A PALAVRA DO EDITOR

TEM MUITO BESTANTE NO MUNDO

Ontem, domingo, dia 7 de agosto.

Quantidade de leitores conectados simultaneamente às 16:20:

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Tem muita gente bestante nesse mundo imenso.

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GUILHERME FIUZA

VIVA O GORDO

Numa entrevista recente, Marcelo Tas comentou descontraidamente com Jô Soares que muitos achavam que ambos eram gays, e perguntou por que isso acontecia. Jô respondeu: “Acho que é por causa do nosso jeitinho”.

O grande artista sempre surpreende. Jô não estava, naturalmente, zombando de ninguém. Estava zombando do preconceito. E de si mesmo. É uma ótima entrevista em que ambos falam reto, abertamente, sobre a patrulha verbal e comportamental que vem proibindo o riso. Jô Soares fez da autoironia sua marca, brincando com a própria obesidade. Viva o Gordo.

Na primeira versão do programa que comandou por muitos anos na TV Globo, em plena febre das campanhas de ginástica e emagrecimento, o nome era “Viva o Gordo e Abaixo o Regime”, fazendo o trocadilho com saúde e governo – o que hoje seria considerado politicamente incorreto, mas na época era só humor. Jô satirizou livremente tudo na vida: gordos, magros, gays, machões, direita, esquerda, governo, oposição, ricos, pobres, letrados, iletrados, autoridades, povo e etc. Nunca parou no pedágio dos moralistas. E quando tentaram pará-lo, ele não pagou.

Vale lembrar que ele passou pelos moralistas arcaicos e pelos moderninhos – igualmente caretas e repressores, mas fantasiados de descolados e éticos. Na entrevista a Tas, Jô não faz nenhuma concessão à nova censura. Todos esses agrados que a maioria dos seus colegas passou a fazer à cartilha dos patrulheiros não são encontráveis nele. Completou sua jornada sem se ajoelhar para os reacionários – nem os carrancudos, nem os maquiados de progressistas.

Teve coragem de sair da Globo para fazer seu talk show no SBT e depois levá-lo de volta à Globo. Entrevistou convidados de todos os tipos, patentes, tendências ideológicas ou religiosas. Falou por cima de todos eles (sem querer te interromper), extraiu revelações, expôs suas próprias teses e eventuais inclinações políticas, das mais sóbrias às mais exóticas, sem nunca deixar de cumprir seu principal compromisso: entreter e divertir.

O “Programa do Jô” se tornou o principal holofote da mídia brasileira. Mesmo se iniciando por volta de meia-noite ou mais tarde (não vá pra cama sem ele), virou a grande caixa de ressonância. O que acontecia ali todo mundo via. O carisma do gordo exibido, que brincava com o seu exibicionismo em jogos hilariantes com os músicos da sua banda, era a melhor forma de encerrar o dia. Como ficaria a realidade depois de passar pelo doce sarcasmo do Jô? Essa era a curiosidade diária de milhões de pessoas, durante muitos anos.

Da vasta galeria de personagens, boa parte saiu da TV e encarnou na população através dos bordões. “Tirou daqui” talvez não tenha sido um dos mais famosos, mas vale destacar entre os vários quadros que permanecem atuais. O bordão era do personagem Mucio – um sujeito muito simpático e afável que basicamente dizia tudo o que o seu interlocutor queria ouvir, repetindo as palavras dele. Nesses tempos de mimetização geral e replicações automáticas para seguir a manada, Mucio seria um herói.

Obrigado, Jô.

A PALAVRA DO EDITOR

FOI AQUI QUE ATRAVESSEI A PORTEIRA DO MUNDO

Corria o dia 7 de agosto de 1946.

Que caiu numa quarta-feira.

Ontem completaram-se 76 anos.

Às 10 horas da manhã daquele dia, Quiterinha, que tinha então 17 anos de idade, me deu à luz e eu atravessei a porteira do mundo pelas mãos da parteira Dona Marta, a mais competente de Palmares naquele tempo.

