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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ROMILDO – JOÃO PESSOA-PB

Estimado Sr. Editor do Jornal mais escroto das bandas da internet.

O Cantor sertanejo Eduardo Costa lançou a musica que está neste vídeo que estou enviando.

Segundos informações, ele já recebeu várias ameaças de politiqueiros.

A PALAVRA DO EDITOR

NA CASA DE NOCA

Já são quase 11 horas da manhã e o sol deste domingo ainda não despontou aqui nesta minha querida Recife

Choveu de madrugada.

Já estiou mas o dia amanheceu meio esquisito.

O Rio Capibaribe, que passa no fundo do edifício onde moro, não está correndo iluminado como de costume.

Fiz esta foto hoje de manhã, na qual aparece o rio descorado e sem os raios do sol, nosso astro-rei:

Lá do outro lado do rio, rodeado por aquelas árvores, tem um bairro arretado e cheio de animação.

Todo fim de semana escuto os ecos das farras e das cachaçadas dos moradores daquela banda alegre da cidade.

E fico daqui ouvindo, morrendo de inveja e de saudades dos tempos em que podia tomar uma.

Bom, vou torcer pro tempo melhorar.

Hoje vou dar um passeio na beira da praia e fiscalizar a vida do povo.

A nossa secretária Chupicleide, junto com Bosticler, faxineiro da redação do JBF, resolveram encher o rabo e vão tomar umas e outras no bar Casa de Noca, um animado boteco no bairro do Totó, que fica no município de Jaboatão, aqui na região metropolitana do Recife.

Os dois vão aproveitar o generoso depósito feito pelo leitor Luiz Cesar, que fechou com chave de ouro as doações dos amigos fubânicos no mês de abril recém findo.

Chupicleide e Bosticler vão celebrar este domingo pós-manifestações verde-amarelas que coloriram ontem o Brasil de norte a sul, de leste a oeste.

E, já que falamos na Casa de Noca, uma música da autoria de Catulo de Paula, coisa dos anos 50/60, pra fechar esta postagem e animar o nosso domingo.

Aí vai O Pau Comeu na Casa de Noca:

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J.R. GUZZO

DE WITZEL A RENAN

Imagine, durante dois minutos, o que estaria acontecendo se aparecesse no noticiário político a seguinte informação: “Wilson Witzel assume as funções de relator na CPI da Covid”. A reação, para 95% das pessoas que acompanham esse tipo de coisa, seria a mesma: “Não é possível; tem de ter algum engano nisso aí”. Quem não se lembra dele? O cidadão, em agosto do ano passado, foi o autor de um prodígio: conseguiu ser posto para fora do governo do Rio de Janeiro, acusado de roubar recursos destinados a combater a epidemia.

Isso mesmo, do Rio de Janeiro – que já teve no seu comando um gigante inigualável na história da corrupção mundial, Sérgio Cabral (o homem tem mais de 200 anos de prisão no lombo, condenado por ladroagem em primeiro grau), e cuja Assembleia Legislativa deu diploma a cinco deputados que estavam na cadeia no momento da posse.

Quer dizer: ser deposto do cargo de governador do Rio não é para qualquer um. Não pode ser normal, assim, que a turma aprovada pelo Senado para dirigir a sua CPI seja essa que está aí: não tem Witzel como relator, mas tem Renan Calheiros.

É possível demonstrar alguma diferença de verdade entre os dois? Não, não é.

Pode uma coisa dessas? Não só pode, neste Brasil de hoje, como está sendo considerada um momento de notável importância na história nacional. Renan, um dos senadores que têm mais encrenca que qualquer outro político brasileiro com o Código Penal, responde a um caminhão de processos na Justiça e há 30 anos vem se utilizando das “imunidades parlamentares” como principal recurso para manter-se fora da cadeia.

Pois então: com tudo isso nas costas, ele passou agora a ser julgador. Witzel, ou Maluf, ou Geddel Vieira Lima – aquele que tinha R$ 50 milhões em dinheiro vivo num apartamento da Bahia – ou qualquer outro colosso nessa área, seriam tidos como uma piada se fossem encarregados de investigar alguma coisa. Mas Renan é levado mais a sério, no papel de magistrado, que o próprio Rei Salomão. É assim que ficou o Brasil.

