ALEXANDRE GARCIA

GOVERNO QUE GASTA DEMAIS ACHA QUE PODE SEGUIR TIRANDO DINHEIRO DA ECONOMIA

Os ministros do Planejamento, Simone Tebet, e da Fazenda, Fernando Haddad: em quatro meses, governo Lula anunciou 12 medidas para arrecadar mais impostos.

Os ministros do Planejamento, Simone Tebet, e da Fazenda, Fernando Haddad: em quatro meses, governo Lula anunciou 12 medidas para arrecadar mais impostos

O Ministério da Fazenda disse que vai nos cobrar mais R$ 263 bilhões em impostos. Ontem falei do custo dos hotéis do presidente do Brasil em Londres e em Lisboa, e disse que ele está nos cobrando mais imposto. O governo insiste em dizer que não está cobrando de nós, que cobra das empresas… claro que está cobrando do cidadão; já estamos pagando mais caro no combustível, porque o imposto está embutido. Tudo que a empresa paga vai para os seus custos, e os custos constroem o preço final; então, nós pagamos, sim. Se a empresa tem de pagar mais PIS/Cofins, nós é que vamos pagar o PIS/Cofins da empresa, e não é pouco.

E não são apenas R$ 263 bilhões. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda disse que ainda vão cobrar mais, vai ter mais pedidos. A última foi taxar rendimentos de aplicação fora do país. Então, não é só a aposta eletrônica, o combustível, o que é cobrado das empresas e vai acabar no preço de tudo, fora os impostos que pagamos diretamente. Tudo porque o governo só quer saber de gastar mais; imaginem se Lula economizasse o hotel de Londres e ficasse hospedado na embaixada brasileira. Não conheço a nossa embaixada na Inglaterra, mas sei que em geral elas são bastante confortáveis, temos até um palácio papal como embaixada na Itália.

Também prometem ir atrás daquelas renúncias fiscais para incentivar certas atividades que acabam gerando mais economia, provocando mais arrecadação, gerando mais empregos… a roda da economia é uma coisa incrível: quanto mais rápido roda, mais riqueza gera e mais riqueza distribui. Mas o governo não entende a Curva de Laffer: quanto mais imposto cobram, mais cresce a tentação de sonegar ou de não produzir. Até o momento em que vai cair a arrecadação, mesmo cobrando mais, porque vai cair a produção.

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Câmara não vai deixar arcabouço passar como o governo quer

De qualquer forma, tudo isso tem de passar pelo Congresso. E o presidente da Câmara avisou que vai respeitar a vontade do povo, da maioria do povo que escolheu o Congresso. E a maioria é de centro-direita, quase 70% na Câmara e no Senado, ou seja, maioria para decidir qualquer coisa. Segundo Arthur Lira, vão tornar as regras mais rígidas. O governo achou que arrombaria o teto de gastos, substituindo a lei do tempo do Temer, mas encontrou um defensor do dinheiro do público, o presidente da Câmara, que está fazendo muito bem. Claro, ele tem só um voto, mas tem a agenda e conversa com as lideranças.

O relator Cláudio Cajado (PP-BA) já disse que, no relatório, sugerirá punição para o presidente da República que não respeitar o limite de gastos. Aliás, foi isso que tornou Dilma impedida, embora não tivesse sido punida. Ela só foi impedida, mas a punição prevista na Constituição não foi aplicada naquele julgamento presidido por Ricardo Lewandowski, então presidente do Supremo, quando se passou como um trator por cima do parágrafo único do artigo 52 da Constituição.

