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PESSOA DE BEM

Luís Ernesto Lacombe

André Faria: o policial morto no Jacarezinho

Fui um repórter dedicado majoritariamente a pautas de polícia, no início da minha carreira, na longínqua década de 1980. Os traficantes, do jeito que os conhecemos hoje, surgiram nessa época. Dominaram territórios, e nunca mais tivemos paz. Acompanhei muitas operações policiais em favelas do Rio de Janeiro. Morro do Borel, da Pedreira, Rocinha, Dona Marta, favela do Rato Molhado… A imprensa ainda não usava coletes à prova de tiro, capacetes, não havia carro de reportagem blindado. E ainda seguíamos, repórter, cinegrafista e operador de VT, atados entre nós por cabos, o do microfone, o da câmera… Os policiais avançavam. Estampidos, estilhaços, pólvora, o deslocamento de ar concentrado, breve e intenso. Sob tiros, os policiais avançavam.

Nunca confundi bandidos com mocinhos. Nunca achei que um fosse outro. Bandidos não são “vítimas da sociedade”. E, infelizmente, muitos não têm escapatória, para eles não há esperança de regeneração, de recuperação. É porque há um ponto em que não dá mesmo para voltar, em que o mal se instala, gruda na pele, invade, toma os órgãos, principalmente os vitais. Espírito fraco, índole ruim, o olhar de quem olha e não vê, de quem não tem emoção, só frieza, cinismo, maldade… É de desprezo que se alimentam os traficantes, desprezo pelos outros e até por eles próprios. A vida no impulso de um gatilho.

É muito clara a situação numa favela. A estrutura de labirintos formados pelas construções improvisadas é um esconderijo quase perfeito, com muitas rotas de fuga. Um espaço sequestrado, com toda a sua gente de bem. São milhões de reféns de traficantes por todo o país. No Rio, essa situação se consolidou quando Leonel Brizola foi governador. Ele proibiu as operações policiais em favelas, o uso de algemas. Bandido deveria ser chamado de ‘’senhor”. O tráfico de drogas criou seus feudos, seus castelos, se fortaleceu. A população de bem como escudo, a população de bem amedrontada e oprimida. A ela resta dizer que a culpa é sempre da polícia, ou que não sabe de nada, que nada viu.

Em junho do ano passado, o STF resolveu também proibir as operações policiais nas comunidades do Rio durante o combate à Covid, numa “política de segurança pública”, além de tudo, sem amparo na lei. O tráfico agradeceu, ganhou ainda mais força. Tirar a polícia das favelas é um absurdo. O combate à criminalidade deve se dar em várias frentes, no trabalho de inteligência, no policiamento ostensivo, nas operações policiais… Não dá para aceitar que nas favelas prevaleçam as leis dos traficantes.

A operação no Jacarezinho na semana passada teve autorização judicial. As investigações e o planejamento da ação demoraram quase um ano. Se houve excessos, se houve erros, que isso seja apurado. O que não dá é para demonizar a polícia. O que não podemos é chamar de vítimas aqueles que sufocam trabalhadores, aqueles que reinam pelo terror. Não são “justiceiros sociais”, são opressores cruéis. Massacram as pessoas de bem, agridem, humilham, praticam extorsão, invadem casas, aliciam menores.

Nas forças de segurança temos heróis que cumprem seu dever legal. Suas vidas têm sacrifícios e riscos que pouca gente poderia suportar. Não saem de casa pensando em matar, saem de casa, em sua grande maioria, numa entrega absoluta, pensando em proteger e salvar vidas. Imagino o quanto a inversão de valores pode provocar neles uma dor imensa, mais do que a que porventura já sentem…

Penso em todas as pessoas que vivem em áreas conflagradas, dominadas por gente muito ruim, e penso nas forças de segurança. Neste momento, em especial na família do policial André Leonardo Frias porque, sim, toda vida importa, mas a da pessoa de bem importa mais.

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OS JORNALISTEIROS DA GRANDE MÍDIA BANÂNICA

* * *

Vi essa postagem no Twitter e fiquei pensando: mais um abestalhado que leva a sério o Datafolha, aquele instituto bananífero que mente mais do que a Cega Dedé lá de Palmares.

E o sujeito está citando uma pesquisa garantindo que a “maioria dos eleitores” apoia meter o pé na bunda de Bolsonaro e tirá-lo da presidência.

Na certa, este cabra deve achar que aquela gigantesca multidão que ontem apinhou a Esplanada dos Ministérios, estava mesmo era querendo o impeachment do presidente e fingindo estar ali pra apoiá-lo.

Uma multidão de mentirosos.

Como dizia Seu Luiz, meu saudoso pai, gente besta e mato é o que mais tem nesse mundo.

