Arquivo diários:25 de junho de 2024
DEU NO JORNAL
ALEXANDRE GARCIA
A REPRESENTAÇÃO POLÍTICA

Eleições para o Parlamento Europeu apontaram para vitória da direita. Na França, o partido de Marine Le Pen obteve ao menos 31,5% dos votos
Estão os partidos políticos representando verdadeiramente as diversas correntes ideológicas, doutrinárias e culturais que fazem parte da vida e das diferentes raízes de seus eleitores? É bom lembrar, antes de mais nada, que os eleitores são os mandantes dos políticos – e esses, seus mandatários –, já que na democracia o poder emana do povo. Estão os partidos sendo os reais representantes, procuradores e defensores das expectativas, esperanças e necessidades do povo? Parece que não. E também parece que os partidos não querem encarar esse fato, porque não querem abandonar seu fisiologismo e sua distância da origem do povo. Os partidos só se aproximam do povo em vésperas de eleição, como agora. Se auscultam a origem do poder nessa fase, parece que depois esquecem.
Os programas partidários são todos parecidos, quase iguais. Emprego, desenvolvimento econômico, diminuição das desigualdades… Pergunte a um eleitor cujo casebre exibe na parede o cartaz de algum partido por 30 anos se sua vida melhorou por ter sido eleitor fiel. Se teve saneamento, atendimento à saúde, segurança, ensino eficiente para os filhos, oferta de bom trabalho. Quais os resultados dos discursos, entrevistas, declarações, promessas nas redes sociais? Tornaram-se realidade? Os partidos políticos, com os bilhões de reais dos pagadores de impostos a garantir fundos para campanhas e para sustentar suas atividades, estão conscientes de que devem satisfações à origem do poder e do dinheiro que os sustenta?
A recente eleição para o Parlamento Europeu mostrou como as correntes políticas tradicionais, a social-democracia e a democracia cristã, com todo o avanço cultural europeu, não estão conseguindo dar respostas às necessidades de seus cidadãos. Imagino como estão se sentindo também os dois partidos americanos – democratas e republicanos –, em ano eleitoral, diante do povo que venera Thomas Jefferson e Abraham Lincoln.
Na Europa, o eleitor votou em novas forças e as velhas oligarquias limitam-se a tentar desqualificar as novidades, chamando-as de “populismo” – Macron chama de “fascismo”. Mas o povo europeu sente que as lideranças falharam, com imigração descontrolada e importação dos modismos woke americanos. São os mesmos desde o fim da Segunda Guerra e não querem largar o poder; o povo avisou, nessa eleição do Parlamento Europeu, que vai tirá-los. Lá, pelo menos, todos garantem a liberdade de expressão.
Lá, como cá, os partidos – vale dizer, seus “donos” – vão ter de mudar se quiserem ficar. Não adianta rotular a novidade; é preciso conhecer a vontade de seu patrão, o povo. Estão tentando enfiar goela abaixo do povo ideias estranhas ao espírito brasileiro – e vão perder. Bobagens importadas, após serem geradas por elites supostamente revolucionárias, não serão nem sequer compreendidas. Ainda não estamos no altar de discussões intelectuais; nosso chão é mais embaixo. Estamos precisando de saneamento, esgoto, água tratada, saúde básica, ensino de verdade, segurança, proteção à vida e à propriedade e respeito a um povo que pouco tem, mas percebe quando um político está mentindo e quando seu partido já não está à altura da expectativa.
DEU NO JORNAL
COMO A LEITOA MUDA…
DEU NO X
ABSURDOS SUPREMOS
DEU NO JORNAL
CULPA DE BOLSONARO
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
COREIA DO NORTE, A NAÇÃO MAIS FELIZ
DEU NO JORNAL
ELEGÂNCIA, ELEGÂNCIA
Cobravam elegância do Bolsonaro. Como se o verme fosse elegante. pic.twitter.com/w09E1gVHyc
— Roger Rocha Moreira (@roxmo) June 24, 2024
DEU NO JORNAL
DENTRO DOS CONFORMES
Foi puro constrangimento para o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), a passagem pelo palco da festa de São João de Amargosa (BA).
Foi o petista dar as caras para ouvir sonora vaia.
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Nos dias de hoje, otoridade petista levando vaia é coisa corriqueira.
Faz parte da liturgia lulo-petrálhica do Brasil 2024.
Governador petêlho sendo vaiado numa festa de São João no interior do seu estado está dentro dos conformes.
Nada de espanto.
