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AGUARDEM: VAI DAR HOJE NO JORNAL NACIONAL

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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

AGRADECIMENTOS – Antônio Zoppi

Hoje eu regresso à minha vida antiga,
despreocupado com o meu futuro.
E embora vendo meu presente escuro,
olho o passado e me conformo, amiga.

A vida é assim: nos dá, depois castiga…
E quando lembro aquele amor tão puro
que dediquei a um coração perjuro,
aumenta a mágoa que meu peito abriga.

Porém, não ligo, sou indiferente.
A própria dor vai ensinando a gente
a não chorar o que já se perdeu.

Pois ao contrário de ficar sentido
estou feliz, e muito agradecido,
pela saudade que você me deu…

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A PALAVRA DO EDITOR

UM FERIADO DIFERENTE

Hoje de manhã saí pra dar uma volta pela cidade e fiquei completamente abestalhado.

Foi a primeira vez na vida que vi um dia 1º de Maio sem a cor vermelha.

Parece que o encarnado foi riscado do mapa!

Só tinha verde-amarelo de ponta a ponta, em todos os recantos dessa nossa bela Recife.

Sem mortadela, sem ônibus fretado, sem qualquer entidade patrocinando.

Todo mundo pagou a gasolina do seu próprio bolso.

Um verdadeiro festival de brasilidade.

Um dia marcante, um feriado diferente.

Praia da Boa Viagem,  Recife, hoje pela manhã

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DEU NO JORNAL

A MÍDIA BANÂNICA

A Fiocruz entregou ao Ministério da Saúde, nesta sexta (30), exatas 6,5 milhões de doses da vacina AstraZeneca.

Mas no noticiário o destaque era a entrega de 600 mil doses do Butantan, menos de um décimo.

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É a grande mídia oposicionista e funerária em plena militância.

Nosso estimado mascote, o jumento Polodoro, está ansioso pra cruzar com a turminha das redações banânicas.

Ele já está com a pajaraca toda envernizada.

GUILHERME FIUZA

O ESCÂNDALO DO PASSAPORTE SANITÁRIO

Vocês resolveram pular as dúvidas sobre as vacinas? Elas são ótimas e fim de papo? Ok. Vocês são maiores e vacinados, devem saber o que estão fazendo. Mas por que estão tentando obrigar todo mundo a ter a fé cega de vocês? Não era ciência? Tudo bem. Só que aproveitar o nevoeiro para criar um mundo exclusivo para vacinados foi longe demais. Esse passaporte sanitário e arbitrariedades correlatas constituem o maior escândalo ético do século.

No Brasil, a autoridade sanitária vetou a importação de uma vacina por falta de estudos suficientes inclusive sobre efeitos adversos – ou seja, por falta de segurança para a saúde dos brasileiros. Mas já tinha ministro da Suprema Corte dando prazo fatal para autorizar a importação sem o aval da autoridade sanitária, isto é, na marra. E vocês acham que está tudo normal nesse ambiente.

Esse mesmo tribunal deu autorização prévia para governadores decretarem obrigatoriedade de vacinação – sem nem dizer com que vacina. Tudo normal. Governadores estes que em vários casos tiveram suas ações na pandemia investigadas pela polícia, com casos comprovados de desvios de verbas emergenciais; governadores que fizeram lockdown desvairado com toque de recolher ditatorial e vista grossa para aglomeração nos transportes — portanto perfeitamente habilitados para decidir e impor critérios de vacinação compulsória de todo mundo… Repetindo: vocês estão achando tudo normal.

A vacina cuja importação a autoridade sanitária não autorizou no Brasil é a mesma aplicada em larga escala na Argentina, país com péssimo desempenho no enfrentamento da pandemia. Mas é proibido cruzar suposta imunização com aumento de casos e óbitos. Isso não é uma insinuação. É uma dúvida. Quando vocês resolverem trocar a fé pela ciência a gente volta a tentar fazer pesquisa e catalogar dados sobre a experiência real. Por enquanto fica valendo a certeza mística: vacina salva.

Não salvou o presidente da Argentina. Ele pegou covid depois de vacinado. Claro que os corregedores da fé já estão gritando: é exceção! Ele está no porcentual minoritário! Ok, aquele porcentual minoritário fixado com uns seis meses de estudos – quando até então o prazo mínimo para fixar a eficácia média de uma vacina tinha sido de quatro anos. Já que desta vez começaram a injetar na população com menos de um ano de desenvolvimento, não seria o caso de cotejar a projeção com a prática, buscando maior rigor estatístico? Não. Valem aqueles porcentuais fixados em seis meses e fim de papo.