Renan saiu da sua vida habitual, e se tornou um dos heróis da luta pela moralidade pública neste País, por um motivo mais decisivo que qualquer outro: “reinventou” a si próprio, como se diz nos manuais de autoajuda, e assumiu a “persona” de um marechal de campo da esquerda brasileira. Mais: convenceu todo o ecossistema político do Brasil de que é, hoje, o cabeça de chave nas lutas populares da “resistência” contra o presidente Jair Bolsonaro. Por conta disso, e automaticamente, passou a ser tratado como um estadista de primeira classe – um Churchill de Alagoas, que está arriscando a própria vida para salvar o País da direita, do “negacionismo” e do genocídio.

É este, claramente, o elixir universal da política brasileira de hoje: fique contra Bolsonaro e, cinco minutos depois, você paga todos os seus pecados, anula qualquer vício de sua vida anterior e ainda ganha uma indulgência plenária, daquelas que a Igreja dava antigamente e colocavam o cidadão direto no Céu, sem escalas. O próprio Witzel, aliás, está tentando ir um pouco por aí; também descobriu que falar mal do presidente da República dá lucro na hora.

Já começa a ser chamado de “ex-governador do Rio de Janeiro” – só isso, “ex-governador”, sem maiores detalhes. Daqui a pouco pode estar nas mesas-redondas do horário nobre da televisão, ao lado dos cientistas políticos, etc. etc. discursando sobre como consertar o Brasil. Com sorte, e se não perder o foco em Bolsonaro, ainda pode virar um novo Renan.

As pessoas pararam de prestar atenção no que dizem, ou no que pensam. Na verdade, pararam de pensar. É o ambiente ideal para os Renans.

DEU NO JORNAL

UM DOMINGO COM EXCELENTES NOTÍCIAS

Maio começou em um fim de semana com feriado, mas a vacinação da covid-19 está prestes a bater a marca de 50 milhões de doses aplicadas e superar o Reino Unido no ranking da vacinação, ficando atrás apenas de China, Índia e EUA, grandes produtores de imunizantes.

Devido à queda no número de doses aplicadas durante o fim de semana, a marca deve ser atingida ainda nesta terça (4), 108 dias depois da primeira dose.

Abril se destacou pela meta atingida de aplicar média de um milhão de doses por dia, em uma semana.

O recorde foi de 1,83 milhão em 24h.

Enquanto alguns insistem em afirmar que a vacinação “patina” ou segue “a passos lentos”, os números só sobem e desmentem os coronalovers.

Foram 2 milhões em janeiro, 6,4 milhões em fevereiro, 14,3 milhões em março e 25 milhões em abril. Espera-se mais de 30 milhões em maio.

Na sexta (30), o Brasil chegou à marca impressionante de 8 milhões de vacinas aplicadas em oito dias, de acordo com a plataforma americana vacinabrasil.org

A população de Israel é de 9 milhões de habitantes.

* * *

Gostei da expressão “coronalovers” contida nessa nota aí de cima.

Ficou na medida para definir os urubus funerários que pululam aos montes.

O fato é que não sai nada na grande mídia sobre estes números fantásticos.

Só mesmo na escroterríma mídia é possível se tomar conhecimento deste fato excepcional.

Um excelente domingo pra comunidade fubânica, já devidamente vacinada contra os males da imprensa banânica!

GUILHERME FIUZA

PICADEIRO DE EMERGÊNCIA

– Tá acompanhando a CPI?

– Tô.

– Muito legal, né?

– Muito. Adoro CPI.

– Eu também. Tava com saudade.

– Não sei por que deixaram a gente tanto tempo sem CPI.

– Absurdo. A gente vota nos caras pra ter distração e os caras não cumprem.

– Agora você falou tudo.

– Só repeti o que todo mundo sabe. Político não cumpre promessa.

– Não, falei da distração. Nunca tinha pensado nisso.

– O que?

– Que a gente vota pra se distrair. Não tem nada a ver com política.

– Aí você já radicalizou. Um pouquinho às vezes tem.

– É. Às vezes tem. Mas é raro. Lembra o governo Lula?

