DEU NO JORNAL

PEGOU LEVE DE NOVO

A Justiça Eleitoral outra vez pegou leve com Lula (PT), relativizando o crime eleitoral explícito do presidente ao aproveitar o comício de 1º de Maio, no estádio do Corinthians, em São Paulo, para pedir votos ao candidato de extrema-esquerda à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos (Psol).

Após tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível só por se reunir com embaixadores, a Justiça Eleitoral “condenou” o petista apenas a multa de R$ 20 mil. Seu candidato, nem isso: R$ 15 mil.

A passada de pano no crime eleitoral de Lula ocorre a poucos dias de completar um ano da inelegibilidade de Bolsonaro, em 30 de junho.

“Está configurada a propaganda eleitoral antecipada com pedido explícito de voto”, concluiu o juiz, que, apesar disso, só fixou “pena” de multa.

Advogados eleitoralistas já apostam que a “punição” não resistirá a recurso dos “condenados” e não restará nem mesmo multa a ser paga.

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A expressão “passada de pano”, contida nesta notícia aí de cima, resume tudo de modo perfeito.

Essa nossa republiqueta não nos decepciona nunca.

Atua sempre nos conformes.

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

OFERTA, DEMANDA E FUTEBOL

Quando eu era criança, ouvi muitas vezes o seguinte ensinamento: “Algumas pessoas aprendem vendo os tombos dos outros; outras só aprendem quando elas mesmas levam um tombo; e algumas não aprendem nem assim”.

Qualquer comerciante sabe que o preço – e o lucro – de um produto depende da relação entre oferta e demanda. Um produto só pode custar caro se a quantidade disponível for pequena (oferta pequena) ou se é muito procurado (demanda grande). Sem isso, ou o preço abaixa, ou o produto “encalha”. Uma das atividades mais simbólicas da sociedade brasileira, porém, parece não ter conseguido compreender esse princípio simples. Trata-se do futebol.

Foram divulgados recentemente os números do ano passado: os vinte times da série A, somados, arrecadaram o total de 8,83 bilhões de reais, superando o recorde anterior de 8,73 bilhões, estabelecido em 2019, antes da pandemia. Estes bilhões não significam altos lucros, pelo contrário: os mesmos vinte times somaram uma despesa de 7,04 bilhões e uma dívida acumulada de 11,73 bilhões.

Quando procuramos exemplos, devemos ir logo aos melhores, e não há exemplo maior de esporte de sucesso que a NFL, a liga do chamado “futebol americano”. No ano passado, a liga faturou aproximadamente 20 bilhões de dólares, o que equivale a mais de 100 bilhões de reais, ou doze vezes mais que nosso futebol (desnecessário dizer que nenhum dos 32 times da NFL está endividado). O número fica mais interessante quando lembramos que a temporada da NFL dura apenas seis meses, com a “fase de grupos” indo de setembro a dezembro e as finais acontecendo em janeiro – e sempre jogando apenas uma vez por semana. Após a grande final do Super Bowl (que sozinho gera mais de meio bilhão de dólares), os torcedores ficam em jejum por seis meses. E é bom lembrar que, ao contrário do Brasil, onde o futebol não tem concorrentes, a NFL disputa torcedores com o basquete, o beisebol, o hóquei e as corridas da NASCAR e da Indy.

Por aqui, parece que a única solução que nossos “cartolas” conseguem enxergar é fazer seus times jogarem cada vez mais. Antigamente, futebol era no fim de semana. De segunda a sexta, os times treinavam. Hoje em dia, joga-se duas vezes por semana de janeiro a dezembro, e nos dias em que não há jogo os times estão no avião ou no aeroporto. Os grandes times disputam três ou quatro competições ao mesmo tempo (Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Copa Libertadores e Copa do Nordeste, por exemplo), e às vezes, como está acontecendo agora, disputam essas competições sem seus melhores jogadores, que estão jogando de graça para as seleções nacionais.

Com tantos campeonatos, os grandes clássicos ficam banalizados, com casos como Remo e Paysandu, de Belém, que em abril deste ano se enfrentaram quatro vezes seguidas em apenas onze dias. Poucos torcedores estarão dispostos a pagar ingresso para tantas repetições, e é por isso que, em geral, os jogos do campeonato brasileiro acontecem com metade do estádio vazio: média de 23.538 ingressos vendidos, enquanto 15 dos 20 estádios tem capacidade acima de 40.000 pessoas. Também não ajuda o fato de muitos jogos acontecerem durante a semana, começando às 22:00 horas e indo até a meia-noite, para atender à conveniência da televisão. Na NFL é o contrário: a liga determina o calendário e o horário dos jogos e as redes de TV que se virem para ajustar seus horários.

