BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

EDNA FONTENELLE DE ARRUDA – CÁCERES-MT

Editor Berto:

A gente sabe que ladrão tem no mundo todo.

Mas fã-clube de ladrão só tem no Brasil.

Esse nosso país não é para amadores.

R. Cara leitora, lendo essa sua mensagem, me lembrei de uma frase que o colunista fubânico Sancho Pança postou num comentário:

“Dois grandes perigos para a sociedade: bêbados com carteira da habilitação e idiotas com título de eleitor.”

Fã-clube de ladrão e idiota com título de eleitor são duas aberrações que a gente vê a todo instante e toda hora neste nosso país.

É de lascar!!!

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J.R. GUZZO

A DEMOCRACIA CAOLHA DO “11 DE AGOSTO”

Deveria ser, pelo que garantiam os formadores de opinião, os grão-duques da “análise política” e os peritos em nos dizer o que o povo está pensando a cada minuto, um momento decisivo na história das “lutas populares” neste país – a hora em que as massas, a uma só voz, se levantariam em defesa do ministro Alexandre de Moraes, das urnas eletrônicas e da volta de Lula à Presidência da República. Acabou sendo, no mundo dos fatos concretos, apenas mais um daqueles arranques penosos de cachorro atropelado, como diria Nelson Rodrigues – uma coisa sem graça, sem vigor e sem esperança. Chegaram a dizer, num surto de empolgação, que desta vez “o Bolsonaro” tinha ido longe demais com seus “ataques” ao sistema de apuração das eleições; desafiou a “sociedade civil”, e com a “sociedade civil” não se brinca. A resposta do povo seria a manifestação monumental em frente à Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, no dia 11 de agosto, para a leitura da “Carta aos Brasileiros em Defesa da Democracia”. No fim, foi um fracasso miserável.

A manifestação de massa não tinha massa; não chegou a ocupar nem o modesto Largo de São Francisco, onde já não cabe muita gente, e ainda menos qualquer das ruas vizinhas. Não havia um único trabalhador de verdade para representar a classe operária. Nos muros da faculdade eram exibidos cartazes de protesto contra a “fome” e o “racismo”. Os peixes gordos foram admitidos dentro do prédio – as caras mais conhecidas, os advogados penais que cobram caro para defender ladrão, os empresários socialistas e mais do mesmo. O resto ficou de fora, no frio e na chuvinha. “Voltei pessimista do Largo de São Francisco”, lamentou uma personalidade das classes culturais anti-Bolsonaro presentes no evento. “Pouquíssima gente, pouquíssimos jovens, os mesmos intelectuais de ideias mofadas de sempre, zero vibração.” Foi um resumo realista – em contraste com a visão geral da mídia, que continuou fiel à crença de que a carta “em defesa da democracia” tinha sido uma segunda chegada do homem à lua.

A carta, segundo disse no ar uma jornalista da televisão, teve 300 e tantas mil assinaturas, o que lhe pareceu algo francamente excepcional, pelo seu tom de voz, a ênfase em anunciar cada algarismo da cifra e o semblante de espanto diante do que lhe pareceu a imensidão do número anunciado. (Pelo menos uma das assinaturas, a do empresário Paulo Skaf, foi falsificada. Será que foi só uma?) E daí, se foram mesmo essas 300.000? Não é nada de mais – é apenas, de novo, a velha dificuldade da imprensa para lidar com elementos rudimentares do senso de proporção. O Brasil, para dar um exemplo, tem 156 milhões de eleitores; a “carta”representa uns 0,2% disso.

O abaixo-assinado pedindo para o Senado julgar o impeachment do ministro Moraes já tem 3 milhões de assinaturas, ou dez vezes mais – e por aí vamos, na permanente operação de retirada que o jornalismo nacional executa sempre que encontra números pela frente. É o mesmo estado de espírito que leva às manifestações de negacionismo diante da queda no preço dos combustíveis. Outra jornalista, também da televisão, nos garante que a gasolina mais barata só interessa aos ricos – porque, pelo que deu para entender, só os ricos possuem carros que gastam muita gasolina. É como se a frota brasileira fosse formada apenas por SUVs Cayenne de R$ 1 milhão a unidade – e como se os milionários que possuem esses aviões estivessem angustiados com o que gastam para encher o tanque. Mas a frota tem mais de 60 milhões de automóveis, segundo o IBGE – para não falar nos caminhões e nos 25 milhões de motos, utilizadas sobretudo para o trabalho. Quer dizer que a queda nos preços não interessa a essa gente toda? Ou que todo cidadão que tem um carro é rico?

