RLIPPI CARTOONS

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

INSÂNIA DE UM SIMPLES – Augusto dos Anjos

Em cismas patológicas insanas,
É-me grato adstringir-me, na hierarquia
Das formas vivas, à categoria
Das organizações liliputianas;

Ser semelhante aos zoófitos e às lianas,
Ter o destino de uma larva fria,
Deixar enfim na cloaca mais sombria
Este feixe de células humanas!

E enquanto arremedando Éolo iracundo,
Na orgia heliogabálica do mundo,
Ganem todos os vícios de uma vez,

Apraz-me, adstrito ao triângulo mesquinho
De um delta humilde, apodrecer sozinho
No silêncio de minha pequenez!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo, Paraíba (1884-1914)

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SPOCK LEE – NEW CASTLE, DELAWARE – USA

Gudi Night, Meo Nobre e Ilustre Caboclo dos Diários Fubânicos & Associados

Data vênia, considerando o alto risco de prisão em Banânia e, pelo mais lídimo direito de expressar uma opinião, hoje não ia dizer nada, aliás como de costume mas…

Uma fagulha de “Boa Notícia” tem que ser noticiada, comemorada e degustada, com a opulência nababesca dos mais requintados petiscos, só achados em lupanar de 5ª categoria.

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ALEXANDRE GARCIA

PELA CONSTITUIÇÃO

Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32, localizado no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32, localizado no Parque Ibirapuera, em São Paulo

Neste 23 de maio faz 91 anos que quatro estudantes paulistas morreram por uma Constituição. Getúlio Vargas havia assumido o poder pela Revolução de 1930, e governava discricionariamente, arbitrariamente, segundo sua vontade, sem assembleias que representassem o povo no Poder Legislativo. A federação deixara de existir – país unitário. São Paulo já era o estado mais importante – e o mais atingido. Não se conformou com isso. E começaram manifestações; em 25 de janeiro de 1932, aniversário da cidade, 100 mil pessoas se reuniram na Praça da Sé. No dia 23 de maio, numa esquina da Praça da República, houve confronto entre manifestantes e um grupo armado pró-Vargas. Fuzilaria e muitos mortos, entre eles, quatro jovens estudantes, que entraram para a história do Brasil como MMDC: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. O Obelisco do Ibirapuera, o mais alto monumento da cidade, foi construído para abrigar os corpos dos quatro precursores da Revolução Constitucionalista de 32.

Hoje convivemos com uma situação parecida. Temos Constituição, mas só é cumprida se o Supremo quiser. Somos chamados de República Federativa, mas a prática tributária mostra que o sistema é unitário, porque tudo depende do governo federal. Estados e municípios andam de pires na mão, à mercê da caridade federal. A existência de três poderes apenas está escrita na Constituição, mas a prática é a hegemonia do Supremo  sobre os demais – ironicamente, o Judiciário é o único que não tem representação popular, não recebe a procuração do voto. A Constituição, como garantidora de liberdades básicas e do devido processo legal, não tem-se imposto a decisões monocráticas de juízes do Supremo. Os direitos de reunião, de opinião, de expressão, estão reprimidos pelo medo, ante decisões que dispensam inquérito legal, ministério público, juiz natural e contraditório.

O chefe do Poder Executivo foi impedido de nomear subordinados, o presidente do Senado tem medo de adotar os remédios previstos na Constituição para retornar à normalidade democrática. Prisões em massa de manifestantes sem fragrante e cassação de mandato de deputado sem justa causa, deixam os mandantes e os mandatários com medo de se manifestarem. Diferente de 1930 nas aparências, mas não nas consequências.

A prisão de 1.390 manifestantes e a conversão deles em réus, certamente tem o efeito de atemorizar e dissuadir os que pretenderem manifestar nas ruas seu desejo de ver cumprida a Constituição. Afinal, os mais ingênuos queriam vê-la ultrapassada por forças militares. Erraram de endereço. Gritaram em vão diante dos quartéis. O alvo deveria ser os ouvidos de Rodrigo Pacheco. Mas, enfim, exerceram o livre direito de expressão sem anonimato, garantido pela Constituição. A prisão deles, em massa, era para intimidar. Mas os teimosos pela Constituição voltaram domingo às ruas  – e na icônica Curitiba – em favor de um deputado injustiçado. Não temeram, tal como os paulistas de 32. Haverá um dia um obelisco para eternizar os que lutam hoje pela Constituição.

