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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

HARMONIA CONJUGAL – Padre Antonio Tomás

Com a Joana se atraca,
Para dar-lhe uma sapeca,
O seu marido – o Maneca, –
Ela do coz puxa a faca,
E ele a tremer todo fica,
E, em brados, a filha espoca:
– Mamãe, você está maluca?!
Mas a Joana replica:
– Menina, cala esta boca,
Deixa de asneiras, Biluca.

Padre Antônio Tomás de Sales, Acaraú-CE (1868-1941)

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JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

GLOSAS

Toda chuva que vem leva um pedaço
Da tapera a herança dos meus pais.

Mote de Antônio Poeta

O poeta Marcílio Pá Seca Siqueira, pernambucano de Tabira, desenvolvendo o mote acima, enviou-me a seguinte glosa:

Casa velha de taipa abandonada
Já não és tão bonita como era
Nem de longe tu lembras a tapera
Que serviu pra meu povo de morada
Vejo o tempo cruel dando pancada
Na madeira ruída dos portais
Os morcegos pousando nos frechais
Cada qual ocupando seu espaço
Toda chuva que vem leva um pedaço
Da tapera a herança dos meus pais.

Este colunista, acaryense do Seridó Potiguar, respondeu-lhe com duas glosas no mesmo estilo.

Ei-las:

A madeira que um dia pai subiu
Para ser o sustento do telhado
Sobre o chão é somente um pau quebrado
Sob o pó do telhado que caiu.
A coluna do centro se partiu
Arrancaram as portas dos umbrais
Nem a cor das paredes se vê mais
Do reboco não resta nenhum traço
Toda chuva que vem leva um pedaço
Da tapera a herança dos meus pais.

Sem soltar dessa velha cumeeira
Com as pontas olhando para o alto
Num lugar muito triste de ressalto
Restam só alguns tocos de madeira.
Nos tijolos da frente a trepadeira
Já subiu agarrando por detrás
Se expandiu pelas partes laterais
Sufocou a casinha nesse abraço
Toda chuva que vem leva um pedaço
Da tapera a herança dos meus pais.

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JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

MORENA TROPICANA – EU QUERO SEU CALOR!

A beleza da mulher brasileira é impressionante

Morena Tropicana – Alceu Valença

Da manga rosa
Quero gosto e o sumo
Melão maduro, sapoti, juá
Jaboticaba, teu olhar noturno
Beijo travoso de umbu cajá

Pele macia
Ai! carne de caju!
Saliva doce, doce mel
Mel de uruçu

Linda morena
Fruta de vez temporana
Caldo de cana caiana
Vem me desfrutar!
Linda morena
Fruta de vez temporana
Caldo de cana caiana
Vou te desfrutar!

Morena Tropicana
Eu quero teu sabor
Ai! Ai! Ioiô! Ioiô!

Morena Tropicana
Eu quero teu sabor
Ai! Ai! Ioiô! Ioiô!

Alguém já parou para apreciar a beleza da mulher brasileira, independente da sua proximidade com ela?

Pois, faça isso!

Faça isso, e veja que, a ausência dos olhos azuis e transparentes é compensada pela pele cor de jambo, e o corpo emoldurado pelas curvas sempre mais perigosas que as curvas da estrada de Santos. Delineadas, definitivas, sem obstáculos, e como se tudo isso não bastasse, com versos poéticos escritos por Deus através da Natureza.

Na foto que ilustra esta coluna, observe, atentamente, o conjunto das perfeições que faz essa menina morena tropicana, e brasileira.

Precisa de olhos azuis?

E a beleza escuda detalhe importante em se tratando de Brasil: é afrodescendente!

E alguém liga para isso?

Observe a boca dessa belezura com o lábio superior protegido por um buço apenas imaginável, mas perceptível quando a respiração nasal fica mais ofegante.

É linda! É brasileira! É tropicana!

A televisão tem sido o altar onde aparecem algumas mulheres quase santas – mas anjos, com certeza – como um desafio para quem tanto aprecia a beleza de dançar o tango, banhar nu num igarapé ou simplesmente apreciar e tentar vencer o desafio que é a beleza de Débora Nascimento.

Foi a Vênus Platinada quem nos apresentou a beleza agressivamente brasileira da Vênus Tropicana dos olhos levemente esverdeados.

As novelas globais de hoje não demonstram muitas preocupações com as qualidades interpretativas de atores e atrizes. O que tem interessado é a beleza fisionômica aliada a beleza física. O resto não conta muito.

E foi exatamente numa novela global que apareceu Débora Nascimento, hoje, com certeza, uma das mulheres mais bonitas do Brasil, em quanto a qualidade interpretativa fica em segundo plano. Sim, e de Sonia Braga, todos já esqueceram?

Esqueceram que ela um dia foi Gabriela e desfilava essência e cheiro de cravo e canela?

