CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

AS PALAVRAS E OS PREGOS

Em homenagem ao Dia Mundial de Luta contra Raiva, celebrado em 28/9, ofereço a este mundo, desfigurado pelo ódio e pela violência, estas singelas palavras.

As palavras boas constroem. As cruéis, quando não destroem, deixam marcas inapagáveis.

Há uma história, de autoria desconhecida, que passo a narrar, de modo resumido:

Um certo garoto tinha dificuldade de relacionamento com os pais, e colegas, por causa do seu temperamento explosivo. De caráter iracundo, proferia ofensas e insultos quando dos seus acessos de raiva. Certa feita, quando de uma zanga exasperada, o pai lhe entregou um saco de prego, e um martelo, e lhe ordenou que fosse até a cerca do quintal e afixasse um prego na madeira. Esse procedimento deveria se repetir toda vez que o garoto fosse acometido por acesso de ira; era o modo pelo qual poderia descontar a raiva.

Na primeira semana o garoto cravou muitos pregos na cerca. Porém, nas semanas seguintes, à medida que ia aprendendo a controlar a sua a sua raiva, o número de pregos ia diminuindo. Ele percebeu que era trabalhoso afixar pregos. quando perdia a compostura. Preferia controlar a raiva a ter que cravar os pregos na cerca.

Finalmente, chegou o dia em que o garoto, se percebendo acalmado, contou ao pai que naquele dia não havia cravado nenhum prego. O pai, então, deu-lhe a incumbência de arrancar um prego a cada dia que se mantivesse serenado. Se, ao final do dia, não fosse constatada nenhuma crise de excitação de ânimo, o garoto deveria ir até a cerca e arrancar um prego. Ao decurso de poucas semanas o garoto havia arrancado todos os pregos que havia cravado na cerca.

Então, quando terminou de arrancar o último prego, o garoto, com ar de satisfação, contou ao pai que a tarefa fora concluída.

Ao ouvir o relato, o pai tomou o filho pela mão e o levou até a cerca. Chegando lá disse o pai ao filho:

– Muito bem, meu filho, você arrancou todos os pregos que você cravou, mas repare quantos buracos ficaram na cerca.

Enquanto o filho se limitava a ouvir, o pai continuou:

– Meu filho, quando você explode em ira e ofende as pessoas, é como se estivesse cravando nelas um prego. Você pode até se arrepender e pedir desculpas às pessoas, mas nelas ficarão cicatrizes tal qual os buracos feitos pelos pregos.

– Não importa quantas vezes você diga que sente muito, a cicatriz não será removida.

De cabeça baixa, em arrependimento, disse o garoto ao pai:

– Pai, espero que possa me perdoar por todos os buracos que coloquei em você.

Em amor ao filho, disse o pai:

– Claro, meu filho, eu te perdoo.

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