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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ORGULHO – Virgínia Vitorino

És orgulhoso e altivo, também eu…
Nem sei bem qual de nós o será mais…
As nossas duas forças são rivais:
Se é grande o teu poder, maior é o meu…

Tão alto anda esse orgulho!… Toca o céu.
Nem eu quebro, nem tu. Somos iguais.
Cremo-nos inimigos… Como tais,
Nenhum de nós ainda se rendeu…

Ontem, quando nos vimos, frente a frente,
Fingiste bem esse ar indiferente,
E eu, desdenhosa, ri sem descorar…

Mas, que lágrimas devo àquele riso,
E quanto, quanto esforço foi preciso,
Para, na tua frente, não chorar…

Virgínia Vitorino, Alcobaça, Portugal (1895-1967)

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A PETRALHA E O BANDIDO. CURTINDO CAMISA DE OUTRO BANDIDO

PERCIVAL PUGGINA

O BIG BROTHER MUDOU-SE PARA A COBERTURA. NA CARADURA

Quando tudo parece muito ruim;

quando ministros do STF proferem decisões como quem dispara o gatilho e

quando leem a Constituição como magos em torno de obediente bola de cristal;

quando quem tem o dever constitucional de reagir não o faz;

quando quem tem o dever moral de denunciar, aplaude ou silencia;

quando a violência judicial é incitada pela orquestração midiática;

quando um ladrão pode concorrer à presidência da República e tantos não se importam com isso;

quando o Big Brother sem votos mudou-se para a cobertura e vai deixando vítimas,

devemos começar a pensar sobre o que vem depois.

Sim, porque haverá um depois. Hoje, o Brasil está assim, mesmo com nossa intimidade e nossos direitos de opinião e expressão respaldados pela claudicante Constituição Federal e legitimados pelo resultado eleitoral de 2018.

Mas, e se o pior acontecer? Se a nação for levada ao desvario pela manipulação midiática, da qual as cenas teatrais da última segunda-feira, representam um pequeno espasmo dos contorcionismos cotidianos no carretel dos noticiários? Se o poder que tudo pode se sentir legitimado, a ditadura consolidar-se na cobertura e os ratos ocuparem o prédio?

Na reta final da eleição mais decisiva de nossa história, somos levados a entender que os passos já foram dados, os postos tomados, as portas aferrolhadas. A grama do vizinho pisoteada; sua porta arrombada; já levaram seu computador, seu celular, seus papéis; já vieram buscá-lo. Mas aquilo não era com você, certo?

Há mais de um século é contada a sequência dessa história. Os que hoje trovejam o horizonte nacional, são fraternais amigos de ditadores vizinhos e distantes que estão fazendo exatamente isso. Outubro é logo ali. Faça a sua parte.

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COMENTÁRIOS SELECIONADOS

UM CASAL DE JORNALISTEIROS GLOBENTOS

Comentário sobre a postagem BOLSONARO NO JN

Maurino Júnior:

Há mais de três anos não assistia ao Jornal Nacional.

Quanta certeza tive hoje da derrocada desta emissora e deste que hoje nem sequer é um noticioso e sim um jornaleco comandado por dois paspalhos que se portam fazendo uma espécie de paródia de jornalismo.

Panfletários, babando ódio, a dupla de âncoras cheios de caras e bocas perdeu a noção do ridículo, a elegância e com ela a decência mínima.

Decrépitos, e órfãos de prestígio, credibilidade e audiência, tentaram desempenhar um arremedo de entrevista ao Presidente da República.

Numa demonstração inequívoca da má intenção, da ausência de ética e da contaminação do espírito maléfico, se portaram como aquele mau caráter que ardendo de inveja nada sabe fazer ou dizer que não tentar destruir e maldizer o entrevistado desafeto.

Dois lacaios em derrocada, rebolando como abre alas e fazendo o papel triste de serem a linha de frente de um grupo empresarial cheirando a vela com bafo de hienas.

Agressivos e transpirando infelicidade, esses dois bobalhões gravaram seus nomes na história buscando a todo tempo nocautear a golpes baixos aquele que escolheram como inimigo.

Mas tomaram um baile de um líder que não cedeu à baixaria e não vergou a espinha.