– Mais ou menos.

– Pois é. Eu lembro bem.

– Prova de que você não é tão distraído.

– Verdade. Mas estou me curando.

– Que bom. O importante é se distrair. Mas o que tem o governo Lula?

– Foi um fenômeno interessante. Começou com uma política macroeconômica responsável, consolidando o Plano Real. Ou seja, um tédio.

– Foi chato mesmo esse período. Tanto que eu nem lembrava.

– Aí veio o mensalão e animou. Nunca mais o Lula saiu das manchetes.

– Bem observado. Se não fosse o mensalão talvez ele nem tivesse sido reeleito.

– Com certeza não. Seria esquecido.

– Engolido pelo tédio.

– Exatamente.

– Por isso hoje a gente deve muito à dupla R & R.

– R & R?

– Renan e Randolfe. Eles vieram salvar o país do marasmo com essa CPI.

– Aí vou ter que discordar. Marasmo? No meio de uma pandemia?

– É. Já estavam vindo com esse papo no Congresso de retomar reformas. Imagina o tédio?

– Ah, entendi. Verdade. Basta começarem a falar na TV de reforma administrativa que eu pego no sono.

– E a tributária? IVA, ISS, agregado… Quando chega no imposto em cascata eu já estou sonhando com o Ciro Gomes.

– Faz sentido. Cascata por cascata, pelo menos o Ciro Gomes grita.

– Esses burocratas falando baixinho de cumulatividade e incidência em cadeia deviam ser proibidos no horário nobre.

– Falam em cadeia sem o menor conhecimento de causa. Por isso é bom ouvir o Lula.

– Exato. Fala do que sabe, do que viveu.

– Ciro Gomes também.

– Conhece cadeia?

– Não. Mas contratou o João Santana, que não só foi preso como é o autor da estratégia que empoderou o maior ladrão do país.

– Aí sim o voto vale a pena. Senão a gente ia ficar falando de que? Reformas?!

– Ninguém merece. Falando em reformas, temos que tirar o chapéu pro STF.

– Por quê?

– Colocou o Lula na eleição do ano que vem. Vamos poder voltar a falar das reformas do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia.

– Ufa. E a gente achando que nunca mais ia poder discutir reforma boa nesse país… Ponto pro STF.

– E ponto pro Renan Calheiros, pro Randolfe Rodrigues e demais guerreiros da nova CPI. Ninguém pode negar: era claríssimo o risco de afundarmos de novo naquelas reformas entediantes e tecnocráticas que ficam discutindo custo Brasil e não divertem ninguém.

– Graças a eles vamos voltar a ver show do Mandetta.

– Será que ele vai sambar no pé de novo?

– Se o Renan pedir ele samba.

– Mas não vai ter aquele baixo astral de covidão e desvio de verbas emergenciais não, né?

– Nada. Só alegria.

– Então viva a CPI!

– Viva!

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JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

“JURINHA” – A VÉIA DESBOCADA

Juraci de Souza Mendonça – “Jurinha”

Naquelas paragens, as coisas diferentes, fora dos hábitos tradicionais acabam chamando a atenção de todos. Pois, era assim com Juraci de Souza Mendonça, pouco conhecida pelo extenso e pomposo nome. Mas, facilmente conhecida pelo apelido “Jurinha”.

Aquele povoado se dava ao luxo de ter arredores produtivos e muito frequentados. E, um desses “arredores” era conhecido por Calango. Poucos sabiam o motivo do nome, mas era assim que ficou conhecido.

O povoado principal era Cipoal, assim conhecido porque era de lá que vinham todos os cestos fabricados em grandes quantidades, e que serviam para os agricultores transportarem seus produtos colhidos na roça.

Jurinha nasceu no Calango. Mas, largada dos pais ainda menina, encontrou guarida no Cipoal. Era ali que ganhava a vida e aporrinhava a vida dos outros.

E por que foi largada pelos pais, quando saía da infância para a adolescência?

Porque “deu” muito cedo. E “deu” para muita gente. E quem não mostrava interesse, ela ia lá e “traçava”.

