DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

AS PALAVRAS E OS PREGOS

Em homenagem ao Dia Mundial de Luta contra Raiva, celebrado em 28/9, ofereço a este mundo, desfigurado pelo ódio e pela violência, estas singelas palavras.

As palavras boas constroem. As cruéis, quando não destroem, deixam marcas inapagáveis.

Há uma história, de autoria desconhecida, que passo a narrar, de modo resumido:

Um certo garoto tinha dificuldade de relacionamento com os pais, e colegas, por causa do seu temperamento explosivo. De caráter iracundo, proferia ofensas e insultos quando dos seus acessos de raiva. Certa feita, quando de uma zanga exasperada, o pai lhe entregou um saco de prego, e um martelo, e lhe ordenou que fosse até a cerca do quintal e afixasse um prego na madeira. Esse procedimento deveria se repetir toda vez que o garoto fosse acometido por acesso de ira; era o modo pelo qual poderia descontar a raiva.

Na primeira semana o garoto cravou muitos pregos na cerca. Porém, nas semanas seguintes, à medida que ia aprendendo a controlar a sua a sua raiva, o número de pregos ia diminuindo. Ele percebeu que era trabalhoso afixar pregos. quando perdia a compostura. Preferia controlar a raiva a ter que cravar os pregos na cerca.

Finalmente, chegou o dia em que o garoto, se percebendo acalmado, contou ao pai que naquele dia não havia cravado nenhum prego. O pai, então, deu-lhe a incumbência de arrancar um prego a cada dia que se mantivesse serenado. Se, ao final do dia, não fosse constatada nenhuma crise de excitação de ânimo, o garoto deveria ir até a cerca e arrancar um prego. Ao decurso de poucas semanas o garoto havia arrancado todos os pregos que havia cravado na cerca.

Então, quando terminou de arrancar o último prego, o garoto, com ar de satisfação, contou ao pai que a tarefa fora concluída.

Ao ouvir o relato, o pai tomou o filho pela mão e o levou até a cerca. Chegando lá disse o pai ao filho:

– Muito bem, meu filho, você arrancou todos os pregos que você cravou, mas repare quantos buracos ficaram na cerca.

Enquanto o filho se limitava a ouvir, o pai continuou:

– Meu filho, quando você explode em ira e ofende as pessoas, é como se estivesse cravando nelas um prego. Você pode até se arrepender e pedir desculpas às pessoas, mas nelas ficarão cicatrizes tal qual os buracos feitos pelos pregos.

– Não importa quantas vezes você diga que sente muito, a cicatriz não será removida.

De cabeça baixa, em arrependimento, disse o garoto ao pai:

– Pai, espero que possa me perdoar por todos os buracos que coloquei em você.

Em amor ao filho, disse o pai:

– Claro, meu filho, eu te perdoo.

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PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

EM TEMPO DE ELEIÇÃO

 QUANDO ACABA A ELEIÇÃO – Merlânio Maia

No período eleitoral
Candidato vira santo
Bota a cara em todo canto
Favela, sítio, hospital,
Tapera, escola, curral,
Velório, igreja, pensão,
Promete o céu e o chão
Jura descaradamente
Mas muda radicalmente
Quando acaba a eleição!

A teta é bem saborosa
Por isso, quem quer deixar?
O salário é um manjar
E a função é poderosa
A mala preta formosa
Enche os cofres e o colchão
Pois é na corrupção
Que o ganho se multiplica
E a politicalha enrica
Quando acaba a eleição!

O pobre eleitor coitado
Detém o real poder
De banir, cobrar, deter,
E excluir o candidato
Mas o político de fato
Encanta e ilude o povão
Como um piolho malsão
Retorna ao poder de novo
Pra sugar o nosso povo
Quando acaba a eleição!

Mau político tem prazer
De enganar quando promete
Setecentas vezes sete
Promete sem se conter
Sabe que vão esquecer
Nunca houve punição
Não há lei que diga não
Quem paga a promessa é o povo
E o peste vai rir de novo
Quando acaba a eleição!

Pobre do povo enganado
Trucidado em sua calma
Vende o voto e perde a alma
Paga caro ter votado
Não verá do combinado
Nem saúde, educação,
Nem infra-estruturação
Nem água, esgoto ou transporte,
Segurança só na sorte
Quando acaba a eleição!

