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A VERDADE SEGUNDO O GOVERNO LULA

Editorial Gazeta do Povo

Paulo Pimenta também voltou a defender a regulação da mídia no país, afirmando que isso não se trata de censura

É emblemático e preocupante – embora nem um pouco surpreendente – que o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência, Paulo Pimenta, tenha afirmado na terça-feira (17) que seu maior desafio à frente da pasta é recuperar a Secom como “emissora da verdade” e fonte confiável de informação. Em entrevista ao jornal Correio Brasiliense, o ministro enfatizou que a ideia é “recuperar o governo como o grande difusor em verdades”, defendeu a regulação da mídia no país e reclamou que a comunicação governamental estaria “capturada pela visão política ideológica de quem estava aqui”.

Trata-se de um grande erro. Embora a comunicação institucional de um governo, formada por uma intricada rede de produção de conteúdo que envolve órgãos de comunicação, veículos institucionais, assessorias de imprensa de ministérios, secretarias e órgãos do governo, além de campanhas publicitárias, deva, sim, primar pela divulgação de informações factuais confiáveis, e possa repassar as versões e posicionamentos do governo, não cabe a ela impor o que considera ser a verdade.

A verdade – não somos defensores do relativismo de ideias – é um bem precioso e delicado,  cuja aproximação é feita individualmente, de forma árdua, quase sempre gradual. Todos podemos, se quisermos, nos esforçar para buscá-la usando os meios disponíveis para tal, que incluem, entre outras coisas, a análise de informações e opiniões às quais temos acesso. Por ser uma realidade tão delicada (e precisamente por isso e em função da dignidade do ser humano), jamais pode ser imposta por quem quer que seja – nem governos, nem meios de comunicação, pessoas ou empresas.

Nesse sentido, a democracia é crucial para que a busca pela verdade possa acontecer, ao garantir a liberdade para que as pessoas possam expor e debater com humildade e equilíbrio pontos de vista distintos, opiniões e convicções. Isso não significa que todas as ideias e opiniões tenham o mesmo valor ou não possam ser limitadas – basta lembrar que, juridicamente, mesmo havendo proteção constitucional ao direito de expressão e opinião, há casos em que esse direito pode ser limitado. Ainda assim, trata-se de exceções, e a norma geral defende a liberdade de ideias, ao menos nas democracias.

Diante disso, a pretensão da Secom em se tornar a “emissora da verdade” do país seria risível se não fosse reflexo de uma política articulada em torno do pouco apreço à democracia. Longe se ser um mero equívoco, a fala de Paulo Pimenta é sintomática de um plano de governo muito bem orquestrado e que começa a ser colocado em marcha. Já alertamos sobre os riscos da criação de órgãos como a Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, criada dentro da AGU, para “representar a União, judicial e extrajudicialmente, em demandas e procedimentos para resposta e enfrentamento à desinformação sobre políticas públicas”.

Há ainda o Departamento de Promoção da Liberdade de Expressão, na Secom, criado para “propor e articular políticas públicas para promoção da liberdade de expressão, do acesso à informação e de enfrentamento à desinformação e ao discurso de ódio na internet, em articulação com o Ministério da Justiça e Segurança Pública”. Trata-se uma estrutura pesada que poderá ser usada a qualquer momento contra quem supostamente promover a “desinformação”, ou seja, contrariar “a verdade” – mas a verdade segundo Lula e seus apoiadores.

Aos poucos, se tentará reescrever a história, apagando tudo o que for nocivo ou prejudicial à imagem do governo, em busca da narrativa mais positiva possível a Lula – e mais negativa aos seus opositores. Todas as demais versões poderão ser taxadas simplesmente de desinformação e assim eliminadas. Nesta semana, por exemplo, no site institucional da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em matéria sobre a nova diretoria da empresa, o processo legal que levou ao impeachment de Dilma Rousseff passou a ser chamado de “golpe”, num flagrante desrespeito aos fatos.

Como se sabe, embora tenha sido sempre tratado como um “golpe” pela esquerda, o processo de impeachment de Dilma seguiu os trâmites legislativos previsto na Constituição e na legislação brasileira e contou com o apoio da população. Na época, pesquisas de opinião apontavam que 60% da população brasileira era favorável à destituição da então presidente petista, por crime de responsabilidade pelas “pedaladas fiscais” cometidas durante seu mandato. Mesmo assim, a narrativa esquerdista insiste em tentar impor sua versão distorcida em que Dilma foi vítima inocente de um complô golpista.

