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ALEXANDRE GARCIA

PESQUISAS E RUA

Bolsonaro após discurso em João Pessoa (PB), onde anunciou aumento no Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600

Na natureza do jornalista está o ceticismo, a incredulidade, tal como São Tomé. Um grande pecado é a ingenuidade, a credulidade. Não pode aceitar um fato à primeira vista, como se fosse uma questão de fé. Digo isso para me justificar: não é questão de má vontade com as pesquisas; é uma questão de racionalidade, em que a dúvida é o melhor aliado. Tudo isso para dizer que não levo pesquisas a sério. Elas já me enganaram. Se eu permitir que me enganem de novo, a culpa é minha.

Estamos em agosto. No agosto de 2018, a pesquisa mais conhecida mostrava que Bolsonaro tinha a maior rejeição entre os candidatos; Witzel, no Rio, e Ibaneis, no Distrito Federal, eram azarões; Dilma estava eleita senadora por Minas, onde Zema ficava para trás. Não sei por que milagre, o mais rejeitado dos candidatos acabou presidente da República. Agora vejo pesquisas que entrevistaram 2 mil, num universo de 156 milhões de eleitores. Quer dizer, a agência de pesquisa tem de descobrir 2 mil entrevistados em que cada um deles represente 78 mil eleitores. É um milagre da ciência estatística.

Vejo investidores, banqueiros, empresários, fazendo planejamento para o ano que vem com base nas pesquisas eleitorais. Pergunto se as pesquisas de mercado têm fornecido a eles caminhos seguros para apostarem no futuro. As pesquisas falam em margem de erro. Não consigo entender a matemática que dá um desconto de 5% ou 2% na psiquê do entrevistado. Não imagino que as agências estejam movidas pela intenção de buscar um resultado de sua preferência ou interesse. Apenas imagino como o método é carente de certezas. Prefiro a boca de urna. Mas tampouco consigo me convencer de que alguém que era do PT dois meses antes da eleição tenha votado em Bolsonaro na hora de acionar o teclado da urna.

O mais difícil é aceitar que políticos estejam usando as pesquisas como réguas da sua programação de campanha. Creio que o político é dotado, por natureza, de um instinto para o povo, de um sexto sentido que lhe faz sentir o que o povo quer. Seria então um populista, um demagogo? Provavelmente não. Pode ser um democrata, que sabe que o poder emana do povo e ausculta o que o povo quer, nos gritos, nas falas, nos gestos, nas vaias. Por falar em povo, concluo que acredito mais no que vejo nas ruas que naquilo que leio nas pesquisas.

DEU NO JORNAL

UM “PETROLON”

O Ministério Público da Argentina acusa os ex-presidentes Nestor e Cristina Kirchner de montar esquema de pirâmide para fraudar cofres públicos e desviar verbas.

Praticamente um “petrolon” de obras públicas.

* * *

Onde a esquerda governa, a ladroagem é fatal.

É a lei canhota.

Não tem pra onde correr.

Aqui no Brasil a gente sabe bem o que é isto.

PERCIVAL PUGGINA

SÉRGIO MORO: PÂNICO A BORDO E CARGA AO MAR

Sérgio Moro é um caso para estudo em Ciência Política e Comunicação Social. Como juiz, trabalhou muito, chegou ao estrelato e se tornou celebridade mundial credora de reverências. Precisou bem menos para ele próprio jogar isso fora numa operação tipo “carga ao mar” usada por navios em situações de pânico a bordo. Seus erros são um mostruário do que não se deve fazer em política.

Errou como magistrado ao desistir da carreira em que se consagrou para ser ministro do governo Bolsonaro sem ter afinidade com ele.

Errou ao crer que disporia, no ministério, da mesma autonomia que tinha em seu gabinete de magistrado. A vida, neste governo, não é assim. Antes, os ministérios funcionavam em modo “porteira fechada”, operando ali um patronato compartilhado entre o ministro e seu partido. Todos sabemos aonde tal prática levou.

Errou muitas vezes na relação com o presidente, modificando seus projetos e desconhecendo suas promessas de campanha e seu perfil conservador. No governo, se revelou um socialdemocrata e quis impor essa orientação ao Ministério da Justiça. Foi assim que perdeu a ambicionada cadeira no STF.

Errou ao “sair atirando” quando deixou o ministério, evidenciando mágoa, sentimento nocivo, mormente quando tornado público. “Never complain!” (Nunca queixar-se!) é parte de conhecido aforismo de Benjamim Disraeli, que foi por duas vezes primeiro ministro do Reino Unido na segunda metade do século XIX.