Pois, a forma de entender a vida, foi o motivo principal de ter sido largada pelos pais. Pais trabalhadores, corretos, sérios e muito religiosos, que não admitiam ter uma ainda menina em casa, mas já tão puta. E “dava” sem receber nada em troca. Dava pelo prazer de dar. Era de putada! (Ops!)

Pois “Jurinha” passou as várias fases da vida na putaria. Se vestia muito mal, apenas com o objetivo de chamar atenção. Num povoado onde a temperatura normal beirava os 40 graus, “Jurinha” calçava umas botas pretas e longas que ficavam acima dos joelhos. Uma minissaia tão “mini” que, qualquer movimento a calcinha aparecia. Mas, era exatamente aquilo que ela queria. Era debochada.

Claro que, escolhendo aquela forma de vida, “Jurinha” jamais encontraria alguém (homem) que se interessasse por uma convivência séria. E ainda assim, ela cagava e andava para isso.

O tempo passou. “Jurinha” precisou de sustento. E aí entrou na gandaia e começou a “faturar” alguns incautos que não a conheciam e que, esporadicamente, precisavam ir até Cipoal.

E o tempo foi passando e “Jurinha” envelhecendo. A freguesia, ainda que de incautos, diminuiu. O pouco que ganhava na cama, consumia na mesa de bebida. Envelheceu e ficou mais feia fisicamente do que quando ainda dava para qualquer um.

Debochada, virou desbocada. Quem se dirigisse à ela de alguma forma, em resposta ouvia um palavrão. Dos mais cabeludos. Desacatava as pessoas, ofendia os guarda municipais com a intenção de ser presa – na delegacia teria comida de graça!

Quer dizer: era feia e debochada, mas não era burra. Era égua, mesmo!

Mesmo envelhecida e castigada pelo tempo, e por nunca ter-se preocupado consigo mesma na juventude, “Jurinha” não era conhecida apenas porque tinha dado muito quando menina. Ou por que fosse desbocada soltando palavrões os mais inadequados contra qualquer pessoa, independente do sexo ou da idade.

Certo dia, ao cruzar na calçada do passeio com uma menina de uns 8 anos, essa teve a infelicidade de dizer:

– Mãe, olha que velha feia!

Pra que?! “Jurinha” parou e disparou:

– Véia feia é a boceta da tua mãe, filha de uma piranha!

Era daí para pior o repertório de palavrões de “Jurinha”. Mas, todos sabiam, “Jurinha” depois que envelheceu, não se transformou numa má pessoa. Apenas respondia às provocações. E respondia tudo como muitos queriam ouvir – daí as provocações.

Os “filhos” de Jurinha

As dificuldades acabaram fazendo com que “Jurinha”, aos poucos, se transformasse numa pessoa mais calma. Sem ódio no coração, por ter sido largada pela família, apenas por que gostava e sentia prazer em dar. Dar o que lhe pertencia, claro! Sentia prazer em dar e entendia que ninguém tinha o direito de proibi-la daquilo.

A vida continuava, enquanto a morte não chegava. “Jurinha” conseguiu atenção de pessoas boas e passou a morar num cômodo abandonado de uma velha fábrica de cestos. Ali passou a viver e dar os restos de comidas para cães e gatos que também se abrigavam no local.

A meninada acrescentou mais um apelido: “Jurinha”, a mãe do cachorros e gatos”! E ela nem se incomodava mais com aquilo, pois não lhe fazia mal algum. Chegava a rir, quando os cães se engatavam, ou quando os gatos faziam aquele barulho característico do gozo no sexo. Aquilo mexia com as passadas vezes que ela também “dava”. Eram momentos de felicidade para ela.

Eis que, certa tarde, quando uma mulher da vizinhança foi levar o resto de comida para os cães e gatos, percebeu algo diferente acontecendo naquele cômodo abandonado. Em vez de avançarem para ela, os cães continuaram deitados, com as cabeças encostadas no chão. Não estavam satisfeitos nem alegres pela chegada do que comeriam.

A mulher se aproximou e conseguiu perceber que “Jurinha” havia comprado passagem para a eternidade. Abandonada pela família, amada pelos animais.

MORAL DA HISTÓRIA: “Nem o Diabo é ruim para todos” – embora a convivência não seja bem aceita.