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CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

PREFÁCIO DE UM AMIGO

Meus leitores me perdoem, hoje tive um impulso irresistível de publicar o Prefácio do meu romance JEQUIÁ escrito pelo meu querido amigo de infância, cineasta Cacá Diegues, que será lançado dia 12 agosto a partir das 18 horas na Academia Alagoana de Letras.

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UMA REVOLUÇÃO PESSOAL – Carlos Diegues

Não conheci propriamente Carlito Lima. Na verdade, explodimos juntos, na avenida da Paz, nos anos 1940, acabados de nascer. E seguimos juntos por nossa infância afora, passando pela adolescência e chegando à juventude, mesmo se, a partir de certa idade, moramos em cidades tão distantes uma da outra. É portanto uma honra especial e um grave compromisso escrever esse texto sobre ele e seu livro mais recente, “JEQUIÁ”.

A história que Carlito nos conta nesse livro, começa quando o jovem Pablo Márquez, um colombiano nascido em Cartagena das Índias, a mais bela cidade histórica da América do Sul, passa de navio por Maceió com sua filha pequena, Isabel, de dois anos de idade, e decide ali morar e ali se instala pelo resto da vida. A história termina, depois de três agitados volumes: MANGUABA, MUNDAÚ E JEQUIÁ.

Ao longo dos três pedaços da história, vamos conhecer a família que Pablo Márquez constrói em Alagoas, com virtuosa atenção a seus costumes e comportamento. Mais adiante, ficamos sabendo que Pablo fugiu da Colômbia para evitar a ação contra ele de bandidos, os responsáveis pela morte de sua esposa Rosa, aos 20 anos. Ele encontrou em seu caminho o grupo de arruaceiros assassinos e, na disputa com os criminosos, deixou para trás cinco deles mortos.

Pablo Márquez se tornou um homem perseguido em toda a região de Cartagena e Barranquilla. Então toma pela mão a filha que Rosa lhe deixara e parte por mar para o Rio de Janeiro. No meio do caminho, quando seu navio aporta em Maceió para cumprir compromisso, Pablo e Isabel, cada um de seu jeito, se apaixonam pela cidade e ele decide descer do navio e ficar ali, com a filha. Em Maceió, constrói uma vida de muito sucesso, fica rico e acaba fundando numerosa família, da qual teve do que se orgulhar.

São esses filhos, netos e bisnetos, seus amores e seus ódios, suas lutas pela sobrevivência e a comunhão entre eles, o tema dos três volumes escritos por Carlito Lima, com títulos em homenagem às belas lagoas do estado, “Manguaba”, “Mundaú” e “Jequiá”. Não sou capaz de reconhecer todos os personagens inspirados em pessoas reais. Mas seus vacilos e sucessos são jeitos tão naturais de ser que, mesmo que nos decepcionem ou os julguemos equivocados, acreditamos neles, somos solidários a seus defeitos, reconhecemos neles seres humanos como nós.

Entre esses personagens, um dos mais intrigantes é o jovem tenente do Exército Mário Peixoto que, se não me engano, foi inspirado na vida, nos costumes e em acidentes ocorridos com o próprio autor. Personagem original e raro na literatura brasileira moderna, Mário Peixoto vive em plena ditadura militar. O tenente nos revela aspectos de sua vida privada que nos fazem compreender que ele não é muito diferente de outros jovens brasileiros que lutavam contra a ditadura militar. Sem bravatas ideológicas, assistimos, ao mesmo tempo, ao horror de um regime autoritário e à luta por integridade e sobrevivência de uma de suas mais inesperadas e injustiçadas vítimas.

Mais adiante, encontramos outro personagem, de dentro da família, que contesta o regime militar de maneira clara e supostamente mais eficiente. Vera, cujo marido foi misteriosamente assassinado, se liga aos terroristas armados de bombas, dispostos a enfrentar a ditadura com as armas dela. Exilada na Itália, Vera só consegue voltar a Maceió, sua dolorosa obsessão, depois que se casa com um talentoso escritor italiano, cujo nome, Dante Alighieri, é uma homenagem à poesia. Dante é apaixonado pelo Brasil e, quando é promulgada a Lei da Anistia, vem com Vera morar em Alagoas.

