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AUGUSTO NUNES

A MALDIÇÃO DOS 40 AMEAÇA UM SETENTÃO

Ex-presidentes Fernando Collor, Jânio Quadros e João Goulart

Um trecho da Constituição informa que só podem candidatar-se à Presidência da República brasileiros com mais de 35 anos de idade. É pouco, adverte a saga dos três quarentões que desocuparam o Palácio do Planalto muito antes do prazo combinado. Jânio Quadros tinha 44 quando decidiu usar o atalho da renúncia para voltar à planície e logo depois regressar ao ponto de partida; a esperteza não deu certo. João Goulart tinha 42 quando foi obrigado a deixar o emprego e o país. Fernando Collor tinha 40 quando preferiu pedir demissão a aguardar a inevitável decretação do impeachment.

Os três protagonizaram molecagens que governantes cinquentões certamente evitariam. Jânio, por exemplo, fantasiou-se de moralista radical ao banir do território nacional briga de galo, biquíni e lança-perfume. Jango mandou às favas a hierarquia militar ao apoiar ostensivamente uma greve de marinheiros. Collor deu de mandar mensagens em código com inscrições nas camisetas que realçavam o peitoral bombado. Mas a trinca talvez escapasse da amputação do mandato se não tivesse cometido o pecado capital do qual presidentes mais vividos fogem como o diabo da cruz: confrontados com a crescente má vontade do Legislativo, os três optaram pelo enfrentamento.

A “maldição dos 40” mistura inexperiência, soberba e incompetência. No dia da vitória, a euforia impediu que Jânio, Jango e Collor enxergassem o sinal vermelho aceso no Congresso: o presidente eleito não tinha o apoio da maioria dos deputados e senadores. Deveria, portanto, usar as semanas que precedem a posse para negociar espaços no ministério e no segundo escalão com partidos sensíveis a cargos e verbas. Confiantes no poder de sedução de um presidente em começo de mandato, os integrantes da trinca, que nunca haviam dado maior importância a partidos, acharam perda de tempo buscar acordos que expandissem a base parlamentar governista.

Comícios e propaganda de Jânio Quadros. Campanha eleitoral de 1960

Lançado candidato pela União Democrática Nacional, Jânio venceu a eleição de 1960 graças à força do janismo — movimento muito maior que a UDN e todas as outras siglas pelas quais passou na trajetória que o levou, em 12 anos, da Câmara de Vereadores de São Paulo ao Palácio do Planalto. Cercado de velhos amigos, afastou-se dos parceiros de palanque e fez do ministério uma extensão do universo político paulista. Todas as legendas se uniram para impedi-lo de governar o país.

Jango foi fiel ao PTB, sigla dominante nos bisonhos ministérios que nomeou. No dia da queda, mesmo parlamentares petebistas já estavam fora do barco. Governador de Alagoas, Collor começou o ano sonhando com a candidatura a vice-presidente na chapa do PSDB, liderada por Mário Covas. Animado com o desempenho nas pesquisas eleitorais, deixou a tribo dos tucanos para fundar uma esquisitice batizada de Partido da Reconstrução Nacional. O PRN seria tão efêmero quanto a Era Collor. O impetuoso caçador de marajás só pediu socorro a grandes partidos quando o naufrágio se tornara irreversível. Seus aliados no Congresso já cabiam numa van.

Presidente João Goulart inaugura duas turbinas na Usina Hidrelétrica de Três Marias (MG)

Quase 20 depois do despejo de Collor, Dilma Rousseff provaria que a maldição dos 40 pode atingir uma sexagenária com idade mental consideravelmente inferior à registrada na certidão de nascimento. Entre o início de 2011 e o fim de 2014, a primeira mulher a presidir o país não disse coisa com coisa. Fora outros assombros, saudou a mandioca, dobrou metas que não haviam sido fixadas, até enxergou um cachorro oculto por trás de toda criança – mas não só completou o primeiro mandato como conseguiu ser reeleita.

