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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O LAMENTO DAS COISAS – Augusto dos Anjos

Triste, a escutar, pancada por pancada,
A sucessividade dos segundos,
Ouço, em sons subterrâneos, do Orbe oriundos,
O choro da Energia abandonada!

É a dor da Força desaproveitada,
– O cantochão dos dínamos profundos.
Que, podendo mover milhões de mundos,
Jazem ainda na estática do Nada!

É o soluço da forma ainda imprecisa…
Da transcendência que se não realiza…
Da luz que não chegou a ser lampejo…

E é, em suma, o subconsciente aí formidando
Da Natureza que parou, chorando,
No rudimentarismo do Desejo!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo, Paraíba (1884-1914)

J.R. GUZZO

SAINDO DO DESERTO

Ninguém diria nada de parecido há pouco mais de um ano, mas este foi um ano em que nada se pareceu com nada – é natural, assim, constatar que a evolução da economia e do bem-estar da população brasileira passou a depender diretamente não daquelas coisas que os economistas vivem dizendo que são importantes, e sim de uma fórmula química. Quem poderia imaginar? Mas aí está: ao chegar-se à metade de 2021, é o sucesso maior ou menor da vacinação que vai dizer, sim ou não, se haverá crescimento daqui para a frente – e em que ritmo. É isso que vai decidir se as pessoas terão de volta os empregos que perderam ou que não conseguiram encontrar nos últimos 12 meses, e se haverá outra vez investimento, oportunidades, novos negócios e tudo aquilo que serve de motor para o sistema de produção das sociedades.

Na passagem de 2019 para 2020 não havia ninguém pensando nisso, nem na área econômica ou em qualquer outra área. Vacina? Vacina para quê? Não havia a doença. Não havia a proibição para a indústria funcionar, o comércio abrir e os serviços serem prestados. Não havia 3,5 milhões de mortos através do mundo, nem a ideia de que fosse preciso, dali para diante, arrumar vacinas – e muitas vezes em dose dupla – para 8 bilhões de consumidores. Os problemas da economia eram outros.

O Brasil, por exemplo, ia mal, com investimento em queda, desestímulo maciço à atividade produtiva, fuga de multinacionais cujos acionistas se cansaram de perder dinheiro aqui, desencanto com uma economia estatizada, burocracia demente, impostos suicidas, baixa estabilidade jurídica, uma máquina pública hostil ao lucro. A lista vai adiante; levaria horas para chegar ao fim. Um ano depois, tudo isso continua basicamente do jeito que estava. Mas, agora, por conta da destruição econômica trazida pelo conjunto de decisões envolvendo a covid, qualquer luz no fim do túnel virou um sol de meio-dia. Se parar de piorar, apenas isso, vai ser uma vitória gigante – e é a vacinação, mais que qualquer outra coisa, que realmente está fazendo aparecer a luz. Só ela, na prática, tem a capacidade de parar a desgraça.

Quanto mais pessoas forem vacinadas, e quanto mais rápida for a conclusão desse processo todo, mais rapidamente o Brasil sairá do deserto econômico em que foi lançado. O que isso tem a ver com a política econômica “A” ou com a política econômica “B”, que são contrárias entre si e, portanto, deveriam levar a resultados opostos? Nada. O fato decisivo para a economia, hoje, passou a ser uma questão de farmácia. Concluída a vacinação, é certo que os países que têm espaço para crescer vão realmente crescer – não se sabe quanto, mas não vai ser pouco, e nem pode ser evitado. É o caso do Brasil.

* * *

Uma das principais vantagens do ex-presidente Lula na vida política é a falta de memória do público e a mansidão dos adversários a quem ofende. Durante anos a fio Lula acusou Fernando Henrique, aos gritos e pelo mundo inteiro, de ter lhe deixado uma “herança maldita” no governo – insulto agravado pelo fato de ser uma mentira em estado puro. Até pouco tempo atrás tratava FHC como uma das maiores, ou a maior, desgraça que o Brasil já teve; era o grande satanás da “direita”, das “elites”, etc., etc. Agora, candidato para governar o País pela terceira vez, Lula vira amigo de infância de quem acusava, cinco minutos atrás, de ser o retrato acabado do mal – e o inimigo engole tudo sem dar um pio.

Lula nunca retirou o que disse sobre a herança maldita. Nunca, aliás, disse uma palavra positiva sobre Fernando Henrique, ou sobre nada do que ele fez. Que raios, então, estão fazendo juntos?