Amostras dessa predileção pela distorção dos fatos na tentativa de validar uma narrativa politicamente benéfica aos seus interesses ideológicos já pôde ser vista ainda durante o processo eleitoral. Basta lembrar do empenho da campanha petista em tentar apagar ou ao menos impedir que fatos – muitos deles já bem conhecidos – fossem divulgados sob a justificativa de que eram “fake news”.

Foi assim com o apoio histórico de Lula e do PT ao aborto, que não pôde ser mencionado durante a campanha, mas que foi confirmado poucos dias após a posse; ou mesmo a censura imposta pelo TSE, a pedido da coligação de Lula, contra postagens que mencionavam a ligação do então candidato petista e o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, do qual até a Gazeta do Povo foi vítima, infelizmente com o respaldo da Justiça Eleitoral.

Quem sabe quais outras “verdades” o governo de Lula tentará criar em sua fome por reescrever a seu bel-prazer a história do país.

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PENINHA - DICA MUSICAL

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ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

“PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES”

Pindorama, 18 de janeiro de 477 d.S (depois de Sardinha), busco iniciar esta peroração (para você Violante) com esse mote tolo de Geraldo Vandré, mas não para falar do futuro, mas sim do passado e do presente, presente. Não sou historiador, mas curioso na História, e, como curioso tenho a capacidade de criar uma enciclopédia sobre o passado, mas não consigo enxergar o que está a um segundo à frente do meu nariz.

E, analisando pratrasmente a situação atual de Pindorama faz-se necessário construir alguns castelos de vento para entender a algaravia (essa vão ter que procurar no dicionário do botocundês castiço) do dia de hoje. O Rei morreu! Longa vida ao rei proclama-se nas monarquias, inclusive na britânica que perdeu uma rainha considerada quase imortal e se entronizou um velho minhoqueiro com um mau gosto que dói até em mendigo que papa moças desajustadas.

Dia sombrio esse nosso hoje, com pessoas dizendo que hoje está menos pior do que amanhã, e bem menos pior que a semana que vem. Vamos ver. Como disse, não consigo enxergar um palmo diante do meu nariz no futuro. Mas, eu vejo com bastante interesse o que aconteceu ontem. E, confesso, decepcionado!

Para aqueles que têm memória um pouco mais atilada que a minha, já dizia em uns textos atrás que desconfiava do governo Bolsonaro. Achava os seus discursos e suas falas apenas jogo de palavras, muita saliva e pouca ação. Não que ele não tenha sido um presidente honesto, focado nos interesses do país. Não é essa a minha animosidade. Ela está em outro lugar. Vinho de odre velho, já eu pensava comigo mesmo.

Depois de 30/10 o país virou uma “nau dos insensatos”. Sem comando, sem leme, sem um capitão que organizasse os sessenta dias restantes de governo. Malandramente, Jair Bolsonaro jabutizou-se. Saindo de sua carapaça para fazer declarações estapafúrdias, enquanto aqueles que acreditavam ainda em milagres faziam as interpretações mais esdrúxulas possíveis daquela fala. Eu sempre dizia, tanto no JBF quanto no grupo de Zap do Cabaré que nada iria acontecer. Nada iria frear essa nau chamada Pindorama que estava se debatendo entre ventos de diferentes direções.

Jair Bolsonaro, apesar de todo o seu discurso de “jogar dentro das quatro linhas da Constituição” traiu a sua própria convicção. Em um único ato perdeu a chance de se tornar estadista e se contentou em ser apenas mais um político que rasteja na insignificância. Saiu pela porta dos fundos da História. Ato vergonhoso, abandonou o país nos últimos dias de seu governo. Não fez parte de um processo de transição, ainda que a raiva petelha e o desejo de vingança sejam notórios. A gana de enjaular o ex-presidente era evidente. O discurso de que o combatente cai no campo de batalha é válido, para os outros. Não para ele.

Ainda que muitos de quem me lem possam discordar e até mesmo lançar anátemas contra mim, o que é factual é aquilo que todo mundo viu, sentiu e percebeu. Jair Bolsonaro tornou-se um anão político. Na verdade, deixou de governar na noite do dia 30 de outubro. Ainda que se pese toda a oposição do STF – Supremos Toletes Federais – e do TSE – Tribunal da Sacanagem Eleitoral -, até as 23 horas, 59 minutos e 59 segundos do dia 31 de dezembro, ele ainda era o Chefe Supremo da Nação. Mas, Jair Bolsonaro renunciou a isso também, o que o coloca na mesma categoria do fujão João Belchior Marques Goulart.