O que se vê todo o dia
É briga pelo poder
Quem já tem mais faz pra ter
E haja dinheiro e folia
A bandidagem alicia
No caos da corrupção
A ética perde a razão
Ser honesto é coisa rara
Falta vergonha na cara,
Quando acaba a eleição!

E a gente sente vergonha
De ver chafurdando em lama
Símbolos que a gente ama
De forma torpe e bisonha
Mas a nação ainda sonha
Botar na grade o ladrão
E sanear a nação
Pra ter sua honra de novo
E o governo ser do povo
Quando acaba a eleição!

* * *

CORDEL CONTRA OS POLÍTICOS CORRUPTOS – Cleber Sardinha

Tava eu aqui pensando
Como pode acontecer
O pobre trabalhador
Que não merece sofrer
Paga imposto todo dia
Dia e noite, noite e dia
Até quando vai morrer.

O país a cada hora
Segue sim sua missão
Os políticos de Brasília
Só vivem metendo a mão
No bolso dos que não tem
Um centavo, um vintém
Nem o dinheiro do pão.

Brasil lindo pátria amada
Povo forte e gente nobre
A corda só arrebenta
Pro lado de quem é pobre
Mas enquanto a gente desce
A roubalheira só cresce
E a máfia política sobe.

Presidente e Deputado
Governo e Senador
Comem o nosso dinheiro
Sem saber qual o valor
De um dia de trabalho
Da coberta de retalhos
Do pobre trabalhador.

O povo já não aguenta
Ser roubado e iludido
Por políticos e corruptos
Que não passam de bandidos
Gente da pior espécie
Que nesse país só cresce
Nem deviam ter nascido.

A TV mostra o retrato
De um Brasil despedaçado
Sem rumo e sem igualdade
E todo desgovernado
Nosso povo todo dia
Vive essa agonia
Vai sendo atropelado.

A promessa de um político
Nem precisamos ouvir
Porque a cada eleição
Volta a se repetir
Prometem melhorar tudo
Na vida de todo mundo
Melhoras que eu nunca vi.

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURÍCIO ASSUERO – RECIFE-PE

Prezado Editodos,

sexta feira é dia cabarelar e vamos contar com o leitor fubânico Nilson Araújo que, por curiosidade, esteve conosco há 15 dias.

Disse ele:

“Eu tinha curiosidade de adentrar ao recinto, mas tinha minhas dúvidas. Hoje resolvi tirar essa condenada e, mesmo com o horário do cabaré previsto para o fechamento para as 20h30, eu imburaquei quase às 21h e tinha uma brechinha e me deixaram entrar.

Poxa, que recepção da gôta serena! Não sou poeta, músico, cantor nem compositor. Mas adoro a cultura nordestina e respiro música, das boas.

Conforme me apresentei fiz uma pesquisa sobre Gonzagão, que teve, até, a chancela do programa do Geraldo Freire e que consistia em levar o nosso Rei do baião para o Guinness Book como o Cantor mais homenageado do mundo.

Cataloguei 600 músicas em que o nosso Rei recebe agradecimento, ou era, citado, ou homenageado mesmo. Infelizmente o projeto não teve êxito já que o Governo de PE não se dispôs a levá-lo adiante. Eu cheguei a manter contato com o Guinness, que deu as coordenadas para a efetivação mas como o governo não se interessou resolvi parar.

Diante dessa receptividade de hoje vou me encorajar em participar com constância, ouvindo e vendo vocês!”

Então, o Nilson vai bater o recorde e contar essa negócio para gente.

Tomara que Xico Bizerra possa participar.

Então, das 19h30 às 20h30, estaremos com as portas abertas.

Para participar o ingresso é grátis e basta clicar aqui para entrar no salão.

Abraços

R. O recado está dado, nobre gerente cabarelista.

Hoje teremos um gostoso papo com Nilson Araújo e toda a patota de fuxiqueiros fubânicos que semanalmente se reúne pra curtir a vida, criar, inventar e estreitar os nossos laços de amizade.

Um excelente indício de que teremos todos um final de semana maravilhoso.

Às sete e meia de noite nos encontramos lá na sala do Cabaré.

Até mais tarde!!!

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