LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SPOCK LEE – NEW CASTLE, DELAWARE – USA

Berto,

Veja como são as coisas. O final do mês está chegando, o galo está duro.

Me d-i-g-a se é verdade ou fake.

Ouvi dizer que a Chupicleide está “amuada”.

Uns dizem que é crise braba de abstinência pois, faz tempo que não molha o bico.

Outros juram que foi vista lá no bairro do Amparo, próximo do “Bar de Jó”, vulgo (O buraco da tua sogra), no meio de um Maracatu encarnando a “Dama-do-Paço”, personagem feminina que, no maracatu, dança com uma boneca enfeitada na mão, saudando os espectadores e recolhendo dinheiro…

Vôtê!!!

Quem puder ajudar a nossa querida Chuupicleide a lamber os beiços novamente, custa pouco, basta um singelo óbolo em “vil metal” corrente ou pi.qui.ci.

Fica a dica!

P.S. Perdoe-me a saliência e a sacanagem. Essa gazeta tá muito séria nos últimos tempos.

Fraterno Abraço

R. Você diz que essa gazeta escrota tá muito séria ultimamente.

Eu imagino se estivesse esculhambada como seria….

Vôte!

Deve ser consequência da sobriedade e da seriedade do novo gunverno, meu caro.

Quanto à Chupicleide, ele adorou a dica que você deu pra que os fubânicos usassem o pi.qui.ci.

E sugeriu que você puxasse a fila e fizesse seu óbolo hoje mesmo, já que o dia está friorento e com muita chuva aqui no Recife, bem diferente daí dos Zisteites.

Por aqui tá fazendo um tempo ideal pra se tomar umas lapadas de aguardente.

E a inxirida mandou um xêro bem quente no seu cangote!!!

“Um xêro e uma lambida bem molhada no gogó!!!”

DEU NO JORNAL

DOCE HERANÇA

O pai do juiz Eduardo Appio, afastado da 13ª Vara de Curitiba, foi citado em delação da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato, pela qual era o responsável.

O ex-deputado estadual Francisco Appio (RS), morto em 2022 após um AVC, era filiado ao Progressistas, um dos partidos mais enrolados na operação. Na lista de pessoas que recebiam propina da empreiteira, o político aparece identificado com o codinome “Abelha”.

Em 2014, pleito estadual, aparece outro elo com empresa enrolada na Lava Jato. Três doações da JBS pararam na campanha de Appio.

Appio levou quase R$ 15 mil em doação da JBS, R$ 10 mil de doações cruzadas, de outras campanhas, e R$ 4,7 mil do diretório estadual.

O ex-procurador Deltan Dallagnol já questionou imparcialidade do juiz. Citou o pai investigado e doação de Eduardo Appio a campanha de Lula.

Appio foi afastado acusado de tentar intimidar o desembargador do TRF4 Marcelo Malucelli um dia depois de decisão contra o doleiro Tacla Duran.

* * *

Esse político já falecido, com o codinome de “Abelha” na lista de propinas da Odebrecht, produziu um mel muito doce.

Produziu um filho petralha que se tornou juiz luleiro militante, a ponto de usar a senha LUL2022 em acessos a sistemas de tribunais.

E que fez doação de R$ 13 reais pra campanha do Ladrão Descondenado.

O Brasil não é para amadores.

“Brigado pelos 13 reaus pra minha campanha, dotô”

DEU NO JORNAL

CARA-DE-PAU

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) costuma perguntar por que o agronegócio não gosta dele e que tenta uma reaproximação com o setor mesmo em meio a falas polêmicas.

A afirmação foi dada durante participação no programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda (22).

Fávaro foi questionado sobre as sucessivas declarações de Lula contra empresários do agronegócio já desde a campanha eleitoral de 2022 até as mais recentes, em que classificou os organizadores da Agrishow como “fascistas e negacionistas”. Também contou contra a presença de ministros na Feira do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) em São Paulo, há duas semanas.

“O presidente sucessivamente nos pede para estar próximo do agro, quer se aproximar, ele me pergunta por que não gostam dele, o que ele fez”, disse.

Carlos Fávaro admitiu que Lula emite frases “um pouco mais fortes”, mas que “tem que ser respeitado” pelas ações que fez pelo agronegócio nas duas primeiras gestões, entre elas a concessão de crédito com juros de 2,5% ao ano, infraestrutura para escoamento da safra, entre outros.

O ministro disse, ainda, que os empresários do setor têm uma visão do “Lula dos anos 80, quando tinha um viés ideológico muito mais acirrado à esquerda”, que é diferente do que foi eleito em 2002.

Fávaro afirmou, ainda, que Lula tem buscado uma “pacificação no campo” e que é a favor da reforma agrária sem a necessidade de invasão, mas sem pronunciar isso publicamente.

* * *

Esse cabra safado tá no time certo: o Descondenado acertou na escolha.

O cinismo dessa canalha não tem limites.

É de lascar!

Sério candidato ao Troféu Óleo de Peroba.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

JÁ HOUVE UM TEMPO EM QUE PETISMO E COMUNISMO ERAM COISA DE…

Paulo Polzonoff Jr.

Lula Umbigo

A imagem de Lula apontando para o próprio umbigo é uma tradução até poética da vulgaridade do petismo

Dois neurônios desencapados causaram um curto-circuito por aqui e, quando dei por mim, tinha sido transportado para a Umuarama do começo da década de 1990. Anos Collor. Ou talvez o presidente já fosse o Itamar. Família toda reunida. Churrasco. Os tios já meio cozidos. A louça empilhada na pia, à espera de quem a lavasse. E eis que alguém – um primo e o único universitário da mesa – sabe-se lá por que resolve falar de política.