Algumas pessoas dizem que o Brasil é o país do jeitinho. Outras pessoas se ofendem com isso. Se é verdade ou se é ofensivo, eu não sei, mas é difícil não pensar nisso quando vemos que no “país do futebol” o futebol está do jeito que está. Certamente não é por falta de bons exemplos.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

NOGUEIRA NETTO – BELO JARDIM-PE

O amor através dos tempos – (parte I – Pré-História)

O amor não é um tesouro a ser achado, um tesouro pressupõe a presença de joias sólidas e com valores exteriores aos indivíduos que as ostentam. Ao contrário, no decorrer da história humana o amor tem se mostrado fluido, talvez nunca tenha sido tão líquido, como nos mostra Zygmunt Bauman em “Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos”, mas ele nunca foi exatamente sólido como pensamos.

Na pré-história, o que compõe 98% da evolução humana, sendo os 2% apenas a história propriamente dita, segundo o estudo antropológico de Jankowiak e Fischer (1992), em “A cross-cultural perspective on romantic love”, após o exame de centenas de culturas antigas, perceberam a presença do amor apaixonado em praticamente todas, o que os fez concluir que o amor de maneira apaixonada ou romântica é um aspecto quase universal nas manifestações humanas. No sentido evolutivo, o amor é um recurso refinado segundo Wright (2006), em “O animal moral: porque somos como somos: a nova ciência da psicologia evolucionista; a fidelidade está em nosso DNA?”, posto que esse comportamento garantiria ao indivíduo repassar seus genes para o porvir, assegurando a sobrevivência da sua espécie.

Nessa mesma linha de estudos etológicos, os autores acima acreditam que, há 10.000 anos, essas características associadas à sobrevivência tenham feito do “custo-benefício” uma emoção humana e desprendido a mesma da mera sobrevivência no trato das relações familiares. Hoje, somos frutos de milhares de gerações, as quais sobreviveram por diversos motivos, talvez a preocupação ao conviver com a parceira tenha estimulado a luta pela sobrevivência, enfim, as hipóteses são muitas, o que podemos concluir é que o amor pode ser discutido sob um ponto de vista lógico para compreendermos a sua importância na construção da civilização humana, principalmente, em um contexto no qual a sua relevância é extremamente ignorada e o individualismo do mundo globalizado e neoliberal mecaniza até mesmo esse aspecto milenar da nossa espécie.

DEU NO JORNAL

A FARSA DOS DETRATORES DA LAVA JATO

Editorial Gazeta do Povo

O presidente Lula durante a posse de Magda Chambriard como presidente da Petrobras.

Em julho de 2019, durante evento em Curitiba para marcar a devolução à Petrobras de R$ 420 milhões recuperados pela Lava Jato, o então presidente da estatal, Roberto Castello Branco, afirmou que a operação “salvou a Petrobras de se transformar numa PDVSA [referência à companhia petrolífera da Venezuela]. Hoje é uma companhia forte e saudável”, acrescentando que os membros da força-tarefa do Ministério Público Federal eram “heróis nacionais que salvaram o Brasil de muitos problemas”. Quase cinco anos depois, o palco da Petrobras é ocupado por uma figura dedicada a reescrever completamente a história contada por Castello Branco.

Lula participou, na quarta-feira, da cerimônia de posse da nova presidente da Petrobras, Magda Chambriard, no Rio de Janeiro, e não perdeu a oportunidade de atacar a Lava Jato e inverter – ou, melhor dizendo, perverter – a verdade sobre a operação, o esquema que ela desvendou e os resultados que ela obteve. “Com o falso argumento de combater a corrupção, a Operação Lava Jato mirava, na verdade, o desmonte e a privatização da Petrobras. (…) O que queriam eles mesmo era entregar esse extraordinário patrimônio nas mãos de petrolíferas estrangeiras”, afirmou Lula, confiante na sua capacidade de transformar a mentira em verdade repetindo-a mil vezes, como afirmou certa vez um famoso ministro da Propaganda de um regime totalitário.

