CONSTÂNCIA UCHÔA - "IN" CONSTÂNCIAS

PERCIVAL PUGGINA

A HORA MAIS RIDÍCULA

A Inglaterra, segundo as palavras de Churchill no famoso discurso de 18 de junho de 1939, teve sua “hora mais esplêndida” (finest time) ao entrar, sozinha, na guerra contra a Alemanha nazista. Os Estados Unidos tiveram sua “hora mais escura” (darkest hour) após o ataque terrorista às Torres Gêmeas e caçada a Bin Laden, retratada no filme Zero Dark Thirty (“meia noite e meia”, no jargão militar americano). E o Brasil está vivendo sua hora mais ridícula nessa CPI da Hidroxicloroquina (HCQ).

Pode o vírus voltar para a China com alvará de soltura porque, bem investigadinho em CPI do Senado brasileiro, não lhe cabe culpa alguma. Aqui, nas palavras de senadores membros da comissão, todas as vítimas, sem exceção, foram causadas pelo governo federal. No Brasil, de covid-19, só se morre pela insistência do presidente em apontar um tratamento precoce indicado mundo afora por médicos com atividade clínica, inclusive em automedicação.

“Mas como – perguntará o estrangeiro visitante, que sequer imagina as peculiaridades da política em nosso país – o governo trocou vacina por hidroxicloroquina? Ela é vendida sem receita médica? No Brasil, decisões terapêuticas não são privativas dos médicos?”

Ora, ora, mister, esclareço eu. Aqui há mentiras badaladas e verdades enxotadas. Se você fizer essas perguntas a um militante de esquerda ele o chamará de gado e esperará que você se afaste mugindo. Exibir discernimento resulta ofensivo em certos ambientes e veículos.

Como era absolutamente previsível, com cinco a seis bilhões de pessoas por vacinar e com os cinco países dos grandes laboratórios consumindo mais de 60% da produção em suas próprias populações, o imunizante é um bem escasso, não disponibilizado em ritmo adequado. Ainda assim, o Brasil consegue disputar o quarto lugar em número de doses adquiridas e aplicadas. Não é apenas de postos de trabalho, bens de consumo e matérias-primas que a pandemia gerou escassez. Vacinas também entram nesse cenário, mas o discernimento exigido para percebê-lo excede a capacidade de muitos militantes nas atuais corregedorias da opinião pública e entre os comissários da verdade.

A CPI da hidroxicloroquina já mostrou onde quer chegar. Ninguém precisa ser atirador de elite para identificar o alvo da artilharia inimiga. Ela quer carimbar uma narrativa unilateral, dando-lhe caráter suspostamente oficial. Em nossa hora mais ridícula, um medicamento que não é vendido sem receita médica virou objeto de ódio político e é o eixo em torno do qual giram os trabalhos de uma barulhenta CPI.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

CRÔNICAS FORENSES: PAI CORINTHIANO

Era um processo no qual a autora pleiteava salário maternidade pelo nascimento de um dos seus três filhos. Alegava ser segurada do Instituto Nacional da Previdência Social, na condição de agricultora. Uma causa comum nos Juizados Especiais Federais espalhados pelo interior do Brasil.

O que havia de peculiar naquele processo era o fato de a autora ter recebido o salário maternidade quando nasceram os dois filhos mais novos. Só depois requereu o benefício em relação ao filho mais velho, mas o INSS negou. Assim, o que se discutia no caso era apenas se à época da primeira gravidez ela já trabalhava na agricultura.

Feita a chamada pelo servidor do fórum, a mulher entrou na sala de audiências acompanhada de um advogado já conhecido do juiz naquele tipo de processo.

Percebia-se que ainda era jovem, apesar da pele um tanto castigada pelo sol do sertão cearense. O vestido, longo e de mangas compridas, e o cabelo chegando quase à altura da cintura, também acrescentavam alguns anos à imagem daquela senhora.

