
Que me desculpe Geraldinho Azevedo, mas nem todos os dias são brancos, na melhor acepção da palavra e sem qualquer resquício de preconceito. Branco no sentido de claridade. O dia assim não estava. Ao contrário, nuvens cinzentas pintavam o céu de escuro. De repente, vindo nem sei de onde, uma onda sonora invadiu o meu ser e foi-se firmando ao mesmo tempo em que o dia começou a clarear. E vinha chegando, para o que desse e viesse. Com o claro, veio o sol, assim como viria a chuva, se por acaso cismasse em cair para abrandar mais ainda minha alma, já quase calma com aquele som. Não importava mais em que lugar estava: se na praça, se perto do mar, ou à beira da lua: qualquer lugar era o lugar adequado para abraçar aquela melodia e sonhar esse canto de amor nesse dia já quase branco.
Caro Xico,
Feliz vai ser o dia em que pudermos nos expressar livremente usando a nossa “Última flor do Lácio, inculta e bela” sem nos preocuparmos com patrulhas que nos impõem segregações nas palavras.
Todos os dias serão brancos, poderei colocar as coisas no meu criado mudo ao lado da cama, denegrir terá o sentido de manchar uma reputação, mulato, como mistura da tez branca com a negra,…
Deveremos então nos preocupar apenas com a evolução humana como um todo, sem divisões artificiais.
Com o João Francisco, congratulo-me. De minha parte, não me sinto reprimido no uso da palavra: faço-o como ordena a alma. Às vezes, mas apenas por uma questão de elegância (olha a modéstia, Xico) e respeito às pessoas, tento não ser agressivo. Nem sempre consigo. Mas, por fim, quando meus dias estão apenas quase brancos, apelo à bela, inculta e última flor do Lácio e os enbranqueço. Assim, sou feliz. Meu abraço segue pro JF.
É um prazer dos Deuses ouvir o som das palavras do mestre Xico Bizerra. Viva ele. E via nós.
Prazer grande é ter leitores da estatura do imortal Padre José Paulo prestigiando minhas bobagices e besteiragens. Gratidão, sempre.