O que aconteceu com o Chile? De novo: isso não é uma insinuação disfarçada de pergunta. É só uma pergunta. O que aconteceu com o Chile? De repente passou a se destacar como um dos piores quadros de agravamento da pandemia no continente, exatamente no momento em que se tornava um dos mais vacinados. Teremos cruzamento de dados, pesquisa, ensaios estatísticos e formação de hipóteses ou só gritaria de que isso não tem nada a ver com a vacinação porque a vacina é ótima? A mesmíssima pergunta (repetindo: pergunta) pode ser feita em relação ao que se passa no Uruguai. Ou não pode? Quando pergunta vira blasfêmia tem perigo no ar (além do vírus).

Ainda é permitido perguntar por que o Estado do Texas, que não está entre os mais vacinados dos EUA, tem tido os melhores resultados no declínio de casos e óbitos por covid? Tendo inclusive acabado com boa parte das restrições ao funcionamento da sociedade? E a Suécia? Já dá cadeia falar da Suécia? Se ainda não dá, vale a mesma pergunta: por que com um porcentual de vacinação muito inferior ao do Reino Unido – e sem lockdown – os suecos mantiveram na segunda onda índices de óbitos por milhão inferiores aos dos britânicos, com as curvas mantendo a mesma proporção de antes da vacinação?

Vamos interromper rapidamente as perguntas para fazer uma afirmação: com a quantidade de dúvidas e aferições inconclusas sobre as vacinas e seus reais efeitos sobre a população, quem advoga obrigatoriedade universal de vacinação contra covid-19 é suspeito.

E mais: nem a taxa de letalidade [ver John Ioannidis, Stanford] nem o universo dos grupos mais vulneráveis indicam a necessidade de vacinação de toda a população. Qual foi a alquimia moral que sumiu com o princípio da proteção aos vulneráveis e veio disseminar esse plano totalitário de passaporte sanitário? Que sanha é essa de criar um mundo exclusivo para vacinados – sem nem um panfleto estudantil, muito menos um estudo científico fundamentando esse cabresto mal disfarçado como medida imprescindível de segurança sanitária?

As iniciativas suspeitas sobre vacinação universal compulsória proliferam. Em São Paulo o Legislativo aprovou um projeto que inclui até escolas – onde todos os dados apontam risco baixo – nas atividades que passariam a requerer obrigatoriamente cartão de vacinação contra covid, no caso para crianças e adolescentes! Isso não é uma controvérsia. É um escândalo.

Os mortais que ainda não aderiram à seita da picada redentora continuam aguardando os estudos que faltam sobre a eficácia e a segurança das vacinas para idosos e pacientes com comorbidades, conforme assinalado no laudo da autoridade sanitária brasileira. Teria essa insuficiência de estudos alguma coisa a ver com as reações adversas relatadas ou os óbitos após a vacinação? Como vão os estudos sobre os efeitos identificados de coagulação e trombose, que levaram vários países a suspender o imunizante que gerou esse problema? Vacinar quem já teve covid sem sintomas pode acarretar danos ao organismo, conforme alertado por médicos respeitáveis? Esse monitoramento do sistema imunológico está sendo feito pelos vacinadores?

E já que o mundo resolveu desenvolver a vacina diretamente na população, onde está a tabulação dos efeitos adversos relatados em quatro meses de vacinação no mundo? Os dados do CDC, o centro de controle de doenças dos Estados Unidos – com seu rigoroso sistema de catálogo dos efeitos colaterais das vacinas -, serão usados para ajudar a sociedade a entender o que exatamente está acontecendo com quem se vacina, e em que proporção? Ou ciência agora é só o que sai do gogó do dr. Fauci, o showman da pandemia?

Virologistas renomados levantaram a questão dos riscos de vacinação em massa em plena pandemia, pelo potencial de criação de variantes mais infecciosas. O período de vacinação coincidiu com o surgimento de variantes mais infecciosas. Isso está sendo estudado? Ou você acha que não precisa de estudo – basta gritar que “não tem nada a ver uma coisa com a outra”? Se o postulado acima está errado, ele não deveria ser refutado com ciência? Ou refutação agora se faz com grito e censura?

Vamos repetir: esse lobby da vacinação obrigatória contra covid é o maior escândalo ético do século. E os que estão em silêncio diante desse projeto obscurantista são cúmplices dele.

Os crimes contra a humanidade nessa pandemia haverão de ser julgados. Vejamos o que acontecerá com os gênios do cartão existencial Corona Golden. Só as vítimas poderão salvá-los – basta optarem pelo plano platinum de servidão voluntária. Esse é para a vida inteira.