Nunca antes na história desse país um veículo de comunicação bateu tanto em um homem público.

E ao invés de derrubá-lo se auto destruiu.

Hoje todos que se sentem motivados a seguir essa profissão em extinção que é o jornalismo, tiveram uma aula de como não ser.

E nós, que assistimos ao show de horrores protagonizados por Bonner e Renata, tivemos uma certeza: vimos a consolidação do JN como um panfleto difamador televisado completamente cego como todo tolo bufão apaixonado!

É a asfixia da má-fé absoluta e absurda pela verdade libertadora dita por um Presidente que não entrou na baixaria e não perdeu a linha!

Que fase, Globo! Que fase…

* * *

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

AS PALAVRAS E OS CAVALOS

Comumente, os escritores dispensam cuidados especiais ao léxico, a bem dizer, se esmeram em escolher os vocábulos que guardam maior pertinência com o sentido de cada frase. Escolher o vocábulo mais apropriado a cada frase corresponde, por aplicação analógica, à roupa mais indicada para cada ocasião. O critério vem de longe, remonta a Voltaire (1694-1778): “Uma palavra posta fora do lugar estraga o pensamento mais bonito”.

Mas o que as palavras têm a ver com os cavalos? Vejamos: nos tempos em que a agricultura dormia e acordava sob padrões rudimentares, as fazendas onde havia forte exploração agropecuária dispunham, obrigatoriamente, de um time denominado cavalhada, por meio do qual levavam-se a termo variados serviços rurais. Cada cavalo desempenhava papel condizente com o seu perfil. Assim, por exemplo, para puxar a carroça recorria-se a um animal robusto, porém traquejado; para o trabalho de campo, monitoramento do gado vacum, a escolha recaia sobre um animal de resistência duradoura, além, é claro, de rédea submissa para permitir ao vaqueiro, mediante o manejo da brida, ziguezaguear pelas sendas e quebradas; para as tarefas de “pega” recorria-se a um cavalo mais árdego, também conhecido por cavalos de chegada, este, aliás, privativo dos peões seniores, a bem dizer “peões de boiadeiro; para levar crianças e moçoilas à escola a opção recaia sobre um cavalo de doma, geralmente avelhentado.

Portanto, para a faina rural não bastava requisitar da área de pastejo (pradaria ou fechado da capoeira), qualquer cavalo. Era preciso definir o tipo de serviço para, finalmente, trazer pela arreata aquele animal cujo perfil se coadunava com a natureza do serviço a ser executado. Só se compra sapato conhecendo-se o tamanho do pé.

Assim como o perfil dos cavalos praticamente expressa o uniforme das suas funções, aos vocábulos, por relação de semelhança, sucede o mesmo. Por mais que alguns vocábulos guardem paridade, por mais que sejam concernentes ao sentido da frase, sempre haverá um que se revela primaz, se impõe pela pertinência, pela expressividade, pela sonoridade. São as sutilezas da sinonímia que não se pode desprezar; cada unidade tem seu grau de pertinência. Pena que essa particularidade linguística tenha caráter secundário aos olhos dos tempos tecnológicos; que concorrem para o vernáculo trafegar maltrapilho.

Comum é deparar-se com vocábulos, assaz malsonantes, comprometendo não apenas a efetividade da frase, mas também descompondo-lhe a fisionomia. São verdadeiros “cavalos” operando em desvio de função, alguns dos quais tão fora de lugar quanto peixe no asfalto.

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CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

TENENTE BARROSO

Ele era tenente, alto, forte, atleta, campeão de vôlei e basquete. Mas gostava mesmo de outro jogo mais maneiro, um carteado. Aos domingos sempre almoçava em minha casa; assim que chegava entrava na rodada domingueira de um pôquer baratinho, que meu pai jogava com alguns vizinhos. Eu, no início da adolescência, admirava aquele tenente desenvolto, risonho e franco. Porém, a maior admiração era o que ele tinha de mais bonito, mais precioso, sua gentil e alegre esposa. Quando o tenente sentava para jogar, ela dizia não entender como podiam perder uma praia tão bonita como a da Avenida da Paz. E me chamava para acompanhá-la, dar um mergulho. Aos domingos eu ficava em casa de propósito, à espera do jovem casal e desse convite.