Em “Jequiá”, último volume da “trilogia das lagoas” de Carlito Lima, o autor parece ganhar um pouco mais de pressa em chegar ao fim da saga familiar. Ele torna mais variadas as ocupações dos membros da família, os faz viajar e trocar de ambiente, mesmo quando estão em Maceió. Na ansiedade por um fim da narrativa, netos e bisnetos aderem ou criam núcleos que não estão mais no centro de interesse da longa e poderosa trama familiar criada pelo autor.

Digamos que, nessa relativa distensão, a família é que sai perdendo. E seus membros terminam numa lista de meras identidades, antes do último capítulo. O pungente último capítulo, aonde, aí sim, se conta o fim da fundadora história de amor entre Pablo e Victória, que nos tonteia e orienta.

Esse terceiro volume da trilogia tem a mesma força telúrica, de racionalidade e de sentimentos dos outros dois. Ele mantem o saudável desejo de reinventar a “literatura nordestina”, modernizar seus temas e seus hábitos, sua capacidade de abordar mundos antes proibidos, talvez até por um falso rigor moral. O que se destaca na ficção de Carlito Lima e em sua “cultura local”, é justamente a liberdade narrativa que lhe permite fazer com que alguém, que faz um discurso político importante, por exemplo, possa se interessar súbita e simultaneamente pelo corpo da bela mulher que passa à sua frente.

Como Gabriel Garcia Márquez ou Alejo Carpentier, o autor de “Jequiá” é, antes de tudo, um cronista da vida de seus conterrâneos, sem esquecer de onde eles vieram. Ele é capaz de fazer dessa qualidade um sólido apoio para se lançar no coração da origem de seus personagens. São eles que revelam, por sua ação, pelo que dizem ou pelas simples sombras que espalham por cada cenário, a grandeza de sua presença no mundo enquanto nordestinos e alagoanos. É com esses nordestinos e alagoanos, como ele, que Carlito Lima procura fazer sua gentil, mágica e vigorosa revolução cultural e literária.

Me sinto orgulhoso de ser amigo de Carlito, de ter dividido com ele experiências e descobertas que só na infância e na adolescência podemos experimentar. Aprendi com ele, e ele comigo, muita coisa que só essa convivência podia inventar. Acompanhando sua carreira de escritor bem sucedido, me sinto homenageado; como ele deve se sentir, com qualquer de meus filmes que dê certo. Nós somos parte de extensa família cultivada na beira do cais, na avenida da Paz.

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OBS – Aos amigos do Jornal da Besta Fubana haverá venda especial do livro via Internet e entrega pelos Correios, da seguinte forma: a solicitação do comprador será via email: carlitoplima@gmail.com ou via zap: 82.99981.0199, informando o nome e endereço com CEP e o(s) livro(s) que desejam. O(s) livro(s) serão enviados pelos Correios. Somente quando o(s) livro(s) chegarem ao comprador, ele pagará no PIX: 005.586.484-87 e enviará o comprovante. Se não gostar do livro, não paga.

Preços dos romances:

JEQUIÁ R$ 60,00

MUNDAÚ R$ 50,00

MANGUABA R$ 40,00

Frete por conta da editora.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

HÉLIO CRISANTO – UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

NUMA CASINHA DO MATO

Na casa do sertanejo
Nunca falta um oratório
Tisna de fogão de lenha
Um tripé, um lavatório
Lampião, torno de rede
Corda na meia parede
Servindo de acessório

Tem na casa de um matuto
Um facão rabo de galo
Lata pra guardar xerém
Um chocalho sem badalo
Tem galinha poedeira
Telha rachada e goteira
Um arreio de cavalo

Uma manta de toucinho
Pra servir de refeição
Um chincho de fazer queijo
Gamela e pau de galão
Pilão, peneira, moinho
Na gaiola um passarinho
Saco cheio de carvão

Um pote com água fria
Um jumento no terreiro
Um cachorro vira lata
Com o nome de trigueiro
Uma trave na janela
Cangalha e forro de sela
Tem galinha no poleiro