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CAMBADA DE IRRESPONSÁVEIS: CARIOCA NÃO TEM JUÍZO

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JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

PASSEANDO PELAS ARTES

Garrincha passa e o marcador fica no chão

Hoje peço licença aos amigos leitores, para falar um pouco do futebol, meio no qual dormi e acordei por alguns anos.

Sou torcer alvinegro, com ênfase para Ceará Sporting Club, Botafogo de Futebol e Regatas e Santos Futebol Clube. Na primeira preferência, por ser o clube da minha terra natal; na segunda, por conta desse ser humano genial, cuja alegria inocente era levar alegria para todos; e, finalmente, no terceiro, por conta da genialidade do negão que vestiu e honrou a camisa 10, fazendo dela, mundo à fora, um ícone da excelência.

1 – MAMÉ GARRINCHA

“Manoel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha ou simplesmente Garrincha foi um futebolista brasileiro que se notabilizou por seus dribles desconcertantes, sendo considerado por muitos o mais célebre ponta-direita e o melhor driblador da história do futebol.” (Wikipédia)

Longe de mim a pretensão de querer contar a história de Garrincha, uma figura demasiadamente conhecida, não apenas nos meios futebolísticos, ou, por conta de algumas peripécias na vida particular – e isso não me diz respeito.

Dito isso, muitos, mas nem todos sabem, que Garrincha nasceu Manoel Francisco dos Santos, no povoado Pau Grande, em Magé, no Estado do Rio de Janeiro, a 28 de outubro de 1933. Foi ali que Ele ensaiou e desenvolveu os primeiros dribles, construiu as primeiras gaiolas e criou os adorados passarinhos.

Há pouco para se dizer ainda sobre Garrincha. Muitos já disseram tudo, graças à adoração que o também botafoguense Sandro Moreyra tinha pelo genial jogador. Mané era assunto preferido de Sandro, mesmo quando o Botafogo não jogava.

O que já se sabe era que, quando jogava o Botafogo de Garrincha contra o Flamengo de Jordan ou o Vasco de Coronel, os torcedores dos clubes, adversários em campo, se deliciavam pelos momentos chaplinianos que “Mané” proporcionava. Era uma delícia, e há quem afirme que, até o marcador se sentia feliz em viver o seu dia de “João”, como passou a ser rotulado o pretenso marcador que tomava baile.

Até onde se sabe, pelo que muitos disseram, uma vida desregrada após a aposentadoria no futebol, foi a causa principal que levou Mané Garrincha à morada eterna, no dia 20 de janeiro de 1983 – dia consagrado à São Sebastião, no Rio de Janeiro.

Pau Grande – bucólico povoado onde nasceu Garrincha

Sobre Garrincha, além de ter presenciado em inúmeras oportunidades nas arquibancadas do Maracanã aquele drible seco sempre para o lado direito depois de um “faz-que-vai-mas-não-vai” para a esquerda, um momento triste que presenciei sobre uma figura tão importante no Brasil e mundo à fora.

Toda manhã de domingo, eu ainda morador do Rio de Janeiro, cultivava o hábito de comprar vários jornais (O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil, O Globo, Folha de São Paulo, Jornal dos Sports, Gazeta Esportiva, Correio Braziliense, Diário do Nordeste e O Povo), numa banca de jornaleiro que existe ainda hoje, na frente do antigo Hotel Serrador, na Cinelândia. Comprava e lia todos. Levava uma ou até duas sacolas de jornais para ler em casa.

Eis que, ao pagar e receber os jornais, caminhei na direção da antiga Mesbla. Foi quando encontrei, sentado no meio-fio da Rua Senador Dantas, todo vestido de preto (como se estivesse usando luto), a figura inconfundível de um dos maiores jogadores de futebol do mundo: Mané Garrincha.

Percebi que ele estava insone e, aparentemente, alcoolizado. Não tentei ajuda-lo, pois tive receio de ser confundido. Segui meu caminho, enquanto ele ficara sentado no mesmo lugar. Provavelmente escutando os aplausos recebidos tantas vezes das arquibancadas do Maracanã. Aplausos vindos até dos torcedores de times adversários.

2 – CHARLES CHAPLIN

Outros tempos, outros pais e outras mentalidades. Quem estudava tinha apenas um dia para o descanso ou lazer: o domingo. Domingo era dia de cinema ou futebol para a estudantada, ou, ainda, para a juventude transviada o dia para descansar da ressaca do sábado. Diferente de hoje, que a farra começa na sexta-feira. Vida que segue.

E a estudantada sempre (ou quase sempre) ia ao cinema. Trocar revistas em quadrinhos ou figurinhas de álbuns, e depois o filme em cartaz.