RLIPPI CARTOONS

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

SOBRE GUERRA, BASE E CAPIVARAS

Estive este último mês entocado na minha oca, como um bom caeté, terminando de escrever e formatar minha Tese. Graças a Tupã a defesa será no dia 21/06/2023 às 13 e 30, horário do glorioso Mato Grosso do Sul. Assim que tiver as informações, vou ponhá para os demais caetés. Nhambiquaras, potiguiaras, nhandevas, tupi e guaranis de Pindorama o convite, e aqueles que puderem e quiserem assistir, fico agradecido.

Mas, não é sobre isso que quero falar. Apesar de ficar em silêncio, não deixei de acompanhar as fofocas e intrigas de Pindorama e as putanhices da grande taba central, aquele crime a céu aberto, aquele monumento à inutilidade e à corrupção chamada BrasILHA. E apenas sobre três assuntos banais que está queimando a mufa de muita gente aparentemente centrada.

Sobre a guerra da Ucrânia com a Rússia é até divertido, apesar de ser desastrosa, a campanha do condenado corrupto, alçado à condição de presidente da república – assim mesmo em minúsculo, para homenagear a atual conjuntura -, e seu turismo pelo mundo, com nosso dinheiro, acompanhado da primeira gastadeira de cartão corporativo, em se fazer protagonista da atuação mundial. Nessas horas lembro-me da sentença de Henry Kissinger, ex-secretário de Estado de Richard Nixon, sobre a América do Sul: é uma adaga enterrada no centro da Antárctica. Não significa nada!.

Com certeza, memórias como o Barão do Rio Branco, Azeredo da Silveira, Paulo Sérgio Rouanet – esse mesmo da famigerada lei que dá nosso dinheiro para artistas ricos e que produzem espetáculos grotescos e de cultura suspeita -, devem estar doloridas, por ver o desastre e a falta de objetividade da diplomacia nacional, que tem no descondenado seu mentor. Soa uma piada de mau gosto ver o presidente do Brasil ir a fóruns mundiais falar em democracia, ao mesmo tempo em que defende regimes criminosos como o da Nicarágua, da Venezuela e Cuba. É acintoso escutar o presidente falar nesses fóruns, em entrevistas e ver que ele está, literalmente, bêbado. E não é metáfora. Basta ouvir. A voz está pastosa, claudicante, quase incompreensível, os olhos injetados, os gestos lentos. Qualquer cidadão minimamente capaz de somar um mais um, de cara, vai perceber que o presidente está em estado etílico permanente. O resultado é a indisposição com países democráticos e poderosos e que pode nos render, no médio prazo, um embargo internacional. Aí só nos restará voltar para a mata e plantar aipim e colher jenipapo.

Outro tema que aquece os debates em Pindorama é a dita “falta de base parlamentar do governo” para apoiar seus projetos. Isso é brincadeira, ou deboche com a população que tem consciência histórica? Lula e o PT nunca, em todos os seus mandatos tiveram uma base parlamentar. E não tentem culpar o tal de “Centrão”. Esses parlamentares são tão legítimos quanto os demais, independente do espectro político que ocupem.

Alguém que está lendo este amontoado de bobagem se lembra do Mensalão? Do Petrolão? Vamos por parte. O mensalão, além de ter sido uma tentativa de golpe à democracia brasileira, foi a forma que Lula e o PT encontraram para “montar” a sua base parlamentar. Foi na compra de votos e consciências que isso aconteceu, até que o escândalo foi implodido por Roberto Jefferson. O mensalão foi uma espécie de avant-premiere para se aperfeiçoar a “montagem” de uma base parlamentar forte e que estivesse alinhada com os interesses do PT e de Lula. A figura sinistra de José Dirceu foi o maestro dessa sinfonia bizarra e golpista que deu com os burros n’água.

Com o fracasso do mensalão, Lula e o PT negociaram ministérios e cargos públicos, “de porteira fechada” para que os partidos pudessem entregar votos ao governo. O resultado foi o maior escândalo de corrupção da história da humanidade, não somente do Brasil: o Petrolão. As cenas eram grotescas. Ex-ministros devolvendo dinheiro e entregando os seus comparsas, donos de empreiteiras entregando o “capo di tutti i capi”, devolvendo dinheiro do cidadão que foi roubado – eu não aceito o termo desviado, aquilo foi roubo mesmo -, e distribuído entre comparsas e chefes políticos.

O petrolão foi outra tentativa, ainda mais mambembe de se formar a tal “base parlamentar”, mas há um problema de origem que está no âmago do PT e de Lula. Em todas as tentativas que Lula e o PT fizeram para anular a democracia, não queriam cúmplices, apenas súditos que dissessem “amém” para todos os descalabros dele. E, isso está se repetindo neste exato momento. O PT e Lula não aprenderam com os próprios erros. Hoje eles estão tentando comprar, de novo, uma “base parlamentar” para passar seus projetos autoritários, via as chamadas emendas R-2. É! Aquela mesma rubrica que eles chamavam de orçamento secreto do governo Bolsonaro. Só que agora, inconstitucional, segundo o Supremo Traidor Federal.

