Com a economia em rápido declínio, enquanto o governo Lula patina há quase cem dias, agora, nem picanha e nem cervejinha: a fabricante da Itaipava requereu recuperação judicial apontando dívida de R$ 4 bilhões.
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O fundo do poço se aproxima a cada dia que passa.
Que os céus se compadeçam desse nosso empetezado país.
Arguição do Ministro da Justiça, na CCJC da Câmara dos Deputados, para esclarecimento de sua visita ao Complexo da Maré, comunidade dominada pelo Comando Vermelho. pic.twitter.com/PZNlNLnhsy
Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, durante audiência na CCJ da Câmara dos Deputados
O depoimento desta terça-feira do ministro da Justiça, Flávio Dino, não foi um fracasso, mas foi um anticlímax. Todo mundo esperava muita coisa desse depoimento na Comissão de Constituição e Justiça, presidida pelo ex-presidente do PT Rui Falcão. Houve muitas perguntas, as primeiras a respeito da Favela da Maré, e aí começou um bate-boca que chegou a um ponto incontrolável, e então o presidente da comissão encerrou a sessão. O que sobrou foi um dado pitoresco, que eu ainda não consegui entender: atrás do ministro, à direita dele, meio na diagonal, havia um assessor que acompanhava com os lábios o que o ministro dizia, inclusive as expressões faciais e os gestos; parecia coisa de ventríloquos, foi uma coisa muito interessante de observar.
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Juscelino Filho está encrencado mais uma vez
Eu queria falar mais uma vez do ministro Juscelino Filho, porque o Estadão descobriu – o que infelizmente não é raro no Congresso Nacional – que o ministro empregava em seu gabinete na Câmara dos Deputados o piloto e o gerente do haras dele. Os dois juntos ganhavam R$ 18 mil. E o suplente ainda contratou o tio de Juscelino. Ele foi ser ministro, deu as costas para os que o elegeram deputado, não perguntou para nenhum eleitor se podia largar tudo, mas largou, na ânsia de ser ministro, de ser demissível na hora que o presidente não gostasse mais da cara dele, e aí se tornou homem ainda mais público. Suas pegadas estão sendo examinadas depois de terem denunciado que ele pegou um avião da Força Aérea, fez umas visitas em São Paulo e depois foi a uma hípica ser homenageado, fora a história da estrada para a fazenda dele, asfaltada com dinheiro público. Está aí o ministro exposto outra vez.
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Tarcísio tem crise renal em Londres
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi a Londres para atrair investidores para parcerias público-privadas, privatizações, investimentos em geral, financiamentos, teve reuniões com banqueiros e investidores, e teve uma crise renal. Foi hospitalizado na noite de segunda-feira e em seguida teve alta. Existem métodos não incisivos para destruir as pedras nos rins, que provocam grande dor. Mas ele está em repouso, será preciso investigar daqui a um dia ou dois se houve alguma inflamação no canal que liga os rins e a bexiga.
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Os chocantes ataques em escolas no Brasil e nos EUA
Queria concluir falando deste ataque a faca por parte de um aluno de 13 anos, que matou uma professora de 71 anos, feriu outro aluno e mais três professores em São Paulo. Há 30 anos repousa no Senado um projeto pra mudar a Constituição e alterar a idade penal. Porque quem tem 13 anos sabe muito bem que não pode matar. Assim que alguém começa a ter noção de valores, estando em um lar que dê bons exemplos, a criança aprende logo que matar é um crime muito grave. É preciso pensar sobre isso.
Ataques em escola sempre chocam. Em Nashville, no Tennessee (EUA), Audrey Hale, uma ex-aluna de uma escola presbiteriana para crianças, agora com 28 anos, com raiva da escola, entrou lá armada com uma pistola, uma carabina 9 milímetros e um fuzil, matou três crianças de 9 anos e três adultos de 60 anos. Só não matou mais porque foi abatida pela polícia.
Não é porque aconteceu em uma escola presbiteriana, mas é preciso que valores sejam incutidos na cabeça das pessoas que estão perdendo a noção do que é certo e do que é errado, do que é o bem e do que é o mal. Esse caso dessa moça nos Estados Unidos é raro também porque, em geral, esses ataques em escolas são feitos por rapazes, por homens, é raríssimo uma mulher entrar armada e atacar.
Até deputados do PDT dão como certa a demissão de Carlos Lupi do Ministério da Previdência, em razão da trapalhada na redução dos juros dos empréstimos consignados sem consultar quem entende do assunto e nem mesmo a coordenação do governo.
Lupi recebeu mais um sinal de que não está agradando: a Casa Civil informou somente na última hora que estava cancelada a reunião em seu próprio ministério para definir o assunto. É que tudo foi decidido por Lula na véspera. Sem ouvir Lupi.
Em nota curta, a Casa Civil informou ontem que a reunião para discutir juros do consignado “ocorreu na noite da última segunda-feira (27)”.
A expectativa do Planalto é que Lupi se demita, até para “protestar” contra seu alijamento na decisão, mas ele é apegado à boquinha.
