DEU NO TWITTER

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

A PALAVRA DO EDITOR

UM LEITOR FIEL

Esdras Serrano é um leitor pioneiro e fiel desta gazeta escrota, que acessa o JBF todos os dias e divulga muito a nossa página.

Um amigo muito querido e especial que mora na minha estima.

Esdras é um dos proprietários de uma das maiores empresas de segurança daqui do nordeste, a NE Segurança Privada, que ele comanda juntamente com seus sócios Paulo Bandeira e Heraldo Belo, formando um trio de empreendedores competentíssimos.

Pois esta semana ele me comunicou que inaugurou mais duas filiais, uma em Maceió e outra em Aracajú.

Excelente notícia!

Um empreendimento administrado por um cabra competente, só poderia mesmo crescer cada vez mais.

Recomendo a todos os leitores fubânicos uma passeio pela página da sua empresa, uma potência na área de segurança e que muito orgulha a nossa terrrinha.

Garanto que vocês irão gostar.

A página tem um espaço para contatos, através do qual pessoas interessadas em trabalhar na área podem fazer sua inscrição.

Para acessar, basta clicar na imagem que está no final desta postagem.

Um grande abraço pra você sua esposa, meu querido amigo.

Você é um cabra arretado que merece fazer mais sucesso sucesso ainda.

AUGUSTO NUNES

A VERSÃO CANGACEIRA DO INSPETOR CLOUSEAU

Até a manhã de 25 de maio do ano da graça de 2021, nenhum brasileiro sequer desconfiava da existência de uma versão cangaceira do Inspetor Clouseau, o investigador doidão interpretado por Peter Sellers em A Pantera Cor-de-Rosa. Agora já sabem disso todos os que acompanharam naquele dia o desempenho de Renan Calheiros na CPI da Pandemia, nome oficial do circo montado no Congresso em que o senador alagoano capricha no papel de superdetetive de picadeiro. Só um trapalhão vocacional mostraria já na terceira semana de apresentações que o relatório ficou pronto antes de colhido o primeiro depoimento, e foi redigido pelo pior aluno da classe na faculdade de direito em Maceió.

Só um sócio remido do clube dos cretinos fundamentais, identificados por Nelson Rodrigues, divulgaria tão cedo o trecho do parecer que compara Jair Bolsonaro a Adolf Hitler, mortes provocadas pela covid-19 num país sul-americano ao Holocausto dos judeus na Alemanha nazista, integrantes do governo federal ao primeiro escalão do Führer e vigaristas aglomerados na CPI aos juízes do Tribunal de Nuremberg, que puniram o que restara do alto-comando do III Reich. Só um Inspetor Clouseau cangaceiro, enfim, enxergaria semelhanças entre a mais feroz ditadura do século passado e o Brasil democrático do terceiro milênio.

Renan andou estudando com especial interesse a figura de Hermann Goering (Góringui, em cangacês castiço). Precisa aplicar-se muito mais, alertam as derrapagens ocorridas durante a selvagem sessão de tortura sofrida pela História. “Góringui acabou se suicidando e não foi executado na cela, como estava previsto”, viajou o relator. O que estava previsto era a execução por enforcamento num dos três cadafalsos armados no presídio de Nuremberg, não na cela. “Em várias ocasiões durante o julgamento, o acusado exibiu filmes dos campos de concentração nazistas e de outras atrocidades”, reincidiu. Os filmes foram exibidos pelos acusadores, claro. Não pelo acusado.

Interrompido aos berros por senadores perplexos com a comparação (imediatamente repudiada também por representantes da comunidade judaica), Renan não identificou o Góringui brasileiro. Seria a depoente do dia, Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde? Difícil. O ex-ministro Eduardo Pazuello? Talvez. Seja quem for, pode esquecer desde já a ideia de ingerir veneno para escapar da forca, como fez Hermann Goering. CPIs não têm poderes para condenar alguém a coisa alguma. Quem faz isso é o Judiciário. É coisa para tribunais de verdade, não para magistrados de botequim em ação no Senado.