Posse do presidente Fernando Collor de Melo, em 15/3/1990

A mudança dos ventos ocorreu já na largada de Dilma 2. Antes que 2015 terminasse, a única faxineira do mundo que não vive sem lixo por perto foi obrigada a varrer do ministério sete corruptos juramentados. Mas a hora da agonia só chegou em 2016. Afetada por manobras desastradas e jogadas infantis da chefe do Executivo, sua “base parlamentar” tornou-se tão vigorosa quanto um chilique de Randolfe Rodrigues. Com o povo nas ruas e o Congresso longe do governo, a substituição de Dilma pelo vice Michel Temer ficou tão previsível quanto a mudança das estações.

Enquanto “atos de protesto contra o golpe” juntavam algumas dúzias de teimosos sem cura, cresciam dramaticamente multidões cuja reivindicação se condensava em duas palavras, uma vírgula e um ponto de exclamação: “Fora, Dilma!”. O impeachment foi aprovado por 367 parlamentares. Apenas 137 se opuseram ao despejo, 7 se abstiveram e 2 nem apareceram no plenário. Dilma foi defendida na tribuna por deputados do PT com o entusiasmo de orador de velório. “O Congresso sempre faz o que o povo quer, porque o instinto de sobrevivência do político é muito mais agudo que o do eleitor”, repetia o deputado gaúcho Ibsen Pinheiro, então presidente da Câmara, aos jornalistas que lhe perguntavam qual seria o desfecho do processo de impeachment contra Fernando Collor. “Todo parlamentar sabe que, quando isso acontece, contrariar o povo é suicídio.”

São Paulo – Manifestação na Avenida Paulista, região central da capital, contra a corrupção e pela saída da presidenta Dilma Rousseff

Com o terceiro mandato ainda no berçário, é cedo para saber se (e quando) emergirá das ruas um pressago “Fora, Lula!” rugido por centenas de milhares de gargantas. De todo modo, multiplicam-se sinais de que o homem que exerceu por oito anos o cargo que disputou em seis eleições agora parece subestimar o poder de fogo do Congresso — e os humores sempre instáveis do Parlamento. Isso é coisa para quarentões de curta milhagem. Não para quem acaba de transformar-se, aos 77 anos, no mais idoso presidente do Brasil republicano. A suspeita foi reforçada por Eduardo Cunha num artigo publicado pelo site Poder360.

Entre as acusações endereçadas a Cunha, que presidiu a Câmara durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, jamais figurou a de amadorismo político. Em tom seguro, ele afirma que Lula não usou a engorda do primeiro escalão, de 23 para 37 ministérios, para consolidar os laços entre os participantes da multifacetada aliança que o elegeu. “Foi a pior composição de todas as gestões do PT”, acredita. Segundo Cunha, o partido do presidente ficou com 21 ministérios. Computados os seis distribuídos entre siglas reduzidas a puxadinhos do PT, chega-se a 27. Feitas as contas, a soma das bancadas desses e outros partidos contemplados com fatias do bolo “é incapaz de garantir uma maioria sustentável no Congresso”.

Cerimônia de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

“O PT sempre quis servos, não aliados”, diz. “Alguém acha que um Ministério da Pesca vai segurar uma bancada de 42 deputados do PSD? Esse ministério, a exemplo do que se viu no mandato de Dilma 2, será refeito mais rápido que se imagina.” Cunha também avisa que humilhações podem abrir feridas que não cicatrizam. “O caso de Simone Tebet foi um exemplo. Humilhada pelos vetos a que ela ocupasse posições que o PT entendia imprescindíveis para eles, acabou no Ministério do Planejamento. Sem qualquer importância na gestão da economia, que ficou a cargo do Ministério da Fazenda.”

Depois de reiterar que a performance dos responsáveis pela economia determinará o destino do governo Lula, Cunha exala desconfiança ao prever o desempenho de Haddad. E completa o ligeiro checkup com uma frase pouco animadora para o PT: “Lula 3 está ficando parecido com Dilma 2”.

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PIXOTE – LIMEIRA-SP

Caro Editor,

Segue em anexo o comprovante de depósito do meu dízimo.

O primeiro deste ano de 2023.

Outros virão.

Cumpri minha obrigação fubanesa.

Muito sucesso para essa página porreta.

Saudações fraternais.

R. O competente profissional de informática Bartolomeu, que cuida da hospedagem e da assistência técnica a essa gazeta escrota, está muito feliz mesmo.

