DEU NO TWITTER

RODRIGO CONSTANTINO

QUE TAL NOS ATERMOS AOS FATOS?

O mundo enlouqueceu. Ou será que foi apenas a imprensa? Ao fazer minha varredura diária nos principais jornais do país – ossos do ofício – o que mais chama a atenção é a quantidade impressionante de especulações, previsões subjetivas, imposição de narrativas ideológicas, torcidas partidárias. O que menos tem é compromisso com os fatos.

Logo em destaque na Folha de SP temos uma “reportagem” alertando que aliados de Bolsonaro temem que 7 de setembro “golpista” consolide a rejeição ao presidente. Que aliados seriam esses? Não sabemos, claro. É tipo o “leitor” da Folha. A manifestação patriótica é mesmo golpista? Claro que não! As instituições são alvos de ataques, como diz o jornal no subtítulo? Só se não se pode mais critica-las, o que seria o fim da democracia. Ou seja, o troço todo é pura narrativa, nenhum fato concreto, e só especulações ideológicas.

Em seguida, no mesmo jornal, descobrimos que o governo americano estaria travando a análise de venda de mísseis ao Brasil por “preocupação com Bolsonaro”. O pedido de compra foi feito ainda no governo Trump, e a Folha, reproduzindo a Reuters, trata essa suposta paralisação como fato concreto de que é uma grande preocupação com um governo que “ataca as instituições”. A fonte? Os esquerdistas democratas americanos! Pura narrativa, especulação, fofoca sem embasamento.

Partindo para O Globo, deparo com uma coluna da “especialista em ciência”, Natalia Pasternak, que fez relativa fama durante a pandemia, ao aderir ao alarmismo da OMS e recomendar as receitas autoritárias sem muito efeito. Dessa vez ela fala da varíola dos macacos, mas o medo de ofender minorias ou “estigmatizar” certos grupos é tanto que a ciência sai pela porta dos fundos.

Gays promíscuos viram apenas “homens que fazem muito sexo com outros homens desconhecidos”, e ela coloca ênfase maior nas vacinas, sem capacidade de recomendar simplesmente mais prudência aos que gostam de orgias sexuais, pois é tabu “moralizar” esse tipo de comportamento – em que pese a mesma turma não ter pestanejado na hora de defender o lockdown, impedir as pessoas de trabalhar, as crianças de estudar etc.

Já cansado, desisti de encarar o Estadão, e fui direto para a Gazeta do Povo, o único jornal que ainda faz jornalismo de verdade. Que alívio! Ali encontrei um editorial sério contra os abusos de autoridades em nome de ideologias, como uma promotora baiana que tentou impor sua visão vegana de mundo: “Quando representantes não eleitos pretendem fazer as vezes de formuladores de políticas públicas e usam o cargo que possuem para ver postas em prática as próprias ideias, a porta está aberta para autênticos abusos de autoridade”.

Em seguida, encontrei uma reportagem séria sobre o destino dos financiamentos do BNDES a ditaduras companheiras no governo Lula, mostrando em que situação eles se encontram hoje. São mais de um bilhão de dólares pendentes, e as empreiteiras nacionais foram as maiores beneficiadas: “Do valor total, 98% foi destinado a apenas cinco empreiteiras: Odebrecht (76%), Andrade Gutierrez (14%), Queiroz Galvão (4%), Camargo Correia (2%) e OAS (2%) – todas posteriormente alvo de investigações na Operação Lava Jato”. Isso sim, matéria informativa importante, de interesse público.

Por fim, vejo em destaque a coluna de Carlos Alberto Di Franco, um dos poucos jornalistas que restaram em nosso país. Uma vez mais, ele volta ao seu tema preferido, sobre a necessidade de resgate do jornalismo substantivo, focado nos fatos: “O jornalismo de qualidade exige cobrir os fatos. Não as nossas percepções subjetivas. Analisar e explicar a realidade. Não as nossas preferências, as simpatias que absolvem ou as antipatias que condenam. Isso faz toda a diferença e é serviço à sociedade. O grande equívoco da imprensa é deixar de lado a informação e assumir, mesmo com a melhor das intenções, certa politização das coberturas. Cair na síndrome das narrativas. Os desvios não se combatem com o enviesamento informativo, mas com a força objetiva dos fatos e de uma apuração bem conduzida”.

Se o Brasil tivesse bem mais jornalistas como Di Franco, ou se os demais jornais de peso fossem sérios como a Gazeta do Povo, o Brasil estaria numa situação bem diferente. Infelizmente, nossa velha imprensa abandonou o jornalismo em troca das narrativas ideológicas, subjetivas, e até no campo da ciência prefere fazer política, acender vela para grupos identitários em vez de simplesmente divulgar a informação relevante, factual. Não surpreende o fato de a credibilidade de nossa mídia estar desabando a cada dia…

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LEVI ALBERNAZ – ANÁPOLIS-GO

Caro Editor:

Esta frase é antológica.

Uma tirada histórica.

Merece ser reproduzida no nosso jornal.

E vamos ficar de olho neles!!!

