CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ ALVES FERREIRA – SÃO PAULO-SP

Caro Luiz Berto,

Tempos que parecem distantes, fui agraciado e enobrecido com um presente seu: dois livros!

Adoro livros, e os que me comtemplou muito me agradou; me lembraram Garcia Marques, me deram a dimensão do realismo fantástico que move a mente humana.

Sou sincero: por não poder pagar os sites que divulgavam os textos de J.R.Guzzo – de quem sou fã – encontrei onde poder lê-lo, sem pagamento, no JBF.

Sou aposentado pelo INSS e a cada dia meu rendimento diminui, tal a vida.

Podia ter sido terrorista – oportunizes não faltaram – e, depois fiquei cinco anos na FAB – outra oportunidade perdida – mas fiquei na iniciativa privada e, lógico com a “merreca “ que dizem ser minha aposentadoria.

Terrorista daquele tempo ganha muito bem, como alguns conhecidos meus!

Felicidade é relativa, diante das contas e do conhecimento político.

Costumo dizer que o ignorante é que feliz, pois acredita em tudo que ouve e reverbera.

Sobrevivi ao Covid, ao câncer de próstata – por em enquanto -, mas estou vivo!

Agora, luto com as cataratas; até agora tudo bem… seria muito triste deixar de ler, coisa que faço desde os oito anos e, seria um fim triste para leitor voraz, como me considero.

Um abraço.

Vida longa para a JBF.

R. Vida longa pra você também, meu caro amigo!

Você é um guerreiro nobre, valente e está sempre vencendo essas paradas negativas.

Tenha força e continue vencendo!

É um privilégio contar com leitores do seu calibre aqui na nossa gazeta.

Um grande abraço!!!

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

AUTOPROMOÇÃO DO GOVERNO CAUSA CAOS NA TERRA YANOMAMI

Yanomami operação

Ações de segurança na terra indígena yanomami, com desmonte de acampamentos de garimpeiros

Os corpos de oito garimpeiros foram encontrados na região yanomami. Foi morto um agente de saúde de etnia indígena, num confronto com garimpeiros; há dois feridos que, segundo a informação oficial, estavam perseguindo uma canoa de garimpeiros que estavam em fuga e revidaram com tiros de espingarda. Agora aparecem garimpeiros mortos, jogados na água, inclusive a flechadas. Houve também mais quatro garimpeiros mortos em confronto com a Polícia Federal. Quem fez isso, o que está acontecendo por lá?

Vou usar a informação oficial: destruíram os acampamentos dos garimpeiros, uma destruição muito grande, de 327 acampamentos. Depois, impediram que os garimpeiros saíssem de lá: destruíram 18 aviões, dois helicópteros, centenas de motores, bombas, barcos, escavadeiras. Seriam 20 mil garimpeiros sem chance de sair. Os garimpeiros alegam que os indígenas também estão passando fome e atacam os garimpeiros por causa de comida, já amarraram garimpeiros.

Está havendo um confronto lá dentro. Quem é o responsável por isso? Muitas vezes há uma espécie de união: índio se torna garimpeiro, índio é sócio de garimpeiro, explorando na própria reserva, isso acontece em toda a Amazônia. Mas parece que o governo quis se promover, fazer publicidade, e estão aí as consequências: mortes. Não houve uma logística de retirada dos garimpeiros, e temos de pensar a respeito.

* * *

Censores preveem derrota no Congresso e querem apelar ao STF

Depois que os governistas que queriam censurar as redes sociais perceberam que não teriam voto para isso e adiaram a votação, estão falando agora em resolver o impasse recorrendo ao Supremo. Mas não existe impasse; existiria se fosse algo que tivesse de ser solucionado imediatamente. Mas não foi o povo que inventou esse projeto; ele é obviamente apoiado pelo tradicional monopólio da informação, que não quer que o povo tenha voz, quer continuar dominando o povo; e apoiado pela ideologia que quer que o Estado domine a opinião pública, e que a opinião pública não seja dominada pelo público. Só para eles há impasse; para o povo brasileiro, não.

Além disso, Supremo não é órgão legislativo, não tem a procuração para fazer leis dada pelo voto popular a deputados e senadores, muito menos para mexer em assuntos que a Constituição (da qual o Supremo é o guardião) já baniu em 1988. Está lá escrito, no artigo 220, parágrafo 2.º: “É vedado todo e qualquer tipo de censura”. Então, esse é assunto que nem sequer se possa discutir, porque está banido pela Constituição.

