MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

DEFLAÇÃO

Essa semana o IBGE divulgou que o IPCA sofreu a maior redução dos últimos 40 anos e eu fiquei ‘maravilhado’ com os comentários “econômicos” de jornais como o UOL e a Folha de São Paulo. O primeiro disse que a deflação era ruim para o país porque reduzia a renda e o segundo afirmou que os beneficiados seriam pessoas com renda acima de R$ 9 mil. Eu acho engraçado tanta bobagem dita e fico impressionado como as pessoas com conhecimento, professores de economia, se calam e não procuram esclarecer ou corrigir tanta babaquice. Não tenho procuração de ninguém para falar, mas como esse digníssimo jornal aguenta tudo, coloco aqui meu atrevimento.

Primeiro, acho importante falar que inflação é o aumento continuado dos preços. No governo Sarney, por exemplo, a inflação atingiu o patamar de 84% ao mês, ou seja, 150.496,15% ao ano. A moeda mudou de Cruzados para Cruzados Novos e a cédulas eram carimbadas porque o custo de impressão de uma moeda, desvalorizada, era muito alto. Quem comprava fiado, pagava o produto pela cotação do dia do pagamento. Por exemplo, comprava 2 Kg de carnes e o açougueiro anotava “2Kg de carne” e não o preço. Quando o comprador ia pagar, era pelo preço da carne que valia no dia do pagamento. Exatamente como se faz no mercado de câmbio onde se paga com a cotação do dólar no dia.

Tivemos 6 planos econômicos para conter a inflação, a saber: Plano Cruzado I e II, Collor I e II, Breser, Mailson e Plano Real, que foi, efetivamente, aquele que realmente estabilizou a moeda e fez a população menos favorecida recuperar seu poder aquisitivo. Houve escassez de produtos como se vê atualmente na Argentina e um dos motivos foi o tabelamento de preços imposto pelo governo. Os produtores não vendiam ao preço tabelado e criou-se o ágio.

Os fatores que geram inflação são, basicamente, o excesso de demanda (generalizado) e a elevação dos custos, mas o pior disso é a inflação inercial, ou seja, aquela que se propaga de um mês para outro como decorrência de algumas ações como, por exemplo, aumento dos salários. O Plano Bresser criou um “gatilho” que disparava aumento dos salários quando a inflação atingia determinado nível. Então, o aumento da renda, aumentava a demanda, que aumentava os preços e gerava inflação. E o UOL chegou a dizer que o caminho era aumento de salários para combater a inflação. Cabe justificar que é uma falácia acreditar que salário aumenta inflação, sempre. Isso tem relação com a produtividade marginal, mas por ser técnico demais vamos deixar de lado.

O que seria deflação? Em linhas gerais, uma inflação negativa. Todos os preços caem continuadamente, mas isso é diferente de se ter uma redução na taxa de inflação. O UOL não considerou alguns fatores como um troço que eu chamo de “comodismo inflacionário” e a possibilidade de atendimento de demanda externa. No segundo caso, parte da produção pode ser exportada e no primeiro caso, o comodismo decorre do fato de se praticar um preço além, muito além, da margem de lucro. Em outras palavras: na situação atual os vendedores aumentaram seus preços para cobrir os custos e salvar sua margem de lucros e acabam mantendo esse nível de preços por um tempo maior, mesmo que os preços dos insumos tenham caído.

A deflação pode ser um perigo para a economia? Qualquer variação na economia pode ser perigosa dependendo do tempo de ação. Se todos os preços caem ao longo de dois anos ou mais, certamente, ficará complicado para uma empresa cobrir seus custos porque os salários (mais encargos) aumentam anualmente por força do dissídio coletivo de categorias de trabalhadores. Mas, ninguém se pergunta como economias como a Suíça, Noruega, etc. se suportam com inflação baixa, renda per capita significativa, dentre outros. Sabe aquele papo de produtividade marginal que eu disse que era técnico? É um dos fatores que explica isso.

Lamentavelmente, como eu disse no início, são poucos pessoas que procuram esclarecer esses pontos mais técnicos. Contam com a “hipossuficiência” da massa e alimentam a desinformação, sustentam bobagens com as ditas Miriam Leitão para quem o Brasil “não melhorou, foram os outros que pioraram”. Fazendo uma analogia, um capacitor tem como função acumular carga, enquanto estas pessoas acumulam ódio. Eu nunca vi tanto ódio por parte de pessoas que se dizem democratas.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

ACONTECEU EM PORTO ALEGRE

A esquerda está indignada com um banner que foi veiculado num prédio em Porto Alegre, com críticas ao comunismo.

Políticos ligados a partidos esquerdistas na cidade buscam a retirada do material, demonstrando o seu caráter totalitário, contra a liberdade de expressão.

A Folha de São Paulo deu destaque ao caso, afirmando que foram apresentadas “mentiras” sobre a esquerda, demonstrando cabalmente como a imprensa virou militância política.

Ora, a Folha está sugerindo que todo esquerdista é comunista?

A matéria traz post de política comunista, afirmando que as afirmações seriam “mentiras criminosas”.

* * *

Se não fosse minha vizinha eleitora de Lula, eu iria propor fazer o mesmo aqui no nosso prédio, na próxima reunião do condomínio.

Mas num sou doido não:

A vizinha luleira iria quebrar uma cadeira no meu lombo!!!

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

DIA DOS PAIS

Com os meus pais Zé Vicente da Paraíba e Enedina Maurício

Falar desta data é sempre mais difícil quando já não os temos entre nós.

