

Trecho do programa do Tucker Carlson que recebeu o correspondente Matt Tyrmand e tratam da situação em Brasília. pic.twitter.com/LPl72ADvDE
— Rafa GIau (@imRafaeI) January 10, 2023
Meu Deus! Tem crianças, idosos que pesadelo ! Onde estão os direitos humanos ? pic.twitter.com/FJIlcVGyZI
— Pedro Pôncio (@pedroponciobr) January 10, 2023


Estamos de volta a Brasília. Chegamos à Capital Federal na chuvosa manhã do dia nove de janeiro de 2023, a segunda segunda-feira do ano. Impossível escrever isso sem registrar que é o dia seguinte ao da invasão aos prédios do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal.
Parentes e amigos chegaram a me telefonar – ainda no domingo – perguntando sobre os acontecimentos em curso na Praça dos Três Poderes. Alguns ficaram preocupados, porque eu não atendia o celular nem lia mensagens.
Mas meu sumiço não tinha qualquer relação com os fatos em Brasília. Estava eu em outra aventura, com o celular em modo “não perturbe”, dirigindo meu carro ao longo da BR-040, entre os Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Assim, só fiquei sabendo das invasões quando chegamos ao hotel em Paracatu, onde pernoitaríamos, para seguir em direção a Brasília na manhã seguinte.
Demoramos um pouco para entender o que havia ocorrido. Víamos os comentários e imagens recuperadas exibidos no único canal de notícias disponível da TV do hotel, mas era difícil crer no que estava sendo apresentado. Recorremos a canais do YouTube, redes sociais, mensagens de parentes e amigos, e fomos tomando pé da situação. Uma lástima!
Com as ideias já mais organizadas, lembrei de um parágrafo que havia escrito na crônica da semana anterior:
(…) as amplitudes brasilienses parecem não ser mais suficientes para proteger os detentores do poder estatal da pressão popular. Bem o demonstram as grades de ferro que há aproximadamente dez anos enfeiam a Praça dos Três Poderes.
Pensava eu, então, na pressão popular que seria natural haver neste ano e nos próximos, em face do governo atual, considerando o apertado resultado da eleição presidencial de 2022. Considerava também a possibilidade de protestos contra autoridades dos Poderes Legislativo e Judiciário, haja vista as notícias que nos chegam de insatisfações populares contra membros desses poderes.
Mas pensava sempre em protestos pacíficos, como outros que já haviam ocorrido. A invasão de prédios e a destruição do patrimônio público foi algo que me surpreendeu. E que me entristeceu e preocupou também.
Entristeceu, porque, vejo meu país enfrentando uma séria instabilidade política, que vem se arrastando há anos, causando sofrimento ao nosso povo. Preocupou, porque essa instabilidade política não parece arrefecer, mas, ao contrário, dá sinais de que pode se agravar mais ainda. Difícil, pra não dizer impossível, prever até onde iremos nesse processo.
Abstenho-me de fazer julgamentos – sejam morais ou jurídicos – das pessoas envolvidas nesses atos, bem como das autoridades responsáveis por prevê-los, evitá-los e combatê-los.
Escrevo aqui apenas como escritor. Não me compete julgar ninguém nesse caso. E, tendo já julgado e condenado muitas pessoas, em razão do meu ofício como magistrado, evito julgar casos que não me competem. Ao contrário disso, tento entender a atitude de cada um, para compreender o que ocorre à minha volta.
Encerro, assim, citando um tuíte que publiquei no dia 30 de outubro de 2022, pela manhã, ou seja, no dia do segundo turno da eleição para presidente, mas antes de saber o resultado.

Continuo pensando que o caminho seja esse. Cada indivíduo, cada líder, cada autoridade, cada membro de Poder reavaliar a própria conduta, no intuito de adequá-la a uma busca do equilíbrio, hoje tão necessário ao nosso país e ao nosso povo.
Penso, mas não creio que aconteça. Nesses dias difíceis, meu otimismo não é suficiente para tanto.