Antes de tomar seu depoimento, o juiz fez algumas ponderações:

– Dona Luzia, não há dúvida que atualmente a senhora é agricultora. O próprio INSS reconheceu isso, quando pagou o salário maternidade dos seus dois filhos do casamento atual. Mas, estudando seu processo, ficou parecendo, pra mim, que a senhora teve o primeiro filho de um relacionamento anterior ao seu casamento, quando a senhora ainda não trabalhava com agricultura. Depois que seu primeiro filho nasceu, e que esse relacionamento terminou, a senhora converteu-se a uma igreja evangélica, onde conheceu o seu atual marido, pai dos seus outros dois filhos. A partir daí, senhora passou a trabalhar na agricultura com seu marido, que já era agricultor. Mas, quanto ao seu primeiro filho, que é quem interessa pra esse processo, me parece que o pai era um rapaz que trabalhou um tempo em São Paulo, mas voltou para o Ceará e vocês passaram a namorar. A senhora engravidou e, depois que o menino nasceu, ele foi pra São Paulo de novo e a senhora ficou só, com seu filho. Naquele tempo a senhora não era agricultora. Nem o pai de seu filho, que, em São Paulo, já fazia um tempo que trabalhava na construção civil e torcia pelo Corinthians. Foi isso que aconteceu ou eu tô enganado?

A mulher, surpresa com as palavras do juiz, disse, titubeante:

– Doutor… o senhor sabe da minha vida toda… Foi isso mesmo que aconteceu.

Esclarecidos os fatos, e após os advogados falarem, o juiz explicou que, nesse caso, ela tinha direito ao salário maternidade dos dois filhos mais novos, mas não do mais velho. Julgou improcedente o pedido e encerrou a audiência.

Mais tarde, o advogado da mulher foi ao gabinete do juiz, querendo saber como o magistrado havia extraído dos autos toda aquela história.

– Não foi muito difícil – explicou o juiz. – Pelas certidões de nascimento, identifiquei os dois pais. Analisando os dados do sistema do INSS, vi que o marido não tinha nenhum trabalho de carteira assinada, mas o pai do filho mais velho tinha vínculos de emprego em São Paulo, antes e depois do nascimento do filho. Não encontrei qualquer indício de que ela tenha casado com o pai do primeiro filho, mas na certidão de casamento com o pai dos outros dois, vi que o casório aconteceu meses depois que o pai do primeiro filho havia voltado a trabalhar em São Paulo. Quanto a ter se tornado evangélica, bastou observar o cabelo, a roupa, uma pequena Bíblia na mão, e os nomes dos filhos, tirados do livro sagrado: Josafá e Davi.

– Incrível, doutor. Agora que o senhor explicou, ficou fácil. É a experiência, né?

O advogado já se preparava para ir embora, quando lembrou de um último detalhe:

– Excelência, só mais uma coisa: como foi que o senhor descobriu que o pai da criança era corinthiano?

– Essa foi a parte fácil. O senhor observou bem a certidão de nascimento do menino? Nascido em janeiro de 2006, Carlito Tevez da Silva. Quem o senhor acha que escolheu esse nome pra criança?

DEU NO JORNAL

UMA PROMOÇÃO DO CACETE!

Afiliada da Globo no Pará, a TV Liberal viralizou nas redes sociais nesta quinta-feira, 13.

Foi após cometer a gafe de mudar o sobrenome de um repórter ao vivo para um palavrão.

Durante uma reportagem do “Jornal Liberal 2º Edição”, o jornalista Mario Carvalho foi apresentado como “Mario Caralho”

* * *

Um furo coerente com a Globo, a emissora oposicionista que dá furos diários há mais de dois anos, desde que perdeu a boquinha dos bilhões de dinheiro público.

O jovem assalariado globeiro deve ter ficado muito feliz com a mudança do seu sobrenome.

Virou um repórter do caralho!

