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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ESBOÇO – Gilka Machado

Teus lábios inquietos
pelo meu corpo
acendiam astros…
e no corpo da mata
os pirilampos
de quando em quando,
insinuavam
fosforescentes carícias…
e o corpo do silêncio estremecia,
chocalhava,
com os guizos
do cri-cri osculante
dos grilos que imitavam
a música de tua boca…
e no corpo da noite
as estrelas cantavam
com a voz trêmula e rútila
de teus beijos…

Gilka da Costa de Melo Machado, Rio de Janeiro-RJ (1893-1980)

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

A PALAVRA DO EDITOR

CACHAÇA E VODCA

Ontem Aline estava futucando nos meus arquivos de fotos antigas a meu pedido.

Pra ver se encontrava uma foto minha com Seu Luiz, meu  saudoso pai.

E lá pelas tantas ela me perguntou quem era essa belezura ao meu lado:

E eu informei que era o escritor russo Boris Zakhoder.

Esta foto foi feita nos anos 80 do século passado, quando participei do IWP, o International Writing Program, promovido pela Universidade de Iowa, lá nos Zistados Zunidos. Um programa composto por muito eventos, debates e conferências, que contou com a participação de um grupo de escritores de todos os continentes e durante o qual fiz imorredouras amizades.

Este editor, inxirido e metido a besta, foi lá a convite do governo americano. Convite feito através da embaixada no Brasil.

Os zamericanos devem ter achado minha carinha linda e inventaram de me botar na lista.

Daqui da América do Sul, só eu e o argentino Carlos Gardini, de quem me tornei amigo e que encantou-se em 2017.

Foi uma mordomia arretada que durou  vários meses e que contou com muitas viagens de todo o grupo lá dentro daquele imenso país. Nova Iorque, Los Angeles, São Francisco, Nova Orleans e Chicago, entre várias outras, foram algumas das cidades pra onde nos levaram

Pois voltando ao Boris da foto lá de cima, quero dizer que se trata de um importante autor da literatura russa infanto-juvenil e foi quem traduziu do inglês para o russo o clássico “Alice no País das Maravilhas”. Não aprendi nada sobre a literatura do seu país e nem tive muito tempo de conversar com ele sobre literatura brasileira porque nossos encontros se resumiam apenas a um incessante consumo de vodca e de cachaça.

Do mesmo jeito que eu, o escritor russo trouxera em sua bagagem a bebida nacional do seu país a fim de enfrentar os quatro longos meses que teríamos pela frente na terra dos americanos.

Conheci este simpático sujeito quando se estava ainda nos primórdios do governo Gorbachov que, em boa hora e já tardando, deu início à Perestroika e à Glassnot, palavras russas que significam, respectivamente, reestruturação e transparência.

E, graças a isso, o carcomido e jurássico comunismo soviético foi solenemente sepultado, dando início a um novo período na história do mundo.

E foi em consequência desta política que um ansioso Boris, com a permissão do governo do seu país, pôde viajar para os EUA e participar do evento. O programa já havia tentado várias vezes trazer um russo para participar do seminário, mas sempre sem sucesso, graças ao tenebroso cagaço que os comunistas sempre tiveram de ar puro, de liberdade de expressão, de conversa franca e de pensamento livre.

Pois bem. Eu não esqueço nunca do ar maravilhado que Boris fazia sempre que estávamos tirando cópias xerográficas dos nossos trabalhos e escritos, no Departamento de Letras da universidade onde se realizava o seminário.

Um dia ele me disse bem sério, apontando a copiadora xerox: “No meu país, é impossível alguém ou alguma instituição como esta aqui ter uma máquina dessas, capaz de fazer cópias e multiplicar ideias. O governo não permite”.

E eu achei essa informação fantástica, bem reveladora da paranoia em que mergulham as tiranias no que diz respeito à transmissão de ideias que não sejam exatamente as oficiais. Uma máquina de fazer cópias na antiga Rússia comunista deveria provocar o mesmo pavor que um obsoleto mimeógrafo causa nos dias de hoje em Havana.

Curioso, fui pesquisar na internet sobre o meu estimado amigo e descobri que ele havia se encantado em novembro de 2000, aos 82 anos de idade.

Se aí no infinitivo tiver vodca ou cachaça, tome umas lapadas por mim, meu amigo Boris. Aqui na terra eu estou em abstinência compulsória.

No Wikipedia tem uma página sobre ele.

Cliquem na imagem abaixo para acessar:

Boris Zakhoder (1918-2000)

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NUM VAI CABER TANTO CAMINHÃO NA ESPLANADA…

COLUNA DO BERNARDO

DEU NO JORNAL

DESCONFIANÇA PARAGUAIANA

O Brasil já perdeu há muito tempo o direito ao ufanismo pela criação da urna eletrônica, em 1996. Além de usar equipamentos anacrônicos, de 1ª geração, o Brasil é o único País do mundo a não adotar o voto impresso, entre os que têm sistema eletrônico de votação.

Hoje, três dezenas de países adotaram diversas versões de urna eletrônica, todas com voto impresso.

Enquanto isso, a urna brasileira perde espaço.

O Equador, que a utilizou em 2004, optou pelas urnas de segunda e terceira gerações.

Já há 13 anos, 39 estados dos EUA, 3 do México e várias províncias do Canadá passaram a exigir voto impresso em urnas eletrônicas.

Até o Paraguai desconfia da urna eletrônica brasileira: após testá-la entre 2003 e 2006, proibiu sua utilização desde 2008.

* * *

Dessa notícia aí de cima o que mais me espantou foi a expressão “Até o Paraguai”, contida no último parágrafo.

Se “até o Paraguai”, a terra do contrabando e da falsificação, desconfia da urna eletrônica brasileira, então o negócio é sério mesmo.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

NACINHA – CUIABÁ-MT

Caro Editor e meus queridos amigos

Bolsonaro foi ao estado de Renan Calheiros, governado pelo Renan Filho, e chamou o pai do governador de vagabundo.

O povo, seguindo o líder, chamou os Calheiros de vagabundos.

Esse Bolsonaro não tem jeito não. É muito mal comportado.

Vou votar nele de novo pra ver se ele aprende a se comportar.

kkkkk

COLUNA DO BERNARDO