Mas o que eu queria dizer a vocês é o seguinte:

Depois que vi a idiotice aí de cima, postada por esse sujeito datafolhista, fui verificar quem era ele.

E vejam só o que encontrei:

Tão vendo aí, num é?

O cabra é “repórter de política” do Correio Braziliense, o maior jornal de Brasília, um dos pilares da grande mídia banânica.

E ainda acrescentou que é “Setorista do Poder Judiciário”.

E isto dito, tá dito tudo.

Taí o retrato cagado e cuspido do jornalisteirismo oposicionista nos dias atuais. Que ficou completamente desnorteado e furibundo desde o momento em que os fartos peitos do dinheiro público secaram para as grandes empresas de comunicação.

Tem mais de dois anos que estão à míngua, bufando e estrilando de ódio, vazando baba pelos cantos dos beiços.

Este jornalisteiro aí de cima certamente deve ser lido e idolatrado por um leitor fubânico que escreveu esta frase antológica num comentário aqui no JBF:

“Os indicadores são preocupantes para o Bolsonaro, senão ele não estaria tão agressivo. Estaria nos braços de todo o povo e não só de seus apoiadores.”

Viram?

Bozó deveria estar nos braços de “todo o povo”, a totalidade da população brasileira, que tem mais de 200 milhões de pessoas.

E não apenas nos braços do gado. 

O leitor fala também em “indicadores preocupantes”.

Certamente ele deve estar se referindo aos indicadores do Datafolha.

Indicadores que deixam Bolsonaro pra lá de preocupado e sem dormir direito.

E agressivo, muito agressivo, conforme afirmou nosso leitor.

Está tão agressivo que ontem chegou ao ponto de se amontar em cima dum cavalo, só pra humilhar e debochar do eleitorado de Lula.

E tem mais: sem máscara. No meio do povo.

Levando o perigo de contagiar a multidão com o vírus patada-vid-19.

Vôte!!!

E, já que falamos em cavalo, vamos fechar a postagem com uma moda de viola pra alegrar o nosso domingo!

A dupla João Neto e Frederico interpretando a composição Cavalo Enxuto.

J.R. GUZZO

O NOSSO BIDEN

Uma das ideias fixas preferidas do noticiário político do momento é descobrir, em algum canto do Brasil, um “Joe Biden” brasileiro, capaz de arrumar uns 70 milhões de votos, ou por aí, e derrotar o presidente Jair Bolsonaro nas eleições do ano que vem – como se um Biden, aquele que está em Washington, já não fosse mais do que suficiente para as necessidades atuais da humanidade. O que se vai fazer? Biden virou, para os altos mestres da ciência política, o presidente ideal para qualquer país do mundo de hoje – procura-se, desesperadamente, um Biden paraguaio, um Biden esquimó, e por aí vamos. Por que não, nesse caso, um Biden brasileiro? É onde viemos parar.

Os Bidens made in Brazil, até agora, incluem alguns dos nomes mais inesperados, ou francamente esquisitos, que alguém poderia imaginar; na verdade, pelo jeito como vão as coisas, e com um mínimo de trato, qualquer um pode ser um Biden brasileiro hoje em dia. Por exemplo: que tal, nos seus quase 81 anos de idade, o ex-presidente Michel “Fora” Temer? Acredite se quiser, mas ele é um dos personagens citados na galeria de possíveis candidatos à posição de salvador do Brasil em 2022. Na mesma linha, foram capazes de ressuscitar um político cearense do qual não se falava seguramente há anos, talvez nem no Ceará – o senador Tasso Jereissati. E o atual presidente do Senado Federal, então? A soma total de suas realizações, até agora, teria sido uma visita do ex-presidente Lula – mas acabou não rolando.

Sumiram de vista e das listas de Biden brasileiro, como numa miragem, gente como o governador João Doria, o apresentador de televisão Luciano Huck e, por mais surpreendente que possa ter sido a lembrança do seu nome, o ex-futuro presidente reeleito da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que caiu em exercício findo depois que o seu projeto presidencial virou suco; não deu certo nem na Câmara. Até algum tempo atrás, eram citados entre as grandes esperanças de um Brasil de centro, civilizado e social-democrata. Hoje, coitados, ninguém se lembra mais deles – ficaram para trás, imaginem, até do senador Tasso.

O mais curioso dessa história toda é que, apesar de continuar a intensa procura pelo nome mágico, o Biden brasileiro já foi encontrado há pelo menos dois meses inteiros – é o ex-presidente Lula. Desde o último dia 8 de março, quando o ministro Fachin, com o apoio em massa do STF, anulou de uma vez só as quatro ações penais contra Lula, inclusive a sua condenação em terceira e última instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-presidente passou a ser o candidato único da oposição a Jair Bolsonaro. É ele e ninguém mais. Podem ficar procurando, pelo resto da vida, um candidato “contra os extremos” – não vão encontrar e, aí, o antiextremista vai ser Lula. É a velha história: se não tem tu, vai tu mesmo.