Errou ao aceitar convite para trabalhar numa empresa norte-americana que tem a Odebrecht em seu portfólio de clientes ativos.

Errou ao não defender seu trabalho na Lava Jato com o vigor que a situação exigia quando este se tornou objeto de intriga e maledicência no STF.

Errou ao avaliar suas condições para disputar a presidência na condição de 3ª via quando era o menos indicado para esse papel. Sabidamente, Moro tinha frontal antagonismo com os dois ponteiros da disputa, sendo-lhe impossível tirar, destes, os votos necessários para ultrapassá-los. Um pouco de sensibilidade política e de aritmética elementar teriam sido suficientes para evidenciar isso.

Errou ao se filiar ao Podemos, um partido socialdemocrata, dissidente do PSDB, sem avaliar sua receptividade pelos deputados federais da sigla, já comprometidos com candidaturas em suas alianças regionais. Filiou-se em novembro de 2021 e se desfiliou em abril de 2022.

Errou ao filiar-se ao União Brasil (PSL + DEM), onde encontrou o mesmo problema na ala PSL do novo partido, e se vê às voltas com o projeto pessoal de Luciano Bivar.

Errou ao postular uma candidatura ao Senado por São Paulo, quando não tinha como comprovar sua condição de eleitor residente no Estado, fato que o levou de volta ao Paraná onde busca ser candidato ao Senado. Ali, o que seria fácil, ficou difícil contra Álvaro Dias (Podemos) e Paulo Martins (PSD), candidato oficial do governador Ratinho Jr., politicamente muito forte no estado.

Na base de quase todos os erros cometidos a bordo, está o mau uso dos dois anos de que dispôs até chegar ao instante decisivo das convenções partidárias. Perdeu a oportunidade de se preparar para afastar de si a imagem de inexperiente, forasteiro na política, e orientar melhor suas decisões num cenário sem dúvida complexo.

DEU NO JORNAL

SUPREMAMENTE MENTIROSO

O presidente Jair Bolsonaro criticou o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, nesta terça-feira, 2.

Segundo o chefe do Executivo, o juiz do STF articulou-se pela derrubada do voto impresso em 2021, enquanto presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“O Congresso aprovaria a PEC”, disse Bolsonaro, em entrevista a uma rádio gaúcha, na manhã de hoje. “Presidente do TSE, Barroso foi ao Parlamento e se reuniu com lideranças. No dia seguinte, eles trocaram vários integrantes das comissões, de modo que votaram contra a PEC do Voto Imprenso.”

Bolsonaro lembrou que, depois do encontro, a medida foi derrubada. “No plenário, não conseguimos os 308 votos e perdemos”, contou.

“Então, uma interferência direta do Barroso dentro do Congresso para não aprovar o voto impresso, o que é crime previsto na Constituição. O Barroso é um criminoso.”

Conforme Bolsonaro, após a derrubada do voto impresso, o ministro do STF ainda viajou para os Estados Unidos, para dar uma palestra sobre “como tirar um presidente”.

“Ele vai para o Reino Unido e fala que a gente queria ressuscitar o voto impresso, como antigamente. Barroso, tu é um mentiroso.”

* * *

Acertou bem no olho do furico de Boca-de-Veludo:

Ele é mesmo um tremendo dum mentiroso, com a maior cara-de-pau.

Como são todos os militantes políticos daquela casa tenebrosa, asquerosa, fedorenta.

Apoio integralmente o presidente: esse cabra anda bem distante da verdade.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O ENTERRO DA CIGARRA – Olegário Mariano

As formigas levavam-na… Chovia…
Era o fim… Triste outono fumarento!…
Perto, uma fonte, em suave movimento,
cantigas de água trêmula carpia.

Quando eu a conheci, ela trazia
na voz um triste e doloroso acento.
Era a cigarra de maior talento,
mais cantadeira desta freguesia.

Passa o cortejo entre árvores amigas…
Que tristeza nas folhas… Que tristeza!
Que alegria nos olhos das formigas!…

Pobre cigarra! Quando te levavam,
enquanto te chorava a Natureza,
tuas irmãs e tua mãe cantavam…

Olegário Mariano, Recife-PE – (1889-1958)

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BERNARDO - DIRETO DO PINGO NOS Is

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RODRIGO CONSTANTINO