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ESQUERDA DECADENTE

Dagomir Marquezi

“Volto pessimista do ato no Largo S. Francisco. Pouquíssima gente, média de idade, a minha, pouquíssimos jovens, os mesmos intelectuais de ideias mofadas de sempre e zero vibração. Se uma causa dessa gravidade não empolga a esta altura é pq a democracia sangra e Bozo periga ganhar.”

Esse post da jornalista (petista) Barbara Gancia talvez tenha sido um dos pontos mais importantes da campanha eleitoral até aqui. Tirando a bobagem do “a democracia sangra” (a não ser que ela se refira ao papel exercido pelo Supremo Tribunal Federal), a jornalista parece ter captado o que os intelectuais esnobes chamam de “Zeitgeist”: o espírito do tempo.

A esquerda brasileira nunca teve tanto poder, na mídia, no aparelho estatal, no sistema de educação, na imprensa, nas altas Cortes de justiça. Eles mandam – e mesmo assim parecem perdidos. Imagino o que Barbara Gancia deve ter levado de bronca dos companheiros pelo seu suposto sincericídio. Na minha opinião, petistas e agregados deveriam agradecer a ela por ter exposto uma crise que pode ir para debaixo do tapete, mas que nem por isso vai parar de crescer.

Os mártires do passado

Eu me declarei “socialista” com 12 anos de idade, pouco depois da instauração do regime militar. Cresci ouvindo na escola histórias da resistência e do sacrifício que a esquerda fazia para nos libertar da ditadura. Ouvia casos de mártires que se imolavam para que a gente um dia pudesse viver no paraíso comunista. Viver como em Cuba de Fidel Castro, onde, segundo quem contava essas histórias, todos eram iguais, bem nutridos e servidos gratuitamente pelos melhores médicos do mundo.

Eu frequentava passeatas nos anos 1960 e testemunhei o frisson provocado nas garotas quando José Dirceu subia num ônibus, ajeitava os longos cabelos negros atrás da orelha e soltava as palavras de ordem ao megafone. Dirceu era o símbolo da resistência, o galã do idealismo juvenil, a esperança de dias melhores para o Brasil explorado pela burguesia aliada ao imperialismo. Ele arriscava sua vida pela causa. Era um mártir a ser reverenciado.

José Dirceu

A gente ouvia as narrativas que os companheiros cochichavam na mesa de bar. Uma das que mais me impressionaram na época falava de Francisco Julião, o líder das míticas Ligas Camponesas de Pernambuco. Segundo me diziam, Francisco Julião, um sujeito magro e humilde, havia sido preso e torturado até a morte em 1965 pelos militares malvados enquanto organizava as massas trabalhadoras nos canaviais de Pernambuco. E que heroicamente não havia denunciado nenhum companheiro de luta, mesmo quando – perdão pelo detalhe — os milicos teriam pregado seu pênis numa tábua.

(Ninguém dizia na época que o Francisco Julião na verdade era um advogado das Ligas, que por sua vez não eram tão comunistas assim. E que Julião morreu de infarto no México, em 1999, com seu órgão sexual intacto. Seu martírio aparentemente foi apenas uma lenda de bar.)

Nos anos 1970, nossos corações militantes estavam com os companheiros do Partido Comunista do Brasil. Eles tiveram a coragem suprema de, na fase mais repressiva do regime militar, estabelecer uma guerrilha no interior do Pará. A ideia era iniciar a revolução socialista no campo e aos poucos cercar as cidades até a vitória final. Repetir o que havia acontecido na China de Mao Tsé-tung e no Vietnã de Ho Chi Minh. Apesar de solidário aos companheiros do Araguaia, eu não tinha coragem para pegar em armas. Era um covarde pequeno-burguês que não dispensava chuveiro elétrico, Choco Milk geladinho com bolo Pullmann e os episódios de Perdidos no Espaço aos domingos.

A guerrilha do Araguaia foi rapidamente controlada pelos militares, mas deixou em nossa imaginação a imagem de outro mártir: José Genoino, futuro deputado petista, capturado pelos militares. Aquela imagem de Genoino encostado a uma árvore, algemado com uma expressão triste, virou a régua pela qual a gente media nossa covardia. Ele se sacrificava pela nossa redenção.

José Genoino

Cheque em branco eleitoral

Veio o fim do regime militar. Meus amigos de esquerda já não tinham mais que lutar “contra a ditadura”. Mas continuaram contra tudo o que “está aí”. Nas eleições de 1989, eu já era adulto e minhas causas amadureceram – Estado menor, menos burocracia, liberdade de mercado e expressão, a negação do populismo irresponsável. Mas as pessoas ao meu redor idolatravam com tons de histeria o ex-metalúrgico de voz rouca conhecido como Luiz Inácio Lula da Silva.