Encantou-se no dia 03.01.2023 Rita de Cássia, compositora de talento raro
No dia 19.02.2018, publiquei aqui no JBF essa crônica singela sobre essa cantora e compositora cearense, que, com o seu talento musical, revolucionou o forró estilizado dos anos 90. Hoje eu republico em sua homenagem.
Rita de Cássia de Oliveira Reis, filha do agricultor e sanfoneiro autodidata Francisco Flor dos Reis, sábio lavrador analfabeto que colhia da vivência da vida a pedagogia do saber, e da professora Maria Oliveira dos Reis, que colhia da vida o saber da pedagogia.
Conhecida no mundo artístico como Rita de Cássia, cantora e compositora de mais de quinhentas músicas de forró, nasceu em Alto Santo, município do Estado do Ceará, localizado na microrregião do baixo Jaguaribe.
No decorrer de sua carreira, que começou com menos de doze anos como compositora, lá em Alto Santo, Rita de Cássia já gravou mais de 12 CDs em parceria com seu irmão Redondo e a Banda Som do Norte, mais de 05 CDs Voz e Violão, 02 DVDs Acústicos, 01 CD em comemoração aos 20 anos de carreira, 01 CD Rita de Cássia Ao Vivo (2010) e 01 CD intitulado de “Cuide de ser feliz” (2015), com 13 faixas inéditas.
Mas seu reconhecimento como compositora criativa, de sensibilidade rara foi descoberto e só veio a público pelas mãos do visionário produtor musical cearense Emanoel Gurgel, que viu nela um extraordinário potencial promissor e a projetou no cenário nacional e internacional com suas composições de forró romântico gravadas pelas bandas Cavalo de Pau, Mel com Terra, Catuaba com Amendoim, Brasas do Forró, Aviões do Forró e principalmente a Mastruz com Leite nos anos noventa, e até hoje domina o cenário musical nacional em toda época do ano, antes só vivenciando no mês junino porque o povo tinha vergonha de cantar depois por ser brega.
Além dessas bandas de forró que gravaram suas músicas, a cantora e compositora Rita de Cássia, já teve várias canções de sua autoria gravadas por Eliana, Katia de Trói, Frank Aguiar, Wesley dos Teclados, Amelinha, Marinês, As Mineirinhas e tantos outros cantores e cantoras de reconhecimentos artísticos nacionais.
Quando começou a compor, escrevia suas composições em cadernos e guardava só para ela, porque não se interessava em mostrar a ninguém. Quando concluiu o 2° grau seu irmão Redondo a convidou para ser vocalista da Banda Som do Norte, criada por ele.
Mesmo sem aprovação dos pais, ingressou em seu sonho de cantar e ser uma grande compositora na companhia do irmão. Com o tempo ela fez os pais mudarem de ideia.
Em 1992 a cantora Eliane grava Brilho da Lua, tornando sucesso absoluto, sendo a música mais executada em Fortaleza. Logo em seguida, Sonho Real foi gravada pela banda Mastruz com Leite que já começava a despontar com muito sucesso no Ceará e outros estados do Nordeste.
Em 1993 a banda Mastruz com Leite grava Meu Vaqueiro, Meu Peão de Rita de Cássia e foi uma explosão de sucesso em todo Brasil. Meu Vaqueiro, meu Peão, tornou-se um hino do forró. Começa aí o estrelato de Rita de Cássia como compositora. Ganhou o diploma “Destaque de Melhor Compositora do Ceará em 1993”. O forró começava a tomar conta de todo Nordeste com uma linguagem romântica, com poesia suave.
A forma direta de falar de amor começou a dar certo e Rita de Cássia, usando todo o seu talento e carisma, continuava compondo canções lindíssimas e recebia muitos elogios a cada dia de locutores, bandas e principalmente de jovens que passaram a gostar do forró com esta grande evolução.
Em 1994, Rita de Cássia ganha o prêmio destaque da Região Vale do Jaguaribe, como melhor compositora. Além disso, já estava em 8° lugar entre os melhores compositores do País e, em 1995 recebeu os parabéns do ECAD ( Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), por ter sido primeiro lugar em execução no Brasil, juntamente com a SOMZOOM STÚDIO, criada pelo visionário produtor Emanoel Gurgel, depois de levar muitas lapadas das grandes gravadoras e dos “disc jockys”, que rejeitavam seu produto musical assim que ele dava as costas, mesmo pagando altíssimo “jabá” para tocar.
Foi também nesse ano que a cantora e compositora Rita de Cássia foi gravar o primeiro CD intitulado Rita de Cássia, Redondo e Banda Som do Norte, tendo como sucesso a música No Voo da Asa Branca, em que retratava a saudade dos nordestinos que deixavam sua terra natal e partiam para a solidão das grandes cidades.
Em 1998, a banda Mastruz com Leite volta a fazer sucesso com a música Tatuagem, de autoria de Rita de Cássia, que foi umas das mais tocadas nas rádios de todo o Brasil, e depois com A Saga de um Vaqueiro, música genialmente extensa que conta uma história de amor impossível com mais de nove minutos de execução.
Em 2000 seus méritos também foram reconhecidos no evento “XX – O Século das Mulheres”, promovido pelo jornal Folha do Comércio, onde ela foi homenageada e recebeu o título de “Compositora do Século XX”.
Em 2002 teve novamente a explosão de suas composições na música Jeito de Amar (Porres por Você), gravado nas vozes de Solange e Xande (Aviões do Forró) no 2º CD da banda e, mais tarde, pela banda Mastruz com Leite.
Segundo o produtor musical Emanoel Gurgel, criador da produtora SomZoom Stúdio, responsável pela projeção desse riquíssimo sucesso musical, o estúdio nasceu da necessidade de se valorizar um mercado rico musicalmente mas que era desvalorizado pelas grandes gravadoras e grandes emissoras de rádios da época que torciam o nariz chamando-o de produto estrume e sem futuro.
Rita de Cássia e Emanoel Gurgel venceram com seu talento, determinação e muito trabalho e hoje fazem parte da história da música de forró romântico que à época era considerada produto descartável, brega.
Existe um senhor que não mente nunca, dependendo do que você faz de bom ou de ruim na vida: O Tempo! E o tempo deu razão a Emanoel Gurgel e Rita de Cássia!
O forró pé de serra havia feito sua história! Estava no limbo! O forró romântico veio ocupar esse espaço quase vazio com a força de uma metralhadora 100 sem avacalhar o ritmo, graças ao visionário Emanoel Gurgel, o grande responsável por essa revolução musical.
Emanoel Gurgel e Rita de Cassia – Vou pedir licença pra contar a nossa história