Final dos anos 40 e quase todos os anos 50, a produção cinematográfica era limitada. Perdurava ainda o filme mudo (sem som audível) e muitos desenhos, rotulados de “animados”. Filmes de faroeste ainda eram raros – e havia até quem imaginasse que, a poeira feita pelas carruagens perseguidas pelos índios, pudesse provocar gripes. Arre égua!

Chaplin – o mito da então arte cinematográfica “muda”

Difícil mesmo era esquecer que, o grande nome dos filmes daqueles poéticos tempos era Charles Chaplin. Na verdade, Charles Spencer Chaplin, percussor do cinema mudo, nascido no Reino Unido, mais precisamente no povoado Walworth, dependente de Londres, a 16 de abril de 1889.

Charles Chaplin, que viria a falecer em Manoir de Ban, na Suíça, no dia 25 de dezembro de 1977, em vez de receber presentes de Natal, fez foi presentear a criançada e o cinéfilo com fitas inesquecíveis como O Grande Ditador, O Garoto, O Vagabundo e o impagável Tempos Modernos.

Lembro que vi todos esses filmes, como lembro também, da magistral interpretação de Geraldine Chaplin como “Tônia” no filme “Dr. Jivago” ao lado de Omar Shariff e Julie Christie. Geraldine sempre recebeu cobranças por melhores interpretações, apenas pelo fato de ser filha de Chaplin.

Cemitério onde estão os restos mortais de Chaplin e da família

Tudo momentos proporcionados pela arte. Quando Garrincha driblava, a ponto de destruir o marcador, provocando risos e/ou aplausos das superlotadas arquibancadas do Maracanã, era a arte se impondo de forma magnífica no futebol.

Não seria diferente, quando as plateias uníssonas gargalhavam como os trejeitos de Chaplin em quase todos os seus filmes. Mas, entre tantos, havia também aqueles que iam às lágrimas. Tudo, arte pura.

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CONSTÂNCIA UCHÔA - "IN" CONSTÂNCIAS

ESQUECER É PERMITIR, LEMBRAR É COMBATER

O silêncio faz um muro
Cercando a violação
E ela vive no escuro
Debochando da razão
Ri da vil indiferença
Da pena, quando há sentença
Pra garantir o crescer
Se Abusou? Tem que PUNIR
Que esquecer é permitir
Mas lembrar é combater

Mãos que roubam inocências
Mãos que lucram de purezas
Lançam mão de indecências
E depois saem ilesas
Muitas vezes, nesses lares
São mãos de familiares
Manchando o sangue, o dever
Pois deviam impedir
Que esquecer é permitir
Mas lembrar é combater

Amarela, a flor sozinha
Entre o medo e a vergonha
E o adulto que espinha
Não lhe deixa que exponha
Espinhos machucam flor
Despetalam sem pudor
Ameaçam, sem temer
E a flor ? nem quer mais florir…
Que esquecer é permitir
Mas lembrar é combater

Um outro adulto duvida
Dessa história violenta
E usurpam cor da vida
Na hora que inocenta
Os abusos e injustiças
Serão sempre mães postiças
De culpa amamenta o ser
E tem que valer insistir
Que esquecer é permitir
Mas lembrar é combater

Quem sofre merece colo
E não prévio julgamento
Sem segurança no solo
Se afunda no sofrimento
Mostremos que não “tão” sós
Que a vítima não é algoz
De mãos dadas vamos ler:
Segurem pra prevenir
Que esquecer é permitir
Mas lembrar é combater.

A PALAVRA DO EDITOR

DOMINGO BONITO

Hoje amanheceu um dia bonito e ensolarado aqui no Recife.

Tá um domingo belíssimo!

Chupicleide já me avisou que vai encher a cara no Bar da Tripa, localizado no bairro do Totó, em Jaboatão.

É lá que ela vai assistir hoje de tarde à final do campeonato pernambucano, a decisão entre Náutico e Sport, embora não torça por time algum.

Ela vai só pra ficar se inxirindo com o monte de machos que  estará por lá.

Nossa secretária de redação amanheceu o dia relinchando de felicidade com as doações feitas pelos leitores Ellen Maria, Pedro Dantas e Esdras Serrano, e já assinou um vale com adiantamento de salário.

Gratíssimo a todos vocês que colaboram para cobrirmos a despesa mensal de hospedagem e assistência técnica desta gazeta escrota, a cargo da empresa Bartolomeu Silva.

Vai voltar tudo em dobro pra vocês na forma de paz, saúde, felicidade e muita alegria!

“Obrigada, queridos amigos fubânicos. Vocês são uns amores!!! Um beijão!!!”