Parabenizo Silvério Pessoa por sua nomeação como Secretário de Cultura de Pernambuco.
Justa e merecida a escolha feita pela governadora eleita Raquel Lyra.
Silvério não é apenas um cantor (inobstante sua competência como tal).
É muito mais que isso: é um pedagogo de formação, preocupado com educação e que se utiliza da arte no desempenho de sua nobre missão.
Pelo currículo e caráter não tenho dúvidas quanto ao êxito que terá no exercício da função que lhe foi confiada. Bela escolha.
Sinto-me à vontade para prestar este depoimento pelo fato de, não sendo artista, não depender de shows ou de Editais para desenvolvimento de minha Arte.
Não entendam como soberba, mas apenas como justificativa da isenção de meu comentário, sem qualquer interesse secundário.
A capital federal tem recebido dezenas de ônibus de várias regiões do país, para a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.
Mas muitos jovens ‘companheiros’ ficaram no meio do caminho.
A União da Juventude Socialista (UJS) de Mato Grosso emitiu nota de repúdio, direcionada ao Partido dos Trabalhadores (PT), pelo corte do financiamento da caravana para a cerimônia de posse, nesse domingo 1º, em Brasília.
“Nós sabemos que muitas pessoas aqui, inclusive nós, nos planejamos e organizamos com base nessa caravana. Infelizmente, às vezes acontecem coisas que fogem do nosso controle. Esperamos que o PT se recomponha, pois sabemos que sem a força do povo e dos movimentos sociais o governo não avançará”, diz a UJS em nota.
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Gente, vocês nem imaginam como fiquei com pena desses jovens esclarecidos, bem informados e patriotas.
Emitiram uma nota de repúdio ao PT, um partido comandado por um sujeito honesto e que cumpre tudo que promete.
No futuro, os historiadores mal acreditarão na política brasileira no ano da graça de 2022, quando, a pretexto de combater o “autoritarismo” e o “risco à democracia” de um presidente democraticamente eleito pelo povo quatro anos antes, suas excelências de cortes superiores mudaram a cor da toga e subiram no palanque.
O ano em que o Brasil assistiu ao show de horrores em que a Suprema Corte atuou como delegacia de polícia, promotoria e juiz.
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De fato, Suas Insolências mudaram a cor da toga: de preta pra vermelha.
A expressão “show de horrores”, dessa nota aí de cima, resume tudo.
Vivemos um filme de terror apavorante, absurdo, surreal.
E vamos nos preparar pra sofrer os horrores de uma ditadura Executivo-Judiciário que vai se instalar a partir de hoje.
Quando escrevo este texto, estamos na sexta-feira, 30. Fim de tarde.
Hoje, domingo, 1, primeiro dia do Ano Novo, tomara o sol esteja brilhando para todos, e encontre os passageiros habitantes da Terra em gozo de saúde e felicidade. Auguro ao Criador, único que tem poderes e bondade suficientes para perdoar os que precisam ser perdoados, “que releve os momentos de adoração ao Bezerro de Ouro”.
Claro que, hoje, domingo, eu sei o que aconteceu ontem e o que está acontecendo hoje.
Assim, não sei se o texto pertence ao 2022, quando foi escrito; ou se pertence ao 2023, quando está publicado.
Pois, esperando que este 2023 seja maravilhoso para todos e aproveitando para agradecer à Deus pelo milagre da vida – de todos, claro! – me transporto para o ano de 1950, criança de apenas 7 anos, mas tendo o discernimento para compreender que, além de Deus, minha Avó era a minha Estrela Dalva, possuidora de uma luminosidade que quase nenhum doutor ou doutora demonstrou ter em todo esse périplo do caminhar da vida na procura dos moinhos de vento ou do portão de Pasárgada.
Perdão se aborreço a quem imagino estar lendo essas bobagens que para mim são luzes que tilintam formando uma cantata natalina – provavelmente, minha Avó foi, sem que eu percebesse, meu primeiro e único amor edipiano.
Mas, o que Ela teria feito de extraordinário?
Acredite, você que está lendo: poucas vezes minha Avó saía de casa. Corrijo. Saía sim. Andava uns 25 metros da cozinha da casa para o chiqueiro das cabras, todos os dias, tão logo o galo cantava – ia fazer a ordenha e colher o leite caprino para o café da manhã.
E, nesse “andar tão pouco e em poucas vezes”, quando Ela se transformava na Estrela Dalva e me aconselhava, mostrando todos os caminhos da vida e apontando os melhores para caminhar, era como se Ela tivesse conhecido cada um.
Angelicalmente falando!
