DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O LÁZARO DA PÁTRIA – Augusto dos Anjos

Filho podre de antigos Goitacases,
Em qualquer parte onde a cabeça ponha,
Deixa circunferências de peçonha,
Marcas oriundas de úlceras e antrazes.

Todos os cinocéfalos vorazes
Cheiram seu corpo. À noite, quando sonha,
Sente no tórax a pressão medonha
Do bruto embate férreo das tenazes.

Mostra aos montes e aos rígidos rochedos
A hedionda elefantíase dos dedos…
Há um cansaço no Cosmos… Anoitece.

Riem as meretrizes no Cassino,
E o Lázaro caminha em seu destino
Para um fim que ele mesmo desconhece!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo-PB (1884-1914)

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

OVOS DE OURO

Embarque de farelo de soja no Porto de Paranaguá.

Embarque de farelo de soja no Porto de Paranaguá

Nesta terça-feira toma posse a nova direção da Frente Parlamentar da Agropecuária, que terá muito trabalho pela frente para defender o agro no Congresso. O campo parece alvo de algum tipo de vingança, por ter votado majoritariamente em Bolsonaro. O agro representa uma quarta parte de tudo que se produz no país e as exportações do setor têm garantido sucessivos superávits na balança comercial e equilíbrio em nossas contas externas. Isso sem falar no óbvio: são os produtos da terra que garantem nossa segurança alimentar e contribuem para alimentar mais de 1,5 bilhão de habitantes deste planeta. Um setor que se destaca por tecnologia, modernidade e produtividade. A atual produção de grãos vai crescer 15%, mas a área plantada aumenta em apenas 3,5%. O PIB do agro brasileiro é igual ao PIB da Argentina inteira.

Num país prejudicado pela insegurança jurídica – agora não existe coisa julgada para tributos –, a principal preocupação do agro nestes tempos é com o direito de propriedade. Cláusula pétrea na Constituição, o artigo 5.º põe na mesma linha do direito à vida e o direito de propriedade. No entanto, nas invasões a propriedades da Suzano Celulose, no sul da Bahia, o governo recomenda “diálogo” com o agressor de um direito pétreo. E paira no Supremo uma decisão sobre terras indígenas, que pode afetar gravemente os produtores rurais. É o chamado marco temporal, a tirar o sono de quem precisa repousar para produzir alimentos no dia seguinte. Os constituintes foram bem claros no artigo 231 ao estabelecer que são dos índios “as terras que tradicionalmente ocupam”. Destaquei o verbo porque está no presente; não diz “que ocuparam” nem “que vierem a ocupar”. Portanto, pela língua portuguesa dos constituintes, são as terras que ocupam no dia da promulgação da Constituição, 5 de outubro de 1988.

Parece um desmonte: o ministério que era “da Agricultura, Pecuária e Abastecimento”, com a sigla Mapa, definhou. Com a ministra Tereza Cristina, conquistou mercados em 150 países do mundo e tinha ferramentas para isso. Agora foi desarmado. O Cadastro Ambiental Rural foi para Marina Silva, do Meio Ambiente. A Conab, o Incra, a Agência de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), a Ceagesp e a Ceasa/MG foram para o Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, do ministro Paulo Teixeira, do PT. O ministro da Agricultura, Carlos Favaro, ex-presidente da Aprosoja, ficou apenas com a Embrapa.

Semana passada, o presidente da República queixou-se de que “produzimos alimentos demais”. Talvez ele não saiba que o excesso vai para a exportação, que permite que importemos o que não temos? Será que ele não sabe que esse produzir demais gera renda, empregos, agroindústria, impostos? Um dos líderes do PSDB, Tasso Jereissati, acaba de julgar que Lula não está sendo conciliador como Mandela foi, mas simplesmente um anti-Bolsonaro. Se for vingar-se dos eleitores de Bolsonaro no agro, porque ajudaram a promover grandes manifestações em Brasilia, vai acabar matando a galinha dos ovos de ouro.

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MARLUCE MATHIAS BORBA – UBERLÂNDIA-MG

Meu querido editor,

Parabéns por manter no ar esta gazeta fantástica, minha leitura obrigatória todos os dias.

Continue firme e fazendo sucesso. Estamos aqui para dar apoio.

Por favor, publique este vídeo.

É um filme da Sessão da Tarde: Lula, o Mentiroso.

Fico imensamente grata. 

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DEU NO JORNAL

DEU NO X

J.R. GUZZO

A POLÍTICA EXTERNA DO GOVERNO LULA É DIGNA DE UM GRÊMIO ESTUDANTIL: SÓ APOIA DITADURAS

Lula é aliado antigo do ditador nicaraguense Daniel Ortega

Lula é aliado antigo do ditador nicaraguense Daniel Ortega

O governo Lula está fornecendo ao país pelo menos um tipo muito claro de segurança: erra em tudo o que faz. Essa é uma certeza que se pode ter, no meio do mar de instabilidade, de dúvidas e de decisões irresponsáveis que marcam esse começo de caminhada. O governo decidiu alguma coisa? Então ninguém precisa ter trabalho pensando a respeito: a decisão, com certeza, foi errada.

A “política externa”, ou a conduta de grêmio estudantil que passa por diplomacia no Brasil atual, é uma demonstração a mais dessa incapacidade estrutural de acertar que faz o Lula-3 estar sendo o que é. Seu último acesso de inépcia é exemplar.

O Brasil recusou-se a assinar um documento, promovido pelas mais sagradas democracias do mundo, no qual se denuncia e reprova a ditadura cada vez mais grosseira da Nicarágua. Era uma escolha fácil – até os governos de esquerda do Chile e da Colômbia, para ficar só na América Latina, assinaram o documento de condenação, por acharem que a Nicarágua passou dos limites em matéria de abjeção. Era também uma oportunidade para o Brasil se alinhar com as democracias de Primeiro Mundo que vivem encantadas com Lula e com o que imaginam ser as suas virtudes de “democrata”. O Itamaraty fez a escolha errada: ficou, na prática, do lado da ditadura.

É a terceira vez seguida, em apenas dois meses, que a política externa do Brasil se põe em posição frontalmente contrária a das democracias modernas, civilizadas e anticarbono do mundo; começa a virar uma opção permanente pelo conflito com a gente “de bem” da comunidade internacional.

O Brasil já tinha se recusado a atender um pedido do governo da Alemanha, um dos maiores puxa-sacos internacionais de Lula e do PT, para enviar tanques brasileiros fabricados com tecnologia alemã ao teatro de guerra na Ucrânia. Também permitiu, de forma ostensiva e militante, a entrada de navios de guerra do Irã no porto do Rio de Janeiro. Negou-se, aí, a atender um pedido expresso dos Estados Unidos.

Também violou um preceito básico das democracias mundiais, que consideram o regime iraniano um incentivador ativo do terrorismo internacional e não permitem que mande navios para os seus portos. Para que isso? Para mostrar o que os diplomatas de Lula chamam de “independência”.

Seu recado para o mundo é aquela coisa terceiro mundista de 70 anos atrás, burra, obtusa, com prazo de validade vencido e, mais do que tudo, diretamente contrária aos interesses do Brasil: “Gostamos do Irã, da Palestina, das ditaduras bananeiras, do terrorismo, do subdesenvolvimento. Não gostamos dos países que deram certo”.

Lula sempre foi uma figura de sonho para o político intelectual europeu – o nativo que foi catequisado, como os padres jesuítas fizeram com os índios 500 anos atrás, e transformado num boneco que só emite sons politicamente corretos e serve aos interesses da matriz. Não vai perder o cartaz que lhe deram lá fora, porque não têm ninguém para pôr no seu lugar. Com a sua “política externa” quem sofre é apenas o Brasil.