DEU NO X

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ROBERTO B. CAPPELLETTI – ITANHAÉM-SP

Caro senhor Luiz Berto

Tenho acompanhado já há alguns anos essa Gazeta (e da qual, sempre que possível, faço propaganda: é certamente o veículo mais verdadeiramente DEMOCRÁTICO disponível neste conturbado País).

Todavia, pelo rumo que as coisas andam tomando, tenho receio por si e por sua família (além da JBF, claro).

Está chegando um tempo em que não se tem segurança alguma para emitir opinião – exceto quando a favor do “status quo” asqueroso a que por ora estamos submetidos.

Este último episódio lembra por demais o incêndio do Reichstag alemão, no aparente planejamento, na consecussão e, principalmente, suas consequências deletérias no endurecimento de uma ditadura em ascensão.

Na incapacidade de dar conselho, sigo apreensivo o noticiário, sempre esperando alguma novidade que nunca vem, em paz com a minha consciência pela convicção de estar do “lado certo”, mas temeroso por um futuro incerto e duvidoso…

Quem sabe ainda nos encontraremos nas masmorras desse desgoverno?

R. Meu caro leitor, gratíssimo pela sua solidariedade para com este editor que, tenho certeza, jamais irá encontrar com você naquilo que você chama de “masmorras desse desgoverno”.

Estamos livres desse desmantelo!

E também muito grato pela divulgação que você faz desta gazeta escrota.

De fato, a situação está ficando cada dia mais preocupante pra quem exerce o salutar ofício de editar páginas com notícias verdadeiras e publicar cacetadas que não saem na grande mídia gunvernista.

Mas vamos relaxar e acalmar os nervos.

Vamos esfriar a cuca saindo do sério e navegando um pouco no deboche.

Veja só:

Em relação ao que você chamada de “rumo que as coisas andam tomando”, eu já tomei as devidas precauções.

Fui até Palmares, minha querida cidade de nascença, e procurei Dona Gina, a maior macumbeira daquelas redondezas.

Pedi que ela me benzesse, e que fizesse uma reza pra proteger a mim e a todos os cidadãos de bem das ações maléficas da ditadura implantada neste pobre país por figuras que dão expediente na Praça dos 3 Poderes em Brasília.

Ela me atendeu de imediato e fez uma pregação poderosa, me benzendo com galhos de arruda e rogando pragas pros tiranetes que atualmente governam esta republiqueta banânica.

Pra você ter uma ideia da capacidade e da competência de Dona Gina, veja só a atuação dela neste vídeo que está no final da postagem.

Um grande abraço e, mais uma vez, muito obrigado pela força e pela solidariedade!!!

DEU NO JORNAL

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MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

CRÔNICA DE SEGUNDA-FEIRA: VOLTA A BRASÍLIA EM UM DIA ESTRANHO

Estamos de volta a Brasília. Chegamos à Capital Federal na chuvosa manhã do dia nove de janeiro de 2023, a segunda segunda-feira do ano. Impossível escrever isso sem registrar que é o dia seguinte ao da invasão aos prédios do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal.

Parentes e amigos chegaram a me telefonar – ainda no domingo – perguntando sobre os acontecimentos em curso na Praça dos Três Poderes. Alguns ficaram preocupados, porque eu não atendia o celular nem lia mensagens.

Mas meu sumiço não tinha qualquer relação com os fatos em Brasília. Estava eu em outra aventura, com o celular em modo “não perturbe”, dirigindo meu carro ao longo da BR-040, entre os Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Assim, só fiquei sabendo das invasões quando chegamos ao hotel em Paracatu, onde pernoitaríamos, para seguir em direção a Brasília na manhã seguinte.

Demoramos um pouco para entender o que havia ocorrido. Víamos os comentários e imagens recuperadas exibidos no único canal de notícias disponível da TV do hotel, mas era difícil crer no que estava sendo apresentado. Recorremos a canais do YouTube, redes sociais, mensagens de parentes e amigos, e fomos tomando pé da situação. Uma lástima!

Com as ideias já mais organizadas, lembrei de um parágrafo que havia escrito na crônica da semana anterior:

(…) as amplitudes brasilienses parecem não ser mais suficientes para proteger os detentores do poder estatal da pressão popular. Bem o demonstram as grades de ferro que há aproximadamente dez anos enfeiam a Praça dos Três Poderes.

Pensava eu, então, na pressão popular que seria natural haver neste ano e nos próximos, em face do governo atual, considerando o apertado resultado da eleição presidencial de 2022. Considerava também a possibilidade de protestos contra autoridades dos Poderes Legislativo e Judiciário, haja vista as notícias que nos chegam de insatisfações populares contra membros desses poderes.

Mas pensava sempre em protestos pacíficos, como outros que já haviam ocorrido. A invasão de prédios e a destruição do patrimônio público foi algo que me surpreendeu. E que me entristeceu e preocupou também.

Entristeceu, porque, vejo meu país enfrentando uma séria instabilidade política, que vem se arrastando há anos, causando sofrimento ao nosso povo. Preocupou, porque essa instabilidade política não parece arrefecer, mas, ao contrário, dá sinais de que pode se agravar mais ainda. Difícil, pra não dizer impossível, prever até onde iremos nesse processo.

Abstenho-me de fazer julgamentos – sejam morais ou jurídicos – das pessoas envolvidas nesses atos, bem como das autoridades responsáveis por prevê-los, evitá-los e combatê-los.

Escrevo aqui apenas como escritor. Não me compete julgar ninguém nesse caso. E, tendo já julgado e condenado muitas pessoas, em razão do meu ofício como magistrado, evito julgar casos que não me competem. Ao contrário disso, tento entender a atitude de cada um, para compreender o que ocorre à minha volta.

Encerro, assim, citando um tuíte que publiquei no dia 30 de outubro de 2022, pela manhã, ou seja, no dia do segundo turno da eleição para presidente, mas antes de saber o resultado.

Continuo pensando que o caminho seja esse. Cada indivíduo, cada líder, cada autoridade, cada membro de Poder reavaliar a própria conduta, no intuito de adequá-la a uma busca do equilíbrio, hoje tão necessário ao nosso país e ao nosso povo.

Penso, mas não creio que aconteça. Nesses dias difíceis, meu otimismo não é suficiente para tanto.