Tem alguidar, tem quartinha
Paiol de milho da sala
Galinha choca num canto
Trapo de roupa na mala
Machado pra rachar lenha
Miado de gata prenha
Ralo de lata e bengala

Vê-se muito malassombro
No casebre do roceiro
Alma ofertando botija
A palhoça é seu banheiro
Uma porteira na frente
Tronco de pau no batente
Fumaça de candeeiro

Numa casinha do mato
É grande a satisfação
Tem fé e muita alegria
Tem abraço de irmão
Tem sorriso e muita luz
Tem oração pra Jesus
Na hora da refeição

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RODRIGO CONSTANTINO

O TEATRO CÍNICO DA ESQUERDA HIPÓCRITA

“A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”, disse o duque La Rochefoucauld. O moralista francês resumiu com perfeição quando alguém tenta sinalizar uma falsa virtude, lembrando que ele, ao menos, sabe o que é a virtude em questão. Daí a hipocrisia, o cinismo, o fingimento. A esquerda em geral é toda cínica, fingida, e o motivo é simples: ela precisa ocultar sua real agenda radical e revolucionária, pois sabe que se expor tudo de forma transparente, jamais vence uma eleição.

O presidente Bolsonaro comentou sobre os recentes esforços petistas de enganar os desatentos: “Soube que o PT agora reza o Pai Nosso e usa bandeiras do Brasil em seus eventos. É um bom começo. Só falta parar de defender aborto, drogas, ideologia de gênero, desencarceramento, controle da mídia/internet, ladrões de celular, financiamento de ditaduras e diálogos cabulosos”. No alvo!

Petistas aparecem em missas de quatro em quatro anos, sempre às vésperas da eleição. A cor da bandeira que costumam empunhar é vermelha, mas o tom começa a desbotar para o amarelo perto de pedir votos. Se a esquerda fosse sincera, ela deixaria bem claro que despreza o patriotismo, visto como um sentimento “pequeno burguês” ou mesmo fascista.

Se fosse transparente, a esquerda diria que odeia a polícia, que prefere os bandidos, lembrando que sempre age para abrandar punições aos marginais enquanto demoniza a atuação policial e sua “letalidade”. Mas detonar a polícia e enaltecer os bandidos não rende muitos votos, e a esquerda sabe disso. Por isso muda seu discurso em época eleitoral.

O manto da “democracia” é outra enorme farsa esquerdista. Assinam cartinhas sem qualquer coerência, uma vez que sempre defenderam ditaduras comunistas, e até hoje o PT de Lula apoia o tirano Maduro na Venezuela, isso sem falar da relação umbilical com Cuba.

Tudo na esquerda é jogo de aparências, é uma farsa calculada para enganar os trouxas. E como notamos essa mudança abrupta de discursos nas semanas que antecedem eleições, podemos concluir que a esquerda sabe muito bem o que são virtudes, mas prefere rejeitá-las por ideologia, oportunismo ou canalhice mesmo.

A tentativa da esquerda é ir comendo pelas beiradas, colocando aos poucos suas verdadeiras pautas, para a população ir se acostumando sem muito choque. É como a situação do sapo escaldado. Se a esquerda apresentasse seu verdadeiro projeto de uma só vez, todos sairiam correndo, assustados. Ela sabe disso. E por isso vai cozinhando lentamente suas vítimas, insistindo em seu teatro, até que um dia os otários acordem na Venezuela: como foi que isso aconteceu?!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PIXOTE – LIMEIRA-SP

Nobre Editor!

Segue em anexo o comprovante de depósito do meu dízimo deste mês de agosto.

Faço isto com muito gosto..

Sucesso sempre para a nossa gazeta, minha página predileta.

Um grande abraço.

R. Meu caro leitor, sua generosa doação já está na conta do Complexo Midiático Besta Fubana.

Brigadão mesmo!

Aproveito a oportunidade para também agradecer as doações feitas pelos fubânicos José Claudino, Carlos Eduardo, Osnaldo Pereira, Áurea Regina e Violante Pimentel

Vocês são a força que mantém esta gazeta escrota nos ares e que nos ajudam a cobrir as despesas com hospedagem e manutenção técnica feita pela empresa Bartolomeu Silva.