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Zilda Arns

Zilda Arns Neumann nasceu em Forquilhinha, SC., em 25/8/1934. Médica pediatra e sanitarista, filantropa, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, da CNBB-Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e irmã de Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo. Foi indicada várias vezes ao Prêmio Nobel da Paz, em reconhecimento ao seu trabalho de assistência social junto às famílias e crianças de todo o mundo, em 2006.

Filha de Gabriel Arns e Helene Steiner, uma família de descendentes alemãs, com 12 irmãos: 7 professores e 4 religiosos. Formou-se em medicina pela UFPR-Universidade Federal do Paraná e fez cursos de especialização em Pediatria Social, Educação Física e Medicina Sanitária. O que levou-a à pediatria foi o grande número de crianças internadas com doenças de fácil prevenção, como diarreia e desidratação. Logo passou a trabalhar no Hospital Pediátrico César Pernetta, em Curitiba. Casou-se em 1955 com Aloísio Bruno Neumann e teve 6 filhos. Em fins da década de 1970 assumiu muitos compromissos profissionais e passava toda a semana em São Paulo, visitando a família em Curitiba nos fins de semana. Em 18/2/1978, seu marido sofreu um infarto fulminante, aos 46 anos, após salvar uma das filhas de afogamento na praia de Betaras. Durante um bom tempo, ela se lastimou por não estar presente na ocasião e sentiu-se culpada pela tragédia.

Em seguida passou a se dedicar mais ao trabalho comunitário junto à periferia no planejamento e organização de postos de saúde, muitos deles funcionando em casas paroquiais e entidades religiosas. Em 1980, o cientista Albert Sabin esteve em Curitiba, e ficou impressionado com seu trabalho. Convidou-a para coordenar a campanha de vacinação antipoliomielite na cidade de União da Vitória, que enfrentava uma epidemia de paralisia infantil. Na ocasião, ela desenvolveu uma técnica de trabalho, depois adotada pelo Ministério da Saúde em todo o País. Pouco depois iniciou um trabalho em Florestópolis, que apresentava uma taxa de mortalidade infantil de 127 crianças por mil habitantes. Após um ano, o índice caiu para 28 crianças. Para isso dedicou-se à educação higiênica das famílias pobres e ensino na preparação do “soro caseiro”, uma fórmula simples e de baixo custo, que ajudou bastante no controle da diarreia infantil. Na época o “soro caseiro” foi considerado um avanço da Medicina, devido a simplicidade da fórmula.

Ainda em 1980 foi designada para dirigir o Departamento de Saúde Materno-Infantil da Secretaria de Saúde do Paraná, onde instituiu os programas de planejamento familiar, prevenção do câncer ginecológico, saúde escolar e aleitamento materno. Em princípios da década, James Grant, diretor da UNICEF, convenceu o cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, de que a Igreja poderia ajudar a salvar milhares de crianças que morriam de desidratação e incentivou-o a iniciar uma campanha nacional contra a mortalidade infantil. Não faltaria recursos, garantiu, mas era preciso um líder. Sem tempo nem agenda para a empreitada, sugeriu o nome de sua irmã. Pouco depois, a CNBB convidou dona Zilda para criar a Pastoral da Criança, tendo em vista seu trabalho realizado em Florestópolis.

Ao longo de 25 anos, a Pastoral atendeu mais de 1 milhão e 400 mil famílias pobres mais de 1 milhão e 800 mil crianças menores de 6 anos em 4060 municípios do Brasil. Um trabalho realizado por mais de 260 mil voluntários, baseado num tripé: visita domiciliar às famílias, dia do peso (ou Dia de Celebração da Vida) e reunião mensal de avaliação e reflexão. Anos depois, recebeu mais um convite da CNBB: fundar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa, em 2004. Em pouco mais de 10 anos, essa Pastoral contabilizava o atendimento a mais de 100 mil idosos, através de 12 mil voluntários de 570 municípios e 141 dioceses em 25 estados brasileiros.

