O amor através dos tempos – (parte I – Pré-História)
O amor não é um tesouro a ser achado, um tesouro pressupõe a presença de joias sólidas e com valores exteriores aos indivíduos que as ostentam. Ao contrário, no decorrer da história humana o amor tem se mostrado fluido, talvez nunca tenha sido tão líquido, como nos mostra Zygmunt Bauman em “Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos”, mas ele nunca foi exatamente sólido como pensamos.
Na pré-história, o que compõe 98% da evolução humana, sendo os 2% apenas a história propriamente dita, segundo o estudo antropológico de Jankowiak e Fischer (1992), em “A cross-cultural perspective on romantic love”, após o exame de centenas de culturas antigas, perceberam a presença do amor apaixonado em praticamente todas, o que os fez concluir que o amor de maneira apaixonada ou romântica é um aspecto quase universal nas manifestações humanas. No sentido evolutivo, o amor é um recurso refinado segundo Wright (2006), em “O animal moral: porque somos como somos: a nova ciência da psicologia evolucionista; a fidelidade está em nosso DNA?”, posto que esse comportamento garantiria ao indivíduo repassar seus genes para o porvir, assegurando a sobrevivência da sua espécie.
Nessa mesma linha de estudos etológicos, os autores acima acreditam que, há 10.000 anos, essas características associadas à sobrevivência tenham feito do “custo-benefício” uma emoção humana e desprendido a mesma da mera sobrevivência no trato das relações familiares. Hoje, somos frutos de milhares de gerações, as quais sobreviveram por diversos motivos, talvez a preocupação ao conviver com a parceira tenha estimulado a luta pela sobrevivência, enfim, as hipóteses são muitas, o que podemos concluir é que o amor pode ser discutido sob um ponto de vista lógico para compreendermos a sua importância na construção da civilização humana, principalmente, em um contexto no qual a sua relevância é extremamente ignorada e o individualismo do mundo globalizado e neoliberal mecaniza até mesmo esse aspecto milenar da nossa espécie.
