser sedentário. A taxa de sucesso em fazer algo é maior do que em evitar um comportamento – na pesquisa divulgada pela Plos One, a diferença foi de cerca de 12%.

Segundo, escolha objetivos fortes ou apaixonantes, que tenham a ver com seu propósito de vida, e faça eles específicos. Um método que pode ser usado é o SMART, segundo o qual os objetivos devem ser específicos (specific), mensuráveis (mensurable), atingíveis (achievable), relevantes (relevant), e com prazo definido (time-bound).

Terceiro, encontre diversão nas suas metas. Pedale ou corra ouvindo sua música ou podcast favorito ou programe uma recompensa a você mesmo sempre que realizar seu objetivo.

Quarto, e muito importante, convide alguém para acompanhar sua jornada rumo aos objetivos e marque um encontro periódico com essa pessoa para compartilhar como está indo o processo.

Por fim, cuidado com o maior obstáculo: o meio da jornada. Nele a motivação é menor do que no começo, quando largamos cheios de energia, ou perto da linha de chegada, quando temos uma tendência de dar nosso melhor – é o “goal gradient effect”.

Por isso, não estabeleça apenas um objetivo final, mas objetivos intermediários, mensais ou semanais, usando em seu favor marcos temporais ao longo da jornada que deem uma sensação ou motivação de novo começo. E não tenha vergonha de recaídas, mas seja resiliente e recomece quantas vezes for preciso.

Eu já escolhi meus objetivos para o ano novo. E você, que tal avançar para aquela mudança de vida que faz tempo que está programando? Como disse Fernando Pessoa, “feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era e transforme-se em quem é.” Esta é a hora.

Eu desejo a você que acompanha minhas colunas um feliz ano novo e, mais do que isso, um ano novo em que você possa crescer e alcançar seus objetivos.

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