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CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

MARIA BAGO MOLE PEITA O COMISSÁRIO JUVÊNCIO OIÃO

Carruagem semelhante à que Maria Bago Mole viajava

Chegada de uma viagem cansativa feita à região de Palmares na carruagem puxada por dois cavalos mangas-largas comprados por Seu Amado, o coronel Bitônio Coelho e dados de presente no dia do seu aniversário para executar “serviços” extras, a cafetina mais famosa do Cabaré da Zona da Mata Sul de Carpina (PE), do início do Século XX, trouxe consigo sete “meninas leite ainda” expulsas de casa pelos pais, após chantagem de namorados canalhas, difamando-as nos sítios das redondezas não serem elas mais cabaço.

A cafetina apeia os cavalos no pátio do bordel, desativa a carruagem, ordena as “meninas” que adentrem no cabaré e fiquem esperando por ela no seu aposento, toma conhecimento, por meio de duas veteranas que o comissário de polícia de araque da esquina do beco do urubu, Juvêncio Oião, teria chegado ao cabaré logo cedo com uns homens de sua laia, dispostos a fazer uma farra e obrigou as “meninas” da cafetina a prepararem o ambiente num cantinho reservado do bordel para realizar a “festa” porque, do contrário, “as coisas iriam ficar feia para o lado de Bago Mole,” de quem ele não escondia o ódio por ela “tê-lo preterido pelo coronel Bitônio Coelho.”

Disse Juvêncio Oião às “meninas veteranas” no pátio do cabaré, antes de se retirar com seus “policiais” a cavalo:

– Diga a sua “patroa”, assim que ela chegar de viagem, que prepare um lugar decente para nós dentro do cabaré, a altura da minha alteza, porque senão a cobra vai fumar e saguins vão beber água na caneca da onça.

Maria Bago Mole ouviu atenta o relato das meninas sobre a ameaça do comissário Juvêncio Oião. Não disse nada. Mandou as meninas se recolherem e continuar a fazer o que faziam sempre: trabalhar. Não comunicou nada a Seu Amado, Bitônio Coelho, já que ele teria lá seus problemas nas fazendas para administrar. Se as coisas ficassem pretas aí sim ela teria de acioná-lo e os capangas para darem um freio de arrumação nos ímpetos do comissário.

Quando o sol se pôs, Maria Bago Mole, com as meninas, já teriam posto a casa em ordem para receber os fregueses, inclusive Juvêncio Oião e sua “comitiva.” “No meu cabaré cabe todo mundo. Ele existe para isso.” Dizia ela às meninas quando fazia as “preleções” internas sobre algumas mudanças necessárias no salão do cabaré. Após organizar tudo, ela se recolheu ao aposento, pegou seu CO2 Remington 1875 – presente do amado – pôs no bolso extra do vestido e ficou aguardando o valentão, passeando pelos cantos da “casa” dum lado pra outro, fumando seu charuto “dannemann.”

Às dez horas em ponto, com o cabaré já fervilhando de homens ávidos por diversão e carne mijada, o comissário Juvêncio Oião e sua comitiva aportaram no cabaré e quando percebeu que sua ordem não fora cumprida pela cafetina, sacou do revólver que trazia na cintura e deu dois tiros para cima, assustando os fregueses no saloon, braveando no pátio do cabaré que ia haver “fogueira queimando naquela noite” caso sua ordem não fosse cumprida.

Sentindo o perigo rondando o cabaré porque conhecia o ódio do comissário a Bitônio Coelho, preocupada com a imagem da “casa” e a proteção dos fregueses, Maria Bago Mole mandou avisar às pressas a seu amado do perigo à vista, se escondeu num local estratégico do aposento com seu CO2 Remington 1875 em punho e muita bala num caixote, até seu amado chegar, e disse não à provocação do comissário Juvêncio Oião, que ficou uma fera pelo desaforo da cafetina, mas receoso duma carnificina com a chegada do coronel Bitônio Coelho galopando seu alazão branco, protegido por dez capangas cada um mais mal encarados do que o outro e armados de Winchester-1885.

Animal agressivo vai para eutanásia – refletiu Oião, recuou, e bateu em retirada do local com seus “puliciais.”

PENINHA - DICA MUSICAL