Após alterar os juros sem consultar ninguém, em nome do “governo”, Lupi tomou uma bronca humilhante de Lula ao telefone.
Lula percebeu que Lupi o colocou no viva-voz, para se exibir a visitantes, e reclamou até de sua passagem (trágica) pelo Ministério do Trabalho.
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Francamente, num sei nem o que dizer.
Não vou fazer comentários sobre essa nota aí de cima.
Deixo o serviço para os certeiros leitores desta gazeta escrota.
Sem consenso entre alas técnica e política, Haddad terá de conversar com Congresso e economistas para fechar novo arcabouço fiscal
Nesta terça-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou a ata de sua reunião da semana passada, em que aprofunda os argumentos apresentados no comunicado em que anunciava a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano, para desgosto de todos os terraplanistas econômicos que ainda acreditam, contra toda a evidência, ser possível gastar como se não houvesse amanhã sem gerar inflação e juros. Quando passa da descrição do cenário atual para a prescrição – ou seja, aponta o que precisa ser feito para que o país possa finalmente retornar a taxas mais baixas –, a palavra de ordem do Copom é “ancorar as expectativas”.
Afinal, se há algo que o governo Lula conseguiu fazer nesses últimos cinco meses – incluindo o período como governo eleito, após as eleições e antes da posse –, foi estraçalhar qualquer expectativa de uma política fiscal responsável. A âncora fiscal que vigorava desde 2016, o teto de gastos, recebeu seu golpe fatal na PEC fura-teto; praticamente todas as declarações de Lula e da equipe econômica por ele escolhida tratam da necessidade de se gastar mais – e minimizar essa realidade chamando gasto de “investimento” não resolve nada, pois os recursos do contribuinte são consumidos da mesma forma, independentemente do nome que se dê a isso; o primeiro pacote apresentado por Fernando Haddad para reduzir o déficit público apostava pesadamente em aumento de arrecadação, e não em corte de despesas; mesmo medidas que podem ser entendidas como fiscalmente responsáveis demonstram que planejamento é item em falta neste governo.
Em um cenário como este, é totalmente natural que os agentes do mercado financeiro e os investidores esperem tempos ainda mais bicudos à frente: as projeções de inflação sobem (o que alimenta a espiral inflacionária, explica o Copom na ata), as estimativas de crescimento caem, os investidores colocam o pé no freio, e o Brasil é obrigado a oferecer juros mais altos para quem se dispõe a emprestar seu dinheiro ao Tesouro. Daí a importância de “ancorar as expectativas”, ou seja, de demonstrar que a política fiscal do governo será capaz de restaurar a credibilidade do país, para que este processo não contamine de vez o médio e longo prazos (o que já começa a ocorrer, segundo o Copom). Uma chave para atingir esse objetivo está na regra fiscal ainda desconhecida que o governo promete apresentar em breve.
“O Comitê seguirá acompanhando o desenho, a tramitação e a implementação do arcabouço fiscal que será apresentado pelo governo e votado no Congresso”, diz a ata, deixando claro, no entanto, que a mera exposição do conteúdo da nova âncora fiscal não basta para a ancoragem das expectativas. “Não há relação mecânica entre a convergência de inflação e a apresentação do arcabouço fiscal”, afirmam os membros do Copom; “no entanto, o Comitê destaca que a materialização de um cenário com um arcabouço fiscal sólido e crível pode levar a um processo desinflacionário mais benigno através de seu efeito no canal de expectativas”.
Sólido e crível, eis os termos-chave. Uma regra frouxa ou mal elaborada em nada ajudará a recuperar a confiança do investidor. E mesmo uma regra boa não dará muito fruto se o mercado perceber que ela pode ser facilmente contornada, como ocorreu com o teto de gastos. A âncora de 2016 era sensata e tinha inclusive o mérito de não permitir uma explosão de despesas em tempos de bonança, garantindo que receitas maiores, seja por aumento ordinário de arrecadação, seja por entradas extraordinárias como concessões e privatizações, fossem destinadas ao abatimento da dívida pública, e não à contratação de novas despesas que muitas vezes se tornariam permanentes e pressionariam o orçamento em tempos de vagas magras. Mas não demorou muito para que governo e Congresso inventassem todos os meios possíveis e imagináveis de burlar o teto. Essa desmoralização cobrou seu preço em indicadores como o câmbio e a curva de juros futuros.
Por mais que Lula e seus aliados continuem esperneando contra o Banco Central, está claro que a bola está com o governo: boa parte da atual incerteza deriva do fato de que não se sabe que âncora fiscal o país terá nos próximos anos, e isso é algo que só o Executivo pode resolver, apresentando logo um arcabouço fiscal “sólido e crível”. E, se o projeto não tiver essas características, que o Congresso tenha a inteligência de fazer os ajustes necessários para que os recursos tomados do contribuinte por meio dos impostos sejam usados com mais racionalidade e eficiência, restaurando a confiança que se manifesta em mais investimento, emprego e renda para os brasileiros.