Suas mãos, sem rugas, venciam o tempo. Como prêmio, nunca teve um “panariço” em qualquer dos dedos. As linhas das palmas das duas mãos, vívidas, limpas e abertas para qualquer situação. As mãos, sempre abertas para doar e para receber as graças divinas em respostas às orações.
O beija flor tinha um dialeto especial com minha Avó
Na parte matinal de todos os dias, Vovó viveu anos a fio, da cozinha para o chiqueiro, e do chiqueiro para a cozinha. Cuidava do “dicumê”, atiçando o fogo a lenha e, vez por outra, com a concha feita de quenga de coco, mexia e provava a comida. Enquanto a panela cozinhava ela varria o quintal com vassourinha. Quando terminava a varrição voltava para o estranho “diálogo”.
Quem não a conhecia e flagrava aquela conversa, certamente deduzia que Vovó era doida varrida. Muitas vezes meu Avô a surpreendia e ralhava:
– Tá ficano doida muié! Tá falando sozinha?!
Mostrando a felicidade nos gestos delicados, ela respondia:
– Beeesta, hômi! Tá conversando com meu bichim!
E era aquilo, realmente. Poucos conseguiam entender o que falavam. Provavelmente o inocente linguajar da felicidade, cheio de poesia e entendimento entre os seres de Deus.
Nós somos pessoas de Deus. Por que duvidar que as aves, mesmo as minúsculas como o beija-flor, não o são?!
A interação milagrosa se concretizava:
Beija-flor livre mas comendo na mão
Todo domingo meu Avô ia à missa. Caminhava algumas léguas, vestia a melhor roupa lavada com anil ou com melão São Caetano. Sabe-se lá o que Ele pedia à Deus. Mas sempre soubemos que, qualquer oração em qualquer quantidade e Fé, seria pouca para pagar o que sempre recebíamos do Criador.
Terminada a missa, Vovô se dirigia para a bodega do Seu Zé, onde comprava querosene, fumo em rolo do melhor que existisse e fosse apropriado para o cachimbo e para fazer rapé. Não esquecia jamais o açúcar cristal.
O açúcar cristal tinha um único destino: Vovó o dissolvia n´água e colocava na “cova” da mão para servir ao beija-flor!
Antoine Hercule Romuald Florence, nasceu em Nice, França, em 29/2/1804. Desenhista, pintor, tipógrafo, inventor e polígrafo, i.é, dotado em diversas matérias científicas. Aos 20 anos passou a viver no Brasil e ficou conhecido como um dos pioneiros no invento da fotografia e criador da palavra “photographie”. Acredita-se que não ficou reconhecido no mundo como inventor devido ao excesso de modéstia e viver num país fora do circuito europeu.
Desde criança demonstrava talento para o desenho e logo cedo tornou-se aventureiro viajante. Aos 16 anos tomou um navio e foi parar no porto de Antuérpia, onde foi assaltado. Empreendeu uma viajem, praticamente a pé, até Mônaco, após breve passagem pela Holanda. Em seguida renovou o passaporte e, em 1824, embarcou para o Brasil. Sem falar português, trabalhou numa loja de roupas e numa livraria/tipografia. Soube da realização de uma expedição científica em busca de desenhistas que fizessem a documentação ilustrada de uma grande viagem pelo norte do Brasil.
Era a expedição Langsdorff, uma empreitada fruto das relações comerciais entre a Rússia e o Brasil visando a exploração geográfica e de novos produtos. Foi admitido como desenhista e percorreu 13 mil quilômetros no período 1826-1829. Seu trabalho resultou numa grande coleção de imagens de valor inestimável, segundo os cientistas brasileiros e estrangeiros, conforme ficou registrado no livro Etnografia e iconografia nos registros de Hércules Florence durante a expedição Langsdorff, na província do Mato Grosso – 1826-1829, de Sonia Maria Couto Pereira (Ed. da UFGO 2016). Tal edição foi possível graças ao seu diário de bordo, publicado em 1875 pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, publicado posteriormente em várias edições com o título Viagem fluvial do Tietê ao Amazonas – 1825-1829. As ilustrações de Florence, os documentos e as amostras coletadas pela expedição Langsdorff foram esquecidas por mais de um século na Academia Imperial da Rússia, em São Petersburgo e redescobertos somente em 1930. Foi publicada aqui, em 1988, pela Editora Alumbramento com o título Expedição Langsdorff: iconografia da Academia de Ciências da União Soviética.