Porém, era interessante que toda a semana ele ia para as redes sociais, para aquelas conversinhas fiadas com jornalistas dizendo que podiam esperar, que ia haver reviravolta. A vantagem de ser cético é que estou sempre aberto a possibilidades, mas sem esperar nada. E, como sempre dizia, nada aconteceu. O país foi entregue a uma quadrilha de alta periculosidade, com gatunos “più grassos” e ligeiros na arte de transformar o público em privado, sempre em seus benefícios.

Jair Bolsonaro foi curtir seu “dolce far niente” sendo vizinho do meu grande amigo Magnovaldo, deixando para trás uma parte da nação que se sentiu órfã e traída em seus desejos e anseios. Evidentemente as Frouxas Armadas não iriam se aventurar em ações intervencionistas. Esse tipo de atitude não cabe mais na atualidade. A menos que elas quisessem jogar o país na anarquia e na guerra civil. Ainda havia o peso do isolamento absoluto do país por outras nações contaminadas com o câncer do esquerdismo, caso houvesse a dita intervenção. Mas, isso são apenas elucubrações sobre o passado. Nada sobre o futuro.

Mas, inaugurando 2023, eis que chega o “governo do amor”, da picanha, da cervejinha com churrasco com dois dedos de gordurinha em cima, trazendo de volta o Paraíso Perdido proustiano que foi arrancado do curiboca nacional. Lembro-me que o jornalista José Maria Trindade vaticinou que o governo do amor não viria para organizar o país, mas para se vingar, porque o chefe de toda a malta estava mergulhando em um poço de ódio e rancor contra todos aqueles que não foram dar bom dia lá em Curitiba, e não acreditavam em sua inocência.

Atirei no que vi e acertei no que não vi. Ainda no passado, já havia, em um texto aqui no JBF feito a “Anatomia de um Esquerdista”. Podem procurar na minha seção que acharão. A ligeireza em destruir, a cupidez em tomar o que é do alheio, os olhos gananciosos. A primeira ação, fechar os registros e desligar as bombas que levam as águas do São Francisco para o interior do semi-árido. Água encanada para que? Nordestino veve muito bem com carro pipa e água salobra! Viveu séculos assim. Para que esse luxo todo?

E a destruição ainda ocorreu na educação com o veto das aulas de tecnologia e robótica, derrubada da sacralidade da vida, abrindo as portas do inferno para uma matança generalizada de fetos. E tem Nhambiquara que acredita piamente que o “genocida” era o capitão boquirroto. Atulhou ministérios, autarquias, fundações com cargos inúteis, só para garantir uma boquinha a gente inepta, burra e sem o menor compromisso com a população, ganhando tubos de dinheiros, achando que este cresce igual a tiririca depois da chuva.

A sanha de quem entrou e a irresponsabilidade de quem saiu revela toda a nossa irracionalidade caeté, nossa anticivilização, nosso amor ao atraso, à mendicância estatal, à frouxidão moral e cívica. Dia desses invadiram a sede dos três poderes e fizeram um quebra-quebra. Aí se deu o milagre da pecha de golpistas, terroristas, taxistas, machistas, flamenguistas. Pois olhem, meus caros caetés. Achei foi pouco. Se eu tivesse um lança-chamas e fosse mais novo botaria fogo em tudo aquilo.

Explico-me: temos um legislativo que não legisla e não representa a sociedade. O mandatário não está conectado com o mandante. Um Executivo que desde 30/10/22 não executa porcaria nenhuma. Apenas boia malandramente em palavras desconexas e vingança. Um judiciário que não judica a justiça, mas faz aquilo que bem entende e manda calar a boca de qualquer um que ousar divergir. Então, para quê aquela monumentalidade? Aquela ode à ladroeira, à ligeireza e ao desperdício encravado como um despacho a Exu da Encruzilhada sugando os recursos da taba?

Mas são coisas do passado. O futuro? Não sei o que vai ocorrer daqui a um segundo. Como disse, posso falar muito sobre o passado, mas nada sobre o presente, ou mesmo o futuro. Ah…. racionem as partes do Sardinha. Amanhã será bem pior que hoje, eu acho!

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