É essa maneira de ver o Brasil que conduz a funerais como o do Largo São Francisco. Cada vez mais o consórcio da mídia, dos intelectuais e da elite que se crê “de esquerda” apresenta sintomas de rompimento severo com a realidade objetiva; o resultado é que estão estabelecendo uma distância intransponível entre o Brasil que querem e o Brasil que existe. Na cabeça dessa gente, o “11 de agosto” é uma data de imenso apelo simbólico; na cabeça da maioria da população o 11 de agosto não significa nada. Disseram que estavam fazendo uma manifestação em favor da “democracia”; era um evento em favor da candidatura Lula, e atraiu o mesmo público que atraem os comícios da campanha eleitoral do ex-presidente. É a mesma coisa com a “carta”. Foi escrito lá que era um grito em favor do “estado democrático de direito”. Era um grito em favor da esquerda, numa faculdade onde os professores são de esquerda, o centro acadêmico é de esquerda, os bedéis são de esquerda; até a cera do assoalho é de esquerda.

Acham que é possível juntar multidões, e ganhar voto, defendendo o STF. Não percebem que o STF é uma das instituições mais desmoralizadas deste país; numa pesquisa publicada há pouco em O Estado de S. Paulo, só 16% dos brasileiros disseram que têm respeito pelo Supremo. Em toda essa pregação pela democracia não aparece, jamais, a palavra “liberdade”. Não se mencionam em nenhum momento o direito de livre expressão, o direito à liberdade política ou, na verdade, quaisquer direitos individuais. Não há menção, é óbvio, às prisões de jornalistas, de chefes partidários ou de deputados em pleno exercício de seu mandato – todos eles admiradores do presidente. Não há nenhuma objeção ao fato de que o ministro Moraes desrespeita a lei todos os dias, ao manter aberto o seu inquérito ilegal para investigar “atos antidemocráticos”.

Também não se explica de forma compreensível, e com fatos reais, por que a democracia estaria sendo ameaçada no Brasil neste momento – e precisando de abaixo-assinados em sua defesa. Como assim? Alguém se sente ameaçado pela polícia secreta do presidente? Alguém foi proibido pelo governo de fazer alguma coisa? Algum apoiador da campanha Lula foi punido, ou teve os seus rendimentos bloqueados, por falar mal de Bolsonaro nas redes sociais, ou por desejar que ele morra queimado? Como a democracia pode estar ameaçada num país onde o STF, a cada cinco minutos, expede decretos exigindo que o presidente da República “explique” tudo o que passa pela cabeça dos partidos de esquerda – do desfile do 7 de Setembro à varíola do macaco? Um juiz, a pedido da mesma esquerda, proíbe um outdoor contra o comunismo no Rio Grande do Sul – e é o governo que ameaça a democracia?

Mais obscura ainda é a proposição de que para salvar a democracia o brasileiro tem de votar em Lula – pois é exatamente disso que estão falando, quando se deixam de lado a hipocrisia e toda a imensa tapeação que foi montada em torno do assunto. Por que votar em Lula é ser a favor da democracia e votar em Bolsonaro é ser contra? O voto livre é um dos direitos mais elementares do regime democrático; porque a “carta”, e todo o universo construído em torno dela, nega às pessoas o direito de votar no atual presidente do Brasil? Ele não está no cargo porque deu um golpe e sim porque foi eleito pelo voto de quase 58 milhões de cidadãos, nessas mesmas urnas que o STF trata como o Santíssimo Sacramento. No fim, ficam indignados quando uma postagem de Bolsonaro nas redes sociais, fazendo pouco da “carta”, tem 360.000 sinais de aprovação, e a postagem de Lula, fazendo elogio, tem 6.000. Será que é mesmo uma surpresa tão grande? É perfeitamente possível que “o 11 de agosto” e o seu fiasco não queiram dizer nada para o resultado final da eleição presidencial de outubro; a maioria dos eleitores nem tomou conhecimento de que aconteceu alguma coisa de especial nesse dia. Mas se é com a “carta”, e com o seu apoio em praça pública, que contam para voltar ao Palácio do Planalto, é melhor que comecem a refazer as contas.

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CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

MOACIR VASCONCELOS

Moacir Vasconcelos – Presidente Benemérito do Atlético

Continuo a reafirmar que tive a sorte de conviver com personagens notáveis de tempos que o vento já levou, principalmente aqueles que viveram nas décadas de 1940 e 1950, quando escreveram a história do nosso Recife.

Pessoas que pelo seu valor e prestígio hoje são pouco lembradas. Moacir da Matta Vasconcelos foi um deles. Não pode ser esquecido.

Funcionário público, por 30 anos; no começo da carreira conquistou a chefia do Departamento de Obras e Fiscalização dos Serviços Públicos e se tornou uma legenda de seriedade naquela Repartição.

Residindo na Vila dos Jornalistas, posteriormente conhecida como Vila dos Remédios, em Afogados, fez parte de um grupo que pretendia fundar um clube esportivo e social. Com meu pai, que era seu cunhado e residia nas proximidades, houve impulso para a iniciativa.