Todos prestavam atenção ao que o Aluno do Ensino Superior (!) dizia. Mas será que ele estava falando mesmo aquilo?! O escândalo, veja só, não era o primo se declarar petista. Isso estava fora de cogitação! O escândalo era ele ponderar a possibilidade de talvez quem sabe um dia votar em Lula. “Por que não? Vai que muda alguma coisa…”, perguntou. E era como se ele confessasse práticas sexuais naquela época inconfessáveis.

Lembro bem. Minha avó quase teve um treco. As tias todas balançaram a cabeça em sinal de reprovação. A mãe dele não sabia onde enfiar a cara. O pai, depois de algumas muitas cervejas, prometeu deserdá-lo da herança inexistente. “Não criei filho para ser vagabundo!”, disse. Ou pelo menos é assim a memória lembra. Enquanto nós, os primos, tirávamos sarro do rebelde patético.

Pensei nisso depois de preencher o termo de não-aceite (termo horrível!) da taxa assistencial do glorioso sindicato do qual sou obrigado a fazer parte. Todo ano a mesma palhaçada! E aí você sabe como é essa coisa de pensar, né? Não sabe?! Te explico. Uma coisa leva a outra: você está preenchendo o documento, pensa que a chateação é melhor do que dar dinheiro para comunista, se dá conta de que provavelmente não é benquisto pelos membros dessa nobre instituição, se lembra dos amigos de faculdade de jornalismo, é transportado de volta ao centro acadêmico… Aí, do nada, quando você até já decidiu dar o expediente por encerrado, o pensamento tropeça na memória, te derruba no chão e, quando você percebe, a crônica já está no quarto parágrafo.

O fato é que, por muito tempo, se declarar de esquerda, e quanto mais petista (comunista nem sem fala!), não era socialmente aceito entre as famílias de bem. Petismo/comunismo era coisa de – com o perdão da palavra – vagabundo. Só os marginais votavam em Lula e no Brizola. Só os maconheiros falavam em igualdade, pô, mó legal aê. E, depois de 1991, só os loucos e fanáticos ousavam ostentar qualquer coisa que remetesse ao comunismo. Mesmo na faculdade de jornalismo da minha desnaturada alma mater, a UFPR, todo aquele papo de “Fora FHC!” era ridicularizado por nós, estudantes. Lula era uma figura patética e os professores mais radicais eram vistos com a zombaria devida.

Eu tenho um sonho

Isso mudou em 2002. Na minha família mesmo, aquela descrita lá em cima, as tias e tios escandalizados passaram a exibir orgulhosamente a estrelona vermelha. Dos primos, provavelmente só eu ainda resistia à sedução das massas hipnotizadas pelo discurso populista – e cafona – do PT. Naquele ano, se duvidar até minha avó votou no Lula. Mais do que tolerável, infelizmente se tornou até admirável se declarar petista.

Mas não comunista. Tanto que, durante muitos anos ainda, organizações comunistas como o Foro de São Paulo eram tratadas como conspiração e paranoia. O Partido Comunista era uma relíquia caricata. Até o fim da primeira década do século XXI, chamar alguém de comunista era visto como um exagero. Imaginar que alguém pudesse querer instalar uma ditadura de esquerda no Brasil era delírio. Supor que um dia jornalistas apoiassem a censura de colegas era caso de hospício. E por aí vai.

Não preciso nem falar que hoje em dia se dizer petista e comunista é a coisa mais comum do mundo. Não preciso, mas falo mesmo assim: hoje em dia ser dizer petista e comunista é a coisa mais comum do mundo. Repetir slogans rançosos é aceitável. Defender ideias que já se provaram fracassadas é digno de aplausos. Contestar verdades históricas não rende mais o xingamento de “revisionista” – ou simplesmente “burro!”. Até sonhar com um paredónzinho deixou de ser considerado imoral, coisa de psicopata.

E agora vou encerrar a crônica subindo num caixote para, emulando as palavras do grande Martin Luther King, dizer que tenho um sonho: o de uma sociedade onde se declarar petista e comunista volte a ser motivo de escárnio, gargalhada e preocupação de mãe. Mas tem que ser algo natural. Orgânico, como se diz. Sem Lei Anticomunismo, sem que o Estado proíba a estupidez.

Sonho com um país onde se dizer leitor de Marx , usar boné do MST ou andar por aí com a carona feia de Lula estampada na camiseta volte a ser considerado coisa de jeca-mais-jeca-que-o-jeca-tatu. Sonho, por fim, em conviver com amigos que, ao avistarem o conhecido comunistinha, sussurrem: “Xi, lá vem aquele chato comunistinha. Tomara que não venha se sentar aqui. Disfarça! Disfarça!”.

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E DEVE VIR MAIS…

Enquanto cria impostos a granel, quinze até agora, Lula empurra com a barriga a reforma tributária para segundo plano, talvez terceiro, com a expectativa mais otimista de votação só no segundo semestre.

E olhe lá.

* * *

O mais coerente seria ele ter criado treze novos impostos.

Pra ressaltar o número de sua quadrilha, o 13.

Mas a ganância sobrepujou o simbolismo banditício e ele ultrapassou pra chegar em 15.

Por enquanto.

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