* * *

Supremo agora adota o julgamento no atacado

Falando em Supremo, temos agora julgamentos por lote, julgamentos coletivos. Foram 100, depois 200 de uma vez só, agora está julgando 250. Julgamento por atacado, coisa que já vimos na parte mais triste da história da humanidade. Só os ministros André Mendonça e Nunes Marques têm divergido; todos os outros estão confirmando as denúncias, uma parte como “executores” e outra parte como “incitadores” de uma tomada violenta do poder que não aconteceu, e nem aconteceria. Ficaram todos lá se olhando, coisa que a CPI mista vai esclarecer, ouvindo todos os personagens desse 8 de janeiro. O interessante é que este nem sequer é um julgamento presencial, é via digital, é pelo voto eletrônico, que converte em réus um grupo de 250 pessoas de uma vez só, sem aquela personalização do réu, como aconteceu, por exemplo, no julgamento de Nuremberg.

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

A ROSA E A ESTRELA

Na noite do último Natal fui ao jardim da minha casa com o propósito de encontrar, no altar de Deus, sinais da Estrela de Belém conforme o Evangelho de Mateus. “Pois, do Oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo”.

Enquanto fitava a abóbada celestial, aliás, no sossego da sua peculiar placidez (que sugere harmonia), flagrei uma conversa particular e afetuosa entre uma rosa albertine e uma estrela.

Em sussurros de alcova disse a rosa à estrela:

– De onde vem a tua luz resplandecente, estrela?

-Vem da mesma fonte suprema que te concede vida e doce aroma, ó rosa!

– O meu aroma chega até aí, no teu jardim estelar?

– Sim, chega. Assim como inalo o teu doce perfume aqui no céu, do mesmo modo, aí na terra, tu te iluminas com o meu brilho.

– Por que o céu é recamado de candelabros presos às paredes do teto?

– Para afugentar as trevas, para que prevaleça a luz.

– Tu refulges continuamente, estrela?

– Sim, mas há um regime de revezamento: ora as estrelas, ora a lua, ora o sol.

– Por que tanta luminosidade sobre a terra, estrela?

– Porque a luz é vida, ilumina as mentes, guia os corações, permite aos olhos divisar a Deus. É a cintilação estelar que faz realçar, aí na terra, o teu perfume, o teu romantismo, o teu glamour.

– Estrela, apesar de sentires o meu perfume tu nunca vieste beijar-me a fronte, por quê?

– Como assim, rosa?

– Ora, estrela, os beija-flores, as borboletas, inclusive as pessoas, se achegam a mim para beijar-me, inalar o meu perfume. Por que não vens também aspirar a minha fragrância que recende no olfato de todos?

– Não posso, rosa. A cada uma das suas criaturas o Criador destinou um papel e um habitat. O meu habitat é o céu; o teu, a terra. As estrelas e a lua têm a incumbência de, à noite, alumiar a terra e velar os seres que nela habitam. Durante o dia, o Astro-rei se encarrega dessa tarefa. Fomos criadas, rosa, para mundos e papeis distintos: eu para habitar e reluzir nos jardins do céu; tu para residir e exalar nos jardins da terra. Se eu descer me tornarei candente e, portanto, desfalecerei; se tu subires morrerás.

-Tu és perfumada como eu, estrela?

– Não, rosa, sou inodora. Eu não posso perfumar o mundo igualmente a ti, mas posso iluminá-lo.

– Estrela, tu és muito sabida, fazes lembrar aquele professor que vive a explicar o significado e o fundamento das coisas, enquanto eu, tola, pareço uma criança, cheia de curiosidades.

– Julgas-te tola, rosa, porque não tens consciência do teu simbolismo. Em verdade, o teu existir não se destina apenas a ornar paisagens e agradar ao olfato dos viventes, mas, sobremodo, para expressar e espargir o perfume de Deus sobre todas as coisas.

– Obrigada, estrela, feliz Natal!

– Obrigada rosa, feliz Natal para ti também! E repara no detalhe, rosa. Hoje o estelar do firmamento estará mais reluzente para celebrar o nascimento do Aniversariante desta noite, que veio ao mundo, como presente de Deus, embalado na manjedoura da humildade: JESUS!

PENINHA - DICA MUSICAL