Isso porque ele já sabe que o pagamento dele neste mês de janeiro está garantido.

Sem falar da alegria de Chupicleide, que fez um vale hoje cedo pra tomar suas cachaças logo mais no final de expediente.

Tudo graças à força de vocês leitores!

Muito obrigado pelas doações dos fubânicos Violante Pimentel, Áurea Regina, Manuel M. Sabino, Expedito Mateus e Helena de Souza.

E, pra alegrar a nossa sexta-feira, a saudosa dupla Elis Regina e Adoniran Barbosa interpretando “Tiro ao Álvaro”, uma música de autoria do talentoso compositor paulista.

Um excelente final de semana para todos os nossos leitores!

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PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GRANDES MESTRES DO REPENTE

Dois ícones da cantoria nordestina de improviso: Lourival Batista, o Louro do Pajeú (1915-1992) e Severino Pinto, o Pinto de Monteiro (1895-1990)

* * * 

Uma cantoria de Pinto do Monteiro e Lourival Batista

Pinto do Monteiro

É certo, meu camarada
O que você tá dizendo
Eu costumo andar assim
Sujo e cheio de remendo
Mas ninguém diz onde eu passo:
“Pinto ficou me devendo.”

Lourival Batista

De ninguém ando correndo
Pois não faço maus papéis
Não devo, o que compro pago
Desde o perfume aos anéis
Seja chapéu pra cabeça
Ou sapato para os pés.

Pinto do Monteiro

E os duzentos e dez
Que tu tomaste a Armando?
Por uns quatro ou cinco dias
O tempo foi se passando
Já faz quatro ou cinco meses
Ó ele ali esperando!

* * *

Uma cantoria de Sebastião da Silva e Moacir Laurentino:

Moacir Laurentino

No inverno estou feliz,
trabalhando o meu dia,
olhando o saguim na mata,
que saltita, canta e pia,
e o passa-sebo furando
a casca da melancia.

Sebastião da Silva

No calor do meio dia,
escutar uma peitica,
deitado em colchão de folha
debaixo da oiticica,
quanto mais o sol esquenta
mais bonito o sertão fica.

Moacir Laurentino

A água desce na bica
quando chove em fevereiro,
no terreiro o peru roda,
fuça um porco no aceiro,
e a água desce do corgo
com basculho pra o barreiro.

* * *

Uma cantoria de Silveira e Diniz Vitorino

Silveira

Tu não faz a metade do que faço
Quando eu pego um cantor se acaba o nome
Nesse dia os cães não passam fome
E urubus festejam no espaço
Deixo o corpo do pobre num bagaço
Exposto ao monturo seu despojo
Cantor fraco eu só mato de arrojo
E a folia se arrancha na ossada
Sai a alma gritando abandonada
E o diabo não quer porque tem nojo.

Diniz Vitorino

No momento que eu me aperreio
Com o peso esquisito do meu braço
Não existe prisão feita de aço
Que com o murro eu não parta pelo meio
No momento que acabo com o esteio
Que alguém pra fazer gasta um ano
Tiro telha, quebro ripa, envergo cano
De metal ou de aço bem maciço
Você morre e não faz este serviço
Só faz eu porque sou paraibano.

Silveira

Dei um murro na venta de um poeta
Que a cabeça rodou fez piruetas
E passando por todos os planetas
Foi parar no reinado de um profeta
Nisto um santo que viu ficou pateta
A cabeça do vate estava um facho
Uma alma gritou ô velho macho
E são pedro gritou o que é isso?
Disso um anjo que estava junto a cristo
É silveira zangado lá embaixo.

Diniz Vitorino

Eu ja fui no inferno urgentemente
E entrei numa poeta lá por trás
E peguei um irmão de satanás
E um primo, um irmão e um parente.
Pra mostrar que eu sou cabra valente
Dei um tapa no diabo carrancudo
E peguei outro diabo cabeludo
Dei-lhe tanto que o cabra ficou calvo
Se você morrer hoje já ta salvo
Que o que tinha de diabo eu matei tudo.

* * *

CANTORIAS E FOLGUEDOS NORDESTINOS

DEU NO JORNAL

A NOVA MINISTREIRA LULOSA

 Daniela do Waguinho, deputada do Partido “União Brasil”, apareceu na política em 2017 e hoje, embora poucos saibam quem ela é, se tornou a deputada federal mais votada do Rio de Janeiro e chefe do Ministério do Turismo no governo Lula (PT).