Há, porém um “senão” nessa dança macabra. Com a popularização das redes sociais, da internet e de seus fóruns de discussão a coisa ficou mais difícil de ser feita porque o escrutínio é em tempo real. Agora dá para entender o discurso do ministro balofo da justiça em dizer que a liberdade de expressão absoluta acabou. A tentativa de calar a sociedade, censurar as redes sociais e perseguir o cidadão, utilizando como corneta o mais autoritário dos ministros do stf, atropelando a constituição que juraram defender, jogando no lixo o estado de DIREITO, é apenas um movimento, enquanto lançam polêmicas para tirar o foco do essencial.

Por outro lado, vemos no parlamento brasileiro diversos discursos, seja apoiando, ou rejeitando projetos autoritários do executivo. Isso não me preocupa. O que me assusta, de fato, é quando vejo deputado e senador ir, sem pudor algum, às redes sociais e aos veículos de imprensa dizer que “ainda não está convencido desse projeto, ou ação”. Isso é mal sinal. Toda vez que um político, alfabetizado, com “trocentos” assessores, desde jurídicos, até aquele puxa-saco que leva o cafezinho na mesa dele, diz isso, traduza da seguinte forma: O governo ainda não chegou no valor ($$$) que eu quero para apoiar essa estrovenga. Não é convencimento. É compra e venda de voto mesmo. Então, se o seu representante chegar com essa lorota, saiba, ele está querendo mais dinheiro para poder vender o seu voto.

E, essa ação se dá em várias frentes e com diversos cafetões do voto parlamentar que assediam as “vestais” do legislativo. É promessa de liberação de emenda, oferecimento de cargo público, ou indicação de mais um incompetente para a diretoria de um banco, de uma estatal. Uma dança que tinha tudo para dar certo, mas a sociedade, através das redes sociais está mais atenta, quase que responde de imediato a essas tentativas. Aí está a justificativa de se montar o ministério da verdade, a comissão da mentira e da fofoca – recuso-me a chamar de fake news, pois se é mentira, não é notícia, é só fofoca -, se não para censurar, para levar à autocensura e Lula e o PT poder implantar seu projeto acalentado desde quando a quadrilha foi legitimada, lá em 1980.

Quanto às capivaras…, elas estão muito bem, obrigado. Pelo menos aqui na gloriosa Campo Grande, são a grande atração dos parques e córregos da cidade!

DEU NO JORNAL

QUAL O LIMITE DA COMÉDIA?

Francisco Razzo

Qual o limite da comédia?

Formulei esta pergunta retórica por causa do que aconteceu com o comediante Léo Lins. Digo “retórica” porque não pretendo deixar margens para dúvidas a respeito da minha resposta: não deve, em qualquer mundo possível, haver limites para a comédia. Antes de qualquer coisa, estou pensando em limites no nível jurídico, isto é, usar a força coercitiva da lei para restringir um comediante de fazer as pessoas rirem de si mesmas ou o odiarem por isso.

Sou defensor da liberdade absoluta de expressão como liberdade de se fazer uma piadinha bem suja e ofensiva. Isso não significa que defendo o direito de alguém entrar numa sala cinema lotada e gritar, sem aviso prévio, “bomba!”. A liberdade absoluta de uma piada ofender só é absoluta nos limites do sacrossanto ambiente narrativo da arte. Porque contar piada é fazer arte. Gritar “bomba” dentro da sala do cinema, não. O termo “liberdade absoluta de expressão” deve ser entendido no quadro de referência da arte e do debate de ideias. Ameaçar pessoas por gracejo grotesco não cumpre esses requisitos.

Limitar legalmente a comédia é limitar legalmente a arte. Comédia, boa ou ruim, não é manifestação política, declaração de guerra, nota de repúdio, um ato de legitimação do que ela expressa. Comédia é arte. Piada é comédia. Piada é arte. E Léo Lins é artista. E por ser arte, imita – parodiando Aristóteles – a condição deplorável da vida humana. E só em Estados policialescos e autoritários a arte é controlada por agentes do Estado, que coincidentemente não entendem nada de arte. Quem está autorizado a falar de arte? Qualquer pessoa. Mas dentro de uma discussão acerca da natureza do “gosto”.

Vamos aos fatos. O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a retirada do especial de comédia Perturbador do humorista Léo Lins do Youtube. Segundo alguns portais de notícia, “o comediante faz piadas com escravidão, perseguição religiosa, minorias, pessoas idosas e com deficiências”.