Se até Renan sabe disso, por que o paralelo com Nuremberg? A resposta está no parágrafo em que o relator afirma que as decisões do tribunal que condenou os nazistas foram contestadas por muitos juristas, o que não ocorrerá com as conclusões da CPI, que se basearão nas leis em vigor no Brasil. No julgamento histórico, as atrocidades cometidas pelos nazistas foram enquadradas numa nova espécie de delinquência – crimes contra a humanidade. Para punir assassinos patológicos, o tribunal teve de ignorar o princípio jurídico segundo o qual a lei só retroage em benefício do réu. Embora não veja diferenças entre os nazistas alemães e seus similares nativos, nosso Clouseau é homem clemente. Ninguém será enforcado, nem haverá inovações no Código Penal. O relator pretende apenas propor o impeachment do presidente Jair Bolsonaro, e condenar à danação todos os que ousaram acreditar na eficácia de tratamentos preventivos ou retardar encomendas de vacinas salvadoras.

Para que nenhum ministro do STF duvide da isenção que o orienta, e acuse um relator exemplarmente imparcial de agir como um Sergio Moro, Renan prometeu contratar uma “agência de checagem”. Infestada de patrulheiros a serviço do pensamento único, essa abjeção nascida do cruzamento da censura com o controle social da mídia não tolera jornalistas que prezam a liberdade de expressão e a independência intelectual. Coerentemente, bandidos que se juntam à manada são tratados com o carinho reservado a comparsas. O líder da bancada do cangaço no Senado, por exemplo, acaba de ter o prontuário reduzido por uma dessas agências. “É falso que sejam 17 os inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal que envolvem Renan Calheiros. São nove”, comunicou o responsável pela checagem. A capivara emagreceu quase 10 quilos. Mas continua suficientemente gorda para garantir-lhe uma larga temporada na cadeia — se os titulares do Timão da Toga prendessem os renanscalheiros.

A biografia do relator explica a sintonia com o presidente da CPI, Omar Aziz, que virou caso de polícia quando governou o Amazonas (2010-2014) por desviar dinheiro destinado ao sistema de saúde pública. Em campanha para voltar ao cargo, disputa espaços no palco com Eduardo Braga, também ex-governador e igualmente candidato ao regresso. (Até agora, ninguém se lembrou de perguntar-lhes por que havia no interior do Amazonas, no momento em que o primeiro vírus chinês pousou no país, um único e escasso leito de UTI.) Além de entender-se muito bem com os dois, Renan esbanja afinação nos duetos com o vice-presidente Randolph Frederich Rodrigues Alves, vulgo Randolfe Rodrigues, cuja voz de castrato supera até os agudos famosos do pernambucano Humberto Costa, o Drácula do Departamento de Propinas da Odebrecht. A penúltima de Randolfe foi a convocação do presidente da República para depor na CPI, proibida por lei de convocar presidentes da República.

As poucas mulheres do elenco fazem o que podem para ampliar o acervo de assombros. Líder da bancada feminina no Senado, Simone Tebet só levantou o cerco movido aos condutores dos trabalhos depois de atendida a principal reivindicação: senadoras que não são titulares da CPI queriam fazer perguntas aos depoentes. Primeira a usar o microfone, lamentou as mortes em Mato Grosso do Sul por 15 minutos, ao fim dos quais avisou que não tinha nada a perguntar. Autorizada a fazer duas perguntas, a paulista Mara Gabrilli quis saber se poderia formular uma terceira no lugar da segunda resposta do depoente, pela qual não tinha o menor interesse.

Desde a instauração da CPI, passaram-se três semanas de três dias, como determina o calendário do Congresso. Neste fim de maio, a contemplação da comissão conduzida por um Clouseau fora da lei informa que, abstraídas raríssimas exceções, os comissários se dividem em duas alas: a dos incapazes e a dos capazes de tudo. Uma coisa assim só pode dar em nada.