Além de coordenar os trabalhos destas pastorais, foi representante titular da CNBB no Conselho Nacional de Saúde e membro do CDES-Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Sua atuação nas pastorais da criança e do idoso extrapolou as fronteiras do País e se expandiu por mais de 20 países da América Latina, Ásia e África. O reconhecimento internacional de seu trabalho se vê nos títulos e comendas recebidas: Menção especial pelo UNICEF-Brasil, como personalidade brasileira de destaque no trabalho em prol da saúde da criança (1988); Prêmio Internacional OPAS em Administração Sanitária (1994); Medalha Direitos Humanos da Entidade Judaica B’nai B’rith (1999); Prêmio USP de Direitos Humanos (2000); Comenda Ordem do Rio Branco, grau de Comendador (2001); Eleita “Heroína da Saúde Pública das Américas” pela OPAS (2002); Opus Prize (EUA) em 2005. Foi também cidadã honorária de 11 estados e 32 municípios brasileiros, além de doutora honoris causa de 5 universidades. Na imprensa internacional era conhecida como “a Madre Teresa brasileira”.

Em 2010 sua agenda contava com diversas viagens internacionais em missão humanitária com palestras e seminários. A viagem para o Haiti foi adiada 4 vezes diante de tantos convites, mas foi realizada em 12 de janeiro, quando proferiu palestra procurando motivar os lideres e voluntários da Pastoral da Criança, em Porto Príncipe. Ao término da palestra permaneceu na Igreja Sacre Coeur para atender às perguntas da plateia. Nesse instante ocorreu o terremoto, fazendo o prédio desabar atingindo-a junto com outros religiosos. Em sua palestra destacou o respeito e cuidados com as crianças, concluindo: “Não existe ser humano mais perfeito, mais justo, mais solidário e sem preconceitos que as crianças… Como os pássaros, que cuidam de seus filhos ao fazer um ninho no alto das árvores e nas montanhas, longe de predadores, ameaças e perigos, e mais perto de Deus, devemos cuidar de nossos filhos como um bem sagrado, promover o respeito a seus direitos e protegê-los”. Estas foram suas últimas palavras.

Ao receber a notícia, seu irmão o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns ficou comovido por um instante, mas logo se recompôs e exclamou: “Que morte linda!”. Depois soltou uma nota: “Zilda morreu de uma maneira muito bonita, por defender uma causa em que sempre acreditou”. No mesmo ano sua irmã Otília Arns publicou um livro, uma biografia familiar – Zilda Arns: a trajetória da médica missionária -, contando a história dos antepassados e depoimentos de seus familiares. Em 2016 Frei Diogo Luís Fuitem fez uma justa homenagem, em nome da Igreja, e lançou Dra. Zilda Arns: uma vida de doação, publicado pela Edições Loyola. Pouco depois Ernesto Rodrigues lançou Zilda Arns: uma biografia (2018), publicado pela Editora Rocco, um “retrato nítido e sem retoques”, que não representa apenas um jargão editorial.

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ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

IATROGENIA

Iatrogenesis (Iatrogenia) – “is the causation of a disease, a harmful complication, or other ill effect by any medical activity, including diagnosis, intervention, error, or negligence. (Wilkipedia)

“Iatrogenia é a causação de uma doença, ou de uma complicação agravante, ou de qualquer outro efeito danoso, por qualquer atividade médica, incluindo diagnósticos, intervenções, erros ou negligências”.

Na minha modesta opinião de leigo, grande parte dos males de saúde que afligem as pessoas se originam nas atividades realizada por profissionais que buscavam melhorar a saúde daquelas mesmas pessoas. Ou seja:

OS TRATAMENTOS MÉDICOS PROVOCAM MAIS DOENÇAS!