“Meu medo não é perder uma eleição na democracia. Meu medo é perder a democracia numa eleição.“

Jair Bolsonaro no Flow

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

CONTRASTE – Padre Antonio Tomás

Quando partimos no verdor dos anos,
Da vida pela estrada florescente,
As esperanças vão conosco à frente,
E vão ficando atrás os desenganos.

Rindo e cantando, céleres e ufanos,
Vamos marchando descuidosamente…
Eis que chega a velhice de repente,
Desfazendo ilusões, matando enganos.

Então nós enxergamos claramente
Como a existência é rápida e falaz,
E vemos que sucede exatamente

O contrário dos tempos de rapaz:
– Os desenganos vão conosco à frente
E as esperanças vão ficando atrás.

Padre Antônio Tomás de Sales, Acaraú-CE (1868-1941)

DEU NO JORNAL

FRUSTRANTE

O presidente da República, Jair Bolsonaro, bateu o recorde do principal adversário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em participação num podcast do Youtube.

Nesta segunda-feira (8), no Flow Podcast, Bolsonaro atraiu 558 mil pessoas conectadas simultaneamente.

Foi quase o dobro do que conseguiu o ex-presidente no PodPah, que chegou ao máximo de 292 mil.

* * *

Só o dobro???

Foi frustrante essa vitória do Bozo.

Muito fraca.

Tinha que ter sido dez vezes mais.

“Tomei no rabo de novo… Tô fudido… Xiuf, xiuf, snif, snif…”

ALEXANDRE GARCIA

RAZÕES PARA FESTEJAR OS 200 ANOS DE INDEPENDÊNCIA

Bolsonaro após discurso em João Pessoa (PB), onde anunciou aumento no Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600

Está no Supremo um caso que é da Prefeitura do Rio de Janeiro: o local das comemorações da Data Nacional, neste ano festejando os 200 anos da Independência. Será na Avenida Presidente Vargas, no Centro, como tem sido, ou, desta vez, por sugestão de Bolsonaro, na Avenida Atlântica, em Copacabana, como tem sido o réveillon? Mais uma vez o partido Rede, que tem um senador e dois deputados, se reforça usando o Supremo. Isso contraria o desejo expresso do presidente da corte, Luiz Fux: “Essa prática tem exposto o Supremo a um protagonismo deletério (…) quando decide questões que deveriam ter sido decididas no parlamento. Tanto quanto possível os poderes Legislativo e Executivo devem resolver interna corporis seus próprios conflitos. (…) conclamo (…) os atores do sistema de Justiça aqui presentes para darmos um basta na judicialização vulgar e epidêmica de temas e conflitos em que a decisão política deva reinar”. A conclamação vai completar dois anos no mês que vem.

Vai ser trazido de Portugal, para dar ainda mais significado à comemoração, o coração do príncipe Pedro, que proclamou a Independência. Ficará no Brasil por pouco tempo. Lembro-me de quando o corpo de dom Pedro I foi transferido ao Brasil, nas comemorações do Sesquicentenário da Independência – que cobri, pelo Jornal do Brasil. Passou por todas as capitais antes de ser depositado no Monumento à Independência, no local onde ele gritou “Independência ou Morte!” Era o ano de 1972, e estávamos desfrutando do milagre econômico – o Brasil crescia mais que a China. Em 1970, tricampeonato no México: PIB de 10,4%; em 1971, 11,34%; em 1972, 11,94%; e, 1973, 13,97%! Eu era repórter econômico do JB e dou meu testemunho: não foi o presidente Médici nem o ministro Delfim que causaram esse milagre, mas o otimismo e o entusiasmo do brasileiro.

No pior ano da tentativa de quebrar o país, 2020, pelo fique em casa e pela suspensão de direitos e garantias fundamentais, o FMI previu que o PIB brasileiro despencaria 9%. Caiu metade disso. Porque o brasileiro levantou, sacudiu a poeira e deu a volta por cima. Agora o Ipea mostra que a pobreza extrema, que atingia 5,1% das famílias brasileiras, vai cair para 4% até o fim do ano – queda de 22%. Enquanto isso, no mundo, a pobreza extrema sobre 15%. A propagação do pânico que paralisa exigiu uma maior presença social do governo, e o Bolsa Família de R$ 30 bilhões/ano virou Auxílio Brasil de R$ 115 bilhões. A interrupção da corrupção institucionalizada fez sobrar recursos para isso, mesmo com redução de impostos. Depois do caos econômico do governo Dilma, já foram recriados 4,5 milhões de empregos com carteira assinada e, mais do que isso, assim que a pandemia aliviou, criaram-se 3,4 milhões de empresas. Gente que experimentou a perda de emprego e se tornou dona do próprio negócio.