Houve, sim, desmonte e privatização – mas foi o petismo que desmontou a Petrobras e a privatizou para seus próprios interesses. À corrupção desenfreada somaram-se decisões de negócio desastrosas (como a compra da refinaria de Pasadena) e políticas populistas, como o represamento artificial dos preços dos combustíveis, que sangraram a estatal a ponto de fazer dela a petrolífera mais endividada do mundo. “Ninguém quer que a Petrobras seja uma empresa deficitária e que ela perca dinheiro”, disse Lula, mas o petismo fez exatamente isso com a Petrobras. Chega a ser acintoso que o presidente tenha feito, em seu discurso, uma referência positiva à construção de sondas durante o pré-sal, cujos contratos a Lava Jato demonstrou serem enormes focos de corrupção. Mas o petismo quer fazer crer que foi o combate à corrupção que demoliu a Petrobras, e não a ladroagem que a Lava Jato expôs e conteve.

O petista ainda disse que, “se o objetivo fosse, de fato, combater a corrupção, que se punisse os corruptos, deixando intacto o patrimônio do nosso povo. Mas o que foi feito não foi isso. O que foi feito foi uma tentativa de destruir a imagem da empresa”. Ironicamente, na primeira frase Lula acabou de fato descrevendo o que houve, como o relógio quebrado que acerta a hora duas vezes por dia. O objetivo da Lava Jato era, de fato, combater a corrupção. Ela puniu os corruptos. Ela não apenas “deixou intacto o patrimônio do nosso povo”: a Lava Jato recuperou esse patrimônio, conseguindo que bilhões de reais fossem devolvidos à Petrobras pelos que a haviam pilhado. E tudo isso foi desfeito ou está em vias de sê-lo, graças a decisões teratológicas do Supremo Tribunal Federal, das quais o próprio Lula foi beneficiário.

“É preciso que prevaleça a verdade para o povo brasileiro”, afirmou Lula enquanto despejava suas mentiras diante da plateia. Pois a verdade é uma só: o petismo, partidos aliados e empreiteiras amigas se juntaram para pilhar a Petrobras e outras estatais, com o objetivo de alimentar um projeto de poder perpétuo petista. O petrolão foi a sequência do mensalão, esquemas que ministros do STF classificaram como ataque à democracia. Podemos afirmá-lo com certeza graças ao enorme e robusto conjunto probatório levantado pela Lava Jato. O Supremo pode até inutilizar esse conjunto probatório para efeitos judiciais, mas não pode transformar a verdade em mentira, nem dizer que os esquemas jamais existiram.

Lula festejou dizendo que “a farsa que sustentou a Lava Jato foi desmontada”. A Lava Jato, sim, foi infelizmente desmontada, mas a farsa real está nessas tentativas de desmoralizar a maior operação de combate à corrupção da história do Brasil. A operação que salvou a Petrobras, nos dizeres de Roberto Castello Branco; que fez exatamente aquilo que Lula agora se vangloria de fazer, pois era o petismo que estava cometendo todos os descalabros que o presidente da República agora atribui aos que tiveram a coragem de investigar, denunciar e punir os responsáveis pela ladroagem. Farsa é a destruição do legado da Lava Jato, legado este que, a despeito das mentiras de Lula, temos a obrigação de proteger.

DEU NO X

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

TARZAN – MITO DA INFÂNCIA

Johnny Weissmuler, o Tarzan

Há momentos da infância que de tempos em tempos povoam nossos instantes na fase adulta, os quais expressam épocas bastantes distintas.

De fato não posso comparar as maravilhosas histórias cinematográficas protagonizadas pelo astro Johnny Weissmuler, o inesquecível Tarzan, que protagonizou o personagem do escritor norte-coreano Edgar Rice Burroughs, criado em 1912.

Para os meninotes de minha época, Tarzan era o máximo e não posso nem compará-lo com os filmes de Indiana Jones ou os notáveis jogos que diariamente surgem hoje nas telinhas dos smartphones, através dos quais as crianças ficam fascinadas.

Tarzan era um personagem que durante mais de 10 anos, (de 1932 a 1948), dominou minha imaginação, quando – aparecia nas telas do Cinema Eldorado, aos domingos.

O menino criado nas matas se tornou, pela força do imaginário, o Rei das Selvas. Pegava os jacarés “na tora”, chamava todos os animais com seu grito característico, tinha u’a macaca que era seu guarda-costas, uma linda companheira – Jane – e o filho Boy.

Mas, depois de 1948 começaram a aparecer os substitutos de John Weissmuler – um tal de Lex Barker – que tirou todo o encanto do personagem que nos acostumamos a apreciar.

Johnny, era um ex-campeão olímpico de natação, homem alto, fisionomia de expressão máscula, que imprimia entusiasmo às crianças.

Ainda hoje tenho saudades do Tarzan que falsamente interpretei, quando dava mergulhos no Capibaribe, depois de uivar como o Rei das Selvas, mito de minha infância.

PENINHA - DICA MUSICAL