Há muito de pura e simples ignorância sobre a maioria das múltiplas e variadas implicações e consequências decorrentes das intervenções realizadas pelos médicos sobre este mecanismo, cuja complexidade supera em muito a das galáxias do universo. Aplica um antibiótico, dilacera o estômago. Aplica um remédio para o estômago, entope os rins. E por aí segue. Existe ainda um complicador nesta relação: o conflito de interesses. Quanto mais rápido e mais simples for o tratamento, menos os médicos receberão pelos seus serviços. Assim, tornou-se já folclórica a cara de pau com que os médicos prescrevem exames e tratamentos caríssimos, só visando os ganhos que lhes serão propiciados através da sua participação no faturamento daqueles mesmos procedimentos. Desta forma, criou-se a visão de que médico recém-formado e com renda inferior a R$ 50.000,00 por mês é um fracassado. Logo ao formar-se, sua primeira providência deverá ser adquirir um carro de luxo, de modo a deixar bem claro, em todos os locais por onde passa, a que estamento social ele pertence.

As estórias populares que se contam a este respeito são inúmeras. Como a daquele médico do interior que, ao receber de volta seu filho recém-formado também em medicina, tratou de passar-lhe imediatamente toda a sua antiga e tradicional clientela. Já na primeira noite, chegou-lhe um chamado para atender ao homem mais rico da região, pois este estaria sofrendo de dores no ouvido. No dia seguinte, no café da manhã, o jovem relatou todo orgulhoso que havia drenado um tumor no ouvido interno que vinha afligindo o ricaço havia alguns anos, e que agora, nunca mais ele iria sofrer daquele mal outra vez. Foi quando o pai retrucou em altos brados:

– Imbecil! Aquele tumor pagou a tua universidade!

Este tipo de problema se torna exponencialmente pior quando se trata da Administração Pública, já que por suas características intrínsecas, ocorre sempre imbricado com uma feroz luta por poder e tem sempre impacto sobre uma quantidade enorme de pessoas ao mesmo tempo. Vamos aos exemplos:

1. COMPANHIAS MUNICIPAIS DE TRÂNSITO – De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, publicado em 03 de abril de 2016, cabe às prefeituras a administração do trânsito nos seus respectivos municípios. Assim, ao já conturbado relacionamento existente entre diversos órgão com atuação numa mesma área (DNER, DER, DNIT, ANTT, Secretaria Estadual de Transportes, Secretaria Municipal de Transportes, etc.) passamos à dependência de mais de 5.500 prefeitos picaretas (olha o pleonasmo), todos ávidos por esfolar financeiramente seus munícipes e colocar apaniguados no comando dessa estrutura de grande impacto na população. Pulamos da panela e caímos no fogo.

Segundo a página da Prefeitura do Recife, a partir da sexta-feira (15/04/2021), o monitoramento do tráfego do Recife foi reforçado. A Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) passou a contar com acréscimo de mais 50 agentes em seu efetivo. Com o incremento, o número total de servidores responsáveis pelo gerenciamento do trânsito da Cidade subiu para 350, sem contar com as multidões de aspones. Clique aqui

É uma estrutura caríssima e, na maioria dos casos, serve só para tumultuar ainda mais o trânsito. A quantidade de decisões imbecis no setor é alarmante. Fora o terrorismo que praticam diuturnamente na vida dos cidadãos, através das famigeradas câmaras e dos malsinados “pardais”. Vejam a evolução do esfolamento financeiro praticado: Arrecadação da CTTU com multas

2016: R$ 25.966.865,47
2017: R$ 36.165.003,38 (39,27% maior que 2016)
2018: R$ 69.724.632,96 (92,80% maior que 2017)
2019: R$ 98.208.610,33 (40,85% maior que 2018)

Ao ver questionada a voracidade praticada na arrecadação de multas de trânsito, o vereador do Recife, Rinaldo Junior (PSB), considerou que os ataques do deputado Marco Aurélio a uma “política pública séria de fiscalização e controle no trânsito do Recife (SIC) só pode ter como objetivo o aumento das mortes no trânsito na cidade. Não existe indústria da multa no Recife! Existe um trabalho sério voltado para preservar vidas”. Clique aqui