É o brasileiro, de novo, otimista, entusiasta, empreendedor. No Nordeste, o milagre não é apenas das águas; é do nordestino. O empreendedorismo se repete: prefere, por exemplo, uma renda própria de R$ 5 mil a ter R$ 2 mil com carteira assinada. Indústrias de laticínios vendendo tudo; de confecções, produzindo em dois turnos e terceirizando; o consumo subiu e se buscam empregados. Nesta terça-feira começa o pagamento do auxílio de R$ 600 – dá mais um ânimo para quem precisa. O acolhimento popular do presidente no Nordeste tem sido sinal da situação. Enquanto isso, Paulo Guedes e Campos Neto vão desfrutando dos resultados: inflação em queda aqui, enquanto sobe nos Estados Unidos e Europa; PIB em alta aqui, enquanto cai nas grandes economias. Mais razões para festejar o bicentenário do Brasil Independente.

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

HEITOR SCALAMBRINI COSTA – RECIFE-PE

Boa tarde,

Encaminho para sua análise artigo de opinião, que espero possa ser publicado.

Saudações.

* * *

Negócios do vento: nova fronteira de desmatamento do semiárido

O Brasil é o segundo país com a maior cobertura vegetal do mundo (o primeiro é a Rússia), e está entre os cinco países que mais emitem gases de efeito estufa. O desmatamento está reduzindo de forma significativa a cobertura vegetal em todos os biomas do território nacional, o que acentua o risco de eventos climáticos extremos. Estima-se em torno de 20 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa desmatada por ano, em consequência de derrubadas e incêndios, na grande maioria ilegais. O que torna o desmatamento no país a principal causa das emissões de gases de efeito estufa.

O desmatamento ocorre principalmente na agropecuária. Contudo, a construção de estradas, hidrelétricas, mineração, produção de energia, e o processo intensivo de urbanização, têm contribuído significativamente para a redução das matas. Esse processo acarreta vários fatores negativos ao meio ambiente (e as pessoas, certamente), entre eles se destacam: emissão de gás carbônico na atmosfera, alterações climáticas, perda da biodiversidade, empobrecimento do solo, erosão, desertificação, entre outros.

O que tem chamado atenção nos últimos 10 anos, é o aumento da contribuição ao desmatamento, pelos “negócios do vento” (e se inicia também nesta trágica trajetória, as mega usinas solares fotovoltaicas). Grandes complexos eólicos têm se instalado no Nordeste, em áreas do interior (mas também em áreas litorâneas), onde predomina a vegetação do tipo caatinga, único bioma 100% brasileiro, ocupando cerca de 10% do território nacional e 70% da região Nordeste.

Conforme cálculos do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), a Caatinga teve sua vegetação reduzida pela metade devido ao desmatamento. São aproximadamente 500 mil hectares devastados por ano, principalmente para produzir energia, criação de animais, entre outras atividades. E agora, os complexos eólicos, com a instalação desenfreada, sem regulamentação, e com a conivência de órgãos públicos que deveriam cuidar deste bioma.

Hoje, através de estudos técnicos-científicos, é possível identificar inúmeros impactos causados pela modalidade de produzir energia elétrica em larga escala, através do conceito de produção “centralizada”, cujos beneficiários são aqueles que literalmente exploram este bem natural, os ventos. Na concepção capitalista prevalece o lucro em primeiro lugar, sem a preocupação com a preservação e proteção da natureza, deixando como herança os malefícios provocados, não só para as populações locais, mas para todo o planeta.

O que chama a atenção é o discurso e ações contraditórias e ambíguas dos governos estaduais nordestinos em relação à emergência climática em curso (a responsabilidade do atual desgoverno federal nem se fala, já que é anti-ambiental, ecocida). Ao mesmo tempo que discursam em prol da descarbonização, promovendo a expansão das fontes renováveis em seus territórios, estes governos se curvam às exigências dos grandes empreendimentos. Flexibilizam a legislação ambiental, omitem na fiscalização, permitindo assim que os complexos eólicos sacrifiquem áreas de preservação, as serras, os brejos de altitude, os fundos e fechos de pasto, territórios onde vivem as populações originárias (índios, quilombolas), e a própria agricultura familiar com a neo-expropriação de terras para a instalação dos equipamentos desta atividade econômica, excludente, concentradora de renda e predatória.
A contribuição ao desmatamento da Caatinga pelos “ negócios do vento”, com um modelo de negócio sem compromisso com a vida das pessoas e com a natureza, deve ser motivo de uma ampla discussão na sociedade.

O enfrentamento da crise climática exige mais fontes renováveis de energia (sol, vento, água, biomassa) para uma matriz energética sustentável, justa e inclusiva. Mas a opção adotada, levando em conta mega projetos eólicos, é contrário ao que a ciência propaga, sobre a gravíssima situação que se encontra o planeta Terra, devido às escolhas humanas erradas, em relação à produção e consumo.

A insanidade dos tomadores de decisão na área de energia tem que ser combatida e contida, com informação, transparência e participação, com a democratização no processo de escolhas das políticas energéticas. E não pela ação dos lobistas que “capturam” os órgãos públicos para seus fins, sem se importar com a população e a natureza.

Heitor Scalambrini Costa – Professor associado da Universidade Federal de Pernambuco (aposentado)

DEU NO JORNAL

HÉLIO CRISANTO – UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE