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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

A FÉ NO ESTADO E AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

Já que se aproximam mais uma vez as eleições presidenciais; que mais uma vez as pessoas se enchem de esperança por um país melhor para se viver; e de temor, pela possibilidade de seu candidato ser derrotado, porque estão convencidas de que a vitória do outro levará o país inevitavelmente à desgraça; decidi propor aos leitores (e eleitores) a reafirmação da crença de que o Estado há de resolver todos os nossos problemas.

Então, lembrei de uma oração que certa vez ouvi de alguém que dirigia sua fé, não a Deus, mas a esse ente que, embora abstrato, faz parte deste mundo material: o Estado.

Esse ser que comanda as nossas vidas, comparado por Thomas Hobbes a um peixe monstruoso, capaz de a todos os outros devorar, impedindo assim que os peixes menores se devorassem entre si: o Leviatã.

Não lembro se as palavras são exatamente as que reproduzo a seguir, mas acredito que o essencial esteja aí.

Claro que é possível acrescentar algo mais à oração. Desde, é claro, que o acréscimo não seja ofensivo ao destinatário da nossa fé.

Afinal, não faltam atributos edificantes que se possa reconhecer ao Estado, nosso dirigente, controlador e supridor de tudo (ou quase tudo, o que nos remete à canção “Aí eu bebo”, de Maiara e Maraísa).

O que não é admissível é que se façam críticas ao Estado. Ou melhor, que se dirijam ataques às suas instituições (para usar uma linguagem mais conforme os tempos atuais). Menos ainda, que se cogite de sua extinção.

Dito isto, e sem mais delongas, oremos ao Estado:

Creio no Estado, todo poderoso,
Que controla a nós, viventes desta terra.
Creio nos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário,
Que foram concebidos no Espírito das Leis,
Sistematizados por Montesquieu, depois positivados.
E juntos compõem esse ser abstrato, forte e soberano.
Que nos submete inexoravelmente a cada dia.
Cujo poder paira sobre nós, todo poderoso,
E tem o monopólio de nos julgar, vivos ou mortos.
Creio no respeito aos nossos direitos fundamentais
E nas liberdades individuais.
Creio na harmonia entre os poderes;
No princípio democrático e no sistema representativo;
Creio que todo poder emana do povo;
No sagrado direito ao voto;
No funcionamento das instituições;
Creio nos princípios da legalidade e da igualdade.
E que só o Estado pode garantir a paz e a Justiça
nessa terra.
Amém!

Em tempo, reconheço que o leitor pode entender que o presente texto usa de ironia, pelo menos até esta parte.

Nessa hipótese, esclareço que esse suposto tom irônico não teria qualquer intenção de desqualificar ou desmerecer o Estado. Não é um ataque aos seus poderes, seus princípios, suas instituições ou à democracia.

O objetivo dessa alegada ironia seria apenas induzir o (e)leitor a uma reflexão sobre a responsabilidade que cada um de nós tem de, mesmo sob o poder e a proteção do Estado, buscar, por nossos próprios meios, a felicidade e a construção de um mundo melhor.

As eleições que se aproximam são muito importantes. Mas, como diria Geraldo Vandré, “a vida não se resume em festivais”.

Digo eu: nem tampouco em eleições presidenciais.

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DEU NO JORNAL

FUTURÓLOGOS PASSANDO VERGONHA

O desempenho brasileiro na economia segue fazendo economistas e analistas passarem vergonha no exercício de futurologia.

O mercado informou previsão de queda da inflação para 5,8% e o PIB 2,67% maior, este ano.

Essa turma nem sequer conseguiu prever que o Brasil passaria barreira de 100 milhões de trabalhadores com fonte mensal de renda.

Concentrados na leitura de manchetes da grande mídia, especialistas ignoram os efeitos dos esforços bem-sucedidos, no governo e na iniciativa privada.

Em janeiro, segundo previsão de mais de 100 instituições do mercado, era de PIB de 0,28%. Em junho passou a 1,2% e foi a 2,67%, a caminho de 3%.

Em junho, a previsão dos economistas era de inflação a 8,89% ao fim do ano.

No relatório mais recente, a estimativa despencou para 5,8%.

Antes utilizadas para balizar investimentos, as previsões perderam a confiabilidade devido à volatilidade, algo que o investidor sério odeia.

* * *

E isto dito, está dito tudo.

Nada mais tenho a declarar.

Limito-me apenas a lembrar uma coisa aos “analistas” fazedores de previsões:

O nosso estimado jumento Polodoro, mascote desta gazeta escrota, está com a pajaraca no ponto, toda lambuzada de vaselina, pronta pra enfiar no furico de cada um deles.

Tão ansioso que já está até pingando!

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PENINHA - DICA MUSICAL