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J.R. GUZZO

VAMOS PARAR DE FINGIR?

A aglomeração que o Senado Federal inventou com o título de “C.P.I.” e a função, no papel, de investigar atos de imperícia, de imprudência e de negligência – mais os de má-fé – cometidos em volta do governo federal em um ano de combate à covid é um conto do vigário gigante. “Comissões parlamentares de inquérito”, sejam as montadas na Câmara dos Deputados ou as do Senado, são, há mais de 100 anos, um dos golpes preferidos dos políticos brasileiros. Não se destinam a fazer inquérito nenhum, nunca, nem apurar responsabilidade de ninguém, nem, muito menos, punir algum culpado. Servem, ao exato contrário, para proteger os criminosos de verdade com o imutável grito de “pega ladrão” que a bandidagem usa quando se vê ameaçada; além disso são empregadas para promover os interesses pessoais mais grosseiros da politicalha. Este golpe de agora, o da covid, está com todo o jeito de ser um marco histórico em matéria de safadeza, hipocrisia, desperdício de dinheiro público e inutilidade, pura e simples, por parte do Congresso Nacional.

É um fato de conhecimento comum até nos jardins de infância que nunca se roubou tanto neste país, desde os incomparáveis governos Lula-Dilma, quanto se roubou agora por conta da covid. A roubalheira do PT, na verdade, foi distribuída ao longo dos treze anos e meio de dois governos; a de agora está toda concentrada em pouco mais de um ano de atividade intensa. Como poderia ser diferente? As “autoridades locais”, ou seja, os 27 governadores e 5.500 prefeitos do Brasil, ganharam do STF a tarefa – e plena autonomia – para administrar como melhor entendessem o combate à epidemia. Como ficou claro desde o primeiro dia, nenhuma decisão “local” poderia ser modificada, nem muito menos vetada, pelo governo federal; ao contrário, por ordem do STF, a União foi legalmente proibida de mexer uma palha em qualquer coisa que os governadores e prefeitos fizessem. Só estava obrigada a soltar verba – e pagar o “auxílio de emergência” a quem perdeu trabalho e renda por causa da repressão ao trabalho, à produção e à atividade econômica imposta pelas “autoridades locais”. É óbvio o que iria acontecer com todo esse poder distribuído – sem nenhum controle – a tão pouca gente: surtos de incompetência, desperdício em massa de dinheiro público e ladroagem explícita. Depois do “Mensalão” e do “Petrolão”, chegou a vez do “Covidão”.

Que tal parar de fingir por uns minutos? Todo mundo sabe desde criança que político brasileiro rouba; nem todos, é claro, mas a maioria mete a mão com o desespero de um homem-bomba muçulmano ou, então, se faz de bobo e deixa que roubem o que quiserem em volta de si. Por que diabo, então, seria diferente nesse caso? Só por que é uma doença? Não seja por isso; no governo Lula, por sinal, roubaram até sangue dos hospitais, naquele notável escândalo da máfia dos vampiros que deixou lembranças até hoje. Dinheiro é dinheiro. Se vem com a covid ou com as empreiteiras de obra, com o vírus ou com o pré-sal, tanto faz – o que interessa é a “verba liberada” e o dinheiro depositado no banco. O resto é conversa de CPI e para analista de telejornal do horário nobre.

Governadores, prefeitos, seus familiares, os amigos e os amigos dos amigos não contaram apenas com essa decisão sagrada do STF, e com o apoio quase integral das “instituições”, do Brasil “que pensa” e dos meios de comunicação. Mais que isso, tiveram a bênção do “estado de emergência”, um pé de cabra legal que permitiu aos gestores locais gastarem dinheiro público sem controle nenhum: sem concorrência pública, sem licitação, sem necessidade de prestar conta. Se já é uma dificuldade extrema segurar a roubalheira com todas as regras e contrarregras que existem por aí, imagine-se, então, o que acontece quando praticamente não há controle algum. Mais: ninguém aqui está falando de uns trocados. As “autoridades locais” receberam ao longo do último ano, em verbas federais, cerca de R$ 60 bilhões para cuidar da epidemia – dinheiro que o Tesouro Nacional não tem, mas que sempre é fácil tirar dos impostos que a população paga todos os dias, a cada vez que acende a luz ou põe um litro de combustível no tanque. Hoje em dia, com essa história de dizer 1 bilhão aqui, 1 bilhão ali, pode parecer banal, mas 60 bi é uma imensidão em termos de dinheiro. Para se ter um começo de ideia: o total dos gastos federais com a educação, em um ano, ficou em R$ 40 bilhões. A covid comeu uma vez e meia isso aí.