DEU NO X
BRILHANDO NO EXTERIOR COM UMA BELA VOZ
E você aí pensando que o seu dinheiro não era bem gasto nas viagens internacionais do STF – o ministro Barroso está aqui para provar o contrário.
Depois do episódio do Toffoli viajar para assistir à final da Champions League, agora é a vez do Barroso fazer uma karaokê em… pic.twitter.com/oNIVS4LR4F
— Marina Helena (@marinahelenabr) June 24, 2024
ALEXANDRE GARCIA
SERVIDORES EM GREVE, PANTANAL QUEIMANDO E ARTISTAS CALADINHOS

Chamas no Pantanal já devastaram uma área equivalente a três vezes o tamanho da cidade de São Paulo.| Foto: reprodução/TV Brasil
Acabou a greve nas universidades federais – em termos, porque as aulas ainda levam um ou dois dias para voltarem. Mas acabou a greve de um lado e apareceu greve do outro. São os funcionários do Ministério do Meio Ambiente, do Ibama, do Instituto Chico Mendes. Tem operação tartaruga em curso com analistas de comércio exterior, fiscais do Trabalho, Comissão de Valores Mobiliários, Superintendência de Seguros Privados. Só greve no serviço público, por que será? Está tão ruim assim o serviço público?
Enquanto tem greve no Ibama, no ICMBio, no Instituto Chico Mendes, no Ministério do Meio Ambiente, temos no Pantanal o maior incêndio da história. Vocês ouviram o silêncio dos artistas que faziam a claque da defesa do Pantanal? Ninguém está falando nada. Por quê? Ficaram mudos. Que interessante isso!
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Confiança no Brasil está em queda livre
O Brasil teve a segunda maior queda entre os países do G20 em termos de confiança, medido pelo Credit Default Swap (CDS). O risco-país subiu 166 pontos por falta de equilíbrio nas contas públicas. No comércio exterior também há problemas: em maio, exportamos US$ 30,6 bilhões e importamos US$ 24,3 bilhões. Ainda há superávit de US$ 6,3 bilhões, mas esse superávit é 32% menor que o de maio do ano passado. São essas medidas provisórias, atitudes e decisões do governo que estão atrapalhando a economia. Nas transações correntes, o Brasil está com um déficit de US$ 40 bilhões nos últimos 12 meses. É um sinal muito marcante.
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E lá se vão 30 anos sem trocar de moeda, uma grande conquista
O real está comemorando 30 anos, graças ao governo Itamar Franco, a Fernando Henrique Cardoso como ministro da Fazenda, e a uma equipe que se encontrou agora com FHC para comemorar. Eu costumava dizer que é um plano que se tornou cotidiano, finalmente. É de 1.º de julho de 1994. Encontraram-se com Fernando Henrique os economistas André Lara Rezende, Armínio Fraga, Edmar Bacha, Gustavo Franco, Pedro Malan e Pérsio Arida. Foi uma grande – talvez a maior – vitória sobre a inflação.
Imaginem que nós já estamos há 30 anos com a mesma moeda. Muitos não sabem o que era mudar a moeda de uma hora para outra. Eu já contei aqui, vou repetir. O meu avô depositava uma quantia para mim, menino, todo ano, no meu aniversário, na Caixa Econômica Federal. Ele queria que eu usasse aquela poupança para instalar uma banca de advocacia. Quando ele morreu, fui à Caixa para ver: ele tinha depositado para o menino Alexandre US$ 70 mil, estava registrado lá. Meu saldo era de R$ 2,20 – e, se fosse debitar a comissão de permanência, eu estaria devendo. Ou seja, o Estado brasileiro roubou do menino Alexandre, como roubou de todo mundo, ao ir tirando zero, tirando zero, tirando zero. E não durava muito.
Eu nasci no tempo do mil-réis; veio o cruzeiro, depois o cruzeiro novo, depois o cruzado, e a toda hora se trocava a moeda. O real é permanente; já vai fazer 30 anos, felizmente. Mas o Estado brasileiro precisa ser bem administrado; ele está gastando demais, e aí vão tirar de onde? “A gente arrecada mais”, tira mais do brasileiro. É coisa de quem não conhece a Curva de Laffer. A carga fiscal chega a um ponto insuportável. A Gazeta do Povo está mostrando o que acontece todos os anos: trabalhamos até o fim de maio para sustentar o Estado brasileiro, União, estados e municípios, nos três poderes. O Estado brasileiro não existe para se servir do povo, ele existe para servir o povo. Eles são servidores do público, e o dinheiro com que eles operam é dinheiro do público, dos pagadores de impostos.