Léo Lins foi proibido de deixar a cidade de São Paulo por mais de dez dias sem autorização judicial. Ele foi proibido de “manter, transmitir, publicar, divulgar, distribuir, encaminhar ou realizar download de quaisquer arquivos de vídeo, imagem ou texto, com conteúdo depreciativo ou humilhante em razão de raça, cor, etnia, religião, cultura, origem, procedência nacional ou regional, orientação sexual ou de gênero, condição de pessoa com deficiência ou idosa, crianças, adolescentes, mulheres, ou qualquer categoria considerada como minoria ou vulnerável”. Léo Lins também foi intimado a “comparecer mensalmente em juízo para informar e justificar suas atividades”. Fora o fato de que poderá “pagar multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento das medidas”.

Esse tipo de ação contra o comediante, isto é, um artista, ultrapassa todos os limites do aceitável. Para ser irônico, lembra-me daqueles romances de Franz Kafka, onde o claustrofóbico absurdo é escancarado pela dramaticidade da trama. Qual crime foi cometido pelo comediante? Estamos diante da extrema instrumentalização da força do Estado, com seu aparato administrativo e burocrático, supostamente racional, cuja justificativa é proteger os mais vulneráveis de um… artista. Não se trata de comédia, mas a mais pura tragédia moderna.

Aqui perde-se toda dimensão do que significa o efetivo ataque odioso e perigoso a pessoas reais em contraste ao significado estético de uma narrativa cômica. Por exemplo, o que vem acontecendo com o jogador Vinícius Jr. As manifestações de racismo, no caso, são de efetivo ataque à sua dignidade como ser humano. Os gritos dos torcedores espanhóis contra o jogador não têm qualquer finalidade cômica exceto o propósito de destruí-lo. Naquele ambiente de estádio, o supostamente cômico da expressão “mono” serve à humilhação e destruição. Não é arte, é grito de guerra de um torcedor delirante.

Ora, piadas de Léo Lins estão em outro registro da linguagem. A finalidade não é humilhar e destruir um grupo ou alguém, mas elevar o efeito cômico da linguagem às suas últimas consequências. Quem já assistiu um show de piada sabe que o problema ali não é humilhar um grupo, mas testar os limites da linguagem, testar a narrativa cômica. É como aquela série de filmes de terror Jogos Mortais, que os críticos de cinema apelidaram carinhosamente de “tortura pornô”, por testarem os limites gráficos da violência. Piadas do Léo Lins seriam uma forma de “humor pornô”, pois testam todos os limites verbais do sujo, violento e desprezível no ser humano como expressão do “engraçado”.

Se não fizermos a distinção entre realidade e arte, destruiremos a arte e a realidade em nome de uma suposta justiça de Estado. Quem define as fronteiras entre arte e realidade? Não pode ser força cega de um Estado burocrático legal, racional e arbitrário. Quem se ofende com piadas precisa compreender a natureza própria da arte de contar piada para rirmos da nossa própria condição. Como dirá Bergson, que eu cito de orelhada: o riso é uma forma de distanciamento crítico, uma maneira de nos libertarmos temporariamente da seriedade da vida cotidiana.

RLIPPI CARTOONS

DEU NO JORNAL

JUIZECO LULO-PETRALHA DESMASCARADO

Appio Lava Jato Lula doações

O advogado João Eduardo Malucelli, filho do desembargador Marcelo Malluceli, gravou um vídeo mostrando uma ligação que recebeu do agora juiz afastado da Lava Jato, Eduardo Appio. O magistrado ficou conhecido por usar a senha LUL2022 em acessos a sistemas de tribunais.

Na ligação, Appio se identifica como “Fernando Gonçalves Pinheiro”, um suposto servidor da área de saúde da Justiça Federal, e faz uma ameaça a Malluceli. A análise de peritos da Polícia Federal constatou que a voz era de Appio.

“Sobre acesso a número de telefone utilizado em ameaça a desembargador federal, a partir de publicação de print de tela do eproc com dados sensíveis do advogado, apurou-se que o juiz federal Eduardo Fernando Appio acessou o referido processo judicial duas vezes em 13/04/2023, em horário muito próximo àquele da ligação telefônica suspeita”, informou a PF, em um laudo. A informação consta do voto do corregedor regional da Justiça Federal da Quarta Região, Cândido Alfredo Silva Leal Júnior.

Em virtude desse fato, e de outros argumentos usados pela Justiça, o Tribunal Regional Federal da Quarta Região afastou o juiz Appio do comando da Lava Jato.