J.R. GUZZO

MARINA SILVA NO GOVERNO LULA: PEDIR PARA SAIR OU ENGOLIR SAPO?

Marina Silva

A ministra Marina Silva, burocrata-mor do Meio Ambiente e figura colada há anos no ecossistema ambientalista, teve duas realizações notáveis em sua curta permanência no governo Lula. A primeira foi dizer, para os “bilionários do bem” que se reúnem todos os anos numa estação de esqui na Suíça, que havia “120 milhões” de pessoas passando fome no Brasil. (As agências de “verificação de fatos”, ligadas o tempo todo na fiscalização do que dizem os adversários do PT e suas vizinhanças, não fizeram nenhuma objeção – a ministra é uma dessas personalidades que foi canonizada em vida pela maior parte da mídia, e não pode ser criticada, nunca.)

A segunda realização de Marina, antes de se completarem seis meses de governo, foi ver o seu ministério amputado de funções essenciais. Para se ter uma ideia mais precisa das coisas: o Ministério do Meio Ambiente, hoje, é menos do que era no governo anterior, o mais amaldiçoado da história pelos ecologistas, militantes da natureza e salvadores do planeta. Pode?

As ONGs etc. etc. etc. estão indignadas, é claro. Exigem que o governo Lula defenda a “integridade” do MMA e lhe devolva as atribuições expropriadas; aparentemente, até agora, não conseguiram estabelecer uma relação de causa e efeito sobre o que aconteceu. Se foi o próprio governo quem decidiu esvaziar o ministério de Marina, como ele pode ser chamado para lhe prestar socorro? Não faz nexo. Mas o fato é que muito pouca coisa faz nexo em relação à Marina Silva.

Aos 65 anos de idade, e uns 50 como profissional das causas ecológicas no Brasil e no mundo, ela continua querendo ser amiga de Lula e do PT para receber alguma vantagem – e continua se dando mal todas as vezes em que tenta. Agora, mais uma vez, está na posição de pedir o boné e tornar-se ex-ministra, ou engolir o sapo e continuar grudada no governo. É uma situação inviável, até porque a ministra é uma figura inviável. Sua única função na vida pública tem sido fazer oposição ao progresso, sempre – e, aí, até o “socialismo” do PT fica incomodado.

“Qualquer tentativa de desmontar o serviço nacional de meio ambiente é um desserviço à sociedade brasileira” protestou Marina. “Isso pode criar gravíssimos prejuízos para o país”. É mesmo? Mas quem está prestando o que ela chama de “desserviço” não é a “direita”, nem o “agronegócio”, nem a oposição – é o governo Lula, do qual faz parte.

Como é que fica, então? A ministra, como já aconteceu em outras oportunidades, tentou fazer parte do Sistema Lula. Está vendo que não faz. Sua função é enfeitar o ministério com uma pegada ambientalista – e só isso.

RLIPPI CARTOONS

A PALAVRA DO EDITOR

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RODRIGO CONSTANTINO

OS GUARDIÕES DA GALÁXIA

Sou fã dos filmes da Marvel, em especial os dos Avengers. Prefiro os primeiros, e confesso não apreciar tanto assim os mais recentes, tanto do Homem Aranha como do Dr. Strange, com muito salto quântico temporal para forçar a barra. Os Guardiões da Galáxia eu já ignorava por completo, confesso. Mas acabei dando uma chance, vi o primeiro, depois vi o segundo e finalmente fui ao cinema ver o terceiro. Gostei bastante.

Para começo de conversa, pelo que esses filmes se propõem a oferecer: entretenimento com muito efeito especial. Eu vi em 3D, e há cenas espetaculares de lutas, de guerras espaciais e de monstros criativos. O filme é longo, mesmo assim prendeu a minha atenção, em parte por essa produção de primeira. Mas não só isso…

Não gosto de ficar filosofando muito em cima de filmes de heróis, mas a mensagem deste terceiro Guardião é muito boa. Chris Patt, um ator cristão assumido em uma secular Hollywood, protagoniza um filme com mensagem e estética claramente cristãs. Há uma cena inclusive copiada de A Criação de Adão, de Michelangelo. Todos merecem uma segunda chance, o perdão para um arrependimento sincero, e o perdoado salvo acaba dando a vida pelo nosso herói nessa bela tomada de cena.

O amor, a amizade, a busca por pertencimento e pelas origens, pela família, tudo isso consta no filme como pano de fundo essencial. Há salvação, mas também há um propósito para cada um de nós nesta vida, e devemos buscá-lo, dando o melhor de nós, criaturas imperfeitas e pecadoras.

Nem todos aceitam essa fragilidade, essa imperfeição. Em especial quem, por algum motivo, odeia a si mesmo e o mundo por tabela. É o caso de nosso vilão poderoso, mas arrogante. “Deus não existe, por isso eu tive que entrar em campo”, berra ele em determinado momento. Sempre justificando seus experimentos como a busca da utopia, da perfeição, aquele que tenta substituir Deus se mostra um hipócrita, como todo totalitário: alega mirar na criação de seres pacíficos e perfeitos, mas mantém um exército de soldados obedientes e agressivos. E quando o experimento não dá certo, ele simplesmente elimina toda uma civilização, por ser imperfeita.

Trata-se de uma mistura de Gattaca, filme de 1997 com Ethan Hawke, Admirável Mundo Novo de Huxley e A Ilha do Doutor Moreau, de H.G. Wells. Toda utopia busca uma fuga desesperada para a realidade imperfeita, no afã de evitar sofrimento, dor, decepção, morte. Mas acaba apenas criando um inferno. Já resenhei o filme Gattaca, usando como base a visão eugenista de gente como Peter Singer. O utilitarista defensor do direito dos animais não enxerga nada de sagrado na vida humana, e aqui começa sua crucial diferença para o cristianismo, que aceita o homem como ele é, vítima do pecado original, imperfeito, mas feito à imagem e semelhança de Deus (Imago Dei).

Quando resenhei o livro Contra a Perfeição, de Michael Sandel, falei desse impulso prometeico, da engenharia genética e da arrogância humana de tentar roubar o fogo dos deuses, substituir Deus. Programar filhos “perfeitos”, querer remodelar toda a natureza humana, é algo sempre muito perigoso. Para Sandel, parte da razão estaria na perda da dignidade humana, da “diminuição da importância da pessoa melhorada no feito que ela realiza”. Esse não é o principal problema para o filósofo, entretanto. Mais relevante seria “a aspiração prometeica de remodelar a natureza, incluindo a natureza humana, para servir a nossos propósitos e satisfazer nossos desejos”.

É esse impulso ao domínio completo que tanto incomoda Sandel. Para ele, isso poderia destruir “a valorização do caráter de dádiva que existe nas potências e conquistas humanas”. Não é preciso aderir a uma metafísica religiosa para valorizar esse aspecto de nossas vidas, que nos impõe maior humildade diante dos imprevistos. Mas claramente esse é um legado cristão.

Outro ponto importante para Sandel diz respeito ao amor incondicional aos nossos filhos, que estaria em xeque em um mundo onde tudo fosse programável. “Valorizar os filhos como dádivas é aceitá-los como são, e não vê-los como objetos projetados por nós, ou produtos de nossa vontade, ou instrumentos de nossa ambição”, diz.

Lutar e se esforçar para garantir o melhor ambiente e a melhor educação para os filhos é, sem dúvida, louvável. Mas quando o investimento na educação em prol do futuro dos filhos deixa de ser isso e passa a ser pura eugenia? Sandel crê que “o impulso de banir a contingência e dominar o mistério do nascimento apequena os pais projetistas e corrompe a experiência da paternidade enquanto prática social governada por preceitos de amor incondicional”.Sandel nos oferece uma sugestão: “Em vez de empregar nossos novos conhecimentos genéticos para endireitar ‘a madeira torta da humanidade’, deveríamos fazer o possível para criar arranjos políticos e sociais mais tolerantes com as dádivas e limitações dos seres humanos imperfeitos”.

Essa mensagem é a síntese do novo filme dos Guardiões da Galáxia. Cada um tem sua característica, sua qualidade, sua contribuição a oferecer, e suas limitações. Em vez de fugir dessa realidade, de nossas origens, que tal aceitá-las e tentar fazer o melhor delas? O Rocket, personagem central neste filme, acaba descobrindo que sim, ele é um “racoon”. E isso não precisa ser algo terrível. São suas atitudes que fazem de você um vilão ou um herói. Mesmo que você tenha nascido um simples racoon, você ainda pode ser um dos guardiões da galáxia, até mesmo seu capitão!

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

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AVISOS

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Conto com a compreensão de todos.

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BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DEU NO JORNAL

O “CALABOUÇO” DO MAL

Luiz Philippe Orleans e Bragança

O novo arcabouço fiscal proposto pelo governo Lula foi aprovado nesta terça-feira (23) pela Câmara dos Deputados.

O novo arcabouço fiscal proposto pelo governo Lula foi aprovado nesta terça-feira (23) pela Câmara dos Deputados

O Arcabouço Fiscal é ruim econômica e politicamente. O governo comprou uma base política com promessas de mais emendas parlamentares e a aprovação da nova regra fiscal é reflexo disso. Vamos direto aos pontos:

Maldades Econômicas:

1. Aumento de Arrecadação: a proposta é para gastar mais e para gastar mais precisa arrecadar mais. Portanto, mais poupança e renda serão removidos da sociedade para pagar pelos gastos. O governo deve buscar novas áreas para tributar que antes não eram tributadas. São poucas e talvez não compensem o volume necessário para equilibrar as contas. Isso significa que deve aumentar imposto de renda, imposto sobre consumo, dividendos, herança, grandes fortunas, altos salários e deve tentar recriar a CPMF. A sociedade com mais renda e poupança sob seu controle cria mais oportunidades de emprego, consome mais, investe mais e gera mais tributos. O governo não confia nessa verdade e deve agora seguir o modelo que sempre deu errado.

2. Contração Econômica: só de terem sinalizado que iriam criar uma nova regra fiscal o investimento privado no Brasil despencou. Agora vem a confirmação que os uma parcela crescente dos ganhos do trabalho da sociedade irão para o governo. O pior é não saber o quanto pode aumentar brutalmente em função dos rombos fiscais que certamente ocorrerão. O Brasil já registra alta no desemprego, aumento de fechamento de estabelecimentos de indústrias e comércio, o que aponta para uma diminuição de consumo e produção. O governo, ao invés de não intervir e deixar a economia fluir, agora deve estar pensando em um plano de gastos para a população e uma política industrial para tentar evitar a crescente crise que eles mesmos criaram.

3. Máquina Mais Ineficiente: com flexibilidade maior de gastar, o incentivo para melhorar a máquina pública com redução de redundâncias, demissão de pessoal desqualificado e adoção de melhores processos fica reduzido. Na cabeça dos gestores públicos, todo o problema da máquina pública pode ser resolvido com mais gastos e não com melhorias.

4. Juros Altos e Risco de Financiamento: com a medida, aumenta gastos sem vínculo com a performance da economia e também eleva de forma desproporcional o risco de aumento de impostos. Haverá impactos políticos e para evitá-los a solução será aumentar o endividamento do governo. Mas quem quer comprar dívida de um governo que pode aumentar impostos no curto prazo? Pois é, para vender títulos o governo terá que oferecer juros ainda mais altos. Como tanto os juros quanto o endividamento já estão altos, o risco de não pagamento (calote) para o investidor aumenta. Isso significa que o Brasil pode se tornar o país mais tributado do mundo com a burocracia mais ineficiente e com risco de falência iminente. Modelo de fracasso argentino.

Mas vamos às maldades políticas, pois essas podem ser piores ainda:

1. Compra de Parlamentares: o atual governo não tem base parlamentar e agora poderá gastar mais em emendas parlamentares, o que aumenta seu poder de compra de deputados e senadores – lembrando que as despesas obrigatórias consomem quase 90% do orçamento e o governo não tem como mexer nelas. No entanto com a nova regra os 10% de despesas discricionárias (“livres”), que incluem emendas parlamentares, ficam expandidas e certamente serão usadas para arrebanhar parlamentares debaixo do plano arcaico e ditatorial do governo. Que tipo de parlamentar se submete a essa troca? Pergunte ao seu deputado e senador que votou a favor da nova regra sem qualquer debate no legislativo. Ruim para a democracia do Brasil.

2. Compra do eleitorado: Com mais recursos discricionários o governo poderá comprar mais mídia e propaganda. Toda ditadura depende de censura e propaganda e os recursos vêm para atender esse segundo item que está sempre sob pressão de faltar recursos. O eleitorado responde bem à propaganda do governo nas mídias tradicionais ou através de influenciadores pagos? Uma parcela crescente, não, mas não podemos descartar o poder de distribuição de propaganda por longos períodos combinado com a crescente censura, tanto do governo quanto das plataformas, de canais contrários à agenda do governo. A ordem é limitar a informação indesejada para que o socialismo possa dominar.

3. Financiamento dos hermanos: com mais liberdade de gastar e arrecadar, o governo pode voltar a financiar seus amiguinhos do Foro de SP, que estão mais uma vez mal das pernas e precisam dos recursos do Brasil para sobreviverem politicamente. A ideia de uma organização acima das instituições do Brasil que comande a região já morreu no século passado, mas com o atual governo ela ainda é um objetivo plausível, pois a esquerda no Brasil não passou por uma reciclagem como a de países desenvolvidos. Retomar o financiamento de ditadores e políticos de esquerda na região e custear suas besteiras depois que assumem o poder ainda está na pauta.

O brasileiro precisa se engajar na questão tributaria. Sem se interessar em saber como os impostos afetam a sua vida e quais propostas devem ser combatidas, os acordos palacianos de Brasília voltaram a imperar sem limites mais uma vez. É uma vergonha ver o avanço que a opinião pública obteve nos últimos anos para não ter igual grau de mobilização em tudo o que se refere à questão tributária. Os parlamentares de oposição precisam de ajuda e a mobilização de opinião pública em torno desse tema é a única.

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