Recentemente, a Folha de São Paulo revelou que o grupo político da nova Ministra do governo petista mantém vínculos com um ex-policial militar preso sob a acusação de ser líder de uma milícia na Baixada Fluminense.

Após a revelação de indícios que revelam ligação de Daniela com o preso acusado de integrar uma milícia carioca, o Ministro da Justiça, Flávio Dino, tentou minimizar o caso, dizendo que “políticos têm foto com todo mundo”.

Condenado por Homicídio e chefiar uma Milícia, o ex-PM Juracy Alves Prudêncio voltou aos holofotes com a indicação de Daniela como participante do governo Lula.

“Jura” fez campanha para Daniela quando ela concorria ao seu primeiro mandato, em 2018, conforme informou a Folha, e também foi nomeado, em 2017, como assessor na Prefeitura de Belford Roxo, comandada pelo marido de Daniela.

Em nota, a assessoria de Daniela Waguinho disse:

“Daniela salienta que compete à Justiça julgar quem comete possíveis crimes.”

O patrimônio da Ministra declarado à Justiça Eleitoral aumentou 62% entre 2018 e 2022: de R$ 450.817,66 em 2018 para R$ 733.291,33 – sendo R$ 180 mil em dinheiro vivo.

* * *

Gostei da expressão “possíveis crimes” que a bandida luleira usou na justificativa pra este absurdo.

Ela está no lugar certo, no governo certo.

Esse nosso país não é mesmo para amadores.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

DEU NO JORNAL

LULA ESCOLHEU UM CONDENADO POR CORRUPÇÃO PARA SER MINISTRO

Deltan Dallagnol

Waldez Goes, ministro da Integração e Desenvolvimento Regional

Depois de enganar a morte mais de uma vez, Sísifo foi condenado a carregar um rochedo pesado até o cume de uma montanha, lugar do qual cairia novamente, cena que se repetiria infinitamente. Assim como na mitologia grega, o Brasil caminha a passos largos para a mesma condenação de Sísifo.

Na quinta-feira passada, Lula se cercou mais uma vez de condenados pela Justiça. Você aceitaria alguém condenado por desviar dinheiro de outras pessoas administrasse o seu dinheiro, a sua conta bancária ou os recursos do seu condomínio? Aceitando ou não, é isso que vai acontecer.

O atual presidente indicou como ministro da Integração e Desenvolvimento Regional Waldez Góes, o ex-governador do Amapá, condenado pelo Superior Tribunal de Justiça em novembro de 2019, pela prática de corrupção (peculato) intencional (dolosa), a cumprir seis anos e nove meses de prisão, pagar uma multa de 650 salários-mínimos e devolver para os cofres públicos R$ 6,3 milhões.

Segundo a condenação, ao longo dos anos de 2009 e 2010, o ex-governador descontou do salário dos servidores pelo menos R$ 68 milhões para pagar empréstimos consignados, mas, ao invés de pagá-los, usou os recursos para pagar despesas do governo.

Enquanto isso, as autoridades relataram no processo que as despesas com programas sociais feitas pela Secretaria de Estado chefiada por sua esposa, candidata a deputada estadual nas eleições de 2010, saltaram 282% entre setembro de 2009 e setembro de 2010, o que sugere um possível objetivo eleitoral na ação criminosa.

Assim, Góes desviou recursos privados, pertencentes aos servidores, em favor do Estado e, como consequência, os servidores ficaram inadimplentes, tiveram seus nomes inscritos no SERASA e foram acionados na Justiça junto com o governo pelas empresas financeiras. Devido às incontáveis multas, juros e honorários decorrentes da inadimplência, foram desperdiçados mais de R$ 6 milhões em recursos públicos.

Alguém que mereceria a punição com cadeia de acordo com a segunda mais alta corte judicial do país, por malversação de dinheiro público, receberá em seu lugar um prêmio: o poder de decidir o destino de cerca de 90 bilhões de reais nos próximos quatro anos, assim como de gerenciar as atividades de 10 mil servidores públicos e 2.500 servidores comissionados – presumindo que serão preservados os recursos orçamentários e humanos da pasta documentados no Portal da Transparência.