Além de manter sempre crescente a nossa audiência.

Aí do lado direito, lá em cima da página, tem um item informando a quantidade de leitores conectados a cada momento do dia.

É só abrir a página e conferir.

Veja o número que estava lá hoje, às 8:14 da manhã:

É gente que só a peste para  um jornaleco artesanal, caseiro e amador, sem qualquer patrocínio público ou privado, mantido unicamente pelas doações dos leitores.

Sou gratíssimo do fundo do coração a todos vocês!!!

Um grande abraço e um excelente final de semana para toda a comunidade fubânica.

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PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

OITO MESTRES DO IMPROVISO E UM CORDEL DE JOSÉ SOARES

Otacílio Batista Patriota (1923-2003)

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Otacílio Batista

Minha mãe me criou dentro do mar
Com o leite do peito de baleia
Me casei no oceano com a sereia
Que me fez repentista popular
Canto as noites famosas de luar
E linguagem das brisas tropicais
Entre abraços e beijos sensuais
Nos embalos das ondas seculares
Conquistei a rainha mãe dos mares
E o que é que me falta fazer mais?

* * *

Francisco Ferreira

O amor é força bruta
O estrondo do trovão,
Quando ele chega domina
As forças do coração,
É a claridez do relâmpago
Clareando a escuridão.

* * *

Luís Campos

Esse negócio de chifre
É coisa muito comum
Já levei chifre de noite
De manhã e em jejum
O remédio é paciência
Pitu e cinquenta e um.

* * *

Sebastião da Silva

No outono, verão e no inverno
Eu vivi trabalhando no roçado
Aboiando feliz atrás do gado
E vendo mato mudar seu próprio terno
Mas, com ordem do Santo Pai Eterno
Eu comprei a viola, o meu piano,
Nela ganho meu pão cotidiano,
É amiga, divina e predileta,
Obrigado meu Deus por ser poeta
Nos dez pés de martelo alagoano.

* * *

Dimas Batista

Ali na cabana de alguns pescadores
Fitando a beleza do mar, do arrebol,
Bonitas morenas queimadas de sol,
Alegres ouviram cantar meus amores.
O vento soprava com leves rumores,
O pinho a gemer, depois a chorar.
Aquelas morenas à luz do luar
Me davam impressão que fossem sereias,
Alegres, risonhas, sentadas nas areias,
Ouvindo meus versos na beira do mar.

* * *

João Paraibano

Cai a chuva no telhado,
a dona pega e coloca
uma lata na goteira,
onde a água faz barroca:
cada pingo é um baião
que o fundo da lata toca.

* * *

Poeta Anízio

A saudade é sentimento
Que amarga e dá prazer
Mas faz parte do viver
Do amor é o fermento
Se é parte do tormento
Ver as lágrimas derramando
Mesmo triste vou cantando
Não posso ficar fingindo
Saudade é chorar sorrindo
Com o coração chorando.

* * *

Onésimo Maia

Eu sou tão analfabeto,
Que nem sei dizer o tanto;
Vendo um lápis, tenho medo;
Vendo um caderno, me espanto,
Mas, quando um jumento rincha,
Eu penso um poema e canto.

* * *

O CEGO NO CINEMA – José Soares

Um mudo disse a um mouco
Que lembra quando nasceu.
O mouco disse também
Que um aleijado correu.
O cego disse que viu
Quando um defunto morreu.

O mudo, cego e o mouco,
Cada um com seu problema.
Os três então se uniram
Pra resolver o dilema.
E depois se encaminharam
A uma sessão de cinema.

Foram ao cinema Glória
Que não fica muito além,
E quando chegou a vez
Do cego pagar também,
Ele disse: – Eu vou pagar
Com uma nota de cem!

Quando a moça demorou
Para trocar o dinheiro
O cego abriu o bocão
E disse pro companheiro:
– Uma velha parideira
Pare muito mais ligeiro!

Pareciam três babacas
Cego, o mudo e o mouco,
Três figuras impolutas
Dois otários e um baiôco.
Ouvindo a conversa deles
Eu me ri que fiquei rouco.

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