CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

EMERGÊNCIA – Mário Quintana

Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que estás numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo –
para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado.

Mário de Miranda Quintana, Alegrete-RS (1906-1994)

DEU NO X

RODRIGO CONSTANTINO

POVO NAS RUAS NÃO É MAIS GOLPISMO… EM ISRAEL!

Protestos maciços eclodiram nas ruas de Israel e uma greve nacional foi marcada para começar depois que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu demitiu um membro do gabinete que se opunha à sua tentativa de reformar o sistema judicial do país, restringindo o poder da Suprema Corte.

Netanyahu, que está tentando expandir a autoridade legislativa do parlamento israelense Knesset, restringindo o poder arbitrário da Suprema Corte, demitiu no domingo o ministro da Defesa, Yoav Gallant, que pediu uma pausa nas reformas. Manifestantes de esquerda, já agitados pelo que consideram uma ameaça à democracia israelense, reagiram bloqueando ruas e pontes e ateando fogo nas estradas.

Os críticos da Suprema Corte de Israel acreditam que ela tem muito poder e não responde perante o povo. Embora as propostas tenham perturbado Israel, a maioria delas cria os freios e contrapesos entre os poderes legislativo e judiciário adotados pelos EUA. Ao contrário dos EUA, Israel não tem uma constituição escrita.

Sob as reformas propostas, o Knesset teria um papel maior na seleção de juízes e o poder de anular as decisões da Suprema Corte que repelem as leis. O tribunal superior também seria forçado a aplicar a lei aos casos, em vez de decidir com base em seu próprio teste de “razoabilidade”.

Em suma, a direita no poder, uma coalizão eleita pelo povo, tenta impor limites aos abusos supremos, uma vez que a extrema esquerda, no passado, criou o caminho para o ativismo judicial. A Corte Suprema de Israel pode quase tudo, inclusive legislar, e o debate gira em torno desses limites, presentes em países como os EUA.

A esquerda não gostou, odeia Netanyahu, e considera a reforma uma ameaça. Por isso tomou as ruas e promoveu a greve geral. É um debate mais profundo sobre quais deveriam ser os mecanismos de freios e contrapesos numa democracia. Curiosamente, a esquerda costuma sempre adotar uma postura ambivalente, contraditória, pois seu julgamento depende apenas de quem detém o poder, não de como ele é exercido institucionalmente.

Caio Blinder, um judeu de esquerda, está aplaudindo os protestos: “Tel Aviv, na virada de domingo para segunda feira. Canal 12 estima que de 600 mil a 700 mil pessoas saíram às ruas em Israel sem um protesto planejado assim que Netanyahu demitiu o ministro da Defesa e avançou com seu golpismo. Estamos falando de uns 8% da população do país”. Para o petista, o primeiro-ministro eleito é o golpista: “Pela primeira vez na história de Israel, Líderes trabalhistas, empresariais e banqueiros se unem e estão prestes para decretar greve geral contra o golpismo de Netanyahu”.

Como fica claro, a esquerda não liga para os métodos, mas sim para quem comanda o poder. Se a direita é eleita e apresenta propostas de reformas, isso em si já é golpismo, e o povo tomar as ruas e fazer greve é democracia. Mas se a direita é quem toma as ruas para protestar contra abusos inconstitucionais da esquerda no poder, então isso passa a ser golpismo. Cara eu ganho, coroa você perde. A direita, para a esquerda radical, será sempre a golpista, não importa o que aconteça.

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RLIPPI CARTOONS

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J.R. GUZZO

UM POÇO DE RESSENTIMENTO

Lula debochou da operação da PF contra o PCC | Foto: Rafael Vieira/Agência de Fotografia/Estadão Conteúdo

Lula debochou da operação da PF contra o PCC

Insulto após insulto, decisão após decisão, o presidente Lula tem conseguido se mostrar, em menos de 90 dias no governo, o chefe de Estado mais irresponsável que o Brasil já teve desde a volta dos civis ao governo deste país. Já se mostrou, também, inepto – não consegue, simplesmente, governar o Brasil com um mínimo de competência. Gastou todo o seu tempo até agora no ataque a inimigos imaginários e na produção de fumaça demagógica; não tem a mais remota ideia a respeito de como começar a resolver qualquer dos problemas que crescem todos os dias bem na sua frente, mesmo porque não entende a natureza mais elementar desses problemas. Lula, agora, também deixou de fazer nexo no que diz. A impressão é a de que temos na Presidência da República um homem que está em processo de perda acelerada do equilíbrio mental.

Seu último surto, e o pior de todos os que já teve, foi a declaração demente de que a operação policial que descobriu, num prazo recorde de 45 dias, um plano do PCC para assassinar o senador Sérgio Moro, o promotor Lincoln Gakiya e diversas outras autoridades, era uma “armação” do próprio Moro. “É visível que isso é armação do Moro”, disse ele. Lula fez o seguinte: afirmou que o trabalho de 120 policiais da Polícia Federal, mais as autoridades do Ministério Público de São Paulo e de órgãos de combate ao crime organizado, é uma invenção de Sergio Moro. O trabalho policial identificou imóveis alugados pelos criminosos nas vizinhanças da residência do senador em Curitiba. Gravou conversas entre os criminosos. Obteve vídeos feitos pelos bandidos para registrar a movimentação física de Moro e seus familiares. Descobriu um investimento de 5 milhões de reais no plano. Prendeu, por ordem judicial, uma dezena de pessoas. Lula diz que tudo isso é “armação” de Moro – não um sucesso brilhante da polícia que faz parte do seu próprio governo. Praticou calúnia em público: acusou a Polícia Federal e o senador de um crime que não cometeram. Depois de dizer o que disse, como sempre acontece com ele, quis se proteger – afirmou que “não queria acusar ninguém sem provas”. Por que diabo acusou, então? Não faz sentido.

O ataque a Moro, à PF e ao MP fica particularmente pior porque, momentos antes, Lula tinha cometido outra agressão alucinada contra Moro — disse que não iria sossegar enquanto não arruinasse a vida do ex-juiz, e que só tinha desejos de vingança contra ele. Revelou que pensou essas coisas na cadeia, mas e daí? Por que fez questão de falar sobre elas justo agora? Lula, visivelmente, não está interessado em governar o Brasil neste momento. Só pensa em cultivar seus próprios ressentimentos.

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