DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

A VELHICE – Olavo Bilac

O neto:

Vovó, por que não tem dentes?
Por que anda rezando só.
E treme, como os doentes
Quando têm febre, vovó?
Por que é branco o seu cabelo?
Por que se apoia a um bordão?
Vovó, porque, como o gelo,
É tão fria a sua mão?
Por que é tão triste o seu rosto?
Tão trêmula a sua voz?
Vovó, qual é seu desgosto?
Por que não ri como nós?

A avó:

Meu neto, que és meu encanto,
Tu acabas de nascer…
E eu, tenho vivido tanto
Que estou farta de viver!
Os anos, que vão passando,
Vão nos matando sem dó:
Só tu consegues, falando,
Dar-me alegria, tu só!
O teu sorriso, criança,
Cai sobre os martírios meus,
Como um clarão de esperança,
Como uma benção de Deus!

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, Rio de Janeiro-RJ, (1865-1918)

DEU NO X

DEU NO JORNAL

COMPLEMENTO

Polícia invadindo estúdio de TV, censura e exclusão de notícia de portal, jornalista proibido de denunciar falcatruas de senador, candidato proibido de mostrar vídeo da ONU…

Cenas de um país sob estado de exceção.

* * *

Temos que complementar a expressão contida nessa nota aí de cima.

Não é apenas “estado de exceção”

Estamos num país sob estado de suprema exceção.

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

SEPARAÇÃO E DOR

O café à mesa soltava ao ar uma fumaça tênue em movimentos não ensaiados, subindo numa dança do ventre orquestrada nos compassos da brisa entrando pela janela semiaberta da cozinha.

Lá fora o tempo estava frio.

Dois biscoitos de canela, deitados sobre um guardanapo de papel, observavam os movimentos da fumaça alinhados ao parsianismo da brisa fria.

Sobre a mesma mesa, sob o pote com açúcar demerara, uma folha de papel retirada da agenda presenteada pelo banco, trazia o nome dele escrito no topo. Um bilhete que a caneta esferográfica azul, repousando destampada e exausta sobre o papel, tentara escrever; mas não encorajara com eficiência a mão trêmula que a segurava havia duas horas.

Lá dentro tudo era silêncio.

Sentado de pernas cruzadas, a coxa direita sobre a coxa esquerda, ele olhava para o infinito pela brecha da janela.

O ritmo do seu coração parecia ditar os ensaios e requebrados da fumaça subindo em câmera lenta.

Nele tudo era tristeza.

Sentada num banco da estação de trens, ela observava a fumaça de uma fábrica se espalhando rápida, volumosa e negra pelo espaço aberto.

Quase nada ali parecia ter vida.

Limpou outra vez as águas dos olhos.

A tampa da caneta, no escuro de uma bolsa de couro preto, chorava a dor da separação.

O próximo trem seria o dela.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LEVI ALBERNAZ – ANÁPOLIS-GO

Caro Editor:

Este é um flagrante histórico.

O dia em que Chico Buarque compôs a música “Vai Trabalhar Vagabundo”.

Publique aí na nossa gazeta.

Obrigado e um grande abraço!

R. Pronto, meu caro: já está publicado.

De fato, um flagrante histórico!

E aproveitando a deixa, vamos fechar a postagem com a música que foi composta naquele dia.

DEU NO X

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO