DEU NO JORNAL

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O ASCO DE LULA COM O SETOR PRODUTIVO

Editorial Gazeta do Povo

É difícil perder velhos hábitos. Uma vez partidário da falácia esquerdista da divisão de classes entre proletários e burgueses, uma das primeiras lições das escolas de pensamento marxista, o asco com o setor produtivo se manifesta sempre que pode. É o que acontece com Lula quando que não está sendo orientado ou acompanhado de seus assessores e acaba por soltar a língua contra quem produz, como quando acusou o agronegócio de ser “fascista e direitista”, afirmação que depois tentou remendar sob a justificativa de que não se tratava de uma generalização: só uma parte dos produtores rurais seriam, de fato, fascistas e por isso “não gostavam dele”.

Desta vez, o alvo foram os empresários, a quem Lula acusou de não trabalharem: “Empresário não ganha muito dinheiro porque ele trabalhou. Ele ganha muito dinheiro porque os trabalhadores dele trabalharam”, disse em entrevista à GloboNews. Na mesma entrevista, o presidente colocou a responsabilidade fiscal como um entrave aos programas sociais. “Elas (a responsabilidade social e a responsabilidade fiscal) são antagônicas por causa da ganância, sabe, das pessoas mais ricas”, disparou. E prometeu uma reforma tributária “para que as pessoas mais ricas, que vivem de dividendos, para pessoas que ganham mais dinheiro paguem mais Imposto de Renda. E quem ganhe menos pague menos”, praticamente repetindo o que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já havia dito na terça-feira (17) em Davos.

É assustador que um presidente, no início de seu terceiro mandado, ainda emita opinião tão equivocada a respeito da economia. Qualquer um que seja empresário ou que já tentou ser, sabe o quanto empreender é trabalhoso. É preciso enfrentar a alta carga imposta sobre os ombros de quem quer produzir, entraves burocráticos, falta de infraestrutura, legislação engessada, e outros tantos desafios. Empreender é um trabalho árduo, bem longe da fantasia lulista do empresário ganhando sem fazer nada.

A própria meta de aumentar o poder de compra da população – de fato sabe-se que a realidade salarial da boa parte dos brasileiros não dá conta do custeio de todas as despesas das famílias – para ser alcançada precisa envolver políticas sérias de fortalecimento do setor produtivo. É quem produz, o empresário do comércio, da indústria, do agronegócio, que oferece emprego e consequentemente possibilita que os trabalhadores obtenham seu sustento.

Mas em vez de anunciar propostas que possam facilitar o crescimento da economia, como uma real reforma tributária que simplifique o sistema de impostos pagos no país, a definição do chamado arcabouço fiscal em substituição ao teto de gastos, ou mesmo deixar claro qual será o papel do Estado na economia durante o governo, o que se têm visto são desencontros e desmentidos, discursos populistas, e um apego ao passado que não existe e não faz mais sentido.

O que tem sido chamado de reforma tributária por Lula e seus ministros é a vaga proposta de aumentar a tributação “dos ricos”, para usar as palavras do presidente. A forma como isso se dará – uma simples correção nas tabelas de Imposto de Renda, a criação de imposto sobre fortunas ou mesmo grandes operações financeiras – ainda é uma incógnita. Já sobre o arcabouço fiscal, medida que só foi mencionada após a forte repercussão negativa do mercado e do Congresso ao fim do teto de gastos pregada por Lula, se tem ainda menos informações.

Sobre a reforma trabalhista, que se alterada ou revogada pode levar ao encarecimento das contratações e, em consequência, aumentar as demissões e índices de desemprego, ninguém sabe ao certo qual será o caminho adotado pelo presidente. Na quarta-feira (18), em um evento no Palácio do Planalto com sindicalistas, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse que todos os pontos da reforma trabalhista serão “revistados” pelo governo. Estranhamente, na segunda-feira (16), em conversa com empresários da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), o ministro da Indústria e Comércio e vice-presidente, Geraldo Alckmin, garantiu que o governo Lula não cogita revogar a reforma trabalhista. “Foi feita a reforma trabalhista. O presidente Lula tem colocado: não vai revogar nem trabalhista nem previdenciária”.

Com tantas indefinições, falas contraditórias, falta de projetos, e a insistência em tratar o setor produtivo como inimigo em vez de um aliado indispensável para o crescimento econômico do país, Lula parece ter esquecido que a campanha eleitoral acabou. Não é mais tempo de promessas vagas e frases de efeito populistas.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Nara Leão

Nara Lofego Leão nasceu em 19/1/1942, em Vitória, ES. Jornalista, artista plástica, atriz e principalmente cantora, conhecida como “Musa da Bossa Nova”. Estreou profissionalmente com voz tímida e destemida em 1964, ano do Golpe Militar, e percorreu as décadas seguintes com opinião, conforme o título do espetáculo que a consagrou como cantora e dois de seus discos.

Filha caçula da professora Altina Lofego Leão e do advogado Jairo Leão, se mudou com os pais e a irmã Danuza Leão para o Rio de Janeiro logo no 1º ano. Lá teve os primeiros estudos e manifestou interesse pela música. Ganhou um violão do pai aos 12 anos e teve aulas particulares com o músico Patrício Texeira. Em seguida ingressou numa Academia de Violão, comandada por Carlos Lyra e Roberto Menescal. Aos 15 anos se enturma com outros jovens que mais tarde daria início a um novo ritmo/estilo musical, a “Bossa Nova”. Aos 16 anos contraiu uma hepatite; afasta-se da escola e passa a trabalhar como secretária de redação e repórter do jornal Última Hora.

Pouco antes de completar 18 anos estreou como cantora no show “Segundo comando da operação bossa nova”. Além de cantar, gostava de fazer xilogravura e atuar no teatro. O surgimento da Bossa Nova deu-se em 1959 com o lançamento do disco “Chega de Saudade”, a estreia de João Gilberto. Por essa época namorou com o compositor Ronaldo Bôscoli e mais tarde manteve um relacionamento com o cineasta Ruy Guerra.

No início da década de 1960 encarou a carreira profissional como cantora e em fevereiro de 1964 lançou seu 1º disco, o LP “Nara”. O sucesso foi instantâneo, levando-a a contratação pela gravadora Philips e o lançamento do 2º LP no mesmo ano: “Opinião de Nara”.

Em outubro de 1964, concede uma entrevista para a revista Fatos & Fotos. A matéria foi intitulada “Nara de uma bossa só, demonstrando sua insatisfação com o epiteto “Musa da Bossa Nova”. Ela era mais do que isso. No ano seguinte, é lançado o 3º LP reiterando sua opinião: “Opinião livre de Nara”, marcando sua presença no cenário político adverso instaurado pelo Golpe Militar de 1964. Foi protagonista do espetáculo musical “Opinião”, com João de Valle e Zé Keti, uma crítica social à dura repressão política imposta pela ditadura militar. O espetáculo continua até o ano seguinte, quando foi substituída pela jovem baiana Maria Bethânia em princípio de carreira. Assim, tornou-se consagrada no púbico. Em 1966 foi intérprete da canção A Banda, de Chico Buarque, premiada no Festival de Música Popular Brasileira, da TV Record.

Segue fazendo turnês pelas principais cidade do Brasil e chegou a comandar um programa na TV Record –“Pra ver a banda passar”- em companhia de Chico Buarque. Em fins de 1967 se casou com o cineasta Cacá Diegues e pouco depois deixam o País devido à ditadura militar, para viver em Paris. O casal teve dois filhos: Isabel e Francisco. Em 1968 aproximou-se do grupo tropicalista e participou da gravação do disco “Tropicália ou Panis et Circenses”, o disco-manifesto do “Movimento Tropicalista. No início da década de 1970 foi considerada a melhor cantora pela APCA-Associação Paulista dos Críticos de Arte.

Das suas interpretações, vale destacar algumas músicas de sucesso: “O barquinho”, ”A Banda” e “Com açúcar e com afeto”, feita a seu pedido por Chico Buarque, a quem homenageou nesse disco homônimo, lançado em 1980. Dos 28 discos lançados, “My foolish heart” foi o último lançado em 1989. Seu coração “tolo” parou de bater devido a um tumor cerebral inoperável, em 7/6/1989, aos 47 anos. A foto que se vê acima, de Frederico Mendes, foi exposta na capa de seu 17º LP – Romance popular – lançado em 1981, com repertório de músicas de compositores nordestinos. É também a capa de sua última biografia – Ninguém pode com Nara Leão: uma biografia -, escrita pelo jornalista Tom Cardoso, lançada em 2021 pela editora Planeta, cujo mérito maior é a fluência da narrativa. O título reproduz uma sentença proferida por Glauber Rocha em carta endereçada do exílio à Cacá Diegues.

A primeira biografia – Nara Leão: uma biografia – (ed. Lumiar), com um texto mais completo, foi lançada em 2001 pelo experiente biógrafo Sérgio Cabral; a segunda – Nara Leão: a musa dos trópicos – saiu em 2009 pela editora do autor Cassio Cavalcanti; a terceira, numa narrativa mais acadêmica envolvendo as circunstâncias de sua época – Nara Leão: trajetória, engajamento e movimentos sociais -, escrita por Daniel Lopes Saraiva, saiu em 2018, pela editora Letra e Voz. Como era de se esperar, a curta vida de Nara Leão não pode ser contada em apenas uma biografia. Uma visão geral e rápida de sua vida e legado podem ser vistos no site oficial: www.naraleao.com.br

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ADAIL AUGUSTO AGOSTINI – ALEGRETE-RS

Este empresário de Garibaldi, RS (dono da Motk Brik – Sul Móveis e Eletrodomésticos novos e usados, gravou um vídeo “lacrando” para cima dos eleitores que votaram em Bolsonaro e endeusando Lula da Silva.

Usou – como todo petista – termos agressivos, ofensivos e debochados, contra todos os patriotas presos por ordem da histérica Yandoca, que – junto com a Carmem Miranda e o Boca de Veludo – completa o trio das sinistras.

As respostas dos seus clientes, amigos, inimigos e eleitores foram tão fulminantes que ele teve que voltar às redes sociais para – chorando – implorar “pinico” a todos.

DEU NO X

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

PARA O BEM DO BRASIL

De um amigo muito fraterno, uma admiração profunda, o GH, analista de sistema, recebi um comentário da Rosa Freire de Aguiar, viúva do saudoso economista Celso Furtado, ex-superintendente da SUDENE. Um texto que merece ser lido e muito bem meditado por todos aqueles pensantes, não ruminantes nem aloprados, que desejam um Brasil muito arretado de ótimo para TODOS que aqui vivem e labutam com dignidade, sempre para o bem coletivo edificando.

Encareço licença do escritor Luiz Berto, amizade que muito prezo, notável coordenador deste independente jornal fubânico, para reproduzir, abaixo, o texto da Rosa Freire de Aguiar:

MILITARES, PODER E DITADURAS: LONGE DA TENTAÇÃO

“Nos anos em que cobri a redemocratização da Espanha, desde a morte de Franco em 1975 até a eleição do socialista Felipe González, em 1982, a questão militar era um tema onipresente. A ditadura de Franco durou 40 anos, as Forças Armadas – especialmente o Exército – estavam coalhadas de oficiais de alta patente medularmente franquistas e de ultradireita. Os dois primeiros governos pós-Franco fizeram grandes reformas, votaram a nova Constituição, mas não conseguiram avançar no front militar. Resultado: em fevereiro de 1981 um alucinado tenente-coronel da Guarda Civil invadiu o Parlamento, de arma em punho, tendo a seu lado 150 soldados, e pôs todos os parlamentares no chão, literalmente, exigindo, para soltar os reféns, que o Exército tomasse o poder.

Cheguei a Madri na manhã seguinte ao golpe e tremi ao conversar com um grupo de velhos exilados que, já de passaporte no bolso, e diante do Parlamento, temiam que os militares voltassem ao poder, obrigando-os a mais um exílio. O receio não era infundado: desde a morte de Franco tinha havido uma dúzia de estados de alerta e sedições potenciais nos quartéis, finalmente abafados.

Tudo isso mudou a partir de 1982, quando Felipe González foi eleito. Seu ministro da Defesa, o economista Narcis Serra, promoveu uma profunda reforma militar que, em poucos anos, afastou de vez a tentação golpista dos militares.

A ideia de González era formar um Exército mais moderno, mais reduzido e mais operacional. A reciclagem deu certo.

A reforma teve três eixos principais:

1. Enterrar de vez a noção de “inimigo interno”, que identificava as correntes de esquerda em todos os seus matizes. Dentro da pátria não há inimigos; inimigos são os que estão más allá de la frontera, e podem ameaçar a pátria; sai o conceito de “inimigo interno”, entra o de “defesa nacional”. Eram essas as diretrizes.

2. Rever de alto a baixo o ensino militar. Multiplicaram-se os contatos entre alunos e professores militares e civis. Lançaram-se programas para levar professores universitários às academias e, inversamente, jovens cadetes às aulas de história e ciências sociais nas universidades. O currículo das academias, que era elaborado apenas por chefes do Estado-maior, passou a ser definido em acordo com o Ministério da Defesa. Simbolicamente, aboliu-se a disciplina “Guerra civil: cruzada contra o comunismo”.

3. Remover das chefias os militares franquistas. Este foi sem dúvida o eixo mais difícil e o mais caro da reforma, pois o governo teve de bancar, com polpudas indenizações, o afastamento de centenas de oficiais superiores. Sob Franco, não havia reforma compulsória, e a Espanha tinha 1300 generais, número maior do que o de todos os exércitos da Europa ocidental. A reforma reduziu pela metade o total de generais, e diminuiu de 250 mil para 90 mil os efetivos do Exército. As promoções passaram a obedecer a critérios profissionais e não apenas de antiguidade.

A reforma ainda incluiu mudanças profundas na Justiça Militar, na disciplina dos quarteis etc.

A reciclagem deu certo. Muito hábil e prudente, Felipe González neutralizou o antagonismo de um Exército que ainda era dado a espasmos golpistas.

Gonzalez era desses que afirmavam, com razão, que com militares ou se manda ou se obedece.

E lembro de um grande intelectual espanhol que repetia à exaustão:

CIVILIZAÇÃO VEM DE CIVIL!”

PS. Saibamos, os brasileiros de todas as têmporas pacifistas democráticas libertadoras, trilhar os melhores caminhos para um amplo desenvolvimento socioeconômico nacional, sempre a favorecer o que nos ensinou o apóstolo mais jovem do Senhor (Jo 10,10).

PENINHA - DICA MUSICAL