DEU NO TWITTER

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

PINTO DO MONTEIRO, UM GÊNIO DO REPENTE

Severino Lourenço da Silva Pinto, o Pinto do Monteiro (1895-1990)

Improvisos de Pinto do Monteiro, denominado de A Cascavel do Repente, em cantorias diversas

Lá no meio da caatinga,
Sem moradia vizinha
Bem na beira de um riacho
Um pé de palmeira tinha.
Meu avô, nesse lugar,
Começou a trabalhar
E chamar de Carnaubinha.
Parece que estou vendo
Um homem cortando cana;
Uma engenhoca moendo
Os três dias da semana.
Fazer cerca, queimar broca,
Raspar milho e mandioca,
Da massa, fazer farinha;
Comer com mel de engenho,
Ai, que saudades que eu tenho
Da minha Carnaubinha.

Ninguém deve ignorar
Porque Pinto do Monteiro
Largou de mão a viola
E passou a usar pandeiro
O volume é mais menor
E o pacote mais maneiro.

Eu admiro o tatu
Com desenho no espinhaço,
Que a natureza fez
Sem ter régua, nem compasso
Eu tenho compasso e régua,
Pelejo, porém, não faço.

Sua terra é muito ruim
Só dá quipá e urtiga
Planta milho, o milho nasce
Não cresce nem bota espiga
De legume de caroço
Só dá sarampo e bexiga.

Homem deixe de história
Que se eu for ao Pajeú,
Dou em Jó e dou em Louro,
Em Zé Catota e em tu,
E fico no meio da rua,
Cantando e dançando nu.

Em dezembro, começa a trovoada,
Em janeiro, o inverno principia,
Dão início a pegar a vacaria:
Haja leite, haja queijo, haja coalhada!
Em setembro, começa a vaquejada:
É aboio, é carreira, é queda, é grito!
Berra o bode, a cabra e o cabrito;
A galinha ciscando no quintal,
O vaqueiro aboiando no curral;
Nunca vi um cinema tão bonito!

Esta palavra saudade
Conheço desde criança
Saudade de amor ausente
Não é saudade, é lembrança
Saudade só é saudade
Quando morre a esperança.

Saudade é tudo e é nada
Saudade é como o perfume
Eu só comparo a saudade
Com o peso do ciúme
Que a gente carrega o fardo
Mas não conhece o volume.

Se você fosse uma franga
Eu ia pegar-lhe agora
Botar os dois pés em cima
As asas servir de escora
Dar-lhe um beliscão na crista
E o resto eu digo outra hora…

* * *

Pinto de Monteiro cantando com João Furiba:

João Furiba

Se você quiser ter sorte
na sua mercearia,
coloque uma etiqueta
em cada mercadoria
e ponha meu nome nela
que conquista a freguesia.

Pinto do Monteiro

Triste da mercadoria
que nela tiver seu nome!
Pode vir um guabiru
Com oito dias de fome,
Caga o pão, mija no queijo,
Passa por cima e não come.

* * *

No vídeo abaixo, Severino Pinto e Lourival Batista cantando de improviso o gênero Meia Quadra.

Constante da Coleção Música Popular do Nordeste, com 4 discos, lançada em 1972.

A abertura da cantoria é feita por Lourival.

DEU NO TWITTER

SÓ EM BANÂNIA MESMO

* * *

Toffoli foi reprovado duas vezes em concurso pra juiz de primeira instância.

De modo que ele não deve conhecer o Código de Processo Penal. 

E, mesmo que conhecesse, desrespeitaria na maior tranquilidade e cara-de-pau, como é de seu costume.

Hoje em dia, mesmo sendo analfabeto em Direito, ele é membro do maior órgão do Poder Judiciário deste país.

Está lá cumprindo missão de militante do bando de propriedade do ex-presidiário Lula, aquele que tem uma sigla de partido político.

Coisa digna de uma republiqueta banânica de terceiro mundo, que já foi governada durante muitos anos por uma istrêla vermêia.