Tanto faz o que aconteça com Lula em sua campanha. É 100% certo que ele será apresentado como um fenômeno de equilíbrio, moderação e bondade – um Biden para ser elogiado pelo próprio Joe Biden. Mais cedo ou mais tarde vai cair a ficha indicando que só Lula pode disputar as eleições de 2022 com chance real de vitória. Desse momento em diante, todos vão fazer de conta que não há nada de errado em colocar na Presidência da República um político legalmente condenado pela Justiça como ladrão. Ele vai ser o homem do “centro”; tudo resolvido.

Lula é a garantia que nada mudará no Brasil velho que manda na vida pública. É bom para 99% do mundo político, da elite e de todos aqueles, das empreiteiras de obras às estrelas do Petrolão, cujo maior sonho é deixar errado tudo o que está errado.

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RODRIGO CONSTANTINO

“LA GARANTIA SOY YO”: BARROSO PEDE QUE CONFIEMOS NELE!

O mesmo que foi advogado de defesa do terrorista Cesare Battisti; o mesmo que já confessou desejar “empurrar a história” em direção à “justiça racial”; o mesmo que promove ativismo judicial sem ter votos, buscando legislar sobre casamento gay ou drogas; o mesmo que leva a sério o imitador de focas a ponto de realizar um “debate” sobre política com ele; agora nos pede a confiança nas urnas eletrônicas, pois ele “garante”.

O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), disse que as urnas eletrônicas garantem eleições “seguras e transparentes”. A afirmação foi feita durante uma sessão plenária do TSE realizada nesta quinta-feira, 13, dia em que a urna eletrônica completa 25 anos.

“As urnas eletrônicas ajudaram a superar os ciclos da vida brasileira que vêm, pelo menos, desde a República Velha, em que as fraudes se acumulavam”, destacou o ministro, que continuou, dizendo que a ferramenta não é um dos problemas do processo eleitoral do país. “O Brasil tem muitos problemas que o processo democrático e a democracia ajudam a enfrentar e resolver, mas um desses problemas não é a urna eletrônica, que até aqui tem sido parte da solução, assegurando um sistema íntegro e que tem permitido a alternância de poder sem que jamais se tenha questionado de maneira documentada e efetiva.”

Por fim, Barroso afirmou que, em 25 anos, nunca foram registradas fraudes no sistema e que as urnas garantem “eleições limpas, seguras, transparente e auditáveis”. Como comprovar tal afirmação? Eis o ponto: impossível, já que não são auditáveis. O PSDB tentou em 2014, com especialistas contratados, por suspeitar de fraude após mudanças repentinas dos votos. O líder tucano à época, deputado Carlos Sampaio, concluiu que não era viável auditar as urnas.

Por que temem tanto a transparência maior? Por que o Brasil deve ser o único país do mundo com tal sistema, sem a impressão dos votos? Por que jornalistas e políticos socialistas repetem que é coisa de “miliciano” cobrar um voto auditável, sendo que ninguém levaria qualquer papel para casa? O que está realmente por trás de tanta resistência a adotar um modelo que países vizinhos possuem, e manter um sistema que seria considerado inconstitucional em países como a Alemanha?

Barroso lança essa campanha de propaganda das urnas eletrônicas pois sentiu a pressão: milhões de brasileiros têm cobrado mais transparência, em vez da caixa-preta que temos hoje. Só o fato de uma parcela tão grande do povo desconfiar do sistema atual deveria ser suficiente para que o TSE fizesse algo a respeito, em vez de simplesmente garantir que seu “filho” é lindo e maravilhoso. Vejam como os jornalistas tentam encerrar a questão de forma absurda:

Roberto Motta comentou: “Jornalismo militante é isso: pegar um assunto complexo, altamente técnico, com graves implicações para a nação, e trata-lo de forma idiotizada, como se fôssemos crianças. Hackers invadem tudo, menos o ‘processo eletrônico de votação’ da jornalista. Então tá”. Isso sem falar que hackers já demonstraram a capacidade de invasão de sistemas similares ao nosso.

Leandro Ruschel rebateu a narrativa de que a cobrança seria uma preparação de terreno para eventual golpe em caso de derrota: “A tese dos militantes de extrema-esquerda na academia que posam de pesquisadores isentos: conservadores colocam em dúvida as urnas para justificar um golpe, caso Bolsonaro perca a reeleição. Fácil de desmontar tal tese: batalhamos por urna auditável há mais de década!”