Ela me abraçava pelo ombro e descíamos à praia, sentávamos na areia branca e fina embaixo da sombrinha. A Deusa era olhada e desejada por todos os homens de todas as idades. Ficavam contemplando o ritual; a divina tirava devagar a blusa e o short até aparecer seu biquíni sempre em tecidos floridos. Estirava a toalha na areia, pegava um livro e deixava que o Sol e os olhos pecaminosos dos homens, inclusive os meus, tomassem conta daquele corpo perfeito, pernas esguias douradas de penugens lourinhas oxigenadas, como se fossem enfeites, dava um irresistível desejo de alisá-las.

Ela pedia que a chamasse quando estivesse na hora do almoço para dar o último mergulho e irmos juntos para casa. Antes do almoço mergulhávamos juntos, ficávamos na brincadeira de dar caldo um no outro, alimentando minhas fantasias. Na hora do futebol, eu deixava aquela mulher deitada ia bater minha pelada. Ficava me gabando, fazendo inveja em ter uma amiga carioca. Os amigos e os mais velhos queriam saber tudo sobre aquele monumento.

Havia um grande advogado em Maceió, com fama de competente e mulherengo. Certo dia a bela criatura teve que recorrer ao doutor sobre uma herança. O famoso causídico, por sinal um tremendo canalha, passou a maior cantada em nossa Deusa. Ela, discreta, com classe, se esquivou, terminou a conversa, foi embora, prometendo nunca mais voltar àquele escritório. Só porque vestia roupas leves, sensuais, andava de biquíni nas praias e nos clubes, era uma moça extrovertida, típica carioca, o doutor fez um erro de avaliação e continuou a assediá-la por telefone ou quando a via. Mas a moça era honesta, aguentou quanto pôde o assédio. Até que um dia acabou a tolerância, contou toda a história para seu tenente, alto, forte e bonito.

Ele mandou a esposa marcar um encontro na própria casa dizendo que o marido viajaria. No dia, na hora, sem atrasar um minuto, o advogado bateu à porta. Logo ao entrar, ela, constrangida, mandou-o sentar-se. Mas o grande advogado estava com a cabeça virada, agarrou-a, sem as preliminares que a situação exige.

No momento em que tentava abraçá-la, apareceu o tenente na sala empunhando uma pistola 45. O susto deu um branco literalmente no doutor, ficou da cor de papel, gaguejava tentando explicar. O medo foi enorme, o doutor borrou-se na calça, e pedia suplicante: “Não me mate, não me mate.” Ajoelhou-se chorando.

O tenente disse-lhe que o mandaria às profundas do inferno, onde jamais cantaria uma mulher honesta. O famoso advogado chorava e gemia, pedia perdão. O tenente deixou prolongar por um tempo a expectativa, escarnecendo do choro do conquistador. Em certo momento o Tenente pediu à mulher para trazer-lhe um copo grande na cozinha. Pegou o copo, desabotoou a braguilha e num jato forte fez xixi dentro do copo. Levantou o copo cheio com a mão esquerda e a pistola com a direita, disse alto e bom som: “Não lhe mato, mas você vai beber o meu xixi.”

O doutor não teve dúvida: pegou o copo, colocou os lábios na borda e tomou aquele líquido amarelo, quente e espumante. Quando terminou, ele tremia de medo, de pavor. Nesse momento o tenente foi ríspido: “Vá embora, seu filho de uma cadela e nunca mais cruze comigo ou com minha mulher; na próxima vez, sem perdão, meto uma bala nos seus cornos.”

Ouvi essa história contada pelo próprio tenente a meu pai. Eu estava sentado perto dos dois, fazia que organizava a coleção de selos como quem não quer nada, prestando atenção à história. No domingo seguinte desci à praia mais cedo. Quando a musa apareceu na praia me deu um alô com as mãos perguntando: “Onde está meu cavalheiro que não me esperou?”

Aproximou-se abrindo os braços, me abraçou forte. Ao deitar-se na areia, fascinado olhei suas apetitosas pernas, lembrei-me da história. Pensei. “Se o tenente descobre meus desejos, vou terminar comendo cocô.”