Podemos constatar que o argumento falacioso de supostamente “Salvar Vidas” fez escola. Daqui para a frente, estará justificando todas as montanhas de decisões imbecis de gestores públicos incompetentes e desonestos. A grande consequência dessa “derrama” é nos depararmos com dezenas desses retardados mentais nas esquinas da cidade, sempre fazendo papel de palhaço para os motoristas e ameaçando-os de multa por qualquer toma-lá-dá-cá. Só para dar uma pálida ideia, ao parar o carro em frente ao prédio onde eu moro, para que eu pudesse descer, imediatamente um panaca desses começou a escrever uma multa. Fui lá lhe perguntar o que seria aquilo e ele me disse que era proibido “estacionar” ali. Informei-lhe que não haviam estacionado. Haviam parado para que eu descesse, o que é bem diferente. Ele ainda ficou argumentando imbecilidades por algum tempo. Eu lhe perguntei se, para descer ali, teria de pular com o carro em movimento. Foi quando minha paciência se esgotou e afirmei: – Bote esta maldita multa e você vai ver o que é bom para tosse. Só assim o analfabeto se aquietou e botou o rabo entre as pernas. Está muito difícil viver nessa cidade!

2. GUARDA MUNICIPAL – A primeira providência de qualquer ditador que se preze é criar uma “Tropa de Elite” a fim de proteger-lhe a integridade, especialmente por não confiar nas forças militares existentes.

Em 1923, Hitler criou a força paramilitar nazista Sturmabteilung, ou SA. Nessa entidade, foi criado um pequeno grupo com o intuito de proteger altos dirigentes Nazistas em ocasiões públicas como comícios ou discursos. Só em 1925 a Schutzstaffel, ou SS, foi organizada. O objetivo era ser a tropa de proteção pessoal de Hitler. O mesmo raciocínio guiou a formação dos Camisas Negras por Mussolini. Estes atacavam sindicatos, jornais e movimentos políticos, espancavam grevistas, intelectuais críticos ao fascismo, membros das ligas camponesas e de qualquer outro grupo que se manifestasse de forma contrária ao ideal fascista.

A estória é exatamente a mesma que levou Papa Doc Duvalier, do Haiti, a criar os Tonton Macoute em 1959: Receio da ameaça dos militares ao seu poder. O nome dado pela população à tropa, na língua creole, significa “Tio do saco”. Equivale ao nosso “Bicho Papão” ou “Papa Figo”. Segundo a lenda, este pegaria crianças malcomportadas e as colocaria em um saco, para depois comer-lhes o fígado.

Aqui no Brasil, cada um dos milhares de prefeitos foi autorizado a criar a sua Schutzstaffel particular. Hoje, mesmo o mais miserável dos municípios, totalmente dependente dos repasses federais, possui uma considerável milícia particular ao comando do prefeito. Aqui em Recife, temos um efetivo de 1.926 agentes. Clique aqui

Tivemos uma excelente amostra sobre a que veio essa multidão durante a pandemia, quando partiram para atacar trabalhadores, lojistas, estudantes, idosos, mulheres…que se recusaram a cumprir as determinações idiotas, abusivas e ilegais dos tiranetes do momento. Já deram uma ideia bem clara sobre o que nos espera, caso venhamos a ter uma conflagração entre as tropas federais e esses exércitos particulares. Se juntar todas essas milícias do estado de Pernambuco, devem ser bem mais numerosos que as forças armadas.

Acrescente ainda a este quadro, um efetivo de 17.000 policiais militares na ativa, só no Estado de Pernambuco. Alegam que o efetivo total deveria ser de 26.865 policiais, segundo está previsto em lei. Clique aqui

Já com relação ao Quadro de pessoal da Polícia Civil de Pernambuco, podemos ver na planilha que são atualmente 5.154, havendo autorização legal para mais 6.575. Essa turma não tem nenhuma pena das combalidas finanças do governo estadual. Clique aqui

Juntem agora, a esta multidão de custosos e inúteis aparatos paramilitares, as polícias Federal, Rodoviária Federal e, às vezes, também Estadual, Força Nacional, e toda uma multidão imensa de “Seguranças Particulares”. Tem até uma Polícia Federal Ferroviária, só para os trens, mesmo nós não tendo mais trem nenhum. Podem imaginar a quanto vai o custo imenso com essa multidão imensa de pobres semianalfabetos que em nada contribuem para nossa economia, e cuja única habilidade é distribuir porrada e infernizar a vida do cidadão. Tudo isso porque o nosso aparato governamental (principalmente o legislativo, o educacional e o judicial) está totalmente tomado por bandidos.