Não é discurso de perdedor, pois os que cobram isso venceram. Não é coisa de direita, já que Brizola, Ciro Gomes e Requião, entre outros de esquerda, já defenderam mudanças. É simplesmente a exigência de maior transparência e da possibilidade de uma auditoria eficaz no caso de resultado apertado demais ou suspeito. Pode judicializar a eleição? Ora, e a alternativa da perda total de confiança na democracia soa melhor, por acaso?

O TSE divulgou um vídeo com sua campanha e basta ver o resultado para concluir que os eleitores não morderam a isca, não estão dispostos a tomar a palavra de Barroso como verdade absoluta, por mais iluminado que o ministro se considere:

Essa resistência toda em acatar uma demanda popular causa apenas mais desconfiança ainda. Afinal, temos um STF que rasgou a Constituição para preservar direitos políticos de Dilma, para prender deputado e jornalista bolsonarista, para soltar Lula e depois melar a Lava Jato e conceder sua elegibilidade. Diante desse quadro, essa turma acha mesmo que vamos simplesmente aplaudir quando Barroso parece dizer “la garantia soy yo”?! Tenham a santa paciência!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A ESPERA!

Mãos envelhecidas aprenderam a esperar

Carmem, Dona Carmem, Carminha. Era esse o nome de uma mulher que nasceu, cresceu, casou, teve filhos, e viveu longos anos na comunidade conhecida como Europinha, parte do município de Beberibe no Estado do Ceará.

Naquele tempo, quando perdurava a seca contínua, que não atendia à esperança das orações pela vinda das chuvas, a vida não era fácil para ninguém. Dona Carminha, claro, não podia ter para si e para a família, algo diferente.

A “reca” de filhos que teve com o marido Augusto – foram oito, ao todo – conseguiu sobrevida por conta do sacrifício que os pais faziam para garantir que, na hora do “dicumê”, os pratos não estivessem vazios – ou cheios de nada.

Oito filhos. Cinco rapazes e três moças sobreviveram pelo esforço desmedido dos pais, com maior atuação de Dona Carminha na responsabilidade de quase tudo. Augusto se encarregava “apenas” do abastecimento das necessidades domésticas. O mais era com Dona Carminha.

O que se soube tempos depois, foi que, daqueles oito filhos, apenas três (rapazes) conseguiram atravessar a adolescência e atingir os degraus dos adultos. Problemas de saúde e de convivência levaram os outros cinco.

Os três que ficaram, casaram e foram cuidar das famílias. Augusto teve problemas de saúde e também teve o CPF cancelado, e foi morar ao lado direito do “Pai”, na Vila da Eternidade.

A Europinha inteira tinha noção dos esforços de Dona Carminha para atravessar o Mar Vermelho e conduzir com boa performance os três filhos. Enfrentou necessidades, e viu a fome de muito perto, sem necessitar do uso de lupa.

Fez o que todas as mães fazem. Sacrificou-se, por entender que “cuidar de filhos” é papel e responsabilidade dos pais. E assim, por conta do destino, ela continuava viva, mas só.

Dona Carminha envelheceu e cansou. Cansou fisicamente, mas continuou jogando o jogo da vida contra as dificuldades, da mesma forma como fazem tantas outras mães.

Só, em casa – sem receber de volta a atenção, o carinho ou o sacrifício que ofereceu aos oito filhos, fortalecidos quando a prole ficou reduzida a apenas três. Tudo aumentou. A atenção dobrou, o carinho aumentou e o sacrifício triplicou.

Nada em troca. Nem a necessária atenção.

Esperando a visita dos filhos

Eis que, a festa pagã que comemora o dia dedicado às Mães quase sempre no segundo domingo de maio chegou. Para Dona Carminha era um dia igual a tantos outros que ela, aos 75 anos convivera.

Mas, aquele “Dia as Mães” para Dona Carminha foi diferente. Não por ter recebido atenção ou carinho dos filhos. Foi diferente porque foi encontra-la sentada numa cadeira de rodas num abrigo para idosos e, na prática, desamparados.

Após o almoço servido no abrigo, a sesta vespertina para descansar de tanto descanso, e descaso. Banho, melhor roupa, cabelos penteados e a espera na área de visitas do abrigo.

Espera. Espera, e espera. A claridade do dia foi embora, e foi substituída pela lugubridade noturna.

Nada mudou. Apenas a espera continuou. Os filhos, provavelmente, se deliciavam na frente da televisão sendo cúmplices de um bom filme da Netfix.

E assim vai ser sempre. Alguns continuarão esperando apenas o desfecho da vida e a certeza de que, antes, toda a missão foi cumprida.

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