Em abril de 1943 assinaram a ata de fundação do Atlético Clube de Amadores as seguintes pessoas: Arthur Lins dos Santos, Moacir da Matta Vasconcelos, Leoville Cavalcanti de Albuquerque, Ascendino José Palmeira, Paulo José Belo, Albino de Barros Pinheiro, Eriberto Tavares, Gil José Martins, Geraldo Pinheiro, José de Melo Barbosa, Nilo de Barros Correia, Jair Pimentel, Arlindo Silva Melo, Abelardo da Cruz Gouveia, José Pereira da Silva, Oswaldo Lucas Benedito de Melo Mota, Geraldo Santa Cruz, Rômulo José Clemente, Luiz Guerra e Antônio Baptista de Souza.

A primeira providência, após o registro da ata, foi alugar um terreno que pertencia a vários herdeiros, onde havia um pequeno sobrado e um sítio, com área aproximada de 6.000 metros quadrados. Não houve dificuldades e os avalistas foram alguns fundadores. Todos idealistas.

Lembro-me, pequeno ainda, que meu pai – um dos fundadores – foi com meu tio Moacir fazer um levantamento do que era necessário a fim de botar o clube para funcionar e assim se obter aumento do quadro social.

Num sábado de sol vários idealistas se apresentaram com os apetrechos necessários para iniciar a pintura do sobradinho, enquanto outros preparavam a medição e limpeza da área para funcionamento do futuro campo de volibol.

Seu Ascendino já chegou com o desenho do símbolo e conseguiu aprovação após consulta à Prefeitura. Desejava-se que fosse “ACA – Atlético Clube de Amadores”, todavia, não foi possível porque já havia um registro anterior sob a identidade de “ACA – Associação Cajueirense de Atletismo”.

Definido o escudo, no dia seguinte, um domingo, já se colocou uma faixa provisória com a identidade: “Atlético Clube de Amadores, que foi registrado sob o nº 669, da Estrada dos Remédios. Aquele local seria um polo cultural e esportivo dos moradores da Vila.

Meu tio Moacir era u’a máquina humana para consolidar ideias e criar soluções para problemas difíceis. Cada associado doou mesas e cadeiras para as reuniões iniciais na sede. Jogos de dama e gamão foram ofertados. As moças e rapazes, filhos dos fundadores, passaram a visitar as casas convidando as pessoas para se associar e preparando a lista dos interessados.

Seu Lourival Vasconcelos, dono da Tipografia Globo, sendo um dos nossos, colocou sua empresa à disposição para imprimir todo o material de expediente, cujo papel foi fornecido gratuitamente pela Livraria Universal.

Sinésio Santa Clara, era o jornalista do grupo e se encarregou da divulgação junto às rádios e jornais. Organizou-se uma reunião festiva para comemorar a fundação e a sociedade local se fez presente, motivada pelas reportagens que saíram nos jornais.

A primeira diretoria teve como Presidente: Moacir Vasconcelos, Vice-presidente: Rômulo José Clemente, Diretor Social Gilberto Martins, Diretor de Teatro, Cultura e Assistência Social: Arthur Lins dos Santos e Diretor Esportivo: Adelgísio de Barros Correia.

O clube foi se ampliando e sob a presidência de Moacir Vasconcelos manteve a mesma diretoria durante vários anos, pois se reelegeu durante quatro mandatos, período relativo a 12 anos.

Conseguiu solidificar o patrimônio de tal forma que reuniu os herdeiros e a venda do imóvel foi efetuada. No segundo mandato, já contava com um dancing, campo de volibol e basquete, festas dançantes regulares todos os meses, participava de certames de atletismo e no terceiro mandato já construiu um teatro, onde funcionavam a Escola Nilo de Barros Correia, o Departamento de Teatro, Cultura e Assistência Social.

Moacir Vasconcelos foi um líder que soube antever as necessidades sociais do lugar, deixando sua marca emblemática firmada no nome: Atlético Clube de Amadores.

Infelizmente os tempos mudaram e com eles os modelos de divertimento das pessoas. O Atlético, como outros, mesmo se tornando uma “Casa de Festas” e centro de pequenos comércios, não conseguiu resistir, sendo vendido em hasta pública após 70 anos de atividades.

Hoje só nos resta lembrar e registrar o esforço do grande presidente que foi Moacir Vasconcelos, que transformou ideias de um grupo de entusiastas, materializando um dos melhores clubes de bairro do Recife, entidade que fez história nos setores esportivos, culturais, sociais e assistenciais do bairro de Afogados.

Sede do Atlético, já transformada em Casa de Festas. Triste fim de um clube que atuou durante 70 anos.

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PENINHA - DICA MUSICAL