Revirando o baú das memórias, encontrei esta foto, que foi tirada no primeiro dia do ano de 2008, no almoço na casa do meu irmão Wélio César, em Altinho, Pernambuco, sem imaginar, nem de longe, que seria a última foto do Poeta Zé Vicente da Paraíba, antes da sua internação, quatro dias depois.

Domingo passado, dia 07 de agosto de 2022, se ainda estivesse por aqui, estaríamos comemorando o seu centenário, mas os seus oitenta e cinco anos e nove meses, foram vividos intensamente, numa fidelidade diuturna à arte que abraçou e que lhe proporcionou tantos momentos marcantes que serão relembrados na 2ª Edição do seu livro “FIZ DO CHORO DAS CORDAS DA VIOLA, O MAIOR GANHA-PÃO DA MINHA VIDA”, previsto para sair ainda este mês.

Foram muitas as histórias contadas sobre a vida, a arte, as amizades, os caminhos a seguir, tudo serviu de farol para a minha caminhada terrena. Muito obrigado, meu pai. Que a sua alma esteja em paz!

CONSELHOS DO MEU PAI

Retribua a boa ação,
Trate a todos com respeito,
Não queira dinheiro fácil,
Nem fama de qualquer jeito,
Ajude o necessitado,
Só vá, onde for chamado,
Só entre, onde for aceito.

DEU NO X

DEU NO X

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

TEXTO MUITO ARRETADO DE ÓTIMO

No primeiro semestre, num aeroporto sulista, adquiri um livro com o título Prosa Morena. A viagem acabou, atividades diferenciadas foram concluídas e o conteúdo do livro não me saiu mais da cabeça, tantas as cócegas desenvolvidas nos meus interiores de nordestino. Seu autor, Jessier Quirino, colunista do JBF, se declara arquiteto por profissão, poeta por vocação e matuto por convicção. De Campina Grande por nascimento, alojou-se com seus teréns e neurônios em Itabaiana, onde vive sem medo algum de ser afoito. Uma afoiteza que lhe possibilita “evangelizar” os abestalhados de sempre, a grande maioria metida a urbanitas, sem compreensão devida da sabedoria dos iletrados e pouco versados nos porompompons letristas das capitais, onde não se vive mais com as satisfações de antigamente, todo mundo afogueado nuns tempos cada vez mais diminutos e nuns espaços tão apertados onde nem soltar mais um pumzão se pode, pois assusta a vizinhança amontoada do derredor, que logo imagina tiro.

Embora não conhecendo o Quirino pessoalmente, com ele fiquei mais íntimo a partir das orelhas do livro escritas pelo Luiz Berto, um sempre gota serena de arretado, autor de O Romance da Besta Fubana, um dos melhores livros por mim já lidos e relidos, imaginário regional a mais de mil, recheado de muita filosofia existencial, sem qualquer salamaleque. Nordestino que nunca leu O Romance da Besta Fubana não sabe o que está perdendo de nordestinidade legitimadora.

O livro do Jessier Quirino começa apregoando que “neste mundo tem gente pra tudo e ainda sobra um pra tocar gaita”. Manda pauladas boas num compadre dele, Mané Cabelim, raparigueiro que só, que gastou um bocado de reais na fundação de um “conjunto dançarineiro” para assentar em cima de um trio elétrico, inaugurando uma putanhagem fora de época nos quintais municipais. Para ver se alimentava a vontade do eleitorado em sufragar seu nome neste ano, época de promessas mil, todo mundo de anjo, jurando mundos e fundos, incluídos os assentados nas calças próprias, nas moçoilas moeda de troca nas horas mais desesperançosas.

Gosto que me arrepio todo de gente inteligente, que ensina os outros a levar a vida sem muita consideração diplomática, batendo palmas de gozo diante da funerária Vai que é tua Paraíso, concorrente daquel’outra, sediada em Campina Grande, registrada em cartório como A Caminho do Céu, tanto uma como outra esmero nota dez para os beneficiados com um despachamento chorosamente correto.

Aprecio como ninguém um poeta como Jessier Quirino, que denomina, com muita propriedade, lua cheia de lua de tapioca, homenageando as quentínhas dobras goma-coco-ralado-sal-de-pouco. E ainda muito me deleito com algumas fichas de pensão, uma delas da Pensão da Véa Duda, patrocinada pelo Sabão Rendoso. Num dos cantos da ficha, o quesito Motivo da Viagem tem quatro alternativas: Negócio, Romaria, Retirante e Raparigagem.

O Jessier Quirino, com seus versos “evangelizadores” quer mostrar pro mundo inteiro que nos interiores nordestinos tem gente de muita grandeza intelectiva, que embora nada saiba de abêcê, sabe latir pra poupar cachorro, e que diante das indagações dos visitantes, sempre declara de pronto: Cumpadre, eu me acho velho / Caco de bunda tremendo / Não tou liso nem roubando / Mas tou platando e colhendo / Às vezes rindo ou chorando / Viúvo, não tou amando / Tou lucrando, não devendo. E para mostrar sua diferença biológica com os da cidade, conclui sua cantoria proclamando: Esperto, não estou bestando / Nem jogando, nem bebendo / Nem perdendo nem ganhando / Tou calmo não tou inchando / Tou vivendo e aprendendo.

O livro do Quirino é para quem não perde as estribeiras, que pensa mais que copia, que nunca pia, guardando o troco para depois. Gente abençoada por Deus, apesar das embromações religiosas catadoras de trocados. Gente que já percebe como o blá-blá-blá é coisa fingida, enquando o propinoduto continua a pleno vapor, sem prisão alguma. Sempre a prejudicar o forever da gente.

PENINHA - DICA MUSICAL