DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

MANIAS DE ESCRITORES

Escritores, e grandes personagens, tem suas manias. Ou vícios, como preferirem. E é sempre bom lembrar La Rochefoucauld (Reflexões), “o que impede de nos entregarmos a um único vício é ter vários”. Beethoven, por exemplo, tomava café enquanto compunha sua 9ª Sinfonia. Como tinha refluxo, separava 60 grãos. O suficiente para fazer uma única xícara que ia bebendo, aos poucos, até a noite. Já com Voltaire eram 80 xícaras. Dizia sempre “claro que é um veneno lento” (a frase está em todas as suas biografias), mas morreu só com 83 anos – para sua época, um feito notável. Balzac bebia mais de 50, por dia; e ainda mastigava os grãos, depois, como se fosse amendoim. Monteiro Lobato misturava tudo com farinha de milho e rapadura. Joyce preferia chocolate. E Alexandre Dumas (pai), maçã. Quando tinha prazo para finalizar um trabalho, pedia à empregada para sair de casa levando todas as suas roupas, dado que só nu podia se concentrar e escrever.

Pedro Nava prendia os móveis de sua casa no chão, com pregos, para que ninguém os tirasse do lugar. Dorival Caymmi, compositor que mais músicas fez sobre o mar e os pescadores, não sabia nadar. Nem jamais pescou um peixe, na vida. Igual a Millor Fernandes; que, mesmo assim, acabou no Canadá vice-campeão mundial na pesca do Marlin. Edgar Rice Burroughs, criador de Tarzan, nunca esteve na África. Enquanto Guimarães Rosa, imortal autor de Grandes sertões: veredas, conheceu o sertão uma única vez, montado num burro manso, e por apenas 15 minutos. Rosa se considerava um homem de sorte. Tanto que, na Segunda Guerra, saiu do apartamento e foi uma kaffestube, do outro lado da rua, para se reabastecer de cigarros. Foi quando caiu uma bomba e destruiu seu prédio. O vício lhe salvou. Eleito para Academia Brasileira de Letras, em 08/08/1963, passou quatro anos sem tomar posse com receio do vaticínio de uma vidente que previu sua morte caso assumisse a Cadeira 2. Até se convencer de que não precisaria se preocupar com previsões desse tipo. Erro grande. Que assumiu em 16/11/1967, com todos as pompas, para morrer três dias depois. Sorte no fumo, azar com a vidente. Rosa escreveu “viver vale sempre a pena” (Buriti), quase o mesmo que Pessoa, “tudo vale a pena” (Mar português). E ele próprio disse, na sua mais conhecida frase (em GSV), “a vida é um negócio muito perigoso”. É mesmo.

DEU NO JORNAL

O ÚLTIMO TOLÔTE DO EX-PRESIDIÁRIO

Além de criticar a Lei da Ficha Limpa, o ex-presidente Lula atacou nesta quinta-feira (18) a “babaquice sem precedentes” da exibição, por tantos brasileiros, das cores verde e amarela.

* * *

Coerência total:

Um bandido de alto calibre, um ladrão com prontuário da pesada, tem mesmo que criticar a Lei da Ficha Limpa.

Lógico.

E, por fim, um infrator reincidente, um pulha vermêio-istrelado, guru de uma seita canalha, só pode mesmo que criticar as cores da nossa pátria amada Brasil, o verde e o amarelo.

Aquela pátria que ele deixou arrasada.

“Babaquice sem precedentes” é a existência de idiotas que ainda seguem esse sujeito.

Putz!!!

O Brasil é verde-amarelo, seu cachaceiro safado!!

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

O MUNDO

“A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.” (Guimarães Rosa)

O mundo é pequeno, mas a maioria dos homens se julga tão grande, que não se pode andar em direção alguma, sem se correr o risco de pisar nos calos de alguém. Se, porém, ficarmos parados, os que tem pressa passarão por cima de nós e pisarão nossos pés.

Não agradamos a ninguém pela nossa brandura, e jamais agradaremos pelo nosso modo ríspido de dizer a verdade. Temos que dizer sim aos mandões, sob pena de ficarmos antipatizados.

Seja qual for a forma de procedermos, teremos sempre inimigos gratuitos. E não são poucos.

A simplicidade dos bons é vista como idiotice por parte dos esnobes, prepotentes e ambiciosos.

O culto ao dinheiro por parte dos invejosos, faz com que eles sofram, com inveja daqueles que são controlados e não gastam mais do que podem.

As “parcelinhas” do cartão de crédito tiram o sono dos irresponsáveis, viciados em dever.

O pior é que muitos acham que quem economizou e fez um pé de meia, deve abrir mão do que tem, para dar cobertura à irresponsabilidade deles, que sempre gastam mais do que podem, optando pelas coisas supérfluas e deixando as necessárias para depois. Estes planejam sempre tirar vantagem do dinheiro alheio, e no vocabulário deles não existe a palavra “escrúpulo”.

A inveja, o olho grande e a ganância fazem do mundo uma competição. Ninguém perdoa o sucesso de ninguém e as boas qualidades de uma pessoa são ignoradas. Enquanto isso, os defeitos são procurados com lente de aumento, ou lupa.

Há pessoas vaidosas e orgulhosas, que parecem certos pasteis de feira. Tem uma casca crocante e estufada, de chamar a atenção. Mas, por dentro, quase não tem recheio. Um verdadeiro engodo.

Isso me faz lembrar um ditado do tempo da minha avó paterna, D. Júlia: “Por cima, muita farofa, e por baixo molambo só”.

E assim caminha a humanidade.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOÃO AMARAL DE SOUZA – IMPERATRIZ-MA

Grande Berto!

De que lado você está?

É chegada a hora de decidir o que você quer.

A primeira imagem mostra o capitalismo.

A segunda, o comunismo.

Em outubro próximo você vai ter que escolher.

Decida-se.

R. Êita peste!

Quer dizer que eu vou ter que escolher entre uma prexeca e uma pajaraca???!!!

Danô-se!

Pode ficar certo que já fiz minha escolha, caro leitor:

Vai ser a primeira!!!

Não tenha a menor dúvida!

DEU NO X

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PENINHA - DICA MUSICAL