Para completar o seu sonho de consumo, as “autoridades locais” contaram com a ajuda vital do Ministério Público, da Polícia Federal e da mídia em geral, que estão de olhos praticamente fechados há mais de um ano, quando se trata de corrupção na covid. Há exceções, claro: o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, foi posto para fora do palácio em agosto do ano passado, destituído e até preso, no meio de uma tempestade de acusações de roubo na gestão da epidemia. Mas Witzel, claramente, é um caso fora da curva. Num Estado que já teve um colosso na história da corrupção universal como o ex-governador Sérgio Cabral, com mais de 200 anos de cadeia nas costas por roubar de tudo (para não falar de Anthony Garotinho e sua mulher, Rosinha), conseguir ser demitido do governo, como ele foi, é realmente qualquer coisa de paranormal. Na vida mais normal, a governadorzada e a prefeitada deitaram e rolaram, sem que as denúncias apresentadas contra eles tenham atraído a real atenção do MP, da PF ou da imprensa; saiu alguma coisinha aqui, outra ali, mas absolutamente nada que lembrasse, nem de longe, a fúria moral de todos quando os acusados fazem parte da sua lista negra.

Diante de mais essa calamidade – uma epidemia que ultrapassou os 400 mil mortos, incompetência maciça de governos estaduais e prefeituras e corrupção especialmente perversa -, o Senado faz o quê? Faz exatamente o que as “instituições democráticas” do Brasil sempre fizeram: enterra o problema real, salva os culpados e dá às piores figuras, mais uma vez, a oportunidade de virarem heróis da mídia no papel de resistentes ao “fascismo”, à “direita” e ao “genocídio”. A questão, se querem mesmo investigar alguém, é a inépcia e a malversação de dinheiro do Erário por parte dos que foram encarregados de tratar da covid – as “autoridades locais.” Em vez disso, investigam o governo federal – que não tem quem o defenda, dentro e fora do mundo político, e vai ficar apanhando quieto até os arquiduques da “Resistência” tirarem tudo o que podem da CPI e partirem para outra. É desastre com perda total.

Como acontece quase sempre na vida pública brasileira, a trapaça das “investigações” se repete como farsa, ou como espetáculo de humor macabro. Nada revela tão bem o deboche de tudo isso quanto a lista de membros da CPI. O presidente é um senador do Amazonas envolvido até o talo na confusão: sua própria mulher, além de irmãos, já foram presos por ladroagem na área da saúde – da saúde, justamente, dentro de um escândalo que se arrasta há cinco anos no Estado e na capital, Manaus, e é objeto das operações Maus Caminhos e Cash Back, da Polícia Federal. O representante titular do PT é o senador Humberto Costa – ninguém menos que o “Drácula” da lista de políticos comprados pela construtora Odebrecht, codinome que recebeu por seu envolvimento junto à máfia que roubava sangue da rede pública de hospitais quando ele era ministro da Saúde de Lula. Há outra estrela da relação de salteadores da Odebrecht: o “Whiskey”, apelido do senador Jader Barbalho, do Pará. (Deu para entender a presença de Amazonas e Pará na CPI? Pois então: são exatamente os dois Estados, fora o Rio, onde mais se roubou neste ano de covid.)

O ponto alto do show, entretanto, é o senador Renan Calheiros no papel de relator da CPI, nada menos que isso. Renan é um dos membros mais enrolados com o Código Penal que dão expediente nesse espantoso Senado brasileiro – não deve haver, aliás, caso igual ao dele em nenhum Senado do mundo. Ou seja: os políticos não apenas insultam a população com a sua CPI; também fizeram questão de pisar em cima, com a nomeação de Renan. É como se estivessem dizendo: “Isso aqui é o Senado Federal. Polícia, promotor e juiz, aqui dentro, são o Renan e a sua turma”. Não é nenhuma surpresa, por sinal, que o senador que foge da lei há 30 anos tenha se tornado um grande estadista aos olhos da mídia brasileira de hoje; é claro, ele se reinventou como marechal de campo da esquerda nacional, líder da oposição ao presidente da República e apóstolo intransigente da guerra ao “negacionismo”. É tratado, em consequência, como um gigante da nossa política. Suas declarações aparecem em todas as primeiras páginas, nos telejornais e nos programas de rádio. Seu passado, que está presente nos autos, foi “cancelado” do noticiário, como se diz hoje. Ele não fez nada de errado, nunca. É a estrela da CPI, dos editoriais e do “campo progressista”. Aboliu-se uma realidade; foi construída outra em seu lugar. Eis aí a política do Brasil, mais uma vez. É assim que funciona.