A casa onde nasci era colada, parede-meia, com a bodega de Seu Luiz, meu pai.

Estive lá ontem só pra tirar um retrato em frente à casa onde fui parido.

Tanto a casa quanto a bodega de papai não são mais as mesmas. Os dois imóveis foram reconstruídos pelos atuais proprietários. Tá tudo diferente.

Na esquina, no local local onde funcionava a bodega, continua existindo um comércio, uma loja que tem uma placa onde está escrito “Vidros, Alumínio e Persianas”.

Bem diferente dos tempos em que era O Armazém São Luiz e tinha sempre um cachacista tomando uma lapada de cana no balcão.

A venda de papai, onde mamãe trabalhava ao lado dele, era o supermercado dos dias de hoje.

Lá se comprava comprimidos de Melhoral (comprimido naquele tempo se chamava “cachete”), confeito pras crianças, brincos, batom, ruge, bacalhau de barrica, farinha, bolacha, salame, queijo de coalho, comprimido Tetrex – que papai vendia pra quem pegava gonorreia na zona -, sabonete Eucalol, fígado de boi escaldado, carne de sol, cueca, calcinha, perfume, desodorante pro suvaco, gilete Azul, chupeta, biscoito, suco em envelope marca Ki Suco, suco de uva em garrafa, feijão, açúcar, manteiga, querosene,  pasta de dente Kolynos e… e mais um monte de diferentes mercadorias.

Tinha de tudo que se procurasse e mais alguma coisa!

Foto dos anos 60: Quiterinha fazendo pose na parte de fora do balcão da bodega

Lá no balcão papai também passava bicho (era assim a expressão da época). O famoso jogo do bicho. Ele mesmo anotava as apostas num talão.

Papai era afiliado à rede do grande bicheiro da região, Zeca Pé-de-Gato, o cabra mais rico daquela beirada de rio. E todo final de tarde vinha um portador pegar o talão de apostas e o dinheiro do apurado. Já ficava descontado o percentual que cabia a papai.

São muitas coisas, muitas lembranças. Depois contarei mais em outra postagem.

Ontem saí cedinho do Recife, passei a manhã em Palmares e voltei pra almoçar em casa. Fomos eu e Aline.

Uma excelente viagem.

Dei um gostoso passeio pela cidade que é palco de toda a minha obra literária.

O recanto às margens do Rio Una onde fui imensamente feliz e onde passei a minha infância e adolescência.

Tirei retratos e matei muitas saudades.

Foi ótimo!

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

GUSTAVO GAYER

DEU NO JORNAL

PESQUISAMENTEIROS BANÂNICOS ERRAM FEIO

Nem um único levantamento eleitoral conseguiu prever o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2018.

A vitória do presidente Jair Bolsonaro com 46,03% dos votos totais não passou perto de ser registrada pelos diversos especialistas até mesmo no dia antes da eleição.

O Ibope, por exemplo, divulgado na noite de 6 de outubro, véspera da eleição, errou por dez pontos: apontava Bolsonaro com 36% dos votos.

O Ibope acabou fechando as portas meses depois.

Todas as 97 pesquisas sobre do primeiro turno da eleição de 2018 erraram o resultado da eleição.

Alegaram “retrato do momento”, claro.

* * *

Só existem dois institutos confiáveis em pesquisas pras eleições presidenciais:

O Data Povo e o Data Besta.

Neste final de semana, o Data Povo fez um levantamento aqui no Recife.

Foi na beira da praia, no bairro da Boa Viagem, durante a realização da Marcha Para Jesus.

O evento foi no último sábado, 6 de agosto, e contou com a presença do Presidente e da Primeira Dama.

Tinha gente que só a peste!

Os números desta pesquisa do Data Povo são reais, concretos, visíveis, indesmentíveis.

Ao mesmo tempo, as pesquisas do Data Besta estão batendo certinho com as pesquisas do Data Povo.

Os números dos dois institutos, plenamente confiáveis, são coincidentes.

“Tu vai votar em quem, seu abestado?”