Dentro do ministério, estão a defesa civil, as superintendências do desenvolvimento do nordeste, da Amazônia e do centro-oeste, uma parte da Agência Nacional de Águas e Saneamento e a cobiçada Companhia do Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba, a qual atua em 35% do país, abrangendo 2.675 municípios.

Com orçamento bilionário e sua ampla abrangência, a CODEVASF tem grande potencial não só para gerar votos mas também para desviar dinheiro público. Isso porque, por ser uma estatal, como a Petrobras, possui procedimentos de contratação mais flexíveis do que os ministérios e secretarias. Não foi à toa que, segundo levantamento do Estadão, parlamentares indicaram a estatal para realizar operações com verbas do orçamento secreto. Em 2022, a empresa pública foi alvo de operação da Polícia Federal em razão de suspeitas de corrupção e fraudes licitatórias.

Como é possível que um condenado se torne ministro, em vez de ser preso?

Ao condenar o então governador, o ministro João Otávio de Noronha decretou a perda do cargo, entendendo que “é absolutamente inadmissível que o chefe de um dos Estados da Federação – motivo que exige mais acuidade no trato da coisa pública, cabendo-lhe, além da boa administração, o exemplo maior para os servidores e para a população em geral – continue a exercer a função mesmo depois de condenado a crime relativo a ilícito administrativo”.

Seguiu o ministro afirmando que “é inconcebível que um governador de Estado condenado pela prática de peculato possa continuar no exercício de cargo para qual é condição sine qua non a idoneidade. Ademais, se não foi pela questão relativa à probidade, não há como um administrador público exercer suas funções enquanto cumpre pena privativa de liberdade, não só inviável, como desonrosa para o cargo tal possibilidade”.

Tanto a função de governador como a de ministro são altos cargos de gestão administrativa do Poder Executivo. Se o peculato, a desonestidade e a necessidade de bom exemplo são incompatíveis com a permanência de Waldez Góes na função pública de governador, como ele reuniria condições para ser ministro?

A Transparência Internacional se manifestou sobre o caso, alertando que “a sociedade e as instituições devem impedir que um Ministério fundamental para o desenvolvimento de regiões desassistidas do país continue usado como máquina de corrupção e feudalização eleitoreira”.

Um país que premia criminosos e pune quem cumpre a lei jamais prosperará. A justiça, a ordem, o rule of law, a segurança jurídica, são bases fundamentais do desenvolvimento das nações. O lugar do condenado não é na liderança do ministério, mas sim na cadeia. E como a Justiça permite que esteja solto?

No início de 2020, Góes conseguiu uma decisão liminar, provisória, do Ministro Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em habeas corpus, suspendendo os efeitos da condenação, com o mesmo argumento que derrubou condenações de Lula, Cabral e Eduardo Cunha: o de que o tribunal que o julgou não seria o competente.

O caso foi a julgamento em abril de 2021 na primeira turma do STF e dois ministros, Barroso e Marco Aurélio, votaram pela rejeição do habeas corpus e manutenção da condenação. O ministro Alexandre de Moraes, em seguida, pediu vista, suspendendo o julgamento. A nomeação de Góes torna urgente a retomada e conclusão do julgamento.

A indicação de Góes revela dois problemas: o da impunidade sem fim no Brasil e o do mau exemplo que vem de cima. O próprio presidente Lula foi condenado em três instâncias por corrupção, foi preso e, depois de se tornar presidente, nomeou ao menos 67 investigados e condenados para a equipe de transição. Agora, indica um condenado por peculato para ser Ministro.

A corrupção ou a aparência de corrupção está sendo normalizada. Isso é muito preocupante porque, como modernas pesquisas comportamentais demonstraram, a desonestidade contagia. Albert Schweitzer, teólogo laureado com o Prêmio Nobel da Paz, afirmou que “dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única”. O exemplo arrasta.

Como na história de Sísifo, depois de combatermos a corrupção até o cume do sistema em nosso país, a pedra da corrupção rola abaixo, espalhando destruição e contaminando todo o sistema. Enquanto o mau exemplo vier de cima, viveremos a eterna repetição desse problema.

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