Um amigo chegou a declarar na época: “Sempre votei, voto e sempre vou votar no PT”. Esse amigo não foi o único a dar esse cheque em branco eleitoral. Era o início de uma obediência cega que ainda não acabou, quatro décadas depois. Nenhuma ideia podia ser melhor do que as ideias propagadas pelo PT. Nenhum político poderia ser uma opção a Lula.

Desde Fernando Collor de Mello, eu gostaria de ter tido a chance de escolher entre duas opções para presidente, mas nunca tive esse direito. Um dos candidatos é sempre Lula ou um de seus postes. Eleição para mim virou opção binária – Lula ou o outro. Eu vou no outro. E para muita gente por causa disso virei, dependendo da época, um “tucano”, um “extremista de direita” ou qualquer outra ofensa da hora.

“Bozo periga ganhar”

Não sei quem vai ganhar as eleições de outubro. Como continuo votando “no outro”, agora virei “bolsonarista”. As pesquisas indicam vitória folgada de Lula. O difícil é encaixar as pesquisas na realidade. Pelo menos se as eleições forem conduzidas de maneira mais transparente do que são conduzidas as pesquisas eleitorais.

Alguns fatos, na minha opinião, podem dar razão a Barbara Gancia quando ela diz que “Bozo periga ganhar”. A esquerda brasileira teve de tirar Luiz Inácio Lula da Silva da prisão pela porta dos fundos para que o PT tivesse alguma chance nas urnas. Jair Bolsonaro foi uma grande novidade em 2018 para a maior parte dos brasileiros. Lula está sob os holofotes desde 1980, tornou-se uma caricatura de si próprio, cheio de ressentimento e arrogância. Não deixou herdeiros, não apontou uma saída para o crepúsculo de seu reinado. Que se parece cada vez mais com um romance tipo realismo fantástico.

A esquerda perdeu o chão da realidade, não tem mais nada a propor, a não ser destruir tudo o que foi feito de melhor nos últimos anos. Eles são contra as privatizações, contra a desburocratização, contra o controle de gastos do Estado, contra o Pix, contra a reforma sindical, contra tudo que possa levar o país para a frente. Ciro Gomes, o “progressista” que se nega a sair da década de 1950, já declarou que, se a Petrobras e a Eletrobras fossem privatizadas, ele as “tomaria de volta”, como se essas empresas pertencessem a ele.

O “progressismo” nacional virou uma engrenagem de manutenção de privilégios no aparelho estatal. A esquerda brasileira, que já teve heróis como Francisco Julião e José Genoino, hoje é a opção política preferida para banqueiros e muitos grandes empresários. As multidões que lotavam as avenidas foram substituídas por grupinhos de artistas que protestam bravamente no conforto de seus duplexes, usando seus iPhones 13. Karl Marx talvez tivesse razão: o mundo enfrenta neste século 21 uma luta de classes. Mas quem ficou ao lado dos ricos foram os marxistas.

Uma nova esquerda

Aliás, o partido número 13 mostrou a que veio durante seus 13 anos no poder. Fora da bolha que criaram, nem todos se esqueceram do desastre econômico que eles produziram e dos megaescândalos de corrupção que promoveram. Repetem de boca cheia a palavra “democracia”, mas apoiam as piores ditaduras e regimes falidos, como Venezuela, Cuba e Argentina. Essas são as utopias que nos oferecem. A lógica não é o forte de seus apoiadores.

A esquerda, que já lutou pela “emancipação do proletariado” como um todo, agora se limita a apoiar militantes de grupos raciais, pessoas que não querem ser nem homens nem mulheres e defensores do aborto. Defendem causas como o direito de se viciar em crack. Ideologicamente, meteram-se num gueto de contradições e atos difíceis de serem justificados.

Eu acredito na democracia. Nada substitui o debate de ideias e o confronto civilizado de concepções de mundo. Um país de pensamento único não é democrático. Na minha opinião, o Brasil precisa sim de uma esquerda. Mas de uma nova esquerda – construtiva, produtiva, civilizada, ética, livre de dogmas apodrecidos, honesta e liberta de um passado de tiranias e horrores. Uma esquerda que dialogue com a sociedade, que lute com suas convicções pela população — e não por corporações corrompidas e grupinhos de milionários.

Essa velha esquerda de “ideias mofadas” representada por Lula (e Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann, Ciro Gomes, Guilherme Boulos, etc.) tornou-se uma seita regressista, poderosa e agressiva. Mas a lógica, essa senhora implacável, revela que ela e seu líder máximo se dirigem a passos largos para a implosão. Até Barbara Gancia parece ter intuído isso.

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ONDE A CANHOTA GOVERNA É ASSIM

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

ASSIM ME DISSE UM VIZINHO

Um candidato que sempre
Meteu o pau na “Puliça”,
Que dizia aos quatro ventos
Que todo crente é carniça
Hoje está modificado
Candidato a Deputado
Vive rezando ajoelhado
Três cantos tem visitado:
Quartel, o Culto e a Missa.