Em seguida, passou a viver em São Paulo, onde casou-se com Maria Angélica Vasconcelos, em 1830, tiveram 9 filhos e fixaram residência nas proximidades de Campinas. Pouco depois observou a descoloração sofrida pelo tecido exposto à luz do sol. Informado pelo botânico Joaquim Correia de Melo das propriedades do nitrato de prata, iniciou investigações sobre fotografia. Suas primeiras experiências com a câmera obscura datam de janeiro de 1833 e encontram-se registradas no manuscrito Livre d’Annotations et de Premier Matériaux. Mais de 150 anos depois, o exame detalhado desse manuscrito por Boris Kossoy levou-o a comprovar o emprego pioneiro da palavra “photographie”, 5 anos antes que o vocábulo fosse utilizado pela primeira vez na Europa. (Kossoy, Boris. Hercule Florence, a descoberta isolada da fotografia no Brasil, 3ed., São Paulo: EDUSP, 2006).
Seu êxito foi construir de modo rudimentar uma câmera escura usando uma lente e uma paleta de cores como base, obtendo uma imagem fotográfica e cunhado o termo que se eternizou como “fotografia”. Constatando-se que o cientista inglês William Fox-Talbot realizou tal façanha, porém alguns anos depois, constata-se que Hércules Florence o antecedeu na invenção de uma foto impressa. Ele mesmo lamentou o fato de não ter sido reconhecido com seu invento, conforme publicou no seu livro-diário “L’Ami des arts livré à lui même ou Recherches et découvertes sur différents sujets nouveaux” (O amigo das artes entregue a si mesmo ou pesquisas e descobertas em novos tópicos diferentes)
Seu lamento é um desabafo diante do fato de viver num país onde o conhecimento não é prestigiado: ”Estou certo de que, se estivesse em Paris, um único de meus descobrimentos poderia, talvez suavizar-me a sorte e ser útil a sociedade. Lá, talvez não me faltassem pessoas que me ouviriam, me adivinhariam e me protegeriam. Estou certo de que o público, o verdadeiro protetor dos talentos, me compensaria de meus sacrifícios. Aqui, porém, ninguém vejo a quem possa comunicar minhas idéias. Os em condições de as entenderem, seriam dominados por suas próprias idéias, por suas especulações, pela política, etc.”
Foi pioneiro também na imprensa. Em 1836 fundou em Campinas O Paulista, primeiro jornal do interior do Estado. Em 1843 inventou um novo método de impressão para evitar falsificações e publicou num folheto apresentado na Academia de Ciências e Artes de Turim, que constatou ser ele um merecedor da proteção do Governo da Sardenha. Em 1847 descreveu o emprego dos “typo-silabas”, ideia precursora da taquigrafia. Como se vê, seus inventos giravam em torno da impressão e documentação. Em 1850 ficou viúvo e pouco depois casou-se com Carolina Krug, educadora e fundadora do Colégio Florence, em Campinas. Seus desenhos do litoral, do interior e da capital paulista serviram de base para diversas pinturas de autores como Benedito Calixto, José Wasth Rodrigues e Alfredo Norfini entre outros, O diretor do Museu Paulista, Afonso d’Escragnolle de Taunay, no período 1917-1945, denominou-o como “patriarca da iconografia regional”. Faleceu em 27/3/1879.
Foi um prodigioso inventor de registros documentais, bem como um documentalista diligente ao deixar publicado diversas publicações contendo valiosas informações sobre suas descobertas, além das citadas no seu livro-diário: (1) Ensaio sobre a impressão das notas de banco por um processo totalmente inimitável, precedido por algumas observações sobre a gravura das mesmas notas, e o modo de se conhecer as que são falsas. Campinas: Tipografia de Costa Silveira, 1841; (2) Zoophonia. Revista do Instituto Histórico Geográfico e Etnográfico do Brasil. Vol. XXXIX, 1876 e Viagem fluvial do Tietê ao Amazonas de 1825 a 1829. São Paulo: Melhoramentos, duas edições – 1941 e 1948; 3ª ed. em 1977, pela Editora Cultrix e 4ª ed. em 2002, pela Editora do Senado Federal.
Segundo seu biógrafo Leão Estevão Bouroul – Hércules Florence. São Paulo: Tipografia Andrade Mello & Cia., 1900- “a vida de Florence é a narração singela e comovente das peripécias, das descobertas, das viagens, que constituem uma das páginas mais interessantes dos anais do século XIX brasileiro”. Consta mais uma biografia escrita por Dayz Peixoto Fonseca e publicada em Campinas pela Editora Pontes, em 2008: O Viajante Hércules Florence: águas, guanás e guaranás. O Instituto Hercule Florence conta com grande acervo de informações à disposição do público.