Sempre digo que o futuro que nos aguarda é servir de depósito de lixo atômico para os países desenvolvidos, e cujas rendas reverterão unicamente para o usufruto de uma casta de bandidos que se apoderou do nosso aparato estatal. Depois, dizem que estou exagerando.

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FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

TRICAS E TRAQUES

Não há ocasião mais constrangedora do que aquela vivenciada por um portador de alguns mil-réis de inteligência diante de um endividado cerebral, tagarela e proprietário de carro importado, celular acionado nos momentos mais inconvenientes e óculos de sol dependurado perto da bunda, como se o olho dela visse. Geralmente de muito bom senso crítico, o primeiro se deblatera organicamente com as primariedades jumentálicas do segundo.

Em tempos pandêmicos de mudanças aceleradas como os de agora, de transformações futuras de muita inventividade, humores e ironias não são facilmente admissíveis pelos estamentos ou-tudo-ou-nada, que desejam impor vanguardas nem sempre à altura do século XXI. E que não conseguem assimilar a grande lição deixada por Erasmo de Roterdam, no Elogio da Loucura, publicado numa época onde se admirava pitadas inteligentes, tal e qual como recentemente, com os recados do Lulu Santos – nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. E o humorismo do Paulo Gustavo, eternizado recentemente, para infelicidade geral da Nação pensante.

Já houve outros contextos como os de agora, com encorpados primatas travestidos de mandatários. Que se horrorizavam com as sátiras de então, que chocavam santarrões e filisteus que desconheciam a Batraquiomaquia de Homero, a loa feita por Virgílio ao mosquito e o diálogo do grilo com Ulisses, aquele que não presidente de partido.

Estou a imaginar o espanto de alguns toleirões do aqui-agora brasileiro ao tomarem conhecimento do que Apuleio falou acerca dos burros, Luciano sobre a mosca parasita e Sinésio sobre a careca. E cairiam para trás, esfolando os raciocínios, se lessem São Jerônimo citando o testamento do porco idealizado por um tal Grunnio Corocotta, também não entendendo patavina do dito por Erasmo no seu livro mais famoso: “Na verdade, haverá maior injustiça do que, sendo permitida uma brincadeira adequada a cada idade e condição, não poder pilheriar um literato, principalmente quando a pilhéria tem um fundo de seriedade, sendo as facécias manejadas apenas como disfarce, de forma que quem as lê, quando não seja um solene bobalhão, mas possua algum faro, encontre nelas algo ainda mais proveito do que em profundos e luminosos temas?”

Como eu gostaria de ver, por muitos medalhistas, lido, relido e entendido o balaio de vergastadas de Erasmo de Roterdam! E que eles pudessem compreender melhor o significado de alma pequena, do Fernando Pessoa, inteligência portuguesa dezoito quilates. Perceberiam, se assimilassem a mutabilidade dos tempos, as ansiedades dos novos, os padrões comportamentais e as exigências éticas de um mundo em evolução.

Os humanismos solidários não devem ser jamais baralhados com pieguismos paspalhões, que apenas conservam legiões na ignorância e na irreflexão, qualquer palmadinha nas costas se convertendo em apoteótico agora-a-coisa-vai, numa Reunião sobre o Clima, patrocinada por Joe Binden, presidente dos Estados Unidos. Um Binden diferente de muitos bundens, um deles o atual ministro da Saúde Queiroga, que deixou a CPI da COVID-19 cheirando mal, com medo gigante de levar um pontapé na bunda do chefete insano, sem mais eira nem beira. Decididamente, um ministro desovado.