Já Bocage não sou! . . . À cova escura Meu estro vai parar desfeito em vento . . . Eu aos Céus ultrajei! O meu tormento Leve me torne sempre a terra dura.
Conheço agora já quão vã figura Em prosa e verso fez meu louco intento. Musa! . . . Tivera algum merecimento, Se um raio de razão seguisse, pura!
Eu me arrependo; a língua quase fria Brade em alto pregão à mocidade, Que atrás do som fantástico corria:
“Outro aretino fui . . . A santidade Manchei . . . Oh!, se me creste, gente ímpia, Rasga meus versos, crê na Eternidade!”
Manuel Maria de Barbosa l’Hedois du Bocage,Setúbal, Portugal (1765-1805)
O colorado Santiago Peña vota em Assunção (Paraguai); ele saiu vencedor na disputa realizada no dia 30 de abril
O povo paraguaio acaba de eleger novo presidente. Santiago Peña, 44 anos, sucede a seu correligionário do Partido Colorado Mário “Marito” Abdo, amigo paraquedista de Bolsonaro. Peña fez 43% dos votos, superando a coligação de centro-esquerda com 27%. É a maior vitória da centro-direita, porque elegeu 15 dos 17 governadores e a maioria da Câmara e do Senado. Mais do que isso, o vitorioso em confiabilidade foi o sistema eleitoral eletrônico com comprovante impresso. Em duas horas, resultado confiável. Foi também uma derrota da igreja progressista, que apoiou o perdedor.
O eleitor paraguaio parece estar bem informado. Percebeu que os governos de esquerda da América Latina não andam bem. O da Argentina é um fiasco. No câmbio libre, são necessários 300 pesos para comprar um dólar. E pensar que o ministro da Fazenda do Brasil queria moeda única com o Mercosul… O chileno Boric, depois que um plebiscito recusou sua constituição neoesquerdista, perdeu o rumo e já não sabe o que fazer. Na Bolívia, a vitória de Arce parecia dar força a Evo, mas o país ficou capenga com a hostilidade ao investimento privado e o câmbio fixo; sem reservas, está com dificuldades de importar. Na Colômbia, o presidente Petro está com dificuldades no Congresso e nas ruas; no Peru, acabou na cadeia o presidente esquerdista Castillo. No México, Obrador tentou restringir a oposição com uma lei eleitoral e agora enfrenta protestos nas ruas.
Quando não produz apenas fracassos, a esquerda latino-americana tem sucesso ao implantar ditaduras, como é de sua ideologia. Cuba é a mais antiga delas; além de antiga, antiquada. Nicarágua e Venezuela seguem-lhe os passos. É de sua natureza: censura, prisões, autoritarismo. Uma vitrine para os brasileiros mirarem, com espelhos ao fundo. Votamos assim, teremos um destino assim. Abandonamos a Constituição, que nos manteria como Estado Democrático de Direito; o descumprimento de leis é corrente; a existência de três poderes é lesada pela hegemonia do Supremo, o único poder sem a chancela do voto popular.
O Paraguai atrai investimentos brasileiros com um sistema tributário sensato e segurança jurídica. No Brasil, há fuga de capitais e gente, por insegurança pessoal, patrimonial e jurídica. Se tivéssemos o comprovante do voto, como no Paraguai, poderíamos garantir que foi por vontade dos eleitores, mas, depois do que vimos na abertura do Agrishow, em Ribeirão Preto, a dúvida persiste. Por enquanto, vivemos mais um degrau para o totalitarismo: o projeto para censurar as redes sociais, sem dar importância à Constituição, que bane “toda e qualquer censura”. A história nos conta que ganhamos a Guerra do Paraguai. Mas foi em 1870. Agora eles estão ganhando.
Foram classificadas de cenas de “horror” as fotos do relatório do Tribunal de Contas do Ceará sobre condições e infraestrutura de 15 escolas de nove municípios do estado do governador petista Elmano de Freitas.
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A expressão “cenas de horror” está muito bem encaixada nesta notícia aí de cima.
Um estado governado por um petralha não poderia produzir nada diferente do horror.
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), teve um breve encontro com Lula na manhã desta terça-feira, 2. O deputado levou a notícia de que o PL 2630, o projeto para implementar a censura na internet, não vai passar no plenário.
A votação está agendada para o período da tarde, mas pode ser adiada. Lira levou duas sugestões ao governo: adiar sem nova data estipulada e, nesse intervalo, abrir uma comissão para debater o tema com as big techs, ou apresentar um novo texto na próxima semana – o relator é Orlando Silva (PCdoB-SP). Lula não gostou da ideia porque gostaria de votar o tema antes de viajar novamente para a Europa. Aceitou, porém, que o ministro Alexandre Padilha (Relações Institucionais) tome a frente das negociações.
Pelas contas de Lira, pouco mais da metade dos deputados já decidiu que votará contra. Alguns líderes afirmam que 260 parlamentares vão rechaçar o projeto. A articulação é comandada, sobretudo, pela bancada evangélica, mas tem o respaldo das frentes do agronegócio e da bala – esse grupo é apelidado de BBB (boi, bala e Bíblia). Os conservadores temem retaliação da esquerda e tentativa de imposição da cartilha “progressista” nas redes sociais.
Também pesa a pressão feita pelas big techs depois da cruzada da extrema-esquerda contra o Google. Esse pelotão é liderado pela ala mais radical do governo, como os ministros comunistas Flávio Dino (Justiça) e Ricardo Capelli (GSI) e o líder no Congresso, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).