DEU NO TWITTER

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

COLÉGIO DIOCESANO

Após o banho de mar matinal na Praia da Avenida da Paz, eu tomava um café reforçado da Dona Zeca quase na hora de pegar o bonde para o Colégio Diocesano. Havia um ponto de parada de bonde perto de minha casa, na esquina, defronte à belíssima mansão de Seu Paulo Tenório. Eu, menino cheio de vigor, preferia pegar o bonde em movimento ao passar em frente à minha casa. Pulava dando impulso com um pé, juntava o outro firme no estribo, a mão segurava o barrete vertical, viajava em pé, mesmo com vagas nos bancos, equilibrando uma pesada bolsa de livros e cadernos na outra mão. O bonde paquidérmico andava lentamente, eu sentia, amava a carícia do vento no rosto. O cobrador passava experto, uniforme desalinhado e inefável quepe, as notas de dinheiro arrumadas entre os dedos facilitando o troco aos passageiros, mandava sair do estribo e sentar nos bancos. Nós, meninos livres e teimosos, não obedecíamos.

O motorneiro (condutor) acelerava o bonde rangendo nos trilhos, tocando “Tim-Tim”. Entrava pela Praça Sinimbu, Rua do Imperador, dobrava por trás da Assembleia, subia a Rua do Comércio, finalmente chegava nosso destino, o majestoso e bonito casarão, Colégio Diocesano, onde hoje é a Secretaria de Agricultura.

Às sete da manhã, impreterivelmente, tocava o sino, os alunos entravam enfileirados na sala. Depois de rezar três ave-marias e um padre-nosso, iniciava a primeira aula. Assistíamos às aulas pensando no intervalo, recreio de dez minutos, mal dava para tomar água, jogar ximbra, pião, trocar figurinhas. O sino batia novamente acabando a alegria fugaz, retorno à sala de aula.

O Colégio tinha um ensino bem organizado, todos os colegas daquele tempo ficaram bem encaminhados pelo excelente nível de educação. Alguns colegas disputavam o primeiro lugar nas notas. Outros também se distinguiam nas aulas práticas de oratória, mostravam seus dotes brilhantes. Eu era bom na matemática. Fui aluno particular do professor Benedito na Praça das Graças, onde três vezes por semana, assistia às aulas noturnas do excelente professor Benedito que ficou na história da cidade.

Fui aluno marista de 1948 a 1955, sete anos, um bom tempo de aprendizado. Devo parte da minha educação politicamente correta aos Irmãos Maristas, havia aula de civilidade e religião. A outra parte de minha educação mais escrachada, anárquica, devo à vida livre nas praias, praças, mares, lagoas e ruas de Maceió.

Nossa turma teve como “lente” (responsável) durante o curso Colegial o irmão Bráulio, grande liderança sobre professores e alunos. Incentivador do esporte, treinador de nossa classe, campeã alguns anos de futebol do Colégio. Eu era um jogador medíocre, mas estava sempre escalado ou na reserva do time. Os jogos do campeonato eram pela tarde no campo do Colégio, uma área entre o prédio e o muro cheia de oitizeiros centenários, jogávamos à sombra. Quando a bola batia em uma árvore, continuava valendo. Houve um caso do goleiro Marcos Mello ter feito uma bela defesa quando chutou a bola para frente, ela bateu em uma árvore e voltou entrando na trave, o gol foi validado.

Havia um irmão, sempre mal humorado, vivia enfezado, francês, velho ranzinza, professor de francês e matemática, reclamava e censurava a nossa educação, insistia em nos comparar com a educação dos meninos franceses, seus conterrâneos. Era crítico dos nossos costumes. Certo dia, no intervalo de aula, um colega de turma, um tremendo gozador, hoje sério e recatado cidadão, escreveu no quadro-negro uma quadra que dizia mais ou menos assim: “Irmão Júlio vai morrer buchudo… Sem poder cuspir… Com um pirulito na boca… Sem poder engolir… E com um filho na barriga… Sem poder parir”. Quando o velho irmão entrou na sala de aula, leu os versos, soltou um grito, xingando de mal educados, cafajestes. Naquele momento teve um ataque, ficou vermelho que nem um pimentão e desmaiou na cadeira. Pensamos que estava morto, foi um corre-corre, com tapinhas na bochecha, água no rosto, ele voltou ao normal.

Era uma turma eclética deu bons profissionais que fizeram a história e construíram a cidade de Maceió no século XX.

COLUNA DO BERNARDO