RODRIGO CONSTANTINO

UMA QUESTÃO DE VIDA OU MORTE DA LIBERDADE

Tenho vindo ao Brasil com maior frequência. E a cada nova vinda, fico impressionado com a reação do público em geral. Em tudo que é lugar sou abordado por vários seguidores, e há uma mensagem mais comum, um tipo de recado que se repete bastante: essas pessoas agradecem por eu lhes dar voz, parabenizam pelo trabalho, brincam com as narrativas pipérnicas que preciso aturar, e costumam terminar pedindo para que eu não desista da luta pelo país.

Desta vez, depois de a comissária de bordo da companhia aérea solicitar uma visita minha ao cockpit após a aterrisagem, para falar com o capitão e sua equipe, admiradores do meu trabalho – e muito simpáticos, entrei na fila da imigração com um amigo meu da Flórida, que estava no mesmo voo. Ao ser abordado algumas vezes na fila, meu amigo comentou: “você é um comentarista político, não um jogador de futebol ou um ator global; o que está acontecendo?”

A pergunta ficou em minha cabeça. Lidar com a fama não é algo trivial, pois gosto do anonimato. Mas claro que há um fator muito comovente nisso tudo, que é o reconhecimento pelo meu trabalho, e isso envaidece, motiva, estimula. Só que a pergunta continua em minha cabeça: por que um comentarista político é tratado como popstar? Isso é… normal?

E minha primeira resposta é: não, isso não é exatamente algo normal, esperado. Logo, é preciso ter uma explicação. E eis minha tese: o Brasil vive um momento bem atípico, anormal, perigoso, e o povo ganhou gosto pela política, acordou. O gigante despertou de fato e não quer voltar a dormir. Ciente dos abusos por parte de um sistema podre e carcomido, que tornou elegível um corrupto que desgraçou o país, a multidão reage. É uma sensação de encruzilhada, de batalha pela própria sobrevivência, uma questão de vida ou morte.

É nesse contexto que um comentarista político se torna uma espécie de celebridade. Sim, há uma nova realidade fruto do advento das redes sociais, o fenômeno dos influencers com milhões de seguidores e tal. Mas não se trata disso. Não é a fama pela fama, ou a abordagem a alguém simplesmente conhecido. É quase um olhar de desespero de quem entende o que está em jogo e reconhece nesses (infelizmente) poucos comentaristas independentes a coragem de resistir ao avanço do sistema corrupto. “Lula não vai vencer, né?”, perguntam quase todos, depositando em nós a esperança de dias melhores no futuro.

Em um país normal, em situação estável e solidez institucional, os comentaristas políticos teriam lá o seu papel ao influenciar o debate com suas análises, alguns se destacariam, teriam um caloroso reconhecimento de parte do público, mas jamais seria nessa magnitude, desta forma. Do jeito que a coisa acontece hoje, parece um sintoma de uma nação enfrentando uma doença, um movimento golpista, buscando expurgar o câncer da corrupção e do autoritarismo.

A política só ganha tanta dimensão assim quando ela pode afundar de vez uma sociedade, como acontece agora mesmo na Argentina e já aconteceu na Venezuela. O brasileiro se deu conta disso, e resolveu reagir para impedir tal destino cruel. É por isso que a manifestação no dia 7 de setembro será enorme, gigante. E quando um ministro supremo arrogante e ativista resolve rotular um protesto patriótico desses como “fascista”, isso apenas joga mais lenha na fogueira. Vamos mostrar o tamanho do “fascismo” aos ativistas!

Se a democracia liberal vencer, se o ativismo for derrotado pela defesa do império das leis, o embate político ganhará um plano mais secundário, sobre nuanças, diferenças legítimas e até saudáveis numa democracia. Aí os comentaristas políticos poderão voltar a ser apenas comentaristas, não ícones de uma resistência heroica.

Até lá, temos de aceitar o fardo da exposição por representarmos a ponta da lança nesse batalhão. E o apoio que recebemos em todo lugar é prova de que não estamos sozinhos, de que somos muitos, uma maioria que cansou de ser silenciosa.

Não se trata de apoiar Bolsonaro ou não. É algo bem maior, pois está em jogo nossa liberdade mais básica. Uni-vos, brasileiros de bem! Não temos nada a perder além desses grilhões esquerdistas. Pois se o ladrão voltar à cena do crime, o Brasil acaba de vez como um país minimamente sério e livre.

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JÁ IMAGINOU???

J.R. GUZZO

O PIOR DISCURSO

Alexandre de Moraes, ministro do STF | Foto: Agencia Brasil/Marcelo Camargo

É difícil achar neste país alguém que possa falar do “Tribunal Superior Eleitoral” com mais autoridade do que o ex-ministro Marco Aurélio Mello. É natural, levando-se em conta que ele passou 31 anos dentro do STF, a casa-matriz desse TSE do qual se fala sem parar nos dias de hoje, e sabe mais ou menos tudo a respeito de um e de outro. Mais difícil ainda seria encontrar uma definição tão admirável como a que ele deu para a cerimônia de posse do seu ex-colega Alexandre de Moraes na presidência desse Frankenstein burocrático que governa as eleições brasileiras. “Funesto acontecimento”, resumiu ele. Foi, de fato, uma dessas calamidades que só as nossas atuais Cortes Superiores conseguem produzir.

A maior contribuição que Moraes poderia dar às eleições seria não abrir a boca sobre o assunto. Mas, uma vez que resolveu fazer discurso, fez o pior discurso possível – falou ao público como um delegado de polícia. Prometeu reprimir, punir e proibir; em vez de celebrar o voto livre e os direitos políticos do cidadão, fez ameaças. Anunciou que vai ser “implacável”. No momento em que a autoridade eleitoral mais deveria tranquilizar as pessoas, garantir a liberdade de manifestação e mostrar-se imparcial, ele soltou um grito de guerra.

O ministro deixou claro em seu discurso de posse, mais uma vez, que o importante para ele, para o STF e para o consórcio esquerdoso que o transformou em herói das “lutas” contra o governo, não são as eleições populares – são as urnas eletrônicas do TSE. (Também não deixou nenhuma dúvida sobre com quem, na vida real, ele promete ser “implacável” durante a campanha – o presidente e candidato à reeleição. Há toda uma encenação para fingir que não é assim; mas até uma criança com dez anos de idade sabe que é exatamente assim.)

Moraes, no que se tornou uma ideia fixa no STF e nas forças que querem derrotar o governo, louvou o sistema eleitoral brasileiro como a maior contribuição já feita à humanidade desde a descoberta da penicilina. É uma piada. Só dois países, Butão e Bangladesh, usam as mesmas urnas eletrônicas de primeira geração iguais às do Brasil; como alguém pode se orgulhar de uma coisa que só é utilizada no Butão e em Bangladesh? Não tem nada a ver com democracia. Tem tudo a ver com a lógica. Mas o ministro promete ser “implacável” com quem disser isso.

O discurso de Moraes é uma explosão de rancor contra a ideia geral da liberdade; tudo o que lhe ocorre dizer a respeito do assunto é que a liberdade é algo que deve ser controlado, limitado e punido, quando o STF não aprovar o uso que for feito dela. “Funesto acontecimento”, como diz o ex-ministro Marco Aurélio.

DEU NO JORNAL

PROPAGANDA ELEITORAL

A partir da próxima sexta (26) e até 29 de setembro serão veiculadas as propagandas eleitorais gratuitas no rádio e na televisão, do primeiro turno.

Depois voltam a partir do dia 7 de outubro para o 2º turno.

* * *

Vou começar a minha propaganda do primeiro turno bem cedinho, logo no primeiro dia.

Que não vai ser chata ou enfadonha: vou falar muita putaria e muita safadeza, para grande deleite dos estimados ouvintes.

Quem quiser votar em mim, é só apertar 46 na urna eletrônica.

Que é o meu número de sorte, ano do meu nascimento.

E corresponde ao elefante no jogo do bicho: ou seja, sou um candidato da pesada!

Se o TSE não fizer mutreta, terei grandes chances de ser eleito logo no primeiro turno, só com os votos dos leitores do JBF.

Depois que eu botar a faixa presidencial, a mulherzada vai dar em cima de mim bem mais do que dá em cima de Bolsonaro. 

A PALAVRA DO EDITOR

CONTINUA O DESMANTELO

Já são cinco da tarde.

Continua sem energia elétrica aqui no meu edifício.

E eu sem computador. Estou fazendo esta postagem daqui do celular.

Tenham paciência. Nada de choro ou desespero.

Antes da meia-noite tudo voltará ao normal (espero…) e esta gazeta escrota voltará a ser atualizada.

A PALAVRA DO EDITOR

SEM ENERGIA

Um caminhão bateu num poste aqui do outro lado da rua.

Estou sem energia elétrica e sem computador. Faço essa postagem pelo celular.

Quando o desmantelo estiver resolvido, esta gazeta escrota voltará a ser atualizado.

Controlem a crise de abstinência. Tenham paciência.

ALEXANDRE GARCIA

AGRONEGÓCIO PODE DAR NOBEL INÉDITO AO BRASIL

Brasil não tem um único Prêmio Nobel, o grande Prêmio Nobel que é conferido todos os anos pela academia da Suécia. Argentina tem cinco. Chile tem, Colômbia tem, Guatemala tem. Nós não temos nenhum. A nossa esperança é nesse ano. Nobel da Paz por alimentar o mundo com Alysson Paolinelli, ministro da Agricultura do governo [Ernesto] Geisel, que bombou a Embrapa.

A Embrapa havia sido criada no governo anterior, o governo [de Emílio Garrastazu] Médici. Acho que foi o primeiro país do mundo a ter sucesso em clima tropical. Os grandes produtores de grãos eram de clima temperado. Tanto que o Brasil meridional é que produzia trigo, arroz e começou a produzir soja. Aí se descobriu o Cerrado. Não se dava um tostão furado por um hectare de terra do Cerrado.

Veio a tecnologia e se corrigiu o solo ácido com calcário. Hoje tem outras formas de corrigir, como o pó de rocha. Vieram os fertilizantes, a genética e as novas sementes. Veio a pecuária e as raças mais resistentes da pecuária, da suinocultura, dos aviários. E foi aquele crescimento exponencial. De 40 milhões de toneladas, em 1975, a gente está chegando a 300 milhões de toneladas de grãos. E abastecendo o mundo com proteína animal e vegetal. Com a possibilidade de ter trigo no Nordeste, arroz no Brasil Central, feijão, soja, algodão, açúcar, sucos, carne de frango, ovos. Podemos abastecer o mundo, disse Alysson Paolinelli, se não houver burrice e nem ideologia.

* * *

MST barra entrega de terras

Na quinta-feira passada, no assentamento Palmares, em Paraupebas, o MST impediu a entrega de títulos de propriedades para 120 famílias. O Incra remarcou a entrega para outra data, porque o MST impediu. Por que? Porque essas famílias deixam de depender do MST.

Roberto Requião, no Paraná, disse “não recebam o título, a não ser assinado por Deus e com firma reconhecida. Não adiantou nada: 179 famílias receberam títulos em um assentamento em Londrina na semana passada. 374 mil títulos já foram entregues neste governo. 374 mil famílias. Imagine quantas pessoas libertadas do jugo da dependência e que agora são donas de terra. Elas podem hipotecar sua terra. A terra entra em inventário, em herança.

Tentar impedir que as pessoas recebam título de propriedade rural é como tentar impedir que a pessoa receba água do São Francisco, lá no Nordeste, e continue dependendo do carro-pipa ou de político que faz promessa.

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XICO COM X, BIZERRA COM I

UM DIA QUASE BRANCO

Que me desculpe Geraldinho Azevedo, mas nem todos os dias são brancos, na melhor acepção da palavra e sem qualquer resquício de preconceito. Branco no sentido de claridade. O dia assim não estava. Ao contrário, nuvens cinzentas pintavam o céu de escuro. De repente, vindo nem sei de onde, uma onda sonora invadiu o meu ser e foi-se firmando ao mesmo tempo em que o dia começou a clarear. E vinha chegando, para o que desse e viesse. Com o claro, veio o sol, assim como viria a chuva, se por acaso cismasse em cair para abrandar mais ainda minha alma, já quase calma com aquele som. Não importava mais em que lugar estava: se na praça, se perto do mar, ou à beira da lua: qualquer lugar era o lugar adequado para abraçar aquela melodia